Ls. A. UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

The Theosophical Publishing House    Adyar   .   Madras   .   Índia
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Impresso por C. Subbarayudu na Vasanta Press,              The Theosophical Society, Adyar, Madras                      P. I. C. No. 85—11-4-

PREFÁCIO

ESTE livro destina-se a auxiliar os estudantes em seu estudo do crescimento e desenvolvimento da consciência, oferecendo sugestões e indicações que possam ser-lhes úteis.

Não pretende ser uma exposição completa, mas antes, como seu subtítulo declara, uma contribuição à ciência da Psicologia.

Materiais muito mais amplos do que os que estão ao meu alcance são necessários para qualquer exposição completa da ciência de vasto alcance que trata do desdobramento da consciência.

Esses materiais estão lentamente se acumulando nas mãos de estudantes sinceros e diligentes, mas nenhum esforço foi ainda feito para organizá-los e sistematizá-los num todo coordenado.

Neste pequeno volume, organizei apenas uma pequena parte desse material, na esperança de que possa ser útil agora a alguns dos trabalhadores no grande campo da Evolução da Consciência, e possa servir, no futuro, como uma pedra no edifício completo.

Será necessário um grande arquiteto para planejar esse templo do conhecimento, e hábeis mestres-de-obras para dirigir a construção; basta, por enquanto, fazer a tarefa de aprendiz e preparar as pedras brutas para o uso dos trabalhadores mais experientes.

ANNIE BESANT

ÍNDICE

PARTE I

CONSCIÊNCIA                                                        PÁGINA
INTRODUÇÃO

1.   Origens       2.   Originação das Mônadas        .          

CAPÍTULO I.     A PREPARAÇÃO DO CAMPO

1.   A Formação do Átomo        .          .   .      2.   Espírito-Matéria        .       .       .      3.   Os Subplanos        .          .   ,      4.   Os Cinco Planos       .      .       .   .

CAPÍTULO II.    CONSCIÊNCIA

1.   O Significado da Palavra      .       .   .      2.   As Mônadas            .          .   .

CAPÍTULO III.

O POVOAMENTO DO CAMPO

1.   O Surgimento das Mônadas      .       .     2.    A Tecelagem        .       .       .     3.   Os Sete Fluxos .          .       .     4.   Os Resplandecentes     .           .   .                                 viii

PÁGINA CAPÍTULO IV.     O ÁTOMO PERMANENTE

1.   A Fixação dos Átomos                      .                 2.   A Teia da Vida           .             .       .           .      3.   A Escolha dos Átomos Permanentes                         .      4.   O Uso dos Átomos Permanentes                  .       .      5.   Ação Mônadica sobre os Átomos Permanentes                   .

CAPÍTULO V.      ALMAS-GRUPO

1.   O Significado do Termo                 .       .      2.   A Divisão da Alma-Grupo                  .       .

CAPÍTULO VI.     UNIDADE DA CONSCIÊNCIA

1.   A Consciência como Unidade                    .       .       .     2.    Unidade da Consciência Física             .       .      3.   O Significado da Consciência Física                   .

CAPÍTULO VII.

O MECANISMO DA CONSCIÊNCIA

1.   O Desenvolvimento do Mecanismo                    .     2.    O Corpo Astral ou de Desejos                   .       .     3.    Correspondência nas Raças-Raízes                .       .

CAPÍTULO VIII.

PRIMEIROS PASSOS HUMANOS

1.   A Terceira Onda de Vida                 .       .      2.   Desenvolvimento Humano                   .       .       .      3.   Almas e Corpos Incongruentes                .       .     4.    Aurora da Consciência no Plano Astral .

CAPÍTULO IX.     CONSCIÊNCIA           E   AUTOCONSCIÊNCIA

1.   Consciência         .             .       .       .     2.    Autoconsciência .                              .      3.   Real e Irreal       .             .       .       .                                      ix

PÁGINA CAPÍTULO X.       ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA

1.       A Subconsciência     2.       A Consciência de Vigília .     3.       A Consciência Superfísica

CAPÍTULO XI.      A MÔNADA EM AÇÃO     1.       Construindo Seus Veículos     2.       Um Homem em Evolução     3.       O Corpo Pituitário e a Glândula Pineal .     4.       Os Caminhos da Consciência .

CAPÍTULO XII.

A NATUREZA DA MEMÓRIA

1.       O Grande Eu e os Pequenos Eus.

2.       Mudanças nos Veículos e na Consciência.

3.       Memórias    .....     4.       O que é Memória?         ....     5.       Lembrar e Esquecer     6.       Atenção   .....     7.       A Consciência Una

Parte II

VONTADE, DESEJO E EMOÇÃO

CAPÍTULO I.       A VONTADE DE VIVER

CAPÍTULO II.      DESEJO

1.       A Natureza do Desejo     2.        O Despertar do Desejo     3.        A Relação do Desejo com o Pensamento

PÁGINA CAPÍTULO II.    DESEJO (continuação)

4.   Desejo, Pensamento, Ação      5.   A Natureza Vinculante do Desejo      6.   A Quebra dos Laços      .

CAPÍTULO III.

DESEJO (continuação)

1.   O Veículo do Desejo      2.   O Conflito entre Desejo e Pensamento .      3.   O Valor de um Ideal      4.   A Purificação do Desejo

CAPÍTULO IV.     EMOÇÃO

1.   O Nascimento da Emoção      2.   O Jogo da Emoção na Família      3.   O Nascimento das Virtudes      4.   Certo e Errado           ....      5.   Virtude e Bem-aventurança       ....      6.   A Transmutação das Emoções em Virtudes                e Vícios            ....      7.   Aplicação da Teoria à Conduta      8.   Os Usos da Emoção

CAPÍTULO V.      EMOÇÃO (continuação)

1.   O Treinamento da Emoção        .    .        !      2.   A Força Distorciva da Emoção      3.   Métodos de Governar as Emoções      4.   O Uso da Emoção      5.   O Valor da Emoção na Evolução                             XI

PÁGINA CAPÍTULO VI.   A VONTADE     1.   A Vontade Conquistando Sua Liberdade   .        2.   Por Que Tanta Luta?    .    .   -     3.   O Poder da Vontade     .    .   -     4.   Magia Branca e Negra     .■   .        5.   Entrando em Paz.

.    .   .                     INTRODUÇÃO

O assunto do desdobramento da consciência nos seres cujo campo de evolução é um sistema solar é de considerável dificuldade; nenhum de nós pode, no presente, esperar fazer mais do que dominar uma pequena parte de sua complexidade, mas pode ser possível estudá-lo de tal maneira que possa preencher algumas lacunas em nosso pensamento e nos fornecer um contorno bastante claro para orientar nosso trabalho futuro.

Não podemos, contudo, traçar esse contorno de maneira satisfatória para a inteligência, sem considerar primeiro nosso sistema solar como um todo, e nos esforçar para apreender alguma ideia, por mais vaga que seja, dos "começos" em tal sistema.

1.   ORIGENS

Aprendemos que a matéria em um sistema solar existe em sete grandes modificações, ou planos; em três deles — o físico, o emocional (astral) e o mental —, frequentemente chamados de "os três mundos", o conhecido Triloki, ou Tribhuvanam, da cosmogonia hindu — processa-se a evolução normal da humanidade.

Nos dois planos seguintes, os espirituais — os da sabedoria e do poder, o búdico e o átmico —, realiza-se a evolução específica do Iniciado, após a primeira das Grandes Iniciações.

Esses cinco planos formam o campo da evolução da consciência, até que o humano se funde no divino.

Os dois planos além dos cinco representam a esfera da atividade divina, circundando e envolvendo tudo, de onde emanam todas as energias divinas que vivificam e sustentam todo o sistema.

Eles estão atualmente inteiramente além do nosso conhecimento, e as poucas sugestões que nos foram dadas a respeito provavelmente transmitem tanta informação quanto nossa capacidade limitada é capaz de apreender.

Somos ensinados que eles são os planos da Consciência divina, nos quais o Logos, ou a divina Trindade de Logoi, se manifesta, e de onde Ele brilha como o Criador, o Preservador, o Dissolvedor, evoluindo um universo, mantendo-o durante seu período de vida, e retirando-o para Si mesmo ao seu término.

Recebemos os nomes desses dois planos: o inferior é o Anupadaka, aquele em que "nenhum veículo foi ainda formado";¹ o superior é o Adi, "o primeiro", o fundamento de um universo, seu suporte e a fonte de sua vida.

Temos assim os sete planos de um universo, um sistema solar, que, como vemos por esta breve descrição, podem ser considerados como formando três grupos: I. O campo da manifestação Lógica apenas; II. O campo da evolução humana supernormal, o do Iniciado; III. O campo da evolução elemental, mineral, vegetal, animal e humana normal.

Podemos tabular esses fatos assim:

        i.   Adi        I. O campo da manifestação Lógica apenas.
       ii.   Anupadaka J

      iii.   Átmico         II. O campo da evolução humana supernormal.
       iv.   Búdico     J

        v.   Mental    T III. O campo da evolução elemental, mineral,
       vi.   Emocional > vegetal, animal e humana normal.
      vii.   Físico    )

Do Pranava-vada, um manuscrito sânscrito não publicado [Agora publicado como The Science of the Sacred Word, ou O Pranava-vada de Gargyayana.]

Os dois planos mais elevados podem ser concebidos como existindo antes de o sistema solar ser formado, e podemos imaginar o mais elevado, o Adi, como consistindo de tanto da matéria do espaço — simbolizada por pontos — quanto o Logos marcou para formar a base material do sistema que Ele está prestes a produzir.

Assim como um trabalhador escolhe o material que vai moldar em seu produto, assim o Logos escolhe o material e o lugar para o Seu universo.

Da mesma forma, podemos imaginar o Anupadaka — simbolizado por linhas — como consistindo dessa mesma matéria modificada pela Sua vida individual, colorida, para usar uma metáfora significativa, pela Sua Consciência que tudo anima, e assim diferindo de alguma maneira do plano correspondente em outro sistema solar.

Somos informados de que os fatos supremos deste trabalho preparatório podem ser ainda mais representados em símbolos; destes, recebemos dois conjuntos, um dos quais representa a tríplice manifestação da Consciência Lógica, o outro a tríplice mudança na matéria correspondente à tríplice Vida — os aspectos de vida e forma dos três Logos.

Podemos colocá-los lado a lado, como acontecimentos simultâneos:

VIDA             FORMA

i.      Adi

ii.     Anupadaka

Temos aqui, sob Vida, o Ponto primordial no centro do Círculo, o Logos como Um dentro da esfera autoimposta de matéria sutilíssima, na qual Ele Se encerrou para o propósito da manifestação, de brilhar para fora das Trevas.

Imediatamente surge a questão: Por que três Logos? Embora toquemos aqui na questão mais profunda da metafísica, para expor a qual mesmo inadequadamente requer um volume, devemos indicar a resposta, a ser elaborada por pensamento rigoroso.

Na análise de tudo o que existe, chegamos à grande generalização: "Tudo é separável em 'Eu' e 'Não-Eu', o 'Self' e o 'Não-Self'. Cada coisa separada é resumida sob uma ou outra das categorias, Self ou Não-Self.

Não há nada que não possa ser colocado sob uma delas.

Self é Vida, Consciência; Não-Self é Matéria, Forma." Aqui, então, temos uma dualidade.

Mas os Dois não são duas coisas separadas, isoladas e sem relação; há uma contínua Relação entre eles, uma contínua aproximação e afastamento, uma identificação e uma repudiação; essa interação se mostra como o universo em constante mudança.

Assim, temos uma Trindade, não uma Dualidade — o Self, o Não-Self e a Relação entre eles.

Tudo aqui está resumido, todas as coisas e todas as relações, atuais e possíveis, e, portanto, Três, nem mais nem menos, é o fundamento de todos os universos em sua totalidade, e de cada universo em particular.¹ Este fato fundamental impõe a um Logos uma triplicidade de manifestação em um sistema solar e, portanto, o Uno, o Ponto, partindo em três direções até a circunferência do Círculo da Matéria e retornando sobre Si mesmo, manifesta um aspecto diferente em cada

O estudante deve estudar cuidadosamente *A Ciência da Paz*, de Bhagavan Das, no qual as questões metafísicas envolvidas são expostas com rara perspicácia e felicidade.

INTRODUÇÃO

lugar de contato com o Círculo — as três expressões fundamentais da Consciência: ou Vontade, Sabedoria e Atividade — a Tríade ou Trindade divina.¹ Pois o Ser Universal, o Pratyag-atma, o "Ser Interior", pensando no Não-Ser, identifica-Se com ele, compartilhando assim com ele o Seu Ser; esta é a Atividade divina, Sat, a Existência emprestada ao Não-existente, a Mente Universal.

O Ser, realizando-Se a Si mesmo, é Sabedoria, Chit, o princípio de preservação.

O Ser, retirando-Se do Não-Ser, em Sua própria natureza pura, é Bem-aventurança, Ananda, livre de forma.

Todo Logos de um universo repete esta Autoconsciência universal: em Sua Atividade, Ele é a Mente criativa, *Iccha* — correspondendo ao Sat universal — o Brahma dos hindus, o Espírito Santo dos cristãos, o Chochmah dos cabalistas.

Em Sua Sabedoria, Ele é a Razão ordenadora e preservadora, *Jnana* — correspondendo ao Chit universal — o Vishnu dos hindus, o Filho dos cristãos, o Binah dos cabalistas.

Em Sua Bem-aventurança, Ele é o Dissolvedor de formas, a Vontade, *Ichchha* — correspondendo ao Ananda universal — o Shiva dos hindus, o Pai dos cristãos, o Kepher dos cabalistas.

Assim aparecem em todo universo os três Logos, os três Seres que criam, preservam e dissolvem Seu universo, cada um manifestando predominantemente em Sua função no universo um Aspecto regente, ao qual os outros dois são subordinados, embora é claro, sempre presentes.

Portanto, todo

"Poder, Sabedoria e Amor" é outra maneira favorita de expressar essa triplicidade; mas isso omite a Atividade e duplica o Amor, a menos que o Amor seja tomado como seu equivalente, pois o Amor é essencialmente ativo.

Sabedoria e Amor parecem-me ser o mesmo aspecto da consciência; aquilo que se manifesta acima como Sabedoria, a realização da Unidade, manifesta-se no mundo das formas como Amor, a força atrativa que realiza a Unidade num mundo de seres separados.

UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

fala-se do Deus manifestado como uma Trindade.

A união desses três Aspectos, ou fases da manifestação, em seus pontos exteriores de contato com o círculo, dá o Triângulo básico de contato com a Matéria, o qual, com os três Triângulos formados pelas linhas traçadas pelo Ponto, produz assim a divina Tetractys, às vezes chamada de Quaternário Cósmico, os três aspectos divinos em contato com a Matéria, prontos para criar.

Estes, em sua totalidade, são a Oversoul¹ do cosmos que há de ser. Sob a Forma, podemos primeiro examinar os efeitos desses Aspectos tal como são respondidos do lado da Matéria.

Estes não se devem, é claro, ao Logos de um sistema, mas são as correspondências na Matéria universal com os Aspectos do Self universal.

O Aspecto de Beatitude, ou Vontade, impõe à Matéria a qualidade de Inércia — Tamas, o poder de resistência, estabilidade, quietude.

O Aspecto de Atividade dá à Matéria sua responsividade à ação — Rajas, mobilidade.

O Aspecto de Sabedoria dá-lhe Ritmo — Satva, vibração, harmonia.

É com o auxílio da Matéria assim preparada que os Aspectos da Consciência Lógica podem manifestar-se como Seres.

O Logos — ainda não um primeiro, pois ainda não há segundo — é visto como um Ponto irradiando uma esfera de Matéria, traçada ao Seu redor como o campo do futuro universo, cintilando com esplendor inimaginável, uma verdadeira Montanha de Luz, como diz Manu, mas Luz invisível exceto nos planos espirituais.

Esta grande esfera tem sido chamada de Substância primária: é o Logos autocondicionado, inseparável em cada ponto da Matéria que Ele apropriou para o Seu universo, antes de Se afastar um pouco dela na segunda manifestação;¹ Emerson.

INTRODUÇÃO

é a esfera da Vontade autocondicionante, que deve conduzir à Atividade criativa: "Eu sou Isto", quando o "Isto", o Não-Self, é cognoscido.

O Ponto, falando simbolicamente — a fim de sugerir a Forma como vista pelo lado das aparências — vibra entre o centro e a circunferência, traçando assim a Linha que marca a separação entre Espírito e Matéria,¹ tornando possível a cognição, e gerando assim a Forma para o segundo Aspecto, o Ser que chamamos de Segundo Logos, simbolicamente a Linha, ou Diâmetro do Círculo.

Diz-se disto em frase mística: "Tu és Meu Filho; hoje Te gerei;"² esta relação de Pai e Filho dentro da unidade da Existência Divina, do Primeiro e Segundo Logos, pertence, naturalmente, ao Dia da Manifestação, o período de vida de um universo.

É este gerar do Filho, este aparecimento do Segundo Logos, a Sabedoria, que é marcado no mundo da Forma pela diferenciação, pela separação, de Espírito e Matéria, os dois polos entre os quais é tecida a teia de um universo; a separação, por assim dizer, da Eletricidade neutra e inativa — que pode simbolizar o Primeiro Logos — na forma dual de positiva e negativa — simbolizando o Segundo — tornando assim o não-manifestado manifesto.

Esta separação dentro do Primeiro Logos é vividamente imaginada para nós na preparação para a multiplicação celular que podemos estudar no plano físico, onde vemos os processos que levam ao aparecimento

É bom lembrar aqui que esta "separação" é apenas em consciência: a ideia de Espírito é separada da ideia de Matéria.

No universo dos fenômenos, não há Espírito não condicionado pela matéria, nem a menor partícula de matéria não informada pelo Espírito.

Todas as formas são conscientes; todas as consciências têm formas.

Salmos, ii, 7. 8                UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

de uma parede divisória, pela qual a única célula se torna duas.

Pois tudo o que acontece cá embaixo é apenas o reflexo, na matéria grosseira, dos acontecimentos nos planos superiores, e podemos frequentemente encontrar uma muleta para nossa imaginação vacilante em nossos estudos do desenvolvimento físico.

"Assim como acima, assim abaixo." O físico é o reflexo do espiritual.

Então o Ponto, com a Linha girando com ele, vibra em ângulos retos à vibração anterior, e assim se forma a Cruz, ainda dentro do Círculo, a Cruz que assim "procede do Pai e do Filho", o símbolo do Terceiro Logos, a Mente Criativa, a Atividade Divina agora pronta para manifestar-se como Criador.

Então Ele Se manifesta como a Cruz Ativa, ou Suástica, o primeiro dos Logos a manifestar-se fora dos dois planos mais elevados, embora seja o terceiro estágio do desdobramento divino.

VIDA            forma

i. Adi

ii. Anupadaka

iii.

Átmico

2.   ORIGEM DAS MÔNADAS

Mas antes de considerar a Atividade criativa do Terceiro Logos, devemos notar a origem das Mônadas, ou Unidades                             INTRODUÇÃO

de Consciência, para cuja evolução na matéria o campo de um universo deve ser preparado.

Retornaremos à sua consideração mais completa no Capítulo II.            As miríades de tais Unidades que devem ser desenvolvidas naquele vindouro universo são geradas dentro da Vida divina, como células germinativas em organismos, antes que o campo para sua evolução seja formado.

Deste dar à luz está escrito: "AQUELE quis: Multiplicar-me-ei e nascerei;" 1 e os Muitos surgem no Um por esse ato de Vontade.

A Vontade tem seus dois aspectos de atração e repulsão, de inalação e exalação, e quando o aspecto de repulsão energiza, há separação, afastamento.

Essa multiplicação dentro do Um pela ação da Vontade marca o lugar de origem—o Primeiro Logos, o Senhor indiviso, o Pai Eterno.

Estas são as faíscas do Fogo Supremo, os "fragmentos divinos",2 denominados geralmente 'Mônadas'.         Uma Mônada é um fragmento da Vida divina, separado como entidade individual por uma película raríssima de matéria, matéria tão rara que, embora dê uma forma separada a cada uma, não oferece obstáculo à livre intercomunicação de uma vida assim revestida com as vidas semelhantes circundantes.

A vida das Mônadas é, portanto, do Primeiro Logos, e é por isso de tríplice aspecto, existindo a Consciência como Vontade, Sabedoria e Atividade; essa vida toma forma no plano da Manifestação divina, o segundo, ou Anupadaka, Filhos do Pai assim como o Segundo Logos, mas Filhos mais jovens, sem nenhum de seus poderes divinos capaz de atuar em matéria mais densa que a de seus próprios planos; enquanto Ele, com eras de evolução atrás de Si, permanece pronto para exercer Sua divina

Chhandogyopanishat, VI, ii, 3.       3 Luz no Caminho.

UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

poderes, “o Primogênito entre muitos irmãos”¹.² Ajustadamente habitam o plano Anupadaka, as raízes de sua vida no Adi, ainda sem veículos nos quais possam expressar-se, aguardando o dia da “manifestação dos Filhos de Deus”. Ali permanecem enquanto o Terceiro Logos inicia a obra externa da manifestação, a modelagem do universo objetivo.

Ele está prestes a derramar Sua vida na matéria, a moldá-la nos materiais adequados para a construção dos veículos de que os Mônades necessitam para sua evolução.

Mas Ele não será absorvido em Sua obra; pois, por mais vasta que essa obra nos pareça, para Ele é apenas algo pequeno: “Tendo pervadido todo este universo com uma porção de Mim mesmo, Eu permaneço”.³ Essa maravilhosa Individualidade não se perde, e apenas uma porção dela basta para a vida de um cosmos.

O Logos, a Superalma, permanece, o Deus de Seu universo.

¹ Romanos, viii, 29. ² Ibid., 19. ³ Bhagavad-Gita, x, 42.

CAPÍTULO I

A PREPARAÇÃO DO CAMPO

1. A FORMAÇÃO DO ÁTOMO

O TERCEIRO Logos, a Mente Universal, inicia Sua Atividade criadora trabalhando sobre a matéria atraída do espaço infinito de todos os lados para a construção de nosso sistema solar.

Essa matéria existe no espaço em formas incognoscíveis para nós, mas aparentemente já está moldada às necessidades de sistemas mais vastos.

Pois H. P. Blavatsky nos disse que os sub-planos atômicos de nossos planos constituem o primeiro, ou mais baixo, plano cósmico.

Se pensarmos nos átomos desse plano cósmico como simbolizados por uma nota musical, nossos átomos, tal como formados pelo Terceiro Logos, podem talvez ser simbolizados pelos harmônicos de tal nota.

O que parece claro é que eles estão em estreita relação com os “átomos do espaço”, correspondem a eles, mas não são, em sua forma atual, idênticos a eles.

Mas os sete tipos de matéria, que se tornam nossos “átomos”, estão indicados na matéria atraída do espaço para formar o sistema solar, e são, em última análise, redutíveis novamente a eles.

H. P. Blavatsky sugere a repetida divisão setenária em átomos de grau cada vez mais baixo, quando escreve: “O Uno Átomo Cósmico torna-se sete átomos no plano da matéria, e cada um é transformado em um centro de energia.

Esse mesmo 12 — UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

O átomo torna-se sete raios no plano do espírito . . . separados até o fim do kalpa e, no entanto, em íntimo abraço." Fora dos limites de um universo, essa matéria encontra-se em um estado muito peculiar; as três qualidades da matéria — inércia, mobilidade e ritmo² — estão equilibradas entre si, em estado de equilíbrio.

Poderiam ser pensadas como existindo como um círculo fechado, quiescente.

De fato, em alguns livros antigos, a matéria em sua totalidade é descrita nesse estado como inércia.

Também é chamada de virgem; é a celeste Virgem Maria, o oceano de matéria virgem, que se tornará a Mãe pela ação do Terceiro Logos.

O início da Atividade criativa é a ruptura desse círculo fechado, lançando as qualidades do equilíbrio estável para o instável.

A vida é movimento, e a vida do Logos Solar — Seu Sopro, como é poeticamente chamado — tocando essa matéria quiescente, lançou as qualidades em uma condição de equilíbrio instável e, portanto, de movimento contínuo em relação umas às outras.

Durante o período de vida de um universo, a matéria está sempre em condição de incessante movimento interno.

H. P. Blavatsky diz: "Fohat endurece e dispersa os sete Irmãos . . . eletriza para a vida e separa a substância primordial, ou matéria pré-genética, em átomos." A formação do átomo tem três estágios.

Primeiro, a fixação do limite dentro do qual a vida que anima — a Vida do Logos no átomo — deverá vibrar; essa limitação e fixação do comprimento de onda da vibração é tecnicamente chamada de "a medida divina"⁴; isso confere aos átomos de um plano

A Doutrina Secreta, i, 696. (Ed. Londres, 1928). ² Tamas, Rajas e Satva.

A Doutrina Secreta, i, 105. ⁴ Tanmatra, a medida d'Aquilo — "Aquilo" sendo o Espírito Divino.

A PREPARAÇÃO DO CAMPO

sua peculiaridade distintiva.

Em segundo lugar, o Logos delineia, de acordo com essa medida divina, as linhas que determinam a forma do átomo, os eixos fundamentais de crescimento, a relação angular destes, que determina a forma, sendo a do átomo cósmico correspondente¹; a analogia mais próxima são os eixos dos cristais.

Em terceiro lugar, pela medida da vibração e pela relação angular dos eixos de crescimento entre si, o tamanho e a forma da superfície, que podemos chamar de superfície ou parede do átomo, são determinados.

Assim, em cada átomo temos a medida de sua vida animadora, seus eixos de crescimento e sua superfície ou parede envolvente.

De tais átomos, o Terceiro Logos cria cinco tipos diferentes, as cinco diferentes "medidas" implicando cinco vibrações diferentes, e cada tipo forma o material básico de um plano; cada plano, por mais variados que sejam os objetos nele contidos, tem seu próprio tipo fundamental de átomo, ao qual qualquer um de seus objetos pode, em última instância, ser reduzido.

2. ESPÍRITO-MATÉRIA

O epíteto espírito-matéria será talvez melhor apreciado se nos detivermos por um momento no método de formação dos átomos dos planos sucessivos.

Para cada sistema, a matéria do espaço ao seu redor é sua Raiz de Matéria, Mulaprakriti, como os hindus a denominam graficamente. A matéria de cada sistema tem essa matéria circundante como sua raiz, ou base, e sua matéria especial cresce a partir dela, é desenvolvida dela.

O Logos, a Superalma, do sistema, atraindo para Si a matéria necessária do espaço, anima-a com Sua própria vida, e essa vida dentro dessa matéria sutil, essa Mulaprakriti, é o Atma, o Self, o Espírito, em cada partícula.

Fohat, a energia do Logos, diz H. P. B., "cava buracos no espaço", e nenhuma descrição poderia ser mais fina e verdadeira.

Essa energia turbilhonante forma inúmeros vórtices, cada um moldado pela energia divina e pelos eixos de crescimento, e cada um revestido com a matéria do espaço, Atma em uma casca de Mulaprakriti, espírito em uma casca de matéria, os "átomos" do plano adi, ou plano mais elevado, o primeiro.

Alguns desses permanecem como "átomos"; outros se unem e formam "moléculas"; "moléculas" se unem e fazem combinações moleculares mais complexas; e assim por diante, até que seis subplanos abaixo do atômico sejam formados.

(Isso por analogia com o que pode ser observado abaixo, uma vez que esses planos mais elevados são incognoscíveis.) Agora vem a formação dos átomos do segundo plano.

Sua medida e eixos de crescimento sendo fixados como descrito acima pelo Terceiro Logos, alguns dos átomos do plano adi, ou primeiro, atraem ao seu redor uma casca das combinações de seu próprio subplano mais baixo; o Espírito mais sua casca original de matéria cósmica (Mulaprakriti), ou o átomo do primeiro plano, é o espírito do segundo plano, e permeia a nova casca, formada a partir das combinações de grau mais baixo de si mesmo.

Essas cascas, assim animadas, são os átomos do plano anupadaka, ou segundo.

Pelas agregações cada vez mais complicadas destes, os seis subplanos restantes são trazidos à existência.

Alguns dos átomos do plano anupadaka, de maneira semelhante, tornam-se revestidos com as agregações do seu próprio subplano mais inferior, e assim se tornam os átomos átmicos, estando agora o Espírito revestido com duas               A PREPARAÇÃO DO CAMPO

cascas, dentro de sua parede atômica de agregações do subplano mais inferior do anupadaka, e o Espírito original, ou Vida, mais suas duas cascas, sendo chamado o espírito do plano átmico, enquanto a parede de seu átomo é considerada como a matéria.

Este átomo, revestido mais uma vez nas agregações do subplano átmico mais inferior, torna-se o átomo do plano búdico.

O Espírito no plano búdico tendo assim três películas envolventes dentro de sua casca atômica de agregações átmicas mais inferiores.

No plano mental, o Espírito tem uma bainha quádrupla dentro da parede atômica, no plano astral uma quíntupla, e no físico uma sêxtupla, com a             parede atômica em cada caso em adição.

Mas o Espírito mais todas as suas bainhas, exceto a mais externa, é sempre considerado como Espírito, e apenas a bainha mais externa como forma ou corpo.

É esta involução do Espírito que torna a evolução possível, e por mais complicada que a descrição possa parecer, o princípio é simples e pode ser facilmente compreendido.

Verdadeiramente,    então,      podemos      falar    de   “espírito-matéria” em toda parte.

3.    OS SUBPLANOS

Agora, os átomos últimos do plano físico não são os “átomos” do químico moderno; os átomos últimos são agregados em grupos típicos sucessivos, formando “estados da matéria”, e o átomo químico pode estar no quinto, sexto ou sétimo desses estados, um gás, um líquido ou um sólido.

Familiares são os estados gasoso, líquido e sólido da matéria, ou, como são             frequentemente chamados, os subplanos gasoso, líquido e sólido;     e acima do gasoso há quatro condições menos familiares, os três estados etéricos 16                UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

da matéria ou subplanos, e o verdadeiro atômico.

Esses verdadeiros átomos são agregados em grupos, que então atuam como    unidades,    e   esses grupos são chamados moléculas ;     os átomos em uma molécula são mantidos juntos por atração magnética, e as moléculas em cada subplano são arranjadas geometricamente em relação umas às outras em eixos idênticos aos eixos de crescimento do átomo do plano correspondente.

Por essas agregações sucessivas de átomos em moléculas, e de moléculas mais simples em mais complexas, os subplanos de cada plano são formados sob a Atividade diretiva do terceiro Logos, até que o campo de evolução, consistindo de cinco planos, cada um mostrando sete subplanos — sendo o primeiro e o segundo planos além desse campo — esteja completo.

Mas não se deve supor que esses sete subplanos, como formados pelo terceiro Logos, sejam de todo idênticos aos que existem agora.

Tomando o plano físico como ilustração, eles guardam algo da mesma relação com os subplanos atuais que aquilo que o químico chama de proto-hidrogênio guarda com o elemento químico que se diz ser construído a partir dele.       As condições atuais não foram produzidas apenas pela obra do terceiro Logos, no qual a Atividade predomina; as energias mais fortemente atrativas ou coesivas do segundo Logos, que é Sabedoria e portanto Amor, foram necessárias para as integrações posteriores.

É importante lembrar que os planos são interpenetrantes4 e que subplanos correspondentes estão diretamente relacionados entre si, e não estão realmente separados uns dos outros por camadas intermediárias de matéria mais densa.

Assim, não devemos pensar nos subplanos atômicos como separados uns dos outros por seis subplanos de densidade geralmente crescente              A PREPARAÇÃO DO CAMPO

mas como estando em conexão imediata uns com os outros.

Podemos figurar isso em um diagrama da seguinte forma:                      FORMA           VIDA

Deve-se entender que isso é um diagrama, não uma imagem: i.e., representa relações, não fatos materiais — as relações existentes entre os planos em virtude de sua intermistura, e não quarenta e nove tijolos separados colocados em sete fileiras, um sobre o outro.

Ora, essa relação é das mais importantes, pois implica que a vida pode passar de plano a plano pelo caminho curto dos subplanos atômicos comunicantes, e não precisa necessariamente circular através dos seis subplanos moleculares antes de             18             UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

poder alcançar o próximo subplano atômico para continuar sua descida.

De fato, veremos em breve que as correntes de vida do Mônada seguem esse caminho atômico em sua descida ao plano físico.

Se considerarmos agora um átomo físico, olhando-o como um todo, vemos um vórtice de vida, a vida do terceiro Logos, girando com rapidez inconcebível.

Pela atração entre esses vórtices giratórios, as moléculas são construídas, e o plano com seus subplanos é formado.

Mas na superfície limitante desse vórtice giratório estão as espirilas, correntes giratórias, cada uma em ângulos retos com a que está dentro dela e com a que está fora dela. Essas correntes giratórias são feitas pela vida da Mônada, não pela vida do Terceiro Logos, e não estão presentes no estágio inicial que estamos considerando; elas se desenvolvem uma após outra em plena atividade no curso da evolução, normalmente uma em cada Ronda; seus rudimentos são de fato completados pela quarta Ronda pela ação do Segundo Logos, mas a corrente de vida da Mônada circula em apenas quatro delas, as outras três sendo apenas vagamente indicadas.

Os átomos dos planos superiores são formados no mesmo plano geral, no que diz respeito ao vórtice central lógico e suas correntes envolventes, mas todos os detalhes nos faltam atualmente. Muitas das práticas de ioga são dirigidas para provocar a evolução mais rápida dos átomos, acelerando esse trabalho vivificador das espirilas da Mônada sobre eles. À medida que essas correntes da vida monádica são adicionadas ao vórtice lógico, a nota da vida torna-se cada vez mais rica em sua qualidade.

Podemos comparar o vórtice central à nota fundamental, as correntes giratórias circundantes aos harmônicos; a adição de cada harmônico significa uma riqueza acrescida à nota.

Novas forças.

A PREPARAÇÃO DO CAMPO

novas belezas são assim sempre acrescentadas ao acorde setenário da vida.

4. OS CINCO PLANOS

As diferentes respostas que a matéria dos planos dará mais tarde sob o impulso da consciência dependem do trabalho do Terceiro Logos, da "medida" pela qual Ele limita o átomo.

O átomo de cada plano tem sua própria medida, como vimos, e isso limita seu poder de resposta, sua ação vibratória, e lhe dá seu caráter específico.

Assim como o olho é constituído de tal forma que é capaz de responder às vibrações do éter dentro de um certo intervalo, assim também cada tipo de átomo, por sua constituição, é capaz de responder a vibrações dentro de um certo intervalo. Um plano é chamado o plano feito de "substância mental", porque a "medida" de seus átomos torna sua resposta dominante aquela que corresponde a um certo intervalo das vibrações do Aspecto do Conhecimento do Logos, tal como modificado pela Atividade Criativa.¹ Outro é chamado o plano da "substância do desejo", porque a "medida" de seus átomos torna sua resposta dominante aquela que corresponde a um certo intervalo das vibrações do Aspecto da Vontade do Logos.

Cada tipo de átomo tem assim seu próprio poder peculiar de resposta, determinado por sua própria medida de vibração.

Em cada átomo estão envolvidas inúmeras possibilidades de resposta aos três aspectos da consciência, e essas possibilidades dentro do átomo serão trazidas à tona como poderes no curso da evolução.

Mas a capacidade da matéria de responder, e a natureza da resposta, essas são determinadas pela ação original do Self tríplice sobre ela, e pela medida imposta aos átomos pelo Terceiro Logos; Ele, da infinita capacidade de Sua própria multidão de poderes vibratórios, dá uma certa porção à matéria de um sistema particular em um ciclo particular de evolução.

Essa capacidade é estampada na matéria pelo Terceiro Logos, e é sempre mantida na matéria por Sua vida infundida no átomo.

Assim se forma o campo quíntuplo de evolução no qual a consciência deve se desenvolver.

Este trabalho do Terceiro Logos é geralmente referido como a Primeira Onda de Vida.

CAPÍTULO II

CONSCIÊNCIA

1. O SIGNIFICADO DA PALAVRA

Consideremos agora o que entendemos por consciência, e vejamos se esta consideração nos construirá a tão almejada "ponte", que é o desespero do pensamento moderno, entre consciência e matéria, e nos atravessará o "abismo" que se alega existir para sempre entre elas. Para começar com uma definição de termos: consciência e vida são idênticas, dois nomes para uma mesma coisa considerada de dentro e de fora.

Não há vida sem consciência; não há consciência sem vida.

¹ Chit atuando sobre Kriya, i.e., Sabedoria atuando sobre Atividade produz Manas, mente.

- Ichchha.

²⁰ UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

Quando as separamos vagamente em pensamento e analisamos o que fizemos, descobrimos que chamamos de vida a consciência voltada para dentro, e de consciência a vida voltada para fora.

Quando nossa atenção está fixa na unidade, dizemos vida; quando está fixa na multiplicidade, dizemos consciência; e esquecemos que a multiplicidade se deve à matéria, é a essência da matéria, a superfície refletora na qual o Uno se torna o Múltiplo.

Quando se diz que a vida é "mais ou menos consciente", não é a abstração vida que se pensa, mas "um ser vivo" mais ou menos ciente de seu entorno.

O maior ou menor grau de percepção depende da espessura, da densidade do véu envolvente que o torna um ser vivo, separado de seus semelhantes.

Aniquile em pensamento esse véu, e aniquilará em pensamento também a vida, e estará Naquilo em que todos os opostos se resolvem, o Tudo. Isso nos leva ao nosso próximo ponto: a existência da consciência implica uma separação em dois aspectos da Unidade fundamental que subjaz a tudo.

O nome moderno da consciência, "percepção", implica igualmente isso.

Pois não se pode suspender a percepção no vazio; a percepção implica algo do qual se tem percepção, uma dualidade no mínimo.

Caso contrário, ela não existe.

Na mais alta abstração da consciência, da percepção, essa dualidade está implícita; a consciência cessa se o senso de limitação for retirado, depende da limitação para existir.

A percepção é essencialmente percepção de limitação, e apenas secundariamente percepção dos outros.

A percepção dos outros surge com o que chamamos de autoconsciência, autopercepção.

Esse abstrato Dois-em-Um, consciência-limitação, espírito-matéria, vida-forma, são sempre inseparáveis, aparecem e desaparecem juntos; existem apenas em relação um ao outro; resolvem-se em uma Unidade necessariamente não manifesta, a síntese suprema.

"Assim como acima, abaixo." Novamente deixe o "abaixo" nos ajudar; olhemos para a consciência como aparece quando considerada do lado da forma, como a vemos em um universo de coisas conscientes.

A eletricidade se manifesta apenas como positiva e negativa; quando essas se neutralizam, a eletricidade desaparece.

Em todas as coisas a eletricidade existe, neutra, não manifesta; de todas as coisas

coisa pode aparecer, mas não apenas como positiva, ou apenas como negativa; sempre como quantidades equilibradas de ambas, em oposição uma à outra, e estas sempre tendendo a reentrar juntas no aparente nada, que não é nada, mas a fonte igualmente de ambas.

Mas, se assim é, o que acontece com o "abismo"? que necessidade há da "ponte"? Consciência e matéria afetam-se mutuamente porque são os dois constituintes de um todo único, ambos aparecendo à medida que se separam, ambos desaparecendo à medida que se unem, e, à medida que se separam, uma relação existe sempre entre eles.¹ Não existe algo como uma unidade consciente que não consista dessa dualidade inseparável, um ímã com dois polos sempre em relação um com o outro.

Pensamos em algo separado que chamamos consciência, e perguntamos como age sobre outro algo separado que chamamos matéria.

Não existem tais dois algo separados, mas apenas dois aspectos separados, porém inseparáveis, d'Aquilo que, sem ambos, é não-manifesto, que não pode manifestar-se em um ou outro isoladamente, e está igualmente em ambos.

Não há frentes sem versos, não há cimas sem fundos, não há exteriores sem interiores, não há espírito sem matéria.

Eles se afetam mutuamente porque são partes inseparáveis de uma unidade, manifestando-se como uma dualidade no espaço e no tempo.

O "abismo" aparece quando pensamos em um "espírito" totalmente imaterial, e um "corpo" totalmente material — isto é, em duas coisas, nenhuma das quais existe.

Não há espírito que não seja envolto em matéria: não há matéria que não seja animada por espírito.

O mais elevado Self separado tem seu invólucro de

Essa relação é magnética, mas de um magnetismo da mais sutil espécie, chamado Fohat, ou Daiviprakriti, "A Luz do Logos". É de Substância, e nela a essência da consciência e a essência da matéria existem, polarizadas, mas não separadas.


matéria, e, embora tal Self seja chamado de "espírito" porque o aspecto-consciência é tão predominante, não é menos verdade que ele tem seu invólucro vibrante de matéria, e que desse invólucro emanam todos os impulsos, que afetam todos os outros invólucros materiais mais densos em sucessão.

Dizer isto não é materializar a consciência, mas apenas reconhecer o fato de que os dois opostos primários, consciência e matéria, estão estritamente ligados, nunca separados, nem mesmo no mais elevado Ser.

Matéria é limitação, e sem limitação a consciência não é.

Longe de materializar a consciência, ela a coloca como um conceito em agudo contraste com a matéria, mas reconhece o fato de que, em uma entidade, uma não se encontra sem a outra.

A matéria mais densa, a física, tem seu núcleo de consciência; o gás, a pedra, o metal, é vivo, consciente, ciente.

Assim, o oxigênio torna-se ciente do hidrogênio a uma certa temperatura e precipita-se em combinação com ele. Vejamos agora a consciência de dentro para fora e compreendamos o significado da frase: "A matéria é limitação." A consciência é a única Realidade, no sentido mais pleno dessa expressão tão usada: segue-se disso que qualquer realidade encontrada em qualquer lugar é extraída da consciência.

Portanto, tudo o que é pensado, é. Essa consciência na qual tudo está, tudo literalmente, "possível" bem como "atual" — atual sendo aquilo que é pensado como existente por uma consciência separada no tempo e no espaço, e possível tudo aquilo que não é assim pensado em qualquer período do tempo ou qualquer ponto do espaço — chamamos de Consciência Absoluta.

Ela é o Tudo, o Eterno, o Infinito, o Imutável.

A consciência, pensando tempo e espaço, existindo neles em sucessão e em lugares, é a Consciência Universal, o Uno, chamado pelo hindu de Saguna Brahman — o Eterno com atributos — o Pratyag-atma — o Si Interior; pelo cristão, Deus; pelo parsi, Hormuzd; pelo muçulmano, Alá. A consciência lidando com um tempo definido, por mais longo ou curto que seja, com um espaço definido, por mais vasto ou restrito que seja, é individual, a de um Ser concreto, um Senhor de muitos universos, ou de alguns universos, ou de um universo, ou de qualquer assim chamada porção de um universo, sua porção e, portanto, para ele, um universo — esses termos variando em extensão com o poder da consciência: tanto do pensamento universal quanto uma consciência separada pode pensar completamente, isto é, sobre o qual ele pode impor sua própria realidade, pode pensar como existente como ele mesmo, é o seu universo.

A cada universo, o Ser que é seu Senhor dá uma parcela de sua própria Realidade inalienável; mas é ele mesmo sempre limitado e controlado pelo pensamento de seu superior, o Senhor do universo no qual ele existe como forma.

Assim, nós, que somos seres humanos existentes em um sistema solar, estamos rodeados por inúmeras formas que são as formas-pensamento do Senhor do nosso sistema, nosso Ishvara, ou Regente; a "medida divina" e os "eixos de crescimento", pensados pelo Terceiro Logos, governam as formas dos nossos átomos, e a superfície, por Ele pensada como o limite do átomo e resistente, oferece resistência a todos os átomos semelhantes.

Assim, recebemos a nossa matéria, e não podemos alterá-la, exceto pelo emprego de métodos também criados pelo Seu pensamento; somente enquanto o Seu pensamento continuar é que os átomos, com tudo o que deles é composto, poderão continuar a existir, pois não têm realidade alguma senão aquela dada pelo Seu pensamento.

Enquanto Ele os retém como Seu corpo, declarando: "Eu sou isto: estes átomos são o Meu corpo; eles compartilham a Minha vida;" por tanto tempo eles se imporão como reais a todos os seres neste sistema solar, cujas consciências estão vestidas com vestimentas semelhantes.

Quando, no final do Dia de Manifestação, Ele declarar: "Eu não sou isto; estes átomos não são mais o Meu corpo; eles não compartilham mais a Minha vida;" então eles desaparecerão como o sonho que são, e somente permanecerá aquilo que é a forma-pensamento do Monarca de um sistema mais vasto.

Assim, como Espíritos, somos inerentemente, irrevogavelmente divinos, com todo o esplendor e liberdade implicados nessa palavra.

Mas estamos vestidos em matéria que não é nossa, que é as formas-pensamento do Regente do nosso sistema — controlada, por sua vez, pelos Regentes de sistemas mais vastos nos quais o nosso está incluído — e estamos apenas lentamente aprendendo a dominá-la e usá-la. Quando percebermos a nossa unidade com o nosso Regente, então a matéria não terá mais poder sobre nós, e a veremos como a irrealidade que é, dependente da Sua vontade, que então saberemos ser também a nossa.

Então poderemos "brincar" com ela, como não podemos enquanto ela nos cega com a sua Realidade emprestada.

Olhando assim para fora da consciência, de dentro, vemos ainda mais claramente do que vimos ao olhá-la do mundo das formas, que não há "abismo" e não há necessidade de uma "ponte". A consciência muda, e cada mudança aparece na matéria que a circunda como uma vibração, porque o Logos pensou vibrações da matéria como o concomitante invariável das mudanças na consciência; e como a matéria é apenas o resultado da consciência e seus atributos são impostos a ela pelo pensamento ativo, qualquer mudança na Consciência Lógica mudaria os atributos da matéria do sistema, e qualquer mudança em uma consciência derivada dEle mostra-se nessa matéria como uma mudança; essa mudança na matéria é uma vibração, um movimento rítmico dentro dos limites por Ele estabelecidos para a mobilidade das massas de matéria nessa relação.

"Mudança na consciência e vibração da matéria que a limita" é um "par", imposto pelo pensamento do Logos a todas as consciências encarnadas em Seu universo.

Que tal relação constante existe é demonstrado pelo fato de que uma vibração em um invólucro material, acompanhando uma mudança na consciência que o anima, e causando uma vibração semelhante no invólucro animado por outra consciência, verifica-se ser acompanhada por uma mudança nessa segunda consciência, semelhante à mudança na primeira.

Em matéria muito mais sutil do que a física — como substância mental — o poder criativo da consciência é mais facilmente visto do que na matéria densa do plano físico.

A matéria torna-se densa ou rarefeita, e muda suas combinações e formas, de acordo com os pensamentos de uma consciência ativa nela.

Enquanto os átomos fundamentais — devido ao pensamento Lógico — permanecem inalterados, eles podem ser combinados ou dissociados à vontade.

Tais experiências abrem a mente para a concepção metafísica da matéria, e a capacitam a perceber imediatamente a realidade emprestada e a não-entidade da matéria.

Uma palavra de advertência pode ser útil com relação às frases frequentemente repetidas "Consciência em um corpo", "Consciência animando um corpo" e semelhantes.

O estudante tende a imaginar a consciência como uma espécie de gás rarefeito encerrado em um receptáculo material, uma espécie de garrafa.

Se ele pensar cuidadosamente, perceberá que a superfície resistente do corpo é apenas uma forma-pensamento Lógica, e está ali porque o pensamento está ali.

A Consciência aparece como entidades conscientes, porque o Logos pensa tais separações, pensa as paredes delimitadoras, faz tais limitações de pensamento.

E esses pensamentos do Logos devem-se à Sua unidade com o Eu Universal, e são apenas uma repetição, dentro da área de um universo particular, da Vontade de multiplicar.

Uma cuidadosa permanência mental nas distinções acima traçadas entre Consciência Absoluta, Consciência Universal e Consciência Individual impedirá o estudante de fazer a pergunta tão frequentemente ouvida: Por que existe algum universo? Por que a Consciência-Total se limita a si mesma? Por que o Perfeito se tornaria o imperfeito, o Todo-Poderoso se tornaria o impotente, Deus se tornaria o mineral, o bruto, o homem? Nessa forma, a pergunta é irrespondível, pois está fundada em premissas falsas.

O Perfeito é o Todo, a Totalidade, a Soma do Ser.

Dentro de sua infinitude, como acima dito, está contido tudo, toda potencialidade, bem como atualidade, da existência.

Tudo o que foi, é, será, pode ser, sempre É nessa Plenitude, nesse Eterno.

Somente Ele mesmo conhece a Si mesmo em sua infinita e inimaginável riqueza de Ser.

Porque contém todos os pares de opostos, e cada par, ao afirmar a si mesmo, aos olhos da razão aniquila a si mesmo e desaparece.

Parece um Vazio.

Mas infinitos universos que surgem Nele proclamam-No um Plenum.

Esse Perfeito nunca se torna o imperfeito; ele não se torna nada; ele é todo Espírito e Matéria, Força e Fraqueza, Conhecimento e Ignorância, Paz e Conflito, Bem-aventurança e Dor, Poder e Impotência; os inumeráveis opostos da manifestação fundem-se uns nos outros e desaparecem na CONSCIÊNCIA

não-manifestação.

O Todo inclui manifestação e não-manifestação, a diástole e a sístole do Coração que é o Ser.

Um não requer mais explicação do que o outro; um não pode existir sem o outro.

O enigma surge porque os homens afirmam separadamente um dos inseparáveis pares de opostos — Espírito, Força, Conhecimento, Paz, Bem-aventurança, Poder — e então perguntam: "Por que estes se tornariam seus opostos?" Eles não se tornam.

Nenhum atributo existe sem o seu oposto; apenas um par pode manifestar-se; toda frente tem um verso, espírito e matéria surgem juntos; não é que o espírito exista e então, miraculosamente, produza a matéria para limitar-se e cegar-se a si mesmo, mas que espírito e matéria surgem no Eterno simultaneamente como um modo do Seu Ser, uma forma de autoexpressão do Todo, Pratyagatma e Mulaprakrti, expressando no tempo e no espaço o Sem-tempo e o Sem-espaço.

2. AS MÔNADAS

Vimos que, pela ação do Terceiro Logos, um campo quíntuplo foi providenciado para o desenvolvimento de Unidades de Consciência, e que uma Unidade de Consciência é um fragmento, uma porção da Consciência Universal, pensada em separação como uma entidade individual velada em matéria, uma Unidade da substância do Primeiro Logos, a ser enviada ao segundo plano como um Ser separado.

Tais Unidades são chamadas tecnicamente de Mônadas.

Estes são os Filhos, que permanecem desde a eternidade, desde o início de uma era criativa, no Seio do Pai, que ainda não foram "aperfeiçoados mediante o sofrimento";¹ cada um deles é verdadeiramente "igual ao Pai quanto à sua divindade, mas inferior ao Pai quanto à sua humanidade",² e cada um deles deve sair para a matéria a fim de tornar todas as coisas sujeitas a si mesmo;³ ele deve ser "semeado em fraqueza" para que possa ser "erguido em poder";⁴ de um Logos estático que encerra todas as potencialidades divinas, ele deve tornar-se um Logos dinâmico que desdobra todos os poderes divinos; onisciente, onipresente, em seu próprio segundo plano, mas inconsciente, "insensível", em todos os outros,⁵ ele deve velar sua glória na matéria que o cega, a fim de que possa tornar-se onisciente, onipresente, em todos os planos, capaz de responder a todas as vibrações divinas no universo, em vez de apenas àquelas do plano mais elevado.

O significado desta descrição débil de uma grande verdade pode ser vislumbrado pelo estudante mediante a consideração dos fatos da vida embrionária e do nascimento.

Quando um Ego está reencarnando, ele paíra sobre a mãe humana em quem seu futuro corpo está sendo construído, o veículo que um dia habitará.

¹ Hebreus, ii, 10.
² Credo Atanasiano.
³ Hebreus, ii, 8.
⁴ I Coríntios, xv, 43.
⁵ "Sem sentido", como é dito em alguns escritos teosóficos.

Esse corpo é lentamente construído a partir da substância da mãe, e o Ego pouco pode fazer quanto à sua formação: é um embrião, inconsciente de seu futuro, vagamente consciente apenas do fluxo da vida materna, impressionado pelas esperanças e medos, pensamentos e desejos maternos; nada do Ego o afeta, exceto uma influência débil que vem através do átomo físico permanente, e ele não compartilha, porque não pode responder, os pensamentos de amplo alcance, as emoções aspirantes do

Credo Atanasiano.

I Coríntios, xv, 28.   3 Ibid., 43.   4 H. P. Blavatsky, A Chave para a Teosofia.

Ver p. 65, para o princípio, embora aplicado a um estágio inferior.

CONSCIÊNCIA

Ego, como expresso por ele em seu corpo causal.

Esse embrião deve se desenvolver, deve gradualmente assumir uma forma humana, deve entrar em uma vida independente, separada da de sua mãe, deve passar por sete anos — como os homens contam o tempo — de tal vida independente, antes que o Ego possa plenamente animá-lo. Mas durante essa lenta evolução, com sua impotência infantil, suas tolices, prazeres e dores infantis, o Ego a quem ele pertence está conduzindo sua própria vida mais ampla e mais rica, e está gradualmente entrando em contato cada vez mais próximo com esse corpo, no qual somente ele pode trabalhar no mundo físico, seu toque manifestando-se como o crescimento da consciência cerebral.

A condição da Mônada em relação à evolução de sua consciência em um universo assemelha-se à do Ego em relação ao seu novo corpo físico.

Seu próprio mundo é o do segundo plano, o anupadaka, e ali ele é plenamente consciente com a Oniconsciência abrangente de seu mundo, mas não de início dos eus, entre os quais ele é separado, dos "outros". Tentemos ver os estágios pelos quais ele passa.

Ele é primeiro uma centelha em uma chama: "Sinto uma Chama, ó Gurudeva; vejo inúmeras centelhas não destacadas brilhando nela." 1 A Chama é o Primeiro Logos, as centelhas não destacadas são as Mônadas.

Sua Vontade de manifestar-se é também a deles, pois eles são as células-germe em seu corpo, que terão presentemente uma vida separada em Seu universo vindouro. Movidas por essa Vontade, as centelhas compartilham a mudança chamada "a geração do Filho", e passam para o Segundo Logos e habitam Nele.

Então, com o "proceder" do Terceiro, vem a elas d'Ele a "individualidade espiritual", que

H. P. Blavatsky      1 Catecismo Oculto, citado em A Doutrina Secreta, i, 145. 32               UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

fala do despertar da separatividade.

Mas ainda não há sentido de "outros", necessário para reagir como o sentido de "eu". Os três aspectos da consciência, deles como partilhando a vida do Logos, estão ainda, por assim dizer, "voltados para dentro", atuando uns sobre os outros, adormecidos, inconscientes de um "fora", partilhando a toda-Self-consciência.

Os grandes Seres, chamados as Ordens Criativas,¹ despertam-nos para a vida "exterior"; Vontade, Sabedoria e Atividade despertam para a percepção do "fora"; um vago sentido de "outros" surge, na medida em que "outros" possam existir num mundo onde todas as "formas" se interpenetram e se intermisturam, e cada uma se torna "um Dhyan Chohan individual, distinto dos outros".² No primeiro estágio, mencionado acima, quando os Monads estão, no sentido mais pleno do termo, indesligados, como "células germinativas em Seu corpo", a Vontade, a Sabedoria e a Atividade neles são latentes, não patentes.

Sua Vontade de manifestar é também a vontade deles, mas inconscientemente; Ele, Self-consciente, conhece Seu objetivo e Seu caminho; eles, ainda não Self-conscientes, têm em si, como partes de Seu corpo, a energia motriz de Sua Vontade, que em breve será sua própria Vontade individual de Viver, e que os impele para as condições nas quais uma vida separada-Self-consciente, em vez de uma vida toda-Self-consciente, é possível.

Isso os conduz ao segundo estágio na vida do Segundo Logos, e ao Terceiro.

Então, comparativamente separados, o despertar pelas Ordens Criativas traz consigo os vagos sentidos de "outros" e de "eu", e com isso um frêmito de anseio por um sentido mais claramente definido de "eu" e de "outros"; e isso é a "Vontade individual de Viver", e isso os conduz para fora, aos mundos mais densos, onde apenas tal definição mais nítida se torna possível.

É importante compreender que a evolução do "eu" individual é uma atividade autoeleita.

Estamos aqui porque queremos Viver; "ninguém mais nos compele". Este aspecto da consciência, a Vontade, é tratado em capítulos posteriores deste livro, e aqui precisamos apenas enfatizar o fato de que os Monads são automovidos, autodeterminados, em sua entrada nos planos inferiores da matéria, o campo da manifestação, o universo quíntuplo.

¹ Ver *The Pedigree of Man*, de Annie Besant, pp. 11, 12.
² *A Doutrina Secreta*, i, 285.
³ "No sentido mais pleno", i.e., sem individualidade separada; indesligados, na verdade, eles permanecem sempre acima, sempre brilhando na Chama.

CONSCIÊNCIA

Para seus veículos neles, eles permanecem como o Ego ao seu corpo físico, com sua vida divina radiante em esferas mais elevadas, mas pairando sobre seus veículos inferiores e manifestando-se cada vez mais neles à medida que se tornam mais plásticos.

H. P. Blavatsky fala disso como "a Mônada ciclando para baixo em direção à matéria". Em toda parte na natureza vemos esse mesmo anseio por manifestação mais plena da vida, essa constante Vontade de Viver.

A semente, enterrada no solo, empurra seu ponto de crescimento para cima, em direção à luz.

O botão, preso em sua cálice envolvente, rompe sua prisão e se expande sob o sol.

O pintinho dentro do ovo parte sua casca confinante em duas.

Em toda parte a vida busca expressão, os poderes pressionam para se exercitarem.

Vede o escritor, o escultor, o poeta, com o gênio criativo lutando dentro de si; criar produz o prazer mais sutil, o sabor mais agudo de deleite requintado.

Nisso há apenas outra instância da natureza onipresente da vida, seja no Logos, no gênio, ou na criatura efêmera de um dia; todos se regozijam na bem-aventurança de viver e se sentem mais vivos quando se multiplicam pela criação.

Sentir a vida expressando-se, fluindo, expandindo-se, aumentando — isso é ao mesmo tempo o resultado da Vontade de Viver e sua fruição na Bem-aventurança de viver.

Algumas das Mônadas, querendo viver através das labutas do universo quíntuplo, a fim de dominar a matéria e, por sua vez, criar um universo nela, entram nele para se tornarem um Deus desenvolvido nele, uma Árvore da Vida, outra Fonte do Ser.

A formação de um universo é o Dia do Ir-Sair; viver é tornar-se; a vida se conhece pela mudança.

Aquelas que não querem se tornar mestres da matéria, criadores, permanecem em sua bem-aventurança estática, excluídas do universo quíntuplo, inconscientes de suas atividades.

Pois deve ser lembrado que todos os sete planos são interpenetrantes, e que Consciência em qualquer plano significa o poder de responder às vibrações daquele plano particular.

Assim como um homem pode estar consciente no plano físico porque seu corpo físico está organizado para receber e transmitir-lhe suas vibrações, mas estar totalmente inconsciente dos planos superiores, embora suas vibrações atuem sobre ele, porque ainda não organizou suficientemente seus corpos superiores para receber e transmitir-lhe suas vibrações; assim também a Mônada, a Unidade de Consciência, é capaz de estar consciente no segundo plano, mas totalmente inconsciente nos cinco inferiores.

Ela evoluirá sua consciência nesses planos, tomando de cada plano alguma de sua matéria, velando-se nessa matéria e formando-a em um envoltório pelo qual possa entrar em contato com esse plano, organizando gradualmente esse envoltório de matéria em um corpo capaz de funcionar em seu próprio plano como uma expressão de si mesma, recebendo vibrações do plano e transmitindo-as a ela, recebendo vibrações dela e transmitindo-as ao plano.

À medida que se vela na matéria de cada plano sucessivo, ela exclui parte de sua consciência — aquela parte que é sutil demais para receber ou estabelecer vibrações na matéria desse plano.

Ela possui dentro de si sete poderes vibratórios típicos — cada um capaz de produzir um número indefinido de subvibrações de seu próprio tipo — e estes são excluídos um a um à medida que ela assume véu após véu de matéria mais grosseira.

Os poderes da consciência de se expressar de certas maneiras típicas — usando a palavra poder no sentido matemático, consciência "à terceira", consciência "à quarta", etc. — são vistos na matéria como aquilo que chamamos de dimensões.

O poder físico da consciência tem sua expressão na "matéria tridimensional", enquanto os poderes astral, mental e outros da consciência necessitam, para sua expressão, de outras dimensões da matéria.

Falando assim das Mônadas, podemos sentir como se estivéssemos lidando com algo muito distante.

Contudo, a Mônada está muito próxima de nós — nosso Eu, a própria raiz de nosso ser, a fonte mais íntima de nossa vida, a única Realidade.

Oculto, não manifestado, envolto em silêncio e escuridão está nosso Eu, mas nossa consciência é a manifestação limitada desse Eu, o Deus manifestado no cosmos de nossos corpos, que são Suas vestes.

Assim como o Não-Manifestado é parcialmente manifestado no Logos como Consciência Divina, e no universo como o Corpo do Logos¹, assim também nosso Eu não manifestado é parcialmente manifestado em nossa consciência, como o Logos de nosso indivíduo.

No ruidoso tear do Tempo eu trabalho,  
E teço para Deus a vestimenta pela qual O vês, Goethe.


sistema, e em nosso corpo como o cosmos que veste a consciência.

Assim acima, como abaixo.

Este Si oculto é o que se chama Mônada, sendo verdadeiramente o Uno.

É isto que dá o sutil senso de unidade que sempre persiste em nós em meio a todas as mudanças; o senso de identidade tem aqui sua fonte, pois isto é o Eterno em nós. Os três raios que emanam da Mônada — a serem tratados em seguida — são seus três aspectos, ou modos de ser, ou hipóstases, reproduzindo os Logos de um universo, a 'Vontade, Sabedoria e Atividade que são as três expressões essenciais da consciência encarnada, o familiar Atma-Buddhi-Manas do Teosofista.

Esta consciência sempre opera como uma unidade nos vários planos, mas mostra sua triplicidade em cada um deles.

Quando estudamos a consciência operando no plano mental, vemos a Vontade aparecendo como escolha.

A Sabedoria como discriminação, a Atividade como cognição.

No plano astral vemos a Vontade aparecendo como desejo, a Sabedoria como amor, a Atividade como sensação.

No plano físico.

A Vontade tem por instrumentos os órgãos motores (karmendriyas). A Sabedoria os hemisférios cerebrais, a Atividade os órgãos dos sentidos (jnanendriyas).¹ A manifestação plena destes três aspectos da consciência em suas formas mais elevadas ocorre no homem na mesma ordem que a manifestação do Logos tríplice no universo.

O terceiro aspecto, Atividade, revelado como a mente criativa, como o coletor de conhecimento, é o primeiro a aperfeiçoar seus veículos e a manifestar suas energias plenas.

O segundo aspecto.

Sabedoria, revelada como a Razão Pura e Compassiva¹, é o segundo a brilhar, o Krishna, o Buda, o Cristo, no homem.

O terceiro aspecto, Vontade, é o último a se revelar, o divino Poder do Si, aquilo que em sua plenitude inexpugnável é Beatitude, é Paz.

CAPÍTULO III

O POVOAMENTO DO CAMPO

1. A EMANAÇÃO DAS MÔNADAS

QUANDO o campo quíntuplo está pronto, quando os cinco planos, cada um com seus sete subplanos, estão completos no que concerne à sua constituição primária, então começa a atividade do Segundo Logos, o Construtor e Preservador das formas.

¹ Esta atribuição é apenas provisória.

Como a matéria é o lado feminino, Sarasvati, pertencente a Brahma, parece indicar os jnanendriyas, e Durga os karmendriyas.

CONSCIÊNCIA

Razão, é o segundo a brilhar, o Krishna, o Buda, o Cristo, no homem.

O terceiro aspecto, Vontade, é o último a se revelar, o divino Poder do Si, aquilo que em sua plenitude inexpugnável é Beatitude, é Paz.

CAPÍTULO III

O POVOAMENTO DO CAMPO

1. A EMANAÇÃO DAS MÔNADAS

QUANDO o campo quíntuplo está pronto, quando os cinco planos, cada um com seus sete subplanos, estão completos no que concerne à sua constituição primária, então começa a atividade do Segundo Logos, o Construtor e Preservador das formas.

Sua atividade é mencionada como a Segunda Onda de Vida, o derramamento de Sabedoria e Amor — a Sabedoria, a força diretriz, necessária para a organização e evolução das formas; o Amor, a força atrativa, necessária para mantê-las unidas como conjuntos estáveis, embora complexos.

Quando essa grande corrente de vida Lógica se derrama no campo quíntuplo de manifestação, ela traz consigo para a atividade os Mônadas, as Unidades de Consciência, prontos para começar seu trabalho de evolução, para se revestirem de matéria.

Contudo, a frase de que os Mônadas saem é um tanto imprecisa: que eles brilham, emitem seus raios de vida, seria mais verdadeiro.

Pois eles permanecem sempre "no seio do Pai", enquanto seus raios de vida jorram para o oceano da matéria, e nele apropriam os materiais necessários para                 O POVOAMENTO DO CAMPO

sua energização no universo.

A matéria deve ser apropriada, tornada plástica, moldada em veículos adequados.

H. P. Blavatsky descreveu seu resplendor em termos alegóricos e gráficos, usando um simbolismo mais expressivo do que palavras de significado literal: "O triângulo primordial, que — tão logo se tenha refletido no Homem Celestial, o mais elevado dos sete inferiores — desaparece, retornando ao 'Silêncio e Escuridão'; e o homem astral paradigmático, cujo Mônada (Atma) também é representado por um triângulo, pois deve tornar-se uma tríade nos interlúdios devachânicos conscientes." O triângulo primordial, ou o Mônada de três faces de Vontade, Sabedoria e Atividade, "reflete-se" no "Homem Celestial", como Atma-Buddhi-Manas, e então "retorna ao Silêncio e Escuridão"; Atma — frequentemente mencionado como o Mônada do homem inferior, ou astral — deve tornar-se uma tríade, uma unidade de três faces, assimilando Buddhi e Manas.

A palavra "reflexão" exige explicação aqui.

De modo geral, o termo reflexão é usado quando uma força manifestada num plano superior se mostra novamente num plano inferior, e é condicionada por um tipo mais grosseiro de matéria nessa manifestação inferior, de modo que parte da energia efetiva da força se perde e ela se mostra numa forma mais débil.

Como agora usado em um caso especial, significa que uma corrente da vida da Mônada flui, tomando como vaso que a contém um átomo de cada um dos três planos superiores do campo quíntuplo — o terceiro, o quarto e o quinto — produzindo assim o "Homem Celestial", o "Governante Vivo, Imortal", o Peregrino que deve evoluir, para cuja evolução o sistema foi trazido à existência.

A Doutrina Secreta, iii, 444. 40 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

"Assim como as poderosas vibrações do Sol lançam a matéria nas vibrações que chamamos de seus raios (que expressam seu calor, eletricidade e outras energias), assim a Mônada faz com que a matéria atômica dos planos átmico, búdico e manásico — que a rodeiam como o éter do espaço rodeia o Sol — vibre, e assim cria para si um Raio, tríplice como sua própria natureza tríplice.

Nisto é auxiliada por Devas de um universo anterior que já passaram por experiência semelhante antes; estes guiam a onda vibratória do aspecto Vontade ao átomo átmico, e o átomo átmico, vibrando ao aspecto Vontade, é chamado Atma; guiam a onda vibratória do aspecto Sabedoria ao átomo búdico, e o átomo búdico, vibrando ao aspecto Sabedoria, é chamado Buddhi; também guiam a onda vibratória do aspecto Atividade ao átomo manásico, e o átomo manásico, vibrando ao aspecto Atividade, é chamado Manas.

Assim, Atma-Buddhi-Manas, a Mônada no mundo da manifestação, é formada, o Raio da Mônada, além do universo quíntuplo.

Aqui está o mistério do Observador, do Espectador, do Atma sem ação, que permanece sempre em sua natureza tríplice em seu próprio plano, e vive no mundo dos homens por seu Raio, que anima suas sombras, as vidas fugazes na Terra.

. . . As sombras fazem o trabalho nos planos inferiores, e são movidas pela Mônada através de sua Imagem ou Raio, a princípio tão fracamente que sua influência é quase imperceptível, depois com poder sempre crescente." Atma-Buddhi-Manas é o Homem Celestial, o Homem Espiritual, e ele é a expressão da Mônada, cujo aspecto refletido

A Linhagem do Homem, pp. 25, 27; ligeiramente modificado, pois no livro a passagem se refere apenas à quarta Cadeia.

O POVOAMENTO DO CAMPO

de Vontade é Atma, cujo aspecto refletido de Sabedoria é Buddhi, cujo aspecto refletido de Atividade é Manas.

Portanto, podemos considerar o Atma humano como o aspecto de Vontade da Mônada, animando um átomo akáshico; o Buddhi humano como o aspecto de Sabedoria da Mônada, animando um átomo de ar (chama divina); o Manas humano como o aspecto de Atividade da Mônada, animando um átomo ígneo.

Assim, em Atma-Buddhi-Manas, a Tríade Espiritual, ou o Homem Celestial, temos os três aspectos, ou energias, da Mônada, corporificados em matéria atômica, e este é o "Espírito" no homem, o Jivatma ou Eu-Vida, o Eu separado.¹ É o Espírito germinal e, em seu terceiro aspecto, o "Ego infantil". É idêntico em natureza à Mônada, é a Mônada, mas é diminuído em força e atividade pelos véus de matéria ao seu redor. Essa diminuição de poder não deve nos cegar para a identidade de natureza.

Devemos sempre lembrar que a consciência humana é uma unidade e que, embora suas manifestações variem, essas variações se devem apenas à predominância de um ou outro de seus aspectos e à densidade relativa dos materiais nos quais um aspecto está atuando.

Suas manifestações, assim condicionadas, variam, mas ele próprio é sempre uno.

Tal parte, então, da consciência da Mônada que pode se expressar em um universo quíntuplo entra, assim, sedenta, na matéria superior deste universo, corporificando-se em um átomo de cada um dos três planos superiores; tendo assim resplandecido e apropriado esses átomos para seu próprio uso, a Mônada começou seu trabalho; em sua própria natureza sutil, ela ainda não pode descer abaixo do plano anupadaka, e é

¹ O termo Jivatma é, naturalmente, igualmente aplicável à Mônada, mas é mais frequentemente aplicado ao seu reflexo.


portanto, dita estar em "Silêncio e Escuridão", não manifesta: mas ela vive e trabalha em e por meio desses átomos apropriados, que formam a vestimenta de sua vida nos planos mais próximos do seu.

Podemos figurar essa ação assim:

i. Adi
ii. Anupadaka
iii. Atma
iv. Buddhi
v. Manas
vi. Kama
vii. Sthula

Essa Tríade Espiritual, como é frequentemente chamada, Atma-Buddhi-Manas, o Jivatma, é descrita como uma semente, um germe, de Vida divina, contendo as potencialidades de seu próprio Pai celestial, sua Mônada, a serem desdobradas em poderes no curso da evolução.

Este é o "estado de homem" do Filho divino do Pai, o Povoamento do Campo.

Primeiro Logos, animado pela “Divindade”, a Mônada — um mistério verdadeiro, mas que se repete em muitas formas ao nosso redor. E agora a natureza, que era livre na matéria sutil de seu próprio plano, torna-se aprisionada pela matéria mais densa, e seus poderes de consciência ainda não podem funcionar através deste véu ofuscante.

Ele ali está como um mero germe, um embrião, impotente, “insensível”, desamparado, enquanto a Mônada em seu próprio plano é forte, consciente, capaz, no que concerne à sua vida interna; uma é a Mônada na Eternidade, a outra é a Mônada no tempo e no espaço; o conteúdo da Mônada eterna deve tornar-se a extensão da Mônada temporal e espacial.

Esta vida atualmente embrionária evoluirá para um ser complexo, a expressão da Mônada em cada plano do universo.

Todo-poderosa internamente em seu próprio plano sutil, ela é a princípio impotente, acorrentada, desamparada, quando envolta externamente em matéria mais densa, incapaz de receber através dela, ou de emitir através dela, vibrações.

Mas ela gradualmente dominará a matéria que a princípio a escraviza; lenta, seguramente, moldá-la-á para a autoexpressão; é auxiliada e vigiada pelo Segundo Logos, que tudo sustenta e preserva, até que possa viver nela plenamente como vive acima, e tornar-se, por sua vez, um Logos criativo e fazer surgir de si mesmo um universo.

O poder de criar um universo só é alcançado, segundo a Sabedoria, envolvendo dentro do Self tudo o que posteriormente há de ser emitido.

Um Logos não cria a partir do nada, mas evolui tudo a partir de Si mesmo; e das experiências pelas quais estamos agora passando, estamos colhendo os materiais com os quais poderemos construir um sistema no futuro.


Mas esta Tríade espiritual, este Jivatma, que é a Mônada no universo quíntuplo, não pode ele mesmo iniciar de imediato qualquer atividade autodirigida e separada.

Ele ainda não pode reunir ao seu redor quaisquer agregações de matéria, mas apenas pode permanecer em sua vestimenta atômica.

A vida do Segundo Logos é para ele como o ventre materno para o embrião, e dentro deste a construção começa.

Podemos, em verdade, considerar este estágio de evolução, no qual o Logos molda, nutre e desenvolve a vida germinante, como sendo, para o Homem Celestial, ou verdadeiramente o Embrião Celestial, um período correspondente à vida pré-natal de um ser humano, durante o qual ele está lentamente obtendo um corpo, que é nutrido enquanto isso pelas correntes de vida da mãe e formado a partir de sua substância.

Assim também com o Jivatma, que encerra a vida da Mônada; ele deve aguardar a construção de seu corpo nos planos inferiores, e não pode emergir desta vida pré-natal e “nascer”, até que haja um corpo construído nos planos inferiores.

O “nascimento” ocorre na formação do corpo causal, quando o Homem Celestial se manifesta como um Ego infantil, uma verdadeira individualidade, habitando em um corpo no plano físico.

Um pouco de reflexão cuidadosa mostrará quão próxima é a analogia entre a evolução do Peregrino e a de cada renascimento sucessivo; neste último caso, o Jivatma aguarda a formação do corpo físico que está sendo construído como sua habitação; no primeiro, as Tríades espirituais, como uma Coletividade, aguardam a construção do Quaternário sistemático.

Até que o veículo no plano mais baixo esteja pronto, tudo é uma preparação para a evolução, em vez da evolução em si — é frequentemente denominado involução.

O POVOAMENTO DO CAMPO

A evolução da consciência deve começar por contatos recebidos por seu veículo mais externo; isto é, deve começar no plano físico.

Ela só pode se tornar ciente de um impacto externo em sua própria superfície externa; até então, ela sonha dentro de si mesma, enquanto as leves vibrações internas que sempre emanam da Mônada causam leves pressões que tendem para fora no Jivatma, como uma nascente de água sob a terra, buscando uma saída.

2. A TECELAGEM

Enquanto isso, a preparação para o despertar, o dar qualidades à matéria, aquilo que pode ser comparado à formação dos tecidos do futuro corpo, é feita pelo poder de vida do Segundo Logos — a Segunda Onda de Vida, rolando através de plano após plano, impartindo suas próprias qualidades àquela proto-matéria quíntupla.

A onda de vida, como dito acima, carrega os Jivatmas consigo até o subplano atômico do quinto plano, o plano do Fogo, do poder criativo individualizado, da mente.

Aqui eles já têm cada um um átomo, o anásico, ou véu mental da Mônada, o Logos inundando estes e os átomos restantes do plano com Sua vida.

II esses átomos, formando todo o sub-plano atômico, quer livres ou ligados aos Jivatmas, podem ser corretamente denominados Essência Monádica; mas como no curso da evolução, a ser explicada oportunamente, surgem diferenças entre os átomos ligados e os não ligados, o termo Essência Monádica é usualmente empregado para os não ligados, enquanto os ligados são chamados, por razões que aparecerão, "átomos permanentes". Podemos definir então Essência Monádica como matéria atômica animada pela vida do Segundo Logos.

É a Sua vestimenta, para vivificar e manter unidas as formas; Ele está revestido de matéria atômica.

A Sua própria vida como Logos, separada da vida de Atma-Buddhi-Manas no homem, separada de quaisquer vidas no plano—embora Ele sustente, permeie e inclua todas—está revestida apenas de matéria atômica, e é isto que é denotado pelo termo Essência Monádica.

A matéria desse plano, já pela natureza de seus átomos capaz de responder por vibrações às mudanças ativas do pensamento, é lançada pela Segunda Onda de Vida em combinações aptas a expressar pensamentos—pensamentos abstratos na matéria mais sutil, pensamentos concretos na mais grosseira.

As combinações dos segundo e terceiro sub-planos superiores constituem o Primeiro Reino Elemental; as combinações nos quatro sub-planos inferiores constituem o Segundo Reino Elemental.

A matéria mantida em tais combinações é chamada Essência Elemental, e é suscetível de ser moldada em formas-pensamento.

O estudante não deve confundir isto com a Essência Monádica; uma é atômica, a outra molecular, em constituição.

A Segunda Onda de Vida então avança para o sexto plano, o plano da Água, da sensação individualizada, do desejo.

Os Devas antes mencionados ligam as unidades ligadas ao Jivatma, ou permanentes, do quinto plano a um número correspondente de átomos no sexto plano, e o Segundo Logos inunda estes e os átomos restantes com a Sua própria vida—tornando-se assim esses átomos Essência Monádica, como explicado acima.

A onda de vida passa adiante, formando em cada sub-plano as combinações aptas a expressar sensações.

Essas combinações constituem o Terceiro Reino Elemental, e a matéria mantida em tal combinação é chamada Essência Elemental, como antes, e neste sexto plano é suscetível de ser moldada em formas de desejo.

Pelos Tanmatras, as Medidas divinas.

O POVOAMENTO DO CAMPO

A Essência Elemental é, portanto, vista como consistindo em agregações de matéria em cada um dos seis subplanos não atômicos dos planos mental e do desejo, agregações que não servem em si mesmas como formas para qualquer entidade habitar, mas como os materiais a partir dos quais tais formas podem ser construídas.

A onda de vida então avança para o sétimo plano, o plano da Terra, das atividades individualizadas, das ações.

Como antes, os átomos permanentes, ou ligados ao Jivatma, do sexto plano são ligados a um número correspondente no sétimo plano, e o Segundo Logos inunda estes e os átomos restantes com Sua própria vida — todos esses átomos tornando-se, assim, Essência Mônadica.

A onda de vida novamente passa adiante, formando em cada subplano combinações adequadas para constituir corpos físicos, os futuros elementos químicos, como são chamados nos três subplanos inferiores.

Observando esta obra da Segunda Onda de Vida como um todo, vemos que sua varredura descendente está relacionada com o que pode ser justamente chamado de fabricação de tecidos primários, a partir dos quais, futuramente, corpos sutis e densos serão formados.

Bem foi chamada em algumas escrituras antigas de uma "tecelagem", pois tal é literalmente. Os materiais preparados pelo Terceiro Logos são tecidos pelo Segundo Logos em fios e em panos dos quais futuras vestimentas — os corpos sutis e densos — serão feitas.

Assim como um homem pode pegar fios separados de linho, algodão, seda — eles mesmos combinações de um tipo mais simples — e tecê-los em linho, em algodão ou seda, esses panos, por sua vez, a serem moldados em vestimentas por corte e costura, assim o Segundo Logos tece os fios de matéria, tece-os novamente em tecidos, e então os molda em formas.

Ele é o Eterno Tecelão, enquanto nós           48            UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

poderíamos pensar no Terceiro Logos como o Eterno Químico.

Este último trabalha na natureza como em um laboratório, o primeiro como em uma manufatura.

Essas símiles, por mais materialistas que sejam, não devem ser desprezadas, pois são muletas para auxiliar nossas tentativas cambaleantes de compreender.

Essa "tecelagem" confere à matéria suas características, assim como as características do fio diferem das da matéria-prima, como as características do pano diferem das dos fios.

O Logos tece os dois tipos de pano da matéria manásica, da substância mental, e a partir destes serão feitos posteriormente os corpos causal e mental.

Ele tece o pano da matéria astral, da substância do desejo, e a partir deste será feito posteriormente o corpo de desejos.

Ou seja, as combinações de matéria formadas e mantidas unidas pela Segunda Onda de Vida têm as características que atuarão sobre a Mônada quando ele entrar em contato com outras, e o capacitarão a atuar sobre elas.

Assim, ele poderá receber todos os tipos de vibrações, mentais, sensoriais, etc.

As características dependem da natureza das agregações.

Existem sete grandes tipos, fixados pela natureza do átomo, e dentro destes, inúmeros subtipos.

Tudo isso contribui para a formação dos materiais do mecanismo da consciência, que será condicionado por todas essas texturas, colorações, densidades.

Neste movimento descendente da onda de vida através do quinto, sexto e sétimo planos, descendo até que a matéria mais densa seja alcançada, e a onda se volta nesse ponto para começar seu movimento ascendente, devemos pensar, então, em seu trabalho como o de formar combinações que exibem qualidades, e assim às vezes falamos desse trabalho como o dar de qualidades.

Em O POVOAMENTO DO CAMPO

no movimento ascendente, descobriremos que os corpos são construídos a partir da matéria assim preparada.

Mas antes de estudarmos a modelagem desses, devemos considerar a divisão séptupla dessa onda de vida em sua descida, e o surgimento dos "Resplandecentes", os "Devas", os "Anjos", os "Elementais", que pertencem também a esse movimento descendente.

Estes são os "Deuses Menores" de quem Platão fala, dos quais o homem deriva seus corpos perecíveis.

3. AS SETE CORRENTES

A pergunta é constantemente feita: Por que essa contínua ênfase dos Teosofistas no número sete? Falamos dele como o "número-raiz do nosso sistema", e há uma razão óbvia para que esse número desempenhe um papel ativo no agrupamento das coisas, já que estamos preocupados com as triplicidades mencionadas e explicadas anteriormente.

Uma tríade naturalmente produz um septenário por suas próprias relações internas, pois seus três fatores podem se agrupar de sete maneiras e não mais.

Falamos da matéria, fora dos limites de um universo, como tendo as três qualidades da matéria—inércia, mobilidade e ritmo—em estado de equilíbrio.

Quando a vida do Logos causa movimento, temos imediatamente a possibilidade de sete grupos, pois em qualquer átomo dado, ou grupo de átomos, uma ou outra dessas qualidades pode ser mais fortemente energizada do que as outras, e assim uma qualidade predominante será manifestada.

Podemos assim ter três grupos, em um dos quais a inércia predominará, em outro a mobilidade, em um terceiro o ritmo.

Cada uma destas, novamente, subdivide-se, de acordo com a predominância, nela, de uma ou outra das duas qualidades restantes — 50 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

assim, em um dos dois grupos de inércia, a mobilidade pode predominar sobre o ritmo, e no outro, o ritmo sobre a mobilidade, e o mesmo ocorre com os outros dois grupos de mobilidade e ritmo.

Daí surgem os tipos bem conhecidos, classificados segundo a qualidade predominante, usualmente designados por seus termos em sânscrito, sátvico, rajásico e tamásico, rítmico, móvel e inerte, e temos alimentos, animais, homens, etc., sátvicos, rajásicos e tamásicos.

E obtemos sete grupos ao todo: seis subdivisões dos três, e um sétimo no qual as três qualidades são igualmente ativas.

(As variedades de tipo destinam-se simplesmente a marcar, em cada tríade, as energias relativas das qualidades.)                                 INÉRCIA        MOBILIDADE         RITMO

INÉRCIA                   Mobilidade                   Ritmo INÉRCIA                Mobilidade                Ritmo

MOBILIDADE            Ritmo                Inércia MOBILIDADE           Ritmo                 Inércia

RITMO         Inércia    Mobilidade                                        RITMO         Inércia    Mobilidade

A Vida do Logos, que deve fluir para esta matéria, manifesta-se ela própria em sete correntes, ou raios.

Estes surgem similarmente dos três Aspectos da Consciência presentes Nele, como em todas as consciências, uma vez que todas são manifestações do Eu Universal.

São eles: Beatitude, ou Ichchha, Vontade; Cognição, ou Jnanam, Sabedoria; Existência, ou Kriyā, Atividade. Assim, temos as sete correntes, ou raios da vida lógica:              O POVOAMENTO DO CAMPO

Todas as coisas podem ser consideradas como agrupadas sob estas sete rubricas, as sete correntes de vida lógica compondo a Segunda Onda de Vida, e podemos pensá-la como fluindo através dos planos, descendo através deles: de modo que, se desenharmos os planos horizontalmente, a onda de vida varrería verticalmente para baixo através deles.

Além disso, em cada corrente haverá sete subdivisões primárias, de acordo com o tipo de matéria em questão, e dentro destas, subdivisões secundárias, de acordo com as proporções das qualidades dentro de cada tipo, e assim por diante, em inúmeras variações.

Nestas não precisamos entrar.

Basta notar os sete tipos de matéria e os sete tipos de consciências.

Os sete fluxos da vida lógica manifestam-se como os sete tipos de consciência, e dentro de cada um deles encontram-se os sete tipos de combinações de matéria.

Podem-se ver sete tipos distintos em cada um dos três Reinos Elementais e no plano físico.

Mme. Blavatsky, em *A Doutrina Secreta*, tratando do homem, cita das estrofes do Livro de Dzyan o fato de que havia: “Sete deles [Criadores], cada um em sua sorte”, formando os sete tipos de homens, e estes subdivididos: “Sete vezes sete sombras de futuros homens nasceram.”¹ Aqui está a raiz dos diferentes temperamentos dos homens.

4. OS RESPLANDECENTES

Temos agora de considerar outro resultado da onda de vida descendente.

Vimos que ela dá qualidades às agregações de matéria no quinto e sexto planos, e que temos no Primeiro Reino Elemental materiais prontos para revestir pensamentos abstratos; no Segundo Reino Elemental, materiais prontos para revestir pensamentos concretos; no Terceiro Reino Elemental, materiais prontos para revestir desejos.

Mas, além de transmitir qualidades às agregações de matéria, o Segundo Logos emite, durante esta etapa de Sua descida, seres evoluídos, em vários estágios de desenvolvimento, que formam os habitantes normais e típicos desses três reinos.

Esses seres foram trazidos pelo Logos de uma evolução precedente e são enviados do tesouro de Sua vida para habitar o plano para o qual seu desenvolvimento os capacita, e para cooperar com Ele, e mais tarde com o homem, na realização de Seu esquema de evolução.

Eles receberam vários nomes nas diversas religiões, mas todas as religiões reconhecem o fato de sua existência e de seu trabalho.

O nome sânscrito *Devas*—os Resplandecentes—é o mais geral e descreve apropriadamente a característica mais marcante de sua aparência, um brilho luminoso e radiante.² Os hebreus, cristãos e muçulmanos os chamam de Arcanjos e Anjos.

O Teosofista—para evitar conotações sectárias—nomeia-os, segundo seu habitat.

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¹ *Loc. cit.*, ii, 18, 81, 95.

² A tradução desse termo descritivo como “Deus” levou a muitos equívocos do pensamento oriental. Os “trinta e três crores”

Elemental; e este título tem a vantagem adicional de lembrar o estudante de sua conexão com os cinco "Elementos" do mundo antigo: Éter, Ar, Fogo, Água e Terra.

Pois existem seres semelhantes de um tipo superior nos planos átmico e búdico, bem como o Elemental do Fogo e da Água dos planos mental e do desejo, e o Elemental etérico do físico.

Esses seres possuem corpos formados a partir da essência elemental do reino ao qual pertencem, corpos que cintilam em multicoloridas matizes, mudando de forma à vontade da entidade que neles habita.

Eles formam uma vasta hoste, sempre ativamente a trabalhar, laborando sobre a essência elemental para melhorar sua qualidade, tomando-a para formar seus próprios corpos, lançando-a fora e tomando outras porções dela, para torná-la mais responsiva; estão também constantemente ocupados na modelagem de formas, em auxiliar os Egos humanos no caminho da reencarnação na construção de seus novos corpos, trazendo materiais do tipo necessário e ajudando em seus arranjos.

Quanto menos avançado o Ego, maior o trabalho diretivo do Deva; com os animais eles fazem quase todo o trabalho, e praticamente todo com vegetais e minerais.

Eles são os agentes ativos na obra do Logos, executando todos os detalhes de Seu plano mundial, e auxiliando as inúmeras vidas em evolução a encontrar os materiais de que necessitam para seu revestimento.

Toda a antiguidade reconheceu o trabalho indispensável que eles realizam nos mundos, e China, Egito, Índia, Pérsia, Grécia, Roma, contam a mesma história.

A crença nos superiores entre eles não se encontra apenas em todas as religiões, mas memórias daqueles do plano do desejo e do plano físico etérico perduram no folclore, em histórias de "espíritos da natureza", "fadas", "gnomos", "trolls", e sob muitos outros nomes, memórias de dias em que os homens estavam menos profundamente envoltos em interesses materiais, e mais sensíveis às influências que sobre eles atuavam a partir dos mundos mais sutis.

Essa concentração em interesses materiais, necessária para a evolução, excluiu o trabalho do Elemental da consciência desperta humana; mas isso, naturalmente, não interrompe seu trabalho, embora muitas vezes o torne menos eficaz no plano físico.

Na etapa que estamos considerando, contudo, todo esse trabalho, exceto o do aperfeiçoamento da essência elemental, jazia num futuro distante, mas os Seres Resplandecentes laboravam diligentemente nesse aperfeiçoamento.

Havia assim uma vasta obra de preparação realizada antes que qualquer coisa em termos de formas físicas, tais como as reconheceríamos, pudesse aparecer; um vasto labor no lado da Forma das coisas antes que a consciência encarnada, exceto a do Logos e de Seus Seres Resplandecentes, pudesse fazer qualquer coisa. Aquilo que haveria de ser a consciência humana neste ponto era uma semente, semeada nos planos superiores, inconsciente de tudo o que lhe era exterior. Sob o calor impelente da vida do Logos, ela envia uma minúscula radícula para baixo, que abre caminho através dos planos inferiores, cega e inconscientemente, e essa radícula deve constituir nosso próximo objeto de estudo.

CAPÍTULO IV

O ÁTOMO PERMANENTE

1. A LIGAÇÃO DOS ÁTOMOS

Consideremos a Tríade espiritual, o Atma-Buddhi-Manas triatômico, o Jivatma, a semente da consciência, dentro da qual o calor da corrente da vida do Logos, que a envolve, está causando débeis vibrações de vida responsiva.

São vibrações internas, preparatórias para atividades externas.

Após longa preparação, um tênue fio, como uma minúscula radícula, aparece, procedente da molécula triatômica que reveste a consciência, um fio dourado de vida revestido de matéria búdica; inúmeros tais fios aparecem dos inúmeros Jivatmas, ondulando vagamente a princípio nas sete grandes correntes de vida, e então tornando-se ancorados — se a expressão for permitida — pela ligação a uma única molécula ou unidade, no quarto subplano mental.

Essa ancoragem — como a anterior aos três átomos superiores, e como as posteriores aos átomos astral e físico — é efetuada pela ação dos Seres Resplandecentes.

Em torno dessa unidade ligada, agregam-se temporárias agregações de essência elemental do Segundo Reino, dispersando-se e reagrupando-se, repetidamente, sempre com a unidade ligada como centro.

Esse centro estável, servindo para uma sucessão interminável de formas complexas mutáveis, é gradualmente despertado pelas vibrações dessas formas em débeis respostas, estas, por sua vez, vibrando fracamente para cima até a semente da Consciência e produzindo nela os mais vagos movimentos internos.

Não se pode dizer que cada centro tenha sempre ao seu redor uma forma própria; pois uma agregação de essência elemental pode conter vários, ou muitos, desses centros em seu interior, ou, ainda, pode conter apenas um, ou nenhum.

Assim, com inconcebível lentidão, essas unidades agregadas tornam-se possuidoras de certas qualidades; isto é, adquirem o poder de vibrar de certas maneiras, que estão conectadas ao pensamento e futuramente tornarão os pensamentos possíveis.

Os Resplandecentes do Segundo Reino Elemental também trabalham sobre elas, dirigindo-lhes as vibrações às quais gradualmente começam a responder, e envolvendo-as com a essência elemental emanada de seus próprios corpos.¹ Além disso, cada um dos sete grupos típicos é separado dos demais por uma delicada parede de essência mônadica (matéria atômica animada pela vida do Segundo Logos), o início da parede da futura Alma-Grupo.

Todo esse processo se repete quando o Terceiro Reino Elemental é formado.

O tênue fio de vida búdica revestida, com sua unidade mental agregada, agora se projeta para fora em direção ao plano do desejo e se liga a um único átomo astral, adicionando-o a si mesmo como seu centro estável no plano do desejo.

Ao redor deste, agora se reúnem agregações temporárias de essência elemental do Terceiro Reino, dispersando-se e reagrupando-se como antes.

Resultados semelhantes se seguem, à medida que a

¹ Ver *Evolução da Vida e da Forma*, de Annie Besant, pp. 132, 133.                       O ÁTOMO PERMANENTE

incontável sucessão de formas reveste esse centro estável, despertando-o a respostas igualmente débeis, que, por sua vez, vibram fracamente para cima em direção à semente da Consciência, produzindo nela, mais uma vez, os mais vagos movimentos internos.

Assim, novamente, esses átomos agregados tornam-se lentamente possuidores de certas qualidades; isto é, adquirem o poder de vibrar de certas maneiras, que estão conectadas à sensação e futuramente tornarão as sensações possíveis.

Aqui também os Resplandecentes do Terceiro Reino Elemental cooperam no trabalho, usando seus poderes de vibração mais altamente desenvolvidos para produzir simpaticamente nesses átomos não desenvolvidos o poder de resposta e, como antes, dando-lhes de sua própria substância.

A parede separadora de cada um dos sete grupos adquire uma segunda camada, formada pela essência mônadica do plano do desejo, aproximando-se assim de um estágio mais próximo da parede da futura Alma-Grupo.

Mais uma vez o processo se repete quando a grande onda avançou até o plano físico.

O tênue fio de vida revestido de búdico, com suas unidades mentais e de desejo anexadas, projeta-se para fora mais uma vez e anexa um átomo físico, adicionando-o a si mesmo como seu centro estável no plano físico.

Ao redor deste se reúnem moléculas etéreas, mas a matéria física mais pesada é mais coerente do que a matéria sutil dos planos superiores, e um período de vida muito mais longo pode ser observado.

Então — assim como se formam os tipos etéreos dos proto-metais, e mais tarde proto-metais, metais, elementos não metálicos e minerais — os Seres Resplandecentes do Reino Etéreo Físico submergem esses átomos anexados em seus invólucros de éter em um dos sete tipos etéreos aos quais respectivamente pertencem, e eles começam sua               58 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

longa evolução física.

Antes de podermos seguir adiante, devemos considerar as Almas-Grupo, que no subplano atômico recebem sua terceira camada envolvente.

Mas será bom pausar por um momento sobre a natureza e a função desses átomos permanentes, as tri-unidades, ou tríades, que são como um reflexo nos planos inferiores das Tríades espirituais nos superiores, e cada uma das quais está anexada a uma Tríade espiritual, seu Jivatma.

Cada tríade consiste em um átomo físico, um átomo astral e uma unidade mental, permanentemente anexados por um fio de matéria búdica a uma Tríade espiritual.

Esse fio às vezes tem sido chamado de Sutratma, o Fio-Self, porque as partículas permanentes são enfiadas nele como "contas em um cordão".¹ Podemos novamente recorrer a um diagrama, mostrando a relação.

vi                             :                                  »                                  t                                  u  vii

¹ Este termo é usado para denotar várias coisas, mas sempre no mesmo sentido, como o fio que conecta partículas separadas.

É aplicado ao Ego reencarnante, como o fio no qual muitas vidas separadas são                   O ÁTOMO PERMANENTE

2.   A TEIA DA VIDA

Foi dito que a conexão com a Tríade espiritual é através da matéria búdica, e isso é indicado no diagrama pela linha pontilhada que conecta os átomos que descem da linha no plano búdico, e não do átomo manásico.

É de matéria búdica que é tecida a maravilhosa teia da vida que sustenta e vivifica todos os nossos corpos.

Se os corpos forem observados com visão búdica, todos desaparecem e, em seus lugares, vê-se uma cintilante teia dourada de finura inconcebível e beleza delicada, um traçado de todas as suas partes, numa rede de malhas minúsculas.

Esta é formada de matéria búdica, e dentro dessas malhas os átomos mais grosseiros são construídos em conjunto.

Uma inspeção mais próxima mostra que toda a rede é formada por um único fio, que é uma prolongação do Sutratma.

Durante a vida pré-natal do infante, esse fio cresce a partir do átomo físico permanente e se ramifica em todas as direções, continuando esse crescimento até que o corpo físico esteja plenamente desenvolvido; durante a vida física, o

prana, o sopro vital, flui sempre ao longo dele, seguindo todas as suas ramificações e malhas; na morte, ele é retirado, deixando as partículas do corpo a se dispersar; pode-se observá-lo, lentamente desenredando-se da densa matéria física, o sopro vital o acompanhando, e recolhendo-se no coração em torno do átomo permanente; à medida que se retira, os membros abandonados esfriam — sua ausência causa o "frio da morte"; a chama violeta-dourada do sopro vital

enfia-se; ao Segundo Logos, como o Fio no qual os seres de Seu universo estão enfiados; e assim por diante. Denota uma função, em vez de uma entidade especial ou classe de entidades.


é vista brilhando ao redor dele no coração, e a chama, e a teia de vida dourada, e o átomo permanente ascendem ao longo da secundária "Sushumna-nadi" até a cabeça, para dentro do terceiro ventrículo do cérebro; os olhos vidram, à medida que a teia de vida se retira e todo o conjunto se recolhe em torno do átomo permanente no terceiro ventrículo; então, o todo ascende lentamente até o ponto de junção das suturas parietal e occipital, e deixa o corpo físico — morto.

Assim, ele envolve o átomo permanente como uma casca dourada — lembrando o casulo firmemente tecido do bicho-da-seda — para permanecer a envolvê-lo até que a construção de um novo corpo físico novamente exija seu desdobramento.

O mesmo procedimento é seguido com as partículas astrais e mentais, de modo que, quando esses corpos se desintegram, a tríade inferior pode ser vista como um núcleo brilhantemente cintilante dentro do corpo causal, uma aparência que já havia sido notada muito antes de uma observação mais atenta revelar seu significado.

3. A ESCOLHA DOS ÁTOMOS PERMANENTES

Voltemos à apropriação original, pela Mônada, dos átomos permanentes dos três planos superiores, e procuremos compreender algo de seu uso, do objetivo de sua apropriação; os mesmos princípios se aplicam aos átomos permanentes de cada plano.

Em primeiro lugar, lembrar-se-á que a matéria de cada plano apresenta sete tipos principais, que variam segundo¹ o predomínio de um ou outro dos três grandes atributos da matéria: inércia, mobilidade e ritmo.

¹ Não há nome em inglês para esta passagem; é um vaso, ou canal, que vai do coração ao terceiro ventrículo, e será familiar sob o nome acima para todos os estudantes de yoga.

O Sushumna primário é o canal espinhal.

O ÁTOMO PERMANENTE

Por conseguinte, os átomos permanentes podem ser escolhidos dentre qualquer um desses tipos, mas parece que, por uma única Mônada, todos são escolhidos dentre o mesmo tipo.

Parece, ademais, que, enquanto a efetiva ligação dos átomos permanentes ao fio de vida nos três planos superiores é obra das Hierarquias anteriormente mencionadas, a escolha que dirige a apropriação é feita pela própria Mônada.

Ele próprio pertence a um ou outro dos sete grupos de Vida já mencionados; à frente de cada um desses grupos está um Logos Planetário, que "colore" o todo, e as Mônadas são agrupadas por essas colorações, cada uma "sendo colorida por sua 'Estrela-Pai'".² Esta é a primeira grande característica determinante de cada um de nós, nossa "cor" fundamental, ou "nota-chave", ou "temperamento". A Mônada pode escolher usar sua nova peregrinação para o fortalecimento e aumento dessa característica especial; se assim o fizer, as Hierarquias ligarão ao seu fio de vida átomos pertencentes ao grupo na matéria correspondente ao seu grupo de vida.

Essa escolha resultaria na "cor" secundária, ou "nota-chave", ou "temperamento", enfatizando e fortalecendo a primeira, e, na evolução posterior, os poderes e as fraquezas desse temperamento duplicado se manifestariam com grande força.

² Ou, a Mônada pode escolher usar sua nova peregrinação para o desdobramento de outro aspecto de sua natureza; então as Hierarquias ligarão ao seu fio de vida átomos pertencentes ao grupo material correspondente a outro grupo de vida, aquele que

62 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

A escolha resultaria na “cor” secundária, ou “nota-chave”, ou “temperamento”, modificando a primeira, com resultados correspondentes na evolução posterior.

Esta última escolha é obviamente de longe a mais frequente, e tende a uma maior complexidade de caráter, especialmente nos estágios finais da evolução humana, quando a influência da Mônada se faz sentir mais fortemente.

Como dito acima, parece que todos os átomos permanentes são retirados do mesmo grupo material, de modo que os da tríade inferior correspondem aos da superior; mas nos planos inferiores a influência desses átomos na determinação do tipo de materiais usados nos corpos dos quais são os centros geradores — a questão para a qual devemos agora voltar nossa atenção — é muito limitada e interferida por outras causas.

Nos planos superiores, os corpos são relativamente permanentes, uma vez encontrados, e reproduzem definitivamente a nota-chave de seus átomos permanentes, por mais enriquecida que essa nota possa ser por harmônicos cada vez mais sutis em harmonia.

Mas nos planos inferiores, embora a nota-chave dos átomos permanentes seja a mesma, várias outras causas entram em ação para determinar a escolha dos materiais para os corpos, como se verá melhor adiante.

4. O USO DOS ÁTOMOS PERMANENTES

Para resumir esse uso numa frase: O uso dos átomos permanentes é preservar dentro de si mesmos, como poderes vibratórios, os resultados de todas as experiências pelas quais passaram.

Será talvez melhor tomar o átomo físico como O ÁTOMO PERMANENTE

uma ilustração, uma vez que este é suscetível de explicação mais fácil do que aqueles nos planos superiores.

Um impacto físico de qualquer tipo causará vibrações correspondentes às suas próprias no corpo físico que contata; estas podem ser locais ou gerais, conforme a natureza e a força do impacto.

Mas sejam locais ou gerais, alcançarão o átomo físico permanente, transmitidas pela teia da vida em todos os casos, e em impactos violentos também por mera concussão.

Essa vibração, forçada sobre o átomo a partir do exterior, torna-se um poder vibratório no átomo — uma tendência nele de repetir a vibração.

Durante toda a vida do corpo, inúmeros impactos o atingem; nenhum deixa de marcar o átomo permanente; nenhum deixa de lhe conferir uma nova possibilidade de vibração.

Todos os resultados das experiências físicas permanecem armazenados neste átomo permanente como poderes de vibrar.

Ao final de uma vida física, esse átomo permanente acumulou assim inumeráveis poderes vibratórios; isto é, aprendeu a responder de inúmeras maneiras ao mundo externo, a reproduzir em si mesmo as vibrações impostas a ele pelos objetos circundantes.

O corpo físico se desintegra na morte; suas partículas se dispersam, todas carregando consigo o resultado das experiências pelas quais passaram—como, de fato, todas as partículas de nossos corpos estão sempre fazendo dia após dia, em suas incessantes mortes de um corpo e incessantes nascimentos em outro.

Mas o átomo permanente físico permanece; é o único átomo que passou por todas as experiências das conglomerações em constante mudança que chamamos de nosso corpo, e adquiriu todos os resultados de todas essas experiências.

Envolto em seu casulo dourado, ele dorme durante os longos anos em que o Jtvatma que o possui está vivendo outras experiências em outros mundos.

Por essas, ele permanece não afetado, sendo incapaz de responder a elas, e dorme através de sua longa noite em repouso imperturbado.

Quando chega o tempo da reencarnação, e a presença do átomo permanente torna possível a fertilização do óvulo do qual o novo corpo deve crescer,³ sua nota-chave soa, e é uma das forças que guiam o construtor etérico, o elemental encarregado da construção do corpo físico, a escolher os materiais adequados para seu trabalho, pois ele não pode usar nenhum que não possa ser, em alguma medida, afinado com o átomo permanente.

Mas é apenas uma das forças; o karma de vidas passadas, mental, emocional e em relação aos outros, exige materiais capazes das mais variadas expressões: desse karma, os Senhores do Karma escolheram o que é congruente, isto é, o que pode ser expresso através de um corpo de um grupo material particular; essa massa congruente de karma determina o grupo material, sobrepujando o átomo permanente, e desse grupo são escolhidos pelo elemental os materiais que podem vibrar em harmonia com o átomo permanente, ou em discordâncias não disruptivas em sua violência.

Portanto, como dito, o átomo permanente é apenas uma das forças na determinação da terceira “cor”, ou “nota-chave”, ou “temperamento”, que caracteriza cada um de nós. De acordo com esse temperamento será o tempo do nascimento do corpo; ele deve nascer no mundo em um momento em que

H. P. Blavatsky lança uma sugestão quanto a esses “átomos adormecidos”. Ver *A Doutrina Secreta*, ii, 710. 2 H. P. Blavatsky chama o núcleo permanente dos planos inferiores de “átomos-vida”; ela diz: “Os átomos-vida do nosso princípio (prana) de vida nunca se perdem inteiramente quando um homem morre”; eles são “transmitidos de pai para filho”. *A Doutrina Secreta*, ii, 709.

O ÁTOMO PERMANENTE

as influências físicas planetárias são adequadas ao seu terceiro temperamento, e assim ele nasce “sob” a sua “Estrela” astrológica. Escusado será dizer que não é a Estrela que impõe o temperamento, mas o temperamento que fixa a época do nascimento sob essa Estrela.

Mas nisto reside a explicação das correspondências entre Estrelas — Anjos-Estrelas, isto é — e caracteres, e a utilidade, para fins educacionais, de um horóscopo habilmente e cuidadosamente traçado, como guia para o temperamento pessoal de uma criança.

Que resultados tão complicados, capazes de imprimir suas peculiaridades na matéria circundante, possam existir em um espaço tão diminuto quanto um átomo pode, de fato, parecer inconcebível — e, no entanto, assim é. E é digno de nota que a ciência comum corrobora uma ideia semelhante, pois os bioforos infinitesimais na célula germinativa de Weismann supõe-se que transmitam à prole as características de sua linhagem de progenitores.

Enquanto um traz ao corpo suas peculiaridades físicas de seus ancestrais, o outro fornece aquelas que foram adquiridas pelo homem em evolução durante sua própria evolução.

H. P. Blavatsky expôs isso muito claramente: “O filósofo-embriologista alemão — saltando por cima das cabeças dos gregos Hipócrates e Aristóteles, diretamente de volta aos ensinamentos dos antigos arianos — mostra uma célula infinitesimal, entre milhões de outras em ação na formação de um organismo, sozinha e sem auxílio, determinando, por meio de constante segmentação e multiplicação, a imagem correta do futuro homem, ou animal, em suas características físicas, mentais e psíquicas . . . Completai o plasma físico, mencionado acima, a ‘célula germinativa’ do homem com todas as suas potencialidades materiais, com o ‘plasma espiritual’, por assim dizer, ou o

66 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

fluido que contém os cinco princípios inferiores do Dhyani de seis princípios — e você tem o segredo, se for suficientemente espiritual para compreendê-lo." Um pequeno estudo da hereditariedade física à luz dos ensinamentos de Weismann será suficiente para convencer o estudante das possibilidades de um corpo como o átomo permanente.

Um homem reproduz as feições de um ancestral remoto, exibe uma peculiaridade física que caracterizou um antepassado vários séculos atrás. Podemos traçar o nariz dos Stuart através de uma longa série de retratos, e inúmeros casos de tais semelhanças podem ser encontrados.

Por que, então, deveria haver algo de extraordinário na ideia de que um átomo pudesse reunir dentro de si não bióforos, como na célula germinativa, mas tendências a repetir inúmeras vibrações já praticadas?

Nenhuma dificuldade espacial surge, mais do que no caso de uma corda, da qual numerosas notas podem ser extraídas ao friccioná-la em diferentes pontos, cada nota contendo numerosos harmônicos.

Não devemos pensar no espaço diminuto de um átomo como repleto de inúmeros corpos vibrantes, mas sim de um número limitado de corpos, cada um capaz de estabelecer inúmeras vibrações.

Verdadeiramente, porém, até mesmo a dificuldade espacial é ilusória, pois não há limites para o diminuto, assim como não há para o grandioso. A ciência moderna vê agora no átomo um sistema de mundos em revolução, cada mundo em sua própria órbita, o todo assemelhando-se a um sistema solar.

O mestre da ilusão, o Espaço, como seu irmão mestre, o Tempo, não pode aqui nos amedrontar. Não há limite para as possibilidades de subdivisão no pensamento e, portanto, nenhum na expressão do pensamento que chamamos matéria.

A Doutrina Secreta, i, 243, 244. O ÁTOMO PERMANENTE

O número normal de espirilas em atividade nos átomos permanentes nesta Ronda é quatro, como nos átomos comuns não associados da matéria em geral neste estágio de evolução.

Mas tomemos o átomo permanente no corpo de um homem altamente evoluído, um homem muito à frente de seus semelhantes.

Em tal caso, podemos encontrar o átomo permanente exibindo cinco espirilas em atividade, e podemos buscar compreender a relação desse fato com os materiais gerais de seu corpo.

Na vida pré-natal, a presença desse átomo permanente de cinco espirilas teria feito o elemental construtor selecionar entre seus materiais quaisquer átomos semelhantes que estivessem disponíveis.

Na maioria dos casos, ele seria reduzido ao uso de quaisquer átomos que pudesse encontrar, que tivessem estado em conexão temporária com algum corpo cujo centro fosse um átomo permanente de cinco espirilas.

A sua presença tenderia a despertar neles uma atividade correspondente, especialmente — talvez apenas — se tivessem feito parte do cérebro ou dos nervos do ocupante altamente desenvolvido do corpo.

A quinta espirila ter-se-ia tornado mais ou menos ativa neles, e embora tivesse regressado à inatividade após deixar tal corpo, a sua atividade temporária tê-los-ia predisposto a responder mais prontamente no futuro à corrente da vida mônada.

Tais átomos, então, seriam assegurados pelo elemental para o seu trabalho, tanto quanto possível.

Ele também, se a oportunidade servisse, apropriar-se-ia dos corpos paterno ou materno, se fossem de ordem elevada, de quaisquer átomos que pudesse assegurar, e os incorporaria à sua incumbência.

Após o nascimento, e ao longo da vida, tal corpo atrairia para si quaisquer átomos semelhantes que entrassem no seu campo magnético.

Tal corpo, na companhia de pessoas altamente evoluídas, beneficiar-se-ia de modo excecional pela proximidade, apropriando-se de quaisquer átomos de cinco espirilas que estivessem presentes na chuva de partículas emanadas dos seus corpos, ganhando assim fisicamente, bem como mental e moralmente, com a sua companhia.

O átomo astral permanente mantém exatamente a mesma relação com o corpo astral que a mantida pelo átomo físico permanente com o corpo físico.

No fim da vida no kama-loka — purgatório — a teia de vida dourada retira-se do corpo astral, deixando-o desintegrar-se, como o seu companheiro físico fizera anteriormente, e envolve o átomo astral permanente para o seu longo sono.

Uma relação semelhante é mantida com o corpo mental pela partícula mental permanente durante a vida física, astral e mental; durante os primeiros estágios da evolução humana, pouco aperfeiçoamento é feito na unidade mental permanente pelas breves vidas devachânicas, não apenas devido à sua brevidade, mas porque as débeis formas-pensamento produzidas pela inteligência subdesenvolvida afetam muito pouco a unidade permanente.

Mas quando o poder do pensamento é mais altamente evoluído, a vida devachânica é um tempo de grande aperfeiçoamento, e inúmeras energias vibratórias são armazenadas, e mostram o seu valor quando chega o momento de construir um novo corpo mental para o próximo ciclo de reencarnação.

Ao encerrar-se a vida mental no devachan, a teia dourada retira-se do corpo mental, deixando-o também desintegrar-se, enquanto envolve a partícula mental; e apenas a tríade inferior de átomos permanentes permanece como representante dos três corpos inferiores.

Estes são armazenados, como dito antes, como uma partícula radiante semelhante a um núcleo dentro do corpo causal.

Eles são, portanto, tudo o que resta ao Ego de seus corpos nos mundos inferiores, quando esse ciclo de experiência se completa, assim como                       O ÁTOMO PERMANENTE

eram seus meios de comunicação com os planos inferiores durante a vida desses corpos.

Quando chega o período para o renascimento, uma vibração de vida do Ego desperta a unidade mental; a teia de vida começa a se desdobrar novamente, e a unidade vibrante atua como um ímã, atraindo para si materiais com poderes vibratórios semelhantes, ou concordantes, aos seus próprios.

Os Seres Luminosos do Segundo Reino Elemental trazem tais materiais ao seu alcance; nos estágios iniciais da evolução, eles moldam a matéria em uma nuvem frouxa ao redor da unidade permanente, mas, à medida que a evolução avança, o Ego exerce sobre a moldagem uma influência cada vez maior.

Quando o corpo mental está parcialmente formado, a vibração de vida desperta o átomo astral, e o mesmo procedimento é seguido. Finalmente, o toque de vida alcança o átomo físico, e ele age da maneira já descrita nas pp. 64-65. Um questionador às vezes pergunta: Como podem esses átomos permanentes ser armazenados dentro do corpo causal, sem perder suas naturezas física, astral e mental, já que o corpo causal existe em um plano superior, onde o físico, como físico, não pode existir? Tal questionador está esquecendo, por um momento, que todos os planos são interpenetrantes, e que não é mais difícil para o corpo causal envolver a tríade dos planos inferiores do que envolver as centenas de milhões de átomos que formam os corpos mental, astral e físico pertencentes a ele durante um período de vida terrestre.

A tríade forma uma partícula minúscula dentro do corpo causal; cada parte constituinte dela pertence ao seu próprio plano, mas, como os planos têm pontos de encontro em toda parte, nenhuma dificuldade surge na justaposição necessária.

Estamos todos em todos os planos em todos os momentos.


3. AÇÃO MÔNADICA SOBRE OS ÁTOMOS PERMANENTES

Podemos aqui indagar: Há algo que possa ser propriamente denominado ação monádica — a ação da Mônada no plano anupadaka — sobre o átomo permanente? De ação direta não há nenhuma, nem pode haver até que a Tríade Espiritual germinal tenha alcançado um alto estágio de evolução: ação indireta, isto é, ação sobre a Tríade Espiritual, que por sua vez age sobre o inferior, há continuamente.

Mas para todos os fins práticos, podemos considerá-la como a ação da Tríade Espiritual, que, como vimos, é a Mônada velada em matéria mais densa do que a de seu plano nativo.

A Tríade Espiritual está extraindo a maior parte de sua energia, e toda a capacidade diretiva dessa energia, do Segundo Logos, estando ela banhada nessa corrente de Vida.

O que pode ser chamado de sua atividade especial própria não se ocupa de toda a atividade modeladora e construtora da segunda Onda de Vida, mas é dirigido à evolução do próprio átomo, em associação com o Terceiro Logos.

Essa energia da Tríade Espiritual confina-se aos subplanos atômicos e, até a quarta Ronda, parece gastar-se principalmente sobre os átomos permanentes.

Ela é dirigida primeiro à modelagem e depois à vivificação das espirilas que formam a parede do átomo.

O vórtice, que é o átomo, é a vida do Terceiro Logos: mas a parede das espirilas é gradualmente formada na superfície externa desse vórtice durante a descida do Segundo Logos, não vivificada por Ele, mas fracamente delineada sobre a superfície desse vórtice rotativo de vida.

Elas permanecem — no que concerne ao Segundo Logos — meramente como esses canais diáfanos não utilizados, mas logo, à medida que a vida da Mônada                    O ÁTOMO PERMANENTE

flui para baixo, ela atua no primeiro desses canais, vivificando esse canal e transformando-o em uma parte funcional do átomo.

Isso prossegue através das Rondas sucessivas, e quando chegamos à quarta Ronda temos quatro distintas correntes de vida de cada Mônada, circulando através de quatro conjuntos de espirilas em seus próprios átomos permanentes.

Agora, à medida que a Mônada atua no átomo permanente, e este é apresentado como o núcleo de um corpo, ela começa a atuar similarmente nos átomos que são atraídos ao redor desse átomo permanente, e vivifica por sua vez suas espirilas; mas isso é vivificação temporária, e não contínua como no caso do átomo permanente.

Ele assim coloca em atividade essas tênues películas sombrias, formadas pela Segunda Onda de Vida, e, quando a vida do corpo é desfeita, os átomos assim estimulados retornam à grande massa de matéria atômica, melhorados e trabalhados pela vida que, durante sua conexão com o átomo permanente, os tem vivificado.

Os canais, sendo assim desenvolvidos, tornam-se mais capazes de receber facilmente outra corrente de vida semelhante ao entrarem em outro corpo e aí entrarem em relação com um átomo permanente pertencente a alguma outra Mônada.

Assim, esse trabalho continua continuamente, nos planos físico e astral e na partícula de matéria mental no plano mental, melhorando os materiais com os quais as Mônadas estão permanente ou temporariamente conectadas, e essa evolução dos átomos está constantemente ocorrendo sob a influência

das Mônadas. Os átomos permanentes evoluem mais rapidamente devido à sua continuidade de conexão com a Mônada, enquanto os outros se beneficiam de sua repetida associação temporária com os átomos permanentes 72                UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

Durante a primeira Rodada da Cadeia terrestre, o primeiro conjunto de espirilas dos átomos do plano físico torna-se assim vivificado pela vida da Mônada que flui através da Tríade espiritual.

Este é o conjunto de espirilas usado pelas correntes prânicas, ou do sopro vital, que afetam a parte densa do corpo físico.

Similarmente, na segunda Rodada, o segundo conjunto de espirilas torna-se ativo, e nele atuam as correntes prânicas conectadas com o duplo etérico.

Durante essas duas Rodadas, nada pode ser encontrado, em conexão com qualquer forma, que possa ser chamado de sensações de prazer e dor.

Durante a terceira Rodada, o terceiro conjunto de espirilas torna-se vivificado, e aqui aparece pela primeira vez o que se chama sensibilidade; pois através dessas espirilas a energia câmica ou do desejo pode afetar o corpo físico, o prana câmico pode atuar nelas, e assim trazer o físico em comunicação direta com o astral.

Durante a quarta Rodada, o quarto conjunto de espirilas torna-se vivificado, e o prana kama-manásico atua nelas, tornando-as aptas a serem usadas para a construção de um cérebro que deverá atuar como instrumento para o pensamento.

Quando uma pessoa sai do normal e assume a evolução humana anormal envolvida em preparar-se para e entrar no Sendero que está além da evolução normal, ela tem então, em conexão com seus átomos permanentes, uma tarefa de extrema dificuldade.

Ele deve vivificar mais conjuntos de espirilas do que os que são vivificados na humanidade de seu tempo.

Quatro conjuntos já estão a seu serviço, como um homem da quarta Ronda.

Ele começa a vivificar um quinto, e assim a trazer à manifestação o átomo da quinta Ronda, enquanto ainda trabalha em um corpo da quarta Ronda.

É a isso que se faz alusão em alguns livros teosóficos antigos, nos quais se fala de "indivíduos da Quinta Ronda" e "indivíduos da Sexta Ronda" como aparecendo em nossa humanidade atual.

Aqueles assim designados evoluíram o quinto e o sexto conjunto de espirilas em seus átomos permanentes, obtendo assim um melhor instrumento para o uso de sua consciência altamente desenvolvida.

A mudança é efetuada por certas práticas de ioga, no uso das quais se requer grande cautela, para que não se cause lesão ao cérebro no qual esse trabalho está sendo realizado, e o progresso ulterior nessa linha particular seja interrompido durante a presente encarnação.

CAPÍTULO V

ALMAS-GRUPO

1. O SIGNIFICADO DO TERMO

Falando de modo geral, uma Alma-Grupo é uma coleção de tríades permanentes, em um tríplice invólucro de essência mônadica.

Essa descrição é verdadeira para todas as Almas-Grupo que funcionam no plano físico, mas não dá ideia da extrema complexidade do assunto das Almas-Grupo.

Pois elas se dividem e subdividem constantemente, o conteúdo de cada divisão e subdivisão diminuindo em número, à medida que a evolução avança, até que, por fim, uma "Alma-Grupo" encerra apenas uma única tríade, à qual pode continuar, por muitos nascimentos, a desempenhar as funções protetoras e nutritivas de uma Alma-Grupo, embora não seja mais tecnicamente descritível como tal, tendo o "Grupo" se separado em suas partes constituintes.

Sete Almas-Grupo podem ser vistas funcionando no plano físico, antes que quaisquer formas apareçam.

Elas primeiro se mostram como formas vagas, diáfanas, uma em cada corrente da Segunda Onda de Vida, no plano mental, tornando-se mais claramente delineadas no plano astral, e ainda mais no físico.

Elas flutuam no grande oceano da matéria como balões poderiam flutuar no mar.

Observando-as mais de perto, vemos três camadas separadas de matéria, formando um invólucro, que contém inúmeras tríades.

Antes de qualquer mineralização ter ocorrido, nenhuma teia de vida dourada é, naturalmente, visível ao redor destas; apenas os radiantes fios dourados que as conectam aos seus Jivatmas progenitores podem ser vistos, brilhando com aquele estranho lustre que pertence ao seu plano de nascimento.

A camada mais interna dessas três consiste em essência monádica física; isto é, a camada é composta de átomos do plano físico, animados com a vida do Segundo Logos.

À primeira vista, essas camadas mais internas parecem idênticas nas sete Almas-Grupo; mas uma observação mais próxima revela que cada camada é formada de átomos de apenas um dos sete Grupos de Matéria anteriormente descritos.

Cada Alma-Grupo, portanto, difere em constituição material de todas as demais, e as tríades contidas em cada uma pertencem ao mesmo grupo de matéria.

A segunda camada do invólucro da Alma-Grupo é composta de essência monádica astral, pertencente ao mesmo grupo de matéria que a primeira; e a terceira, de unidades do quarto subplano da matéria mental do mesmo tipo.

Este triplo invólucro é o protetor e nutridor das tríades contidas em seu interior, verdadeiros embriões, incapazes, ainda, de atividade independente e separada.

As sete Almas-Grupo logo se multiplicam, a divisão ocorrendo continuamente com a multiplicação de subtipos distintos, à medida que os precursores imediatos dos elementos químicos aparecem, seguidos pelos próprios elementos e pelos minerais formados a partir deles.

As leis do espaço, por exemplo — à parte da especialização do conteúdo da Alma-Grupo, as tríades permanentes — podem levar a uma divisão dela. 76 UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

Assim, um veio de ouro na Austrália pode levar à mineralização de muitas dessas tríades dentro de um único invólucro, enquanto a deposição de outro veio em um lugar distante, digamos as Montanhas Rochosas, pode levar à divisão desse invólucro e à transferência de parte de seu conteúdo para a América em seu próprio invólucro.

Mas as causas mais importantes que provocam subdivisões serão explicadas no decorrer de nosso estudo.

A Alma-Grupo e seu conteúdo dividem-se por fissão, como uma célula comum — um torna-se dois, dois tornam-se quatro, e assim por diante. Todas as tríades têm que passar pelo reino mineral, o lugar em que a matéria atinge sua forma mais grosseira, e o lugar onde a grande onda alcança o limite de sua descida e se volta para iniciar sua ascensão.



Quando a Alma-Grupo contém apenas uma tríade, e a nutriu até estar pronta para receber a terceira efusão, o que dela resta desintegra-se em matéria do terceiro subplano e torna-se parte constituinte do corpo causal formado pela precipitação de cima encontrando a coluna ascendente de baixo — para usar a vívida analogia do funil d'água.

Então o Ego reencarnante nasce em manifestação independente; a vida pré-natal protegida terminou.


2. A DIVISÃO DA ALMA-GRUPO

É no plano físico que a consciência deve primeiro evoluir para a Autoconsciência, deve tornar-se cônscia de um mundo externo que nela produz impactos, e deve aprender a referir esses impactos a um mundo externo e a reconhecer como seus as mudanças que sofre em consequência desses impactos.

Por experiências prolongadas, aprenderá a identificar consigo mesma a sensação de prazer ou dor que se segue ao impacto, e a considerar como não sendo ela aquilo que toca sua superfície externa.

Assim fará sua primeira distinção grosseira entre "Não-Eu" e "Eu". À medida que a experiência aumenta, o "Eu" recuará sempre para dentro, e um véu de matéria após outro será relegado para fora como pertencente ao "Não-Eu"; mas, embora suas conotações mudem, essa distinção fundamental entre sujeito e objeto permanecerá sempre.

"Eu" é a consciência que quer, pensa e age; enquanto o "Não-Eu" é tudo aquilo sobre o qual ela quer, sobre o qual pensa e sobre o qual age.

Teremos de considerar mais tarde o modo pelo qual a consciência se torna Autoconsciência, mas no presente estamos preocupados apenas com sua expressão em formas e com o papel desempenhado pelas formas.

Essa consciência desperta no plano físico, e sua expressão é o átomo permanente; nele ela jaz adormecida; "dorme no mineral"; e ali deve ocorrer algum despertar para um sono mais leve, de modo que ela possa ser erguida desse profundo sono sem sonhos e tornar-se suficientemente ativa para passar ao próximo estágio: "sonha no vegetal". Agora, o Segundo Logos, atuando no envoltório das Almas-Grupo, energiza os átomos físicos permanentes e,

ALMAS-GRUPO

por intermédio dos Seres Resplandecentes, como vimos, mergulha-os nas várias condições oferecidas pelo reino mineral, onde cada um se liga a muitas partículas minerais.

Vemos imediatamente aqui uma grande variedade de impactos possíveis, levando a uma variedade de experiências e, assim, em breve, a linhas de clivagem em uma Alma-Grupo.

Algumas serão lançadas aos turbilhões nas alturas, para cair em torrentes de lava ardente; outras serão expostas ao frio ártico, outras ainda ao calor tropical; algumas serão esmagadas e revestidas de metal fundido nas entranhas da terra; outras estarão na areia, agitadas rudemente pelas ondas impetuosas.

Infinita variedade de impactos externos abalará, golpeará, queimará e congelará, e em vagas respostas de vibrações simpáticas responderá a consciência profundamente adormecida.

Quando qualquer átomo permanente tiver alcançado certa responsividade, ou quando uma forma mineral, isto é, as partículas às quais um átomo permanente se ligou, for desintegrada, a Alma-Grupo retira esse átomo de seu invólucro.

Todas as experiências adquiridas por esse átomo — e isso significa as vibrações que ele foi forçado a executar — permanecem como poderes de vibrar de maneiras particulares, ou como "poderes vibratórios". Esse é o resultado de sua vida em uma forma.

O átomo permanente, perdendo sua corporificação e permanecendo por um tempo nu, por assim dizer, em sua Alma-Grupo, e continuando a repetir essas vibrações, a percorrer internamente suas experiências de vida, estabelece pulsações que percorrem o envelope da Alma-Grupo e são assim transmitidas a outros átomos permanentes: assim, cada um afeta e ajuda todos os outros, permanecendo, contudo, ele mesmo.

Os átomos permanentes que tiveram experiências de caráter semelhante serão mais fortemente afetados uns pelos outros do que aqueles cujas experiências foram muito diferentes.


e assim haverá uma certa segregação ocorrendo dentro da Alma-Grupo, e em breve uma parede separadora tênue crescerá para dentro a partir do envelope e dividirá esses grupos segregados uns dos outros; e assim haverá um número cada vez maior de Almas-Grupo com conteúdos mostrando uma distinção cada vez maior de consciência, enquanto compartilham características fundamentais.

Ora, as respostas da consciência a estímulos externos no reino mineral são muito maiores do que muitos percebem, e algumas delas são de uma natureza que mostra que há um despertar da consciência também no átomo permanente astral.

Os elementos químicos exibem atrações mútuas distintas, e as relações conjugais químicas são continuamente desorganizadas pela intrusão de pares, um ou outro dos quais possui uma afinidade mais forte por um dos parceiros do casamento anterior do que o cônjuge original.

Assim, um casal até então mutuamente fiel, formando um sal de prata, repentinamente se mostrará infiel um ao outro se outro casal, o ácido clorídrico, entrar em seu pacífico lar; e a prata se lançará sobre o cloro e o tomará por esposo, preferindo-o ao seu antigo companheiro, e estabelecerá um novo lar como cloreto de prata, deixando o hidrogênio abandonado a unir-se à sua própria parceira desamparada.

Onde quer que essas trocas ativas ocorram, há uma ligeira agitação no átomo astral, em consequência das violentas vibrações físicas suscitadas pela violenta separação e formação de laços íntimos, e vagos estremecimentos internos aparecem.

O astral deve ser despertado a partir do físico, e a consciência no plano físico por muito tempo liderará a evolução.

Ainda assim, uma pequena nuvem de matéria astral é atraída ao redor do átomo astral permanente por esses ligeiros estremecimentos, mas é mantida de forma muito frouxa e parece ser bastante desorganizada.

Não parece haver qualquer vibração no átomo mental neste estágio.

Após eras de experiência no reino mineral, alguns dos átomos permanentes estarão prontos para passar ao reino vegetal, e serão distribuídos pela agência dos Seres Resplandecentes pelo mundo vegetal.

Não se deve supor que cada folha de grama, cada planta, tenha um átomo permanente dentro de si, evoluindo para a humanidade durante a vida deste sistema.

Assim como no reino mineral, também aqui; o reino vegetal forma o campo de evolução para esses átomos permanentes, e os Seres Resplandecentes os guiam de habitat em habitat, para que possam experimentar as vibrações que afetam o mundo vegetal, e novamente armazená-las como poderes vibratórios da mesma maneira que antes. Os princípios de troca e de segregação consequente funcionam como antes, e as Almas-Grupo em cada corrente de evolução tornam-se mais numerosas e mais diferentes em suas características principais.

No nosso atual estágio de conhecimento, as leis segundo as quais os átomos permanentes em uma Alma-Grupo são imersos nos reinos da natureza estão longe de serem claras.

Muitos indícios parecem indicar que a evolução dos reinos mineral, vegetal e da parte mais inferior do reino animal pertencem mais à evolução da própria Terra do que à evolução dos Jivatmas que representam as Mônadas que estão evoluindo dentro do sistema solar, e que vêm, no devido tempo, a esta Terra para prosseguir sua própria evolução utilizando as condições que ela oferece.

Grama e pequenas plantas de toda espécie parecem estar relacionadas à Terra assim como os cabelos de um homem estão relacionados ao seu corpo, e não conectadas às Mônadas, representadas pelos Jivatmas em nosso universo quíntuplo.

A vida nelas, mantendo-as unidas como formas, parece ser a do Segundo Logos, e a vida nos átomos e moléculas que as compõem parece ser a do Terceiro Logos, apropriada e modificada pelo Logos Planetário de nosso sistema de Cadeias, e ainda mais apropriada e modificada pelo Espírito da Terra — uma entidade envolta em grande obscuridade.

Esses reinos oferecem um campo para a evolução dos Jivatmas, verdadeiramente, mas não existem, aparentemente, inteiramente para esse propósito.

Encontramos átomos permanentes espalhados pelos reinos mineral e vegetal, mas não conseguimos penetrar nas razões que governam sua distribuição.

Um átomo permanente pode ser encontrado em uma pérola, em um rubi, em um diamante; muitos podem ser encontrados espalhados por veios de minério, e assim por diante. Por outro lado, muito mineral não parece conter nenhum.

O mesmo ocorre com plantas de vida curta.

Mas em plantas de longa duração, como árvores, átomos permanentes são constantemente encontrados.

Mas aqui novamente, a vida da árvore parece estar mais intimamente relacionada à evolução Dévica do que à evolução da consciência à qual o átomo permanente está ligado.

É antes como se se tirasse vantagem da evolução da vida e da consciência na árvore para o benefício do átomo permanente: ele parece viver ali mais como um parasita, aproveitando-se da vida mais altamente evoluída na qual está imerso.

O fato é que nosso conhecimento sobre esses pontos é extremamente fragmentário até agora.

Há mais atividade perceptível no átomo permanente astral durante o curso do acúmulo de experiências vegetais pelo físico, e ele atrai ao seu redor matéria astral que é arranjada pelos Seres Luminosos de uma maneira um pouco mais definida.

Na longa vida de uma árvore da floresta, a crescente agregação de matéria astral desenvolve-se em todas as direções como a forma astral da árvore, e a consciência ligada aos átomos permanentes compartilha, até certo ponto, a do seu entorno, experimentando através dessa forma astral as vibrações que causam intenso prazer e desconforto, sendo essas vibrações o resultado daquelas produzidas na árvore física pela luz do sol e tempestades, vento e chuva, frio e calor.

Com a morte de tal árvore, o átomo astral permanente retira-se para sua Alma-Grupo, agora estabelecida no plano astral com um rico acervo de experiências, compartilhadas da maneira antes descrita.

Além disso, à medida que a consciência se torna mais responsiva no astral, ela envia pequenas vibrações para baixo, ao plano físico, e estas dão origem a sensações sentidas como se fossem no físico, mas realmente derivadas do astral.

Onde houve uma longa vida separada, como numa árvore, a unidade mental permanente também começará a atrair ao seu redor uma pequena nuvem de matéria mental, e sobre esta a recorrência das estações imprimir-se-á lentamente como uma memória tênue, que se torna inevitavelmente uma tênue antecipação.

Por fim, alguns dos átomos físicos permanentes estão prontos para passar ao reino animal, e mais uma vez a agência dos Seres Resplandecentes os guia para formas animais.

Durante os estágios finais de sua evolução no mundo vegetal, parece ser a regra que cada tríade — átomos físico e astral e unidade mental — tenha uma experiência prolongada numa única forma, para que algumas vibrações de vida mental possam ser experimentadas, e a tríade possa assim ser preparada para aproveitar a vida errante do animal. (Ver *Thought-Power, Its Control and Culture*, de Annie Besant, pp. 59-62.)

Mas também parece que em alguns casos a passagem para o reino animal é feita num estágio anterior, e que a primeira vibração na unidade mental ocorre em algumas das formas estacionárias de vida animal, e em organismos animais muito inferiores.

Nos tipos mais inferiores de animais, condições semelhantes às descritas como existentes nos reinos mineral e vegetal também parecem prevalecer. Micróbios, amebas, hidras, etc., etc. mostram apenas um átomo permanente como visitante, de vez em quando, e obviamente de nenhuma maneira dependem dele para vida e crescimento, nem se desintegram quando o átomo permanente é retirado.

Eles são hospedeiros, não corpos formados ao redor de um átomo permanente.

E é digno de nota que, neste estágio, a teia de vida dourada de modo algum representa a organização do corpo do hospedeiro, mas meramente atua como radículas atuam no solo, fixando partículas de solo a si mesmas e dali sugando nutrição.

Os átomos permanentes no reino animal receberam e armazenaram muitas experiências, antes de serem usados pelos Seres Resplandecentes como centros ao redor dos quais as formas devem ser construídas.

Escusado será dizer que, no reino animal, os átomos permanentes recebem vibrações muito mais variadas do que nos reinos inferiores e, consequentemente, diferenciam-se mais rapidamente, diminuindo rapidamente o número de tríades nas Almas-Grupo à medida que essa diferenciação prossegue, e a multiplicação das Almas-Grupo, portanto, continuando com rapidez crescente.

À medida que o período de individualidade se aproxima, cada tríade separada torna-se possuidora de seu próprio invólucro, obtido da Alma-Grupo, e assume encarnações sucessivas como uma entidade separada, embora ainda dentro do invólucro protetor e nutriente da essência mônadica.

Grande número dos animais superiores em estado de domesticação atingiu este estágio e realmente se tornaram entidades reencarnantes separadas, embora ainda não possuindo um corpo causal — a marca do que é usualmente chamado de individualização.

O invólucro derivado da Alma-Grupo serve ao propósito de um corpo causal, mas consiste apenas da terceira camada, como anteriormente indicado, e é portanto composto de moléculas derivadas do quarto grau de matéria mental, aquele que corresponde ao éter mais grosseiro do plano físico.

Seguindo a analogia da vida pré-natal humana, vemos que este estágio corresponde aos seus dois últimos meses.

Um bebê de sete meses pode nascer e sobreviver, mas será mais forte, mais saudável, mais vigoroso, se aproveitar por mais dois meses a vida protetora e nutriente de sua mãe.

Assim também é melhor para o desenvolvimento normal do Ego que ele não rompa apressadamente o invólucro da Alma-Grupo, mas ainda absorva vida através dele e fortaleça, a partir de seus constituintes, a parte mais sutil de seu próprio corpo mental.

Quando esse corpo tiver atingido seu limite de crescimento sob essas condições protegidas, o invólucro se desintegra nas moléculas mais sutis do subplano acima dele e torna-se, como acima dito, parte do corpo causal.

É o conhecimento desses fatos que, às vezes, tem levado os ocultistas a advertir pessoas muito afeiçoadas aos animais a não exagerarem em sua afeição, nem a demonstrarem de maneiras imprudentes.

O crescimento do animal pode ser forçosamente acelerado de forma doentia, e seu nascimento para a individualidade pode ser apressado fora do tempo devido.

O homem, para preencher devidamente seu lugar no mundo, deve procurar compreender a natureza e trabalhar com suas leis, acelerando de fato sua ação pela cooperação de sua inteligência, mas não a acelerando a ponto de tornar o crescimento doentio e seu produto frágil e "fora de estação". É verdade que o Senhor da Vida busca a cooperação humana na realização da evolução, mas a cooperação deve seguir as linhas que Sua Sabedoria estabeleceu.

CAPÍTULO V

UNIDADE DE CONSCIÊNCIA

1. A CONSCIÊNCIA É UMA UNIDADE

Ao estudar as manifestações tão variadas da consciência, tendemos a esquecer dois fatos importantes: primeiro, que a consciência de cada homem é uma Unidade, por mais separadas e diferentes entre si que suas manifestações possam parecer; segundo, que todas essas Unidades, elas mesmas, são partes da consciência do Logos e, portanto, reagem de modo semelhante sob condições semelhantes.

Não podemos nos lembrar com demasiada frequência de que a consciência é una; que todas as consciências aparentemente separadas são verdadeiramente uma só, assim como um único mar poderia verter através de muitos buracos em um dique.

Essa água do mar poderia sair pelos buracos com cores diferentes, se o dique fosse composto de terras de cores diferentes; mas seria toda a mesma água do mar; analisada, mostraria em tudo a presença dos mesmos sais característicos.

Assim, todas as consciências provêm do mesmo oceano de consciência e possuem muitas identidades essenciais.

Envolvidas no mesmo tipo de matéria, agirão do mesmo tipo de maneira e revelarão sua identidade fundamental de natureza.

A consciência individual parece ser uma complexidade, em vez de uma unidade, quando suas manifestações estão em questão.

E a psicologia moderna fala de personalidade dupla, tríplice e múltipla, perdendo de vista a unidade fundamental em meio à confusão do múltiplo.

Contudo, verdadeiramente nossa consciência é uma Unidade, e a variedade se deve aos materiais nos quais ela está trabalhando.

A consciência desperta comum de um homem é a consciência funcionando através do cérebro físico a uma certa taxa por ele imposta, condicionada por todas as condições desse cérebro, limitada por todas as suas limitações, obstruída pelas variadas barreiras que oferece, interrompida por um coágulo de sangue, silenciada pela degeneração dos tecidos.

A cada momento o cérebro dificulta suas manifestações, ao mesmo tempo em que é, no plano físico, seu único instrumento capacitador de manifestação.

Quando a consciência, desviando sua atenção do mundo físico externo, ignora a parte mais densa do cérebro físico e utiliza apenas as porções etéricas deste, suas manifestações mudam imediatamente de caráter.

A imaginação criativa se deleita na matéria etérica e, valendo-se de seus conteúdos acumulados, obtidos do mundo externo por seu servo mais denso, ela os organiza, dissocia e recombina segundo seus próprios caprichos, criando os mundos inferiores do sonho.

Quando ela descarta por um tempo sua vestimenta etérica, desviando completamente sua atenção do mundo físico e desprendendo-se de seus grilhões de matéria física, ela percorre o mundo astral à vontade, ou por ele flutua inconscientemente, voltando toda a sua atenção para seus próprios conteúdos, recebendo muitos impactos desse mundo astral, que ela ignora ou aceita conforme seu estágio de evolução ou seu humor do momento.

Se ela vier a se manifestar a um observador externo — como pode ocorrer em estados de transe — ela demonstra poderes tão superiores àqueles que manifestava quando aprisionada no cérebro físico, que tal observador, julgando apenas por experiências físicas, pode muito bem considerá-la uma consciência diferente.

Ainda mais é este o caso quando, estando o corpo astral lançado em transe, a Ave do Céu se mostra planando em regiões mais elevadas, e seu esplêndido voo tanto encanta o observador que ele a julga um novo ser, e não mais a mesma entidade que rastejava no mundo físico.

Contudo, verdadeiramente é sempre uma e a mesma; as diferenças estão nos materiais aos quais está conectada e através dos quais opera, e não nela mesma.

Quanto ao segundo fato importante acima declarado, o homem ainda não está suficientemente desenvolvido para apreciar qualquer evidência quanto à unidade da consciência em seus funcionamentos acima do plano físico, mas sua unidade no plano físico está sendo demonstrada.

2. UNIDADE DA CONSCIÊNCIA FÍSICA

Em meio às imensas variedades dos reinos mineral, vegetal, animal e humano, a unidade subjacente da consciência física foi perdida de vista, e amplas linhas de clivagem foram estabelecidas que não existem, na realidade.

A vida foi totalmente negada ao mineral, relutantemente concedida ao vegetal, e H. P. Blavatsky foi ridicularizada quando declarou que uma Vida, uma Consciência, vivificava e informava a tudo.

“A cada dia, a identidade entre o animal e o homem físico, entre a planta e o homem, e até mesmo              90              UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

entre o réptil e seu ninho, a rocha, e o homem, é cada vez mais claramente demonstrada, sendo os constituintes físicos e químicos de todos considerados idênticos.

A Ciência Química pode muito bem dizer que não há diferença entre a matéria que compõe o boi e aquela que forma o homem.

Mas a doutrina oculta é muito mais explícita.

Ela diz: Não apenas os compostos químicos são os mesmos, mas as mesmas Vidas invisíveis infinitesimais compõem os átomos dos corpos da montanha e da margarida, do homem e da formiga, do elefante e da árvore que o abriga do sol.

Cada partícula — quer a chame de orgânica ou inorgânica — é uma Vida.” Se isto for verdade, deveria ser possível obter de tais minerais, vegetais, animais e homens vivos, evidência de uma identidade de vida, de senciência, de resposta a estímulos; e embora possamos admitir livremente que devêssemos esperar encontrar gradações de senciência, que à medida que ascendemos na escada da vida devêssemos esperar que as manifestações se tornassem mais plenas e mais complexas, ainda assim algumas manifestações definidas de senciência deveriam ser encontradas em todos aqueles que compartilham uma única vida.

A evidência para isso faltava quando H. P. Blavatsky escreveu; está disponível agora; e é de um cientista oriental, cuja rara habilidade garantiu sua acolhida no Ocidente, que a evidência apropriadamente provém.

O Professor Jagadish Chandra Bose, M.A., D.Sc., de Calcutá, provou definitivamente que a chamada “matéria inorgânica” é responsiva a estímulos, e que a resposta é idêntica em metais, vegetais, animais e — até onde o experimento pode ser feito — no homem.

A Doutrina Secreta, 1. 281.                  UNIDADE DA CONSCIÊNCIA

Ele organizou um aparato para medir o estímulo aplicado e para mostrar em curvas, traçadas em um cilindro rotativo, a resposta do corpo que recebe o estímulo.

Ele então comparou as curvas obtidas no estanho e em outros metais com as obtidas do músculo, e descobriu que as curvas do estanho eram idênticas às do músculo, e que outros metais davam curvas de natureza semelhante, mas variavam no período de recuperação.

(a) Série de respostas elétricas a estímulos mecânicos sucessivos em intervalos de meio minuto, no estanho.

(b) Respostas mecânicas no músculo.

O tétano, tanto completo quanto incompleto, devido a choques repetidos, foi causado, e resultados similares ocorreram, no mineral como no músculo.

A fadiga foi demonstrada pelos metais, menos de todos pelo estanho.

Reagentes químicos, tais como drogas, produziram resultados similares nos metais àqueles conhecidos por resultarem nos animais—excitando, deprimindo e matando.

(Por matar entende-se resultar na destruição do poder de resposta.) Um veneno matará um metal, induzindo uma condição de imobilidade, de modo que nenhuma resposta é obtida; se o metal envenenado for tratado a tempo, um antídoto pode salvar sua vida.


Um estimulante aumentará a resposta, e assim como doses grandes e pequenas de uma droga foram consideradas capazes de matar e estimular, respectivamente, assim também foram consideradas capazes de agir sobre os metais.

“Entre tais fenômenos,” pergunta o Professor Bose, “como podemos traçar uma linha de demarcação e dizer: ‘Aqui o processo físico

Efeitos análogos ao tétano (a) incompleto e (b) completo no estanho.

(a') Tétano incompleto e (b') tétano completo no músculo.

(a) Resposta normal, (b) Efeito do veneno, (c) Revivescência pelo antídoto.

UNIDADE DA CONSCIÊNCIA

termina, e ali começa o fisiológico?’ Não existem tais barreiras.” O Professor Bose realizou uma série similar de experimentos em plantas e obteve resultados similares.

Um pedaço fresco de talo de couve, uma folha fresca, ou outro corpo vegetal, pode ser estimulado e mostrará curvas similares; pode ser fatigado, excitado, deprimido, envenenado.

Há algo bastante patético em ver a maneira como o pequeno ponto de luz, que registra os pulsos na planta, viaja, em curvas cada vez mais fracas, quando a planta está sob a influência do veneno, cai em uma linha reta final de desespero, e—para.

A planta está morta.

Sente-se como se um assassinato tivesse sido cometido—como de fato foi.” Estas admiráveis séries de experimentos estabeleceram, sobre uma base definitiva de fatos físicos, o ensinamento da ciência oculta sobre a universalidade da vida.

O Sr. Marcus Reed fez observações microscópicas que mostram a presença de consciência no reino vegetal.

Ele observou sintomas como de susto quando o tecido é ferido, e além disso viu que células masculinas e femininas, flutuando na seiva, tornam-se cientes da presença umas das outras sem contato; a circulação acelera, e elas emitem prolongamentos em direção umas às outras.

Estes detalhes são extraídos de um artigo apresentado pelo Professor Bose na Royal Institution, em 10 de maio de 1901, intitulado "A Resposta da Matéria Inorgânica ao Estímulo." 2 O Professor não publicou esta conferência, mas os fatos estão em seu livro *Response in the Living and Non-Living*.

Tive a boa fortuna de ver os experimentos repetidos em sua própria casa, onde se podia observá-los de perto.

"Consciência na Matéria Vegetal"; *Pall Mall Magazine*, junho de 1902. 94 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

Mais de três anos após a publicação dos experimentos do Professor Bose, surgiu uma confirmação interessante de suas observações no curso do estudo de M. Jean Becquerel sobre os raios N, comunicado por ele à Academia de Ciências de Paris.

Animais sob clorofórmio cessam de emitir esses raios, e eles nunca são emitidos por um cadáver.

Flores normalmente os emitem, mas sob clorofórmio a emanação cessa.

Metais também os emitem, e sob clorofórmio a emanação novamente cessa.

Assim, animais, flores e metais igualmente emitem esses raios, e igualmente cessam de emaná-los sob a ação do clorofórmio.

3. O SIGNIFICADO DA CONSCIÊNCIA FÍSICA

O termo "consciência física" é usado em dois sentidos distintos, e pode ser útil pausar um momento, a fim de definir estes.

É frequentemente usado para indicar o que acima se denomina "consciência de vigília ordinária", i.e., a consciência do homem, do Jivatma — ou, se a frase for preferida, do Mônada trabalhando através do Jivatma e da tríade inferior de átomos permanentes.

É também usado no sentido em que é usado aqui, como consciência trabalhando na matéria física, recebendo e respondendo a impactos físicos, sem se preocupar com qualquer transmissão de impulsos adiante para os planos superiores, ou com quaisquer impulsos enviados ao corpo físico a partir desses planos.

Os raios N são devidos a vibrações no duplo etérico, causando ondas no éter circundante.

O clorofórmio expulsa o duplo etérico e, portanto, as ondas cessam.

Na morte, o duplo etérico deixa o corpo e, consequentemente, os raios não podem mais ser observados.

                     UNIDADE DE CONSCIÊNCIA

Neste sentido mais restrito e preciso, incluiria: (a) quaisquer emanações dos átomos e moléculas animados pela vida do Terceiro Logos; (b) quaisquer emanações semelhantes de formas organizadas animadas pela vida do Segundo Logos; e (c) quaisquer emanações semelhantes da vida da Mônada, procedentes dos átomos permanentes, nos quais as espirilas não estão diretamente envolvidas.

Quando as espirilas estão ativas, a "consciência desperta comum" é afetada.

Por exemplo: amônia inalada pelo nariz mostra dois resultados; há uma secreção rápida; essa é a resposta das células no trato olfativo; há também um "cheiro"; esse é o resultado de uma vibração que sobe até os centros sensoriais no corpo astral, e ali é reconhecida na consciência; a mudança na consciência afeta o primeiro conjunto de espirilas nos átomos do trato olfativo e, assim, alcança a "consciência desperta" — consciência funcionando no cérebro físico.

É somente através das espirilas que mudanças na consciência nos planos superiores provocam mudanças na "consciência desperta". Deve-se lembrar que, assim como o sistema solar é um campo para a evolução de todas as consciências em desenvolvimento dentro dele, também há áreas menores dentro dele, servindo como campos menores.

O homem é o microcosmo do universo, e seu corpo serve como um campo de evolução para miríades de consciências menos evoluídas que a sua própria.

Assim, as três atividades mencionadas acima em (a), (b) e (c) estão todas presentes em seu corpo, e todas entram na consciência física que nele atua; aquelas em que as espirilas atômicas estão principalmente envolvidas não afetam agora diretamente a "consciência desperta" nos animais superiores ou no homem.

Elas a afetaram na parte inicial da vida embrionária na Alma-Grupo, enquanto a consciência no Segundo Logos estava "maternando" as consciências nascentes dela derivadas. Mas a consciência física agora afundou abaixo do "limiar da consciência", manifestando-se como "a memória da célula", como a ação seletiva em glândulas e papilas, e geralmente na realização das funções necessárias para a sustentação dos corpos.

É a atividade mais baixa da consciência, e, à medida que a consciência funciona cada vez mais ativamente no plano superior, suas operações mais inferiores deixam de atrair sua atenção e tornam-se o que chamamos de automáticas.

Ora, é a consciência física que é apelada nos experimentos do Professor Bose, e é a resposta dessa consciência no estanho e no animal que é a mesma, e se mostra no pulso indicado pelas curvas; o animal sentirá o estímulo, enquanto o estanho não o sentirá — isso é o resultado do funcionamento adicional da consciência na matéria astral.

Podemos, assim, afirmar que a consciência, funcionando na matéria física, responde a vários tipos de estimulação, e que a resposta é a mesma, quer seja obtida do mineral, do vegetal ou do animal.

A consciência mostra as mesmas características de funcionamento, é a mesma.

As diferenças que, como já foi dito, observamos à medida que ascendemos residem no aperfeiçoamento do aparato físico, um aparato que permite que as atividades astrais e mentais — não físicas — da consciência se manifestem no plano físico.

Homens e animais sentem e pensam melhor do que minerais e vegetais,

                    UNIDADE DA CONSCIÊNCIA

porque sua consciência mais altamente evoluída moldou para si mesma, no plano físico, este aparato muito mais aperfeiçoado; mas, mesmo assim, nossos corpos respondem como os corpos inferiores respondem aos mesmos estímulos, e essa consciência puramente física é a mesma em todos.

Ora, no mineral, a matéria astral conectada ao átomo astral permanente é tão pouco ativa, e a consciência nela dorme tão profundamente, que não há funcionamento perceptível do astral para o físico.

Nas plantas superiores, parece haver uma espécie de prefiguração de um sistema nervoso, mas ele é pouco desenvolvido e organizado para servir a qualquer coisa além dos propósitos mais simples.

A atividade adicional no plano astral aperfeiçoa o invólucro astral em conexão com a planta, e as vibrações do invólucro astral afetam a porção etérica da planta e, assim, sua matéria mais densa.

Daí a prefiguração de um sistema nervoso acima aludida. Quando chegamos ao estágio animal, a atividade muito maior da consciência no plano astral causa vibrações mais poderosas, que passam ao duplo etérico do animal, e, pelas vibrações etéricas assim causadas, o sistema nervoso é construído.



Um átomo é uma "vida", sendo a consciência a do Terceiro Logos.

Um micróbio é uma "vida", sendo a consciência a do Segundo Logos, apropriada e modificada, como dito antes, pelo Logos Planetário e pelo Espírito da Terra.


pode ser construído.

Impulsos estabelecidos pela consciência — que deseja experimentar e vagueamente se esforça para dar efeito a essa Vontade — causam vibrações na matéria etérica, e essas vibrações, pela própria natureza da matéria, tornam-se energias elétricas, magnéticas, térmicas e outras.

Estes são os obreiros que trabalham sob o impulso da Consciência do Mestre-Construtor.

O impulso vem dele; a execução, deles.

A inteligência diretiva, que ele ainda não pode fornecer, é suprida pela vida Lógica na Alma-Grupo, e pelos Espíritos da Natureza que trabalham sob a orientação, como já dito, dos Seres Luminosos do Terceiro Reino Elemental.

Temos então de compreender que a matéria nervosa é construída no plano físico sob impulsos do astral, sendo as forças diretamente construtivas de fato físicas, mas a orientação e o pôr em movimento delas sendo astrais, isto é, procedentes da consciência ativa no plano astral. A energia vital, o prana, que flui em ondas rosadas, pulsando ao longo da matéria etérica em todos os nervos, não em suas bainhas medulares, mas em sua substância, desce diretamente do plano astral; é extraída do grande reservatório de vida, o Logos, e é especializada no plano astral e enviada dali para o sistema nervoso, misturando-se ali com as correntes magnéticas, elétricas e outras que formam o prana puramente físico, extraído do mesmo reservatório, mas através do Sol, Seu corpo físico; um exame minucioso mostra que os constituintes do prana do reino mineral são menos numerosos e menos complexos em arranjo do que os do prana no reino vegetal superior, e este, por sua vez, é menos

Os tanmatras e tattvas do plano, com seus seis sub-tanmatras e sub-tattvas.

O MECANISMO DA CONSCIÊNCIA

do que o do animal e do humano, e essa diferença se deve ao fato de que o prana astral se mistura nestes últimos — e não nos primeiros — em qualquer grau perceptível, pelo menos.

Após a formação do corpo causal, essa complexidade do prana que circula nos sistemas nervosos do corpo físico aumenta consideravelmente, e parece tornar-se ainda mais enriquecida no progresso da evolução humana.

Pois, à medida que a consciência se torna ativa no plano mental, o prana desse plano também se mistura com o inferior, e assim por diante, à medida que a atividade da consciência é levada a regiões superiores.

Podemos nos deter um momento nesta palavra "prana", que traduzi como "energia vital". Pran é uma raiz sânscrita, que significa respirar, viver, soprar, composta de an, respirar, mover, viver e, portanto, o Espírito, unida ao prefixo pra, adiante.

Assim, pra-an, pran, significa respirar para fora, e sopro vital, ou energia vital, é o equivalente inglês mais próximo do termo sânscrito.

Pois, segundo o pensamento hindu, há apenas uma Vida, uma Consciência, em toda parte, a palavra Prana tem sido usada para o Ser Supremo, o Sopro que sustenta tudo. É a energia emanante do Uno: para nós, a Vida do Logos.

Portanto, essa Vida em cada plano pode ser chamada de prana do plano; torna-se o sopro vital em toda criatura.

No plano físico, é energia, aparecendo em muitas formas, eletricidade, calor, luz, magnetismo, etc., transmutáveis umas nas outras porque fundamentalmente uma; em outros planos não temos nomes para designá-la, mas a ideia é suficientemente definida.

Apropriada por um ser, é prana no sentido mais restrito em que geralmente é usado na literatura teosófica, o sopro vital do indivíduo.

É a energia vital, a força vital, da qual todas as outras energias, químicas, elétricas e demais, são meramente derivadas e partes fracionárias; e é um tanto curioso para o ocultista quando ouve homens de ciência falando fluentemente de energia química ou elétrica, e denunciando sua progenitora, a energia vital, como uma "superstição superada". Essas manifestações parciais da energia vital são meramente devidas aos arranjos da matéria em que ela atua, cortando uma ou outra de suas características, ou talvez todas exceto uma, assim como o vidro azul bloqueia todos os raios exceto os azuis, e o vermelho todos exceto os vermelhos.

Em A Doutrina Secreta, H. P. Blavatsky fala da relação do prana com o sistema nervoso.

Ela cita, e em parte endossa, em parte corrige, a visão do "éter nervoso", apresentada pelo Dr. B. W. Richardson; a força solar é "a causa primordial de toda vida na Terra",1 e o Sol é "o reservatório da força vital, que é o númeno da eletricidade".2 O "éter nervoso" é o princípio mais baixo da Essência Primordial que é a Vida.

É a vitalidade animal difundida em toda a Natureza, e agindo de acordo com as condições que encontra para sua atividade.

Não é um "produto animal"; mas o animal vivo, a flor viva e a planta, são seus produtos." No plano físico, esse prana, essa força vital, constrói todos os minerais, e é o agente controlador nas mudanças químico-fisiológicas no protoplasma, que levam à diferenciação e à construção dos vários tecidos dos corpos de plantas, animais e homens.

Eles mostram sua presença pelo

Loc. cit., i, 577, 2 Ibid., 579. 2 Ibid., 586. O MECANISMO DA CONSCIÊNCIA

poder de responder a estímulos, mas por um tempo esse poder não é acompanhado de senciência distinta; a consciência não se desdobrou o suficiente para sentir prazer e dor.

Quando a corrente de prana do plano astral, com seu atributo de senciência, mistura-se com a do prana do plano físico, começa a construção de um novo arranjo de matéria — o nervoso.

Esse arranjo nervoso é fundamentalmente uma célula, cujos detalhes podem ser estudados em qualquer livro-texto moderno que trate do assunto,1 e o desenvolvimento consiste em mudanças internas e em prolongamentos da matéria da célula, tornando-se esses prolongamentos revestidos de matéria medular e aparecendo então como fios ou fibras.

Todo sistema nervoso, por mais elaborado que seja, consiste de células e seus prolongamentos, tornando-se esses prolongamentos mais numerosos, e formando conexões sempre multiplicadas entre as células, à medida que a consciência exige para sua expressão um sistema nervoso cada vez mais elaborado.

Essa simplicidade fundamental na raiz de tamanha complexidade de detalhes é encontrada até no homem, o possuidor da organização nervosa mais altamente evoluída.

Os muitos milhões de gânglios neurais no cérebro e no corpo são todos produzidos ao final do terceiro mês de vida pré-natal, e seu desenvolvimento consiste na expansão e no crescimento de sua substância em fibras.

Esse desenvolvimento na vida posterior resulta da atividade do pensamento; à medida que um homem pensa de forma intensa e contínua, as vibrações do pensamento causam atividade química, e o

Tais como a "Histologia" de Schafer na Anatomia de Quain, décima edição; o Manual de Fisiologia de Halliburton, 7901; A Célula no Desenvolvimento e na Herança, de Wilson.

■ Grupos de células nervosas 104 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

pensamento, mais o sistema nervoso cresce, e mais numerosas se tornam as conexões entre as células, e mais delicado e perfeito o revestimento das fibras.

Assim, o mecanismo físico da consciência é construído pela ação da própria consciência, e quanto mais é usado, mais perfeito se torna.

Esta é a explicação científica da maneira pela qual os hábitos são formados, e mostra como o corpo se torna o servo obediente da mente, treinado para responder ao mais leve chamado do pensamento.

O mesmo ocorre com o corpo astral; o pensamento, agindo sobre o corpo astral, constrói para si canais apropriados, e quanto mais o pensamento é repetido, mais facilmente ele flui nesses canais, até que por fim se torna automático.

Assim, todo o mecanismo da consciência é construído pela própria consciência, e quanto mais é usado, mais perfeito se torna.

Esta é a explicação científica da maneira pela qual os hábitos são formados, e mostra como o corpo se torna o servo obediente da mente, treinado para responder ao mais leve chamado do pensamento.

O mesmo ocorre com o corpo astral; o pensamento, agindo sobre o corpo astral, constrói para si canais apropriados, e quanto mais o pensamento é repetido, mais facilmente ele flui nesses canais, até que por fim se torna automático.

Assim, todo o mecanismo da consciência é construído pela própria consciência, e quanto mais é usado, mais perfeito se torna.

Dendritos¹ brotam das células, fazendo conexões e interconexões em todas as direções, caminhos literais ao longo dos quais o prana pulsa — prana que agora é composto de fatores dos planos físico, astral e mental — e vibrações de pensamento viajam.

Retornando desta digressão ao reino humano, vejamos como a construção do sistema nervoso, por impulsos vibratórios do astral, começa e é levada adiante. Encontramos um minúsculo grupo de células nervosas e diminutos processos conectando-as.

Isso é formado pela ação de um centro que apareceu anteriormente no corpo astral — do qual algo será dito em breve — uma agregação de matéria astral arranjada para formar um centro para receber e responder a impulsos de fora.

Desse centro astral, vibrações passam para o corpo etérico, causando pequenos redemoinhos etéricos que atraem para si partículas de matéria física mais densa, formando finalmente uma célula nervosa e grupos de células nervosas.

Esses centros físicos, recebendo vibrações do mundo exterior, enviam impulsos de volta aos centros astrais, aumentando suas vibrações; assim, os centros físicos e astrais agem e reagem uns sobre os outros, e cada um se torna mais complicado e mais eficaz.

À medida que subimos no reino animal, encontramos o sistema nervoso físico constantemente melhorando e se tornando um fator cada vez mais dominante no corpo, e esse sistema formado primeiro se torna, nos vertebrados, o sistema simpático, controlando e energizando os órgãos vitais — o coração, os pulmões, o trato digestivo; ao lado dele, desenvolve-se lentamente o sistema cérebro-espinhal,

O MECANISMO DA CONSCIÊNCIA

intimamente conectado em seu funcionamento inferior com o simpático, e tornando-se gradualmente cada vez mais dominante, enquanto também se torna, em seu desenvolvimento mais importante, o órgão normal para a expressão da “consciência de vigília”. Esse sistema cérebro-espinhal é construído por impulsos originados no plano mental, não no astral, e é apenas indiretamente relacionado ao astral através do sistema simpático, construído a partir do astral.

Veremos mais tarde a importância disso para a sensibilidade astral dos animais e dos seres humanos pouco desenvolvidos, o desaparecimento dessa sensibilidade com o desenvolvimento do intelecto, e seu reaparecimento na evolução humana superior.

¹ Processos nervosos, ou prolongamentos, ou excrescências, consistindo na matéria da célula envolvida em uma bainha medular.

Os átomos permanentes formam o canal imperfeito, porém único e direto, entre a consciência que se manifesta como a Tríade espiritual e as formas às quais ele está conectado.

No caso dos animais superiores, esses átomos são extremamente ativos, e no breve intervalo entre as vidas físicas ocorrem mudanças consideráveis neles.

À medida que a evolução prossegue, o fluxo crescente de vida da Alma-Grupo e através do átomo permanente, bem como a crescente complexidade do aparato físico, aumentam rapidamente a sensibilidade do animal.

Há comparativamente pouca sensibilidade nas vidas animais inferiores, e pouca nos peixes, apesar de seu sistema cérebro-espinhal.

À medida que a evolução avança, os centros sensoriais continuam a se desenvolver no envoltório astral, e nos animais superiores eles são bem organizados e os sentidos são aguçados.

Mas com essa acuidade há brevidade de sensações, e exceto nos animais mais elevados, pouco do elemento mental se mistura para conferir sensibilidade aumentada e mais duradoura à sensação.


2. O CORPO ASTRAL OU DE DESEJO

A evolução do corpo astral deve ser estudada em relação ao físico, pois enquanto desempenha o papel de criador no plano físico, como vimos, seu próprio desenvolvimento posterior depende em grande parte dos impulsos recebidos através do próprio organismo que ele criou.

Ele não desfruta, por muito tempo, de uma vida independente própria em seu próprio plano, e a organização do corpo astral em relação ao físico é uma questão bem diferente, e muito anterior no tempo, do que sua organização em relação ao mundo astral.

No Oriente, falam dos veículos astral e mental da consciência, quando atuam em relação ao físico, como koshas, ou envoltórios, e usam o termo sharira, ou corpo, para uma forma capaz de ação independente nos mundos visível e invisível.

Essa distinção pode nos servir aqui.

O envoltório astral do mineral é uma mera nuvem de matéria astral apropriada e não mostra sinais perceptíveis de organização.

O mesmo ocorre com a maioria dos vegetais, mas em alguns parecem existir certas indicações de agregações e linhas, que, à luz da evolução posterior, parecem ser o alvorecer de uma organização incipiente; e em algumas árvores antigas da floresta, agregações distintas de matéria astral são visíveis em certos pontos.

Nos animais, essas agregações tornam-se claramente marcadas e definidas, formando centros no envoltório astral de um tipo permanente e especializado.

Essas agregações no envoltório astral são os primórdios dos centros que construirão os órgãos necessários no corpo físico, e não são os frequentemente chamados chakras, ou rodas, que pertencem à organização do corpo astral — O MECANISMO DA CONSCIÊNCIA

em si, e o ajustam para funcionar em seu próprio plano em conexão com o envoltório mental, como o tipo inferior do sukshma sharira oriental, ou corpo sutil.

Os chakras astrais estão conectados aos sentidos astrais, de modo que uma pessoa na qual eles são desenvolvidos pode ver, ouvir, etc., no plano astral; eles estão muito à frente do ponto de evolução que estamos considerando, um ponto no qual os poderes perceptivos da consciência ainda não possuem órgão algum, mesmo no plano físico.

À medida que essas agregações no envoltório astral aparecem, os impulsos da consciência no plano astral, guiados como explicado anteriormente, atuam sobre o duplo etérico, formando os vórtices etéricos já mencionados, e centros correspondentes surgem assim no envoltório astral e no corpo físico, sendo o sistema simpático assim construído. Esse sistema permanece sempre diretamente conectado aos centros astrais, mesmo depois que o sistema cérebro-espinhal é evoluído.

Mas, a partir das agregações na parte anterior do envoltório astral, formam-se dez centros importantes, que se conectam ao cérebro através do sistema simpático, e gradualmente se tornam os órgãos dominantes para as atividades da consciência física, ou de vigília — isto é, para aquela parte da consciência que funciona normalmente através do sistema cérebro-espinhal.

Cinco dos dez servem para receber impressões especiais do mundo exterior, e são os centros através dos quais a consciência usa seus poderes perceptivos; eles são chamados em sânscrito de Jnanendriyas, literalmente "sentidos de conhecimento", ou seja, sentidos, ou centros sensoriais, pelos quais o conhecimento é obtido.

Estes estabelecem, da maneira explicada anteriormente, cinco vórtices etéricos distintos, e assim constroem cinco centros — 108 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

no cérebro físico; estes, por sua vez, moldam e permanecem conectados aos seus respectivos órgãos dos sentidos.

Assim surgem os cinco órgãos dos sentidos: os olhos, ouvidos, língua, nariz, pele, especializados para receber impressões do mundo exterior, correspondendo aos cinco poderes perceptivos de ver, ouvir, degustar, cheirar, sentir.

Estas são maneiras especializadas nos mundos inferiores pelas quais parte da capacidade perceptiva da consciência, seu poder de receber contatos externos, é exercida.

Eles pertencem aos mundos inferiores e às formas mais grosseiras de matéria que encerram a consciência e a impedem, assim envolvida, de conhecer outras vidas; são aberturas neste denso véu de matéria, permitindo que vibrações entrem e alcancem a consciência velada.

Os cinco restantes desses dez centros astrais servem para transmitir vibrações da consciência para o mundo exterior; são as vias para fora, assim como os sentidos de conhecimento são as vias para dentro; são denominados Karmendriyas, literalmente sentidos de ação, sentidos ou centros sensoriais que causam ação.

Estes se desenvolvem como os outros, formando vórtices etéricos que constituem os centros motores no cérebro físico; estes, por sua vez, moldam separadamente e permanecem conectados aos seus órgãos motores apropriados, mãos, pés, laringe, e órgãos de geração e excreção.

Temos agora um invólucro astral organizado, e a contínua ação e reação entre este e o corpo físico aprimora ambos, e estes juntos agem sobre a consciência e ela reage sobre eles, ambos novamente ganhando com essa interação mútua.

E como já vimos, esses impulsos cegos da consciência são guiados em seu jogo sobre a matéria — O MECANISMO DA CONSCIÊNCIA — pela vida lógica na Alma-Grupo e pelos Espíritos da Natureza.

Sempre é vida, consciência, buscando realizar-se na matéria, e a matéria respondendo em virtude de suas próprias qualidades inerentes, vitalizada pela ação do Terceiro Logos.

3. CORRESPONDÊNCIA NAS RAÇAS-RAÍZES

Uma sucessão similar no presente, o quarto. A Ronda marca a evolução dos reinos da Natureza, sendo as principais características das Rondas anteriores, por assim dizer, repetidas nas Raças-Raízes, assim como a história da evolução forjada durante longas eras é repetida durante a vida embrionária de cada novo corpo. Durante a existência das duas primeiras Raças humanas houve condições de temperatura que tornariam a sensibilidade destrutiva para qualquer manifestação de vida, e essas Raças não mostram sensibilidade ao prazer e à dor no plano físico.

Na terceira Raça há sensibilidade a impactos violentos, causando prazeres e dores grosseiros, mas apenas alguns dos sentidos são desenvolvidos — audição, tato e visão — e ainda assim em um estágio baixo, como veremos em breve.

Agora, nas duas primeiras Raças, são visíveis os começos de agregações na matéria astral dos invólucros, e se estes pudessem conectar-se com a matéria física apropriada, haveria na consciência física sensações de prazer e dor.

Mas as conexões apropriadas faltam.

A Primeira Raça mostra um sentido de audição débil; a segunda, uma vaga resposta a impactos, o despertar do sentido do tato.


A Tríade espiritual, neste estágio de evolução, é tão insensível às vibrações da matéria externa que é somente quando recebe as tremendas vibrações causadas por impactos no plano físico que começa lentamente a responder.

Tudo começa para ele no plano físico.

Ele não responde diretamente, mas indiretamente, por meio da mediação da vida do Logos, e somente à medida que o aparato físico primário é construído é que os impulsos mais sutis chegam com força suficiente para causar prazer e dor.

As vibrações violentas do plano físico causam vibrações correspondentes no astral, e ele se torna vagamente consciente da sensação.

CAPÍTULO VIII

PRIMEIROS PASSOS HUMANOS

1. A TERCEIRA ONDA DE VIDA

O meio da terceira Raça-Raiz havia sido alcançado; o aparato nervoso do homem animal havia sido construído até um ponto em que necessitava, para seu aperfeiçoamento posterior, do fluxo mais direto de pensamento da Tríade espiritual à qual estava ligado; a Alma-Grupo havia completado seu trabalho para estes, os produtos mais elevados da evolução, como o meio pelo qual a vida do Segundo Logos protegia e nutria Seus filhos infantes; ela agora deveria formar o fundamento do corpo causal, o vaso no qual a vida descendente seria recebida; o termo da vida pré-natal da Mônada foi tocado, e o tempo estava maduro para seu nascimento no mundo inferior.

A vida-mãe do Logos havia construído para ele os corpos nos quais ele poderia agora viver como uma entidade separada no mundo das formas, e ele deveria entrar em posse direta de seus corpos e assumir sua evolução humana.

Vimos que as Mônadas derivam seu ser do Primeiro Logos e habitam no plano anupadaka, o segundo, durante as eras sobre as quais lançamos um olhar.

Também vimos que eles apropriaram para si, com a ajuda de diferentes agentes, os três átomos permanentes que os representam como Jivatmas no terceiro, quarto e quinto planos, e também aqueles que formam a tríade inferior no quinto, sexto e sétimo.

Toda a comunicação da Mônada com os planos abaixo do seu próprio tem sido através do Sutratma, o fio de vida, no qual os átomos estão enfiados, esse fio de vida—de matéria do segundo plano—passando do átomo átmico ao búdico, do búdico ao manásico, e do manásico reentrando no átmico.

formando assim o "Triângulo de Luz" nos planos superiores.

Vimos ainda que da linha desse Triângulo no plano búdico surge um fio, o Sutratma dos planos inferiores, no qual a tríade inferior está enfiada.

Chegou agora o momento de uma comunicação mais plena do que a representada por esse delicado fio em sua forma original, e ele, por assim dizer, alarga-se.

Essa é apenas uma maneira grosseira de retratar o fato de que o Raio da Mônada brilha e aumenta, assumindo mais a forma de um funil: "O fio entre o Vigia Silencioso e sua sombra torna-se mais forte e radiante." Esse fluxo descendente da vida monádica é acompanhado por um fluxo muito maior entre os átomos permanentes búdico e manásico, e este último parece despertar, emitindo vibrações em todas as direções.

Outros átomos e moléculas manásicos reúnem-se ao seu redor, e um vórtice giratório é visto nos três subplanos superiores do plano mental.

Um movimento giratório semelhante é visto na massa nebulosa que envolve a unidade mental anexada abaixo, envolvida na camada remanescente da Alma-Grupo, como já descrito.

A camada é rasgada e capturada no vórtice acima, 'A Doutrina Secreta, i, 285. PRIMEIROS PASSOS HUMANOS

onde é desintegrada, e o corpo causal é formado, um delicado invólucro membranoso, à medida que o redemoinho se acalma.

Esse fluxo descendente de vida, resultando na formação do corpo causal, é chamado de Terceira Onda de Vida, e é corretamente atribuído ao Primeiro Logos, pois as Mônadas emanaram d'Ele e representam Sua vida trina.

Uma vez formado o corpo causal, a Tríade espiritual tem um veículo permanente para a evolução posterior, e quando a Consciência se torna capaz de funcionar livremente nesse veículo, a Tríade poderá controlar e dirigir, de maneira muito mais eficaz do que nunca, a evolução do veículo inferior.

Os esforços iniciais de controle não são, contudo, de natureza muito inteligente, assim como os primeiros movimentos do corpo do infante não demonstram ser dirigidos por qualquer inteligência, embora saibamos que uma inteligência está a ele ligada. A Mônada está agora, em um sentido bem real, nascida no plano físico, mas ainda deve ser considerada como um bebê ali, e deve passar por um imenso período de tempo antes que seu poder sobre o corpo físico deixe de ser algo mais que infantil.

2.  DESENVOLVIMENTO HUMANO

E isso se vê claramente se observarmos o homem como era em seus primeiros dias.

Aqueles lemurianos há muito perecidos — excetuando-se as entidades que já haviam desenvolvido consciência em grau considerável, e que nasceram nos corpos lemurianos grosseiros a fim de conduzir a evolução humana — eram muito pouco desenvolvidos quanto aos órgãos dos sentidos; os do olfato e do paladar não estavam desenvolvidos, mas apenas em processo de construção.

Sua sensibilidade ao prazer e à dor era ligeira.

Nos atlantes, os sentidos eram muito mais ativos; a visão era aguçada e a audição apurada; o paladar era mais desenvolvido que entre os lemurianos, mas ainda não altamente evoluído; alimentos grosseiros e fortes eram considerados perfeitamente toleráveis e até agradáveis, e artigos de dieta muito condimentados, como carne em decomposição, eram preferidos a iguarias mais delicadas, consideradas insípidas.

O corpo não era muito sensível a ferimentos, e feridas graves não causavam muita dor, nem eram seguidas de prostração — mesmo lacerações extensas não incapacitavam o sofredor — e cicatrizavam muito rapidamente.

Os remanescentes da Raça Lemuriana ainda existentes, bem como os amplamente difundidos atlantes, ainda mostram uma relativa insensibilidade à dor, e suportam, com incapacitação muito parcial, lacerações que prostrariam completamente um homem da quinta raça.

Um índio norte-americano foi relatado como lutando após o lado da coxa ter sido dilacerado, e voltando ao campo depois de doze ou quinze horas.

Essa característica do corpo da quarta raça permite que um selvagem suporte com compostura, e se recupere de, torturas que prostrariam um homem da quinta raça por choque nervoso.

Essas diferenças derivam em grande parte dos variados desenvolvimentos do átomo permanente, o núcleo do corpo físico.

Na quinta Raça Raiz, há uma corrente mais plena de vida descendo, causando o maior desenvolvimento interno do átomo permanente, e aumentando à medida que esse desenvolvimento prossegue.

À medida que a evolução avança, há uma crescente complexidade dos poderes vibratórios no átomo físico permanente, um aumento similar no átomo astral, e novamente na unidade mental.

À medida que nascimento segue nascimento, e esses núcleos permanentes são emitidos em cada plano para reunir ao seu redor os novos invólucros mental, astral e físico, os átomos permanentes mais altamente desenvolvidos atraem ao seu redor os átomos mais altamente desenvolvidos nos planos a que pertencem, e assim constroem um melhor aparelho nervoso através do qual a corrente sempre crescente de consciência pode fluir.

Dessa forma é construído o delicadamente organizado aparelho nervoso do homem da quinta Raça.

No homem da quinta Raça, a diferenciação interna das células nervosas é muito aumentada, e as intercomunicações são muito mais numerosas.

Falando de modo geral, a consciência do homem da quinta Raça está trabalhando no plano astral, e está retirada do corpo físico, exceto no que diz respeito ao sistema nervoso cérebro-espinhal.

O controle dos órgãos vitais do corpo é deixado ao sistema simpático, treinado através de longas eras para realizar esse trabalho, e agora mantido em funcionamento por impulsos dos centros astrais, outros que não os dez, sem atenção deliberada da consciência de outra forma ocupada, embora, é claro, sustentado por ela. É, no entanto, como veremos em breve, bem possível atrair a atenção da consciência novamente para essa parte de seu mecanismo, e reassumir o controle inteligente dela. Nos membros mais altamente evoluídos da quinta Raça, os principais impulsos da consciência são enviados do mundo mental inferior, e trabalham através do astral até o físico, e ali estimulam a atividade nervosa física.

Esta é a consciência aguda, sutil e inteligente, movida mais por ideias do que por sensações, e mostrando-se mais ativamente nos centros cerebrais mentais e emocionais do que naqueles concernidos com fenômenos sensoriais e motores.

Os órgãos dos sentidos do corpo da quinta Raça são menos ativos e agudos do que os da mais elevada quarta Raça em responder a impactos puramente físicos.

O olho, o ouvido, o tato não respondem a vibrações que afetariam os órgãos dos sentidos da quarta Raça.

É significativo, também, que esses órgãos estejam no auge de sua acuidade na primeira infância e diminuam em sensibilidade a partir de aproximadamente o sexto ano de vida.

Por outro lado, embora menos agudos na recepção de impressões sensoriais puras, tornam-se mais sensíveis a sensações mescladas a emoções, e as delicadezas de cor e de som, seja da natureza ou da arte, apelam-lhes com maior eficácia.

A organização mais elevada e intrincada dos centros sensoriais no cérebro e no corpo astral parece acarretar maior sensibilidade à beleza da cor, da forma e do som, porém menor resposta às sensações em que as emoções não desempenham papel algum.

O corpo da quinta Raça é também muito mais sensível a choques do que os corpos das quarta e terceira Raças, sendo mais dependente da consciência para sua manutenção.

Um choque nervoso é sentido com muito maior intensidade e acarreta prostração muito maior.

Uma mutilação severa não é mais uma questão meramente de músculo lacerado, de tecidos rompidos, mas de perigoso choque nervoso; o altamente organizado sistema nervoso leva a mensagem de sofrimento aos centros cerebrais, e deles é enviada ao corpo astral, perturbando e transtornando a consciência astral.

A isso se segue perturbação no plano mental; a imaginação

PRIMEIROS PASSOS HUMANOS

é despertada, a memória estimula a antecipação, e a torrente de impulsos mentais intensifica e prolonga as sensações.

Estas, por sua vez, estimulam e excitam o sistema nervoso, e sua excitação indevida atua sobre os órgãos vitais, causando distúrbios orgânicos; daí a depressão da vitalidade e a lenta recuperação.

Assim também, no altamente evoluído corpo da quinta Raça, as condições mentais governam em grande parte o físico, e intensa ansiedade, sofrimento mental e preocupação, produzindo tensão nervosa, prontamente perturbam os processos orgânicos e acarretam fraqueza ou doença.

Portanto, a força mental e a serenidade promovem diretamente a saúde física, e quando a consciência está definitivamente estabelecida no plano astral ou mental, as perturbações emocionais e mentais são muito mais produtoras de enfermidade do que quaisquer privações infligidas ao corpo físico.

O homem evoluído da quinta Raça vive fisicamente, literalmente, em seu sistema nervoso.

3. ALMAS E CORPOS INCORGRUENTES

Mas devemos aqui notar um fato significativo, relacionado à questão da mais alta importância da relação entre a organização nervosa e a consciência.

Quando uma consciência humana ainda não cresceu além do tipo Lemúrico tardio ou Atlante inicial, mas nasce em um corpo da quinta Raça, apresenta um estudo curioso e interessante.

(As razões para tal nascimento não podem ser aqui ampliadas; brevemente, à medida que as nações mais avançadas anexam as terras ocupadas por tribos pouco evoluídas e as exterminam, direta ou indiretamente, as pessoas assim sumariamente despejadas de seus corpos têm de encontrar novos habitats; as condições selvagens adequadas estão se tornando cada vez mais raras, sob a sempre expansiva onda das raças superiores, e elas têm de nascer nas condições mais baixas disponíveis, tais como as favelas das grandes cidades, em famílias de tipos criminosos.

Elas são atraídas para a nação conquistadora por necessidade cármica.) Tais pessoas encarnam em corpos da quinta Raça do pior material disponível.

Elas então manifestam nesses corpos da quinta Raça as qualidades que pertencem à quarta ou à terceira raça anteriores: e embora tenham a organização nervosa física externa, não têm a diferenciação interna na matéria nervosa que vem com o jogo sobre a matéria física de energias provenientes dos mundos astral e mental.

Observamos nelas a não responsividade a impressões externas, a menos que as impressões sejam de ordem violenta, que marca o grau mais baixo de desenvolvimento da consciência individual.

Notamos o recuo para a inércia quando um estímulo físico violento está ausente; o anseio recorrente por tal estímulo violento quando despertado por necessidades físicas; o despertar para uma tênue atividade mental sob impacto veemente sobre os órgãos dos sentidos, e o vazio quando os órgãos dos sentidos estão em repouso; a completa ausência de qualquer resposta a um pensamento ou a uma emoção elevada — não uma rejeição, mas uma inconsciência dela. Excitação ou violência em tal pessoa é causada, via de regra, por algo externo — por algo que se apresenta fisicamente diante dela e que sua mente nascentemente desperta conecta com a possibilidade de gratificar alguma paixão, que ela lembra e deseja sentir novamente.

Tal pessoa pode não ter intenção alguma de roubo ou assassinato, mas pode ser estimulada a um ou ambos pela mera visão de um transeunte bem-vestido que pareça ter dinheiro — dinheiro, que significa gratificação por comida, bebida ou sexo.

O estímulo para atacar o transeunte é dado de imediato, e será seguido de ação imediata, a menos que seja contido por um perigo físico e óbvio, como a visão de um policial.

É a tentação física incorporada que desperta a ideia de cometer o crime; um homem que planeja um crime antecipadamente é mais desenvolvido; o mero selvagem comete um crime por impulso do momento, a menos que enfrente outro impedimento físico, o de uma força que ele teme.

E quando o crime é cometido, ele é impermeável a todos os apelos à piedade ou ao remorso; é suscetível apenas ao terror. Estas observações não se aplicam, naturalmente, ao criminoso inteligente, mas apenas ao tipo congênito, brutal e obtuso, um selvagem de terceira ou quarta Raça em um corpo de quinta Raça. À medida que as verdades da Sabedoria Antiga colorirem cada vez mais o pensamento humano, elas inevitavelmente, entre outras coisas, modificarão o tratamento do criminoso.

Tais criminosos como os acima mencionados não serão punidos brutalmente, mas serão mantidos permanentemente sob disciplina estrita e serão, na medida do possível, auxiliados a progredir mais rapidamente do que teria sido possível sob as condições da vida selvagem.

Mas a consideração mais aprofundada disso nos levaria muito longe de nosso estudo atual, e devemos agora retornar aos funcionamentos da consciência no plano astral, tal como se manifestam nos animais superiores e nos tipos humanos inferiores.

AURORA DA CONSCIÊNCIA NO PLANO ASTRAL

Vimos que a organização astral precede e molda o sistema nervoso físico, e temos agora de considerar como isso deve afetar os funcionamentos da consciência.

Devemos esperar descobrir que a consciência no plano astral se tornará ciente dos impactos em seu invólucro astral de maneira vaga e imprecisa, assim como, nos minerais, nas plantas e nos animais mais inferiores, ela se tornou ciente dos impactos em seu corpo físico.

Essa percepção dos impactos astrais precederá em muito qualquer organização definida no invólucro astral, a ponte entre o mental e o físico, que gradualmente o evoluirá para um corpo astral, o veículo independente da consciência no plano astral.

E, como vimos, a primeira organização no invólucro astral é uma resposta aos impactos recebidos através do corpo físico, e está relacionada ao corpo físico em sua evolução.

Esta organização não tem nada a ver diretamente com a recepção, coordenação e compreensão dos impactos astrais, mas está ocupada em ser influenciada pelo sistema nervoso físico e em reagir sobre ele.

A consciência em toda parte precede a autoconsciência, e a evolução da consciência no plano astral procede contemporaneamente com a evolução da autoconsciência — a ser tratada oportunamente — no físico.

Os impactos sobre o invólucro astral, provenientes do plano astral, produzem ondas vibratórias por todo o invólucro astral, e a consciência envolvida gradualmente se torna vagamente ciente dessas agitações, sem relacioná-las a qualquer causa externa.

Ela está tateando em busca dos impactos físicos muito mais violentos, e tal poder de atenção que tenha evoluído está voltado para eles.

As agregações de matéria astral, conectadas aos sistemas nervosos físicos, naturalmente compartilham das agitações gerais do invólucro astral, e as vibrações causadas por essas agitações se misturam com aquelas que vêm do corpo físico, e afetam também as vibrações enviadas a ele pela consciência através dessas agregações.

Assim, estabelece-se uma conexão entre os impactos astrais e o sistema simpático, e eles desempenham um papel considerável em sua evolução.

À medida que a consciência que atua no corpo físico começa lentamente a reconhecer um mundo externo, esses impactos do astral — gradualmente classificados sob os cinco sentidos, assim como os impactos do físico — misturam-se com os do plano físico e não são distinguidos como sendo diferentes deles em origem.

Esse reconhecimento é a clarividência inferior, aquela que precede a grande evolução da mente.

Enquanto o sistema simpático estiver atuando como o aparato dominante da consciência, enquanto isso a origem, astral ou física, dos impactos permanecerá a mesma para a consciência.

Mesmo os animais superiores — nos quais o sistema cérebro-espinhal é bem desenvolvido, mas no qual ainda não é, exceto em seus centros sensoriais, o principal mecanismo de consciência — não conseguem distinguir entre visões, sons, etc., físicos e astrais.

Um cavalo saltará sobre um corpo astral como se fosse um físico; um gato se esfregará contra as pernas de uma figura astral; um cão rosnará para uma aparição semelhante.

No cão e no cavalo há o despertar de uma sensação inquietante de alguma diferença, demonstrada pelo medo de tais aparições, frequentemente manifestado pelo cão, e pela timidez do cavalo.

O nervosismo do cavalo — apesar do qual ele pode ser treinado para enfrentar os perigos de um campo de batalha, e até mesmo, como com as éguas árabes, aprender a recolher e carregar seu cavaleiro caído através de todas as circunstâncias alarmantes — parece dever-se principalmente à sua confusão e perplexidade quanto ao seu ambiente, e à sua incapacidade de distinguir entre o que 122                 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

mais tarde ele aprenderá a chamar de "realidades objetivas", novamente, pelas quais ele pode ferir seu corpo, e "ilusões", ou "alucinações", através das quais seu corpo pode passar incólume.

Para ele, todas são "reais", e a diferença em seu comportamento o alarmam; no caso de um cavalo excepcionalmente inteligente, o nervosismo é frequentemente maior, à medida que ele desenvolve um despertar do senso de diferença nos próprios fenômenos; e isso, a princípio, não sendo compreendido, é ainda mais desconcertante.

O selvagem, vivendo mais no sistema cérebro-espinhal, distingue entre os fenômenos físicos e astrais, embora estes últimos sejam para ele tão "reais" quanto os físicos; ele os relaciona a outro mundo, ao qual relega todas as coisas que não se comportam da maneira que ele considera normal. Ele não sabe que, com relação a esses, ele está consciente através do sistema simpático e não através do sistema cérebro-espinhal; ele está consciente deles — isso é tudo.

Os Lemurianos e os primeiros Atlantes eram quase mais conscientes astralmente do que fisicamente.

Os impactos astrais, lançando todo o envoltório astral em ondas, chegavam através dos centros sensoriais do astral aos centros simpáticos no corpo físico, e eles estavam vividamente cientes deles.

As vidas eram dominadas por sensações e paixões mais do que pelo intelecto, e o aparato especial do envoltório astral, o sistema simpático, era então o mecanismo dominante da consciência.

À medida que o sistema cérebro-espinhal se elaborava, e cada vez mais assumia sua posição peculiar como o principal aparato de consciência no plano físico, a atenção da consciência foi fixada cada vez mais no                        PRIMEIROS PASSOS HUMANOS

mundo físico externo, e seu aspecto de atividade, como a mente concreta, foi trazido a uma proeminência cada vez maior.

O sistema simpático tornou-se subordinado, e suas indicações eram cada vez menos consideradas, submersas sob a torrente dos impactos físicos mais grosseiros e pesados vindos de fora.

Daí uma diminuição da consciência astral e um aumento da inteligência, embora ainda permaneça em quase todos um vago senso de impressões não compreendidas recebidas de tempos em tempos.

No estágio atual da evolução, esta forma inferior de clarividência ainda é encontrada entre os seres humanos, mas em pessoas de intelecto muito limitado; elas têm pouca ideia de sua razão de ser e pouco controle sobre seu exercício.

Tentativas de aumentá-la são aptas a causar distúrbios nervosos de uma natureza muito refratária, e essas tentativas são contra a lei da evolução, que trabalha sempre para frente em direção a um fim mais elevado, e não se move para trás.

Como a lei não pode ser mudada, tentativas de trabalhar contra ela apenas causam distúrbio e doença.

Não podemos reverter à condição em que o sistema simpático era dominante, senão ao custo da saúde e da evolução intelectual superior.

Daí o sério perigo de seguir muitas das direções agora publicadas em larga escala, de meditar sobre o plexo solar e outros centros simpáticos.

As práticas, algumas das quais vieram para o Ocidente, são sistematizadas no Hatha Yoga na Índia.

O controle sobre os músculos involuntários é readquirido, de modo que um homem pode reverter a ação peristáltica, inibir os batimentos do coração, vomitar à vontade, e assim por diante. Muito tempo e trabalho devem ser desperdiçados antes que a realização de tais proezas se torne possível.


e no final o homem apenas trouxe de volta ao centro da vontade músculos que há muito tempo foram por ela entregues ao sistema simpático.

Assim como essa entrega foi feita por um gradual desvio da atenção, é pela concentração da atenção nas partes concernentes que a realização anterior é revertida.

Como tais performances impõem-se aos ignorantes, que as consideram evidências de grandeza espiritual, elas são frequentemente praticadas por homens que desejam poder e são incapazes de obtê-lo de uma maneira mais legítima.

Além disso, são a forma mais fácil de Hatha Yoga, e são mais facilmente cultivadas, e custam muito menos sofrimento, do que manter um braço estendido até que ele definhe, ou deitar-se sobre uma cama de espinhos.

Quando o sistema cérebro-espinhal é temporariamente suspenso, os impulsos do invólucro astral através do sistema simpático se fazem sentir na consciência. Daí a "lucidez" no transe, autoinduzido ou imposto, o poder de ler no astral pelo uso de cristais e outros artifícios similares.

A suspensão parcial ou completa da ação da consciência no veículo superior faz com que ela dirija a atenção para o inferior.

Convém acrescentar aqui, para evitar equívocos, que a clarividência superior segue, em vez de preceder, o crescimento da mente, e não pode aparecer até que a organização do corpo astral, em contraposição ao invólucro astral, tenha sido levada a uma altura considerável.

Quando isso é efetuado pelo jogo do intelecto e pelo aperfeiçoamento do aparato físico-intelectual, então os verdadeiros sentidos astrais antes mencionados, chamados chakras, ou rodas, por sua aparência giratória, são gradualmente evolvidos.

Estes se desenvolvem no

PRIMEIROS PASSOS HUMANOS

plano astral, como sentidos e órgãos astrais, e são construídos e controlados a partir do plano mental, assim como os centros cerebrais o eram a partir do astral.

A consciência então trabalha no plano mental e constrói seu mecanismo astral, como antes trabalhava no plano astral, construindo seu mecanismo físico.

Mas agora trabalha com poder muito maior e compreensão muito maior, tendo desdobrado tantos de seus poderes.

Além disso, molda centros no corpo físico a partir dos sistemas simpático e cérebro-espinhal, para atuarem como aparato do plano físico, trazendo para a consciência cerebral as vibrações dos planos superiores.

À medida que esses centros são vivificados, o conhecimento é "trazido através", isto é, torna-se disponível para o uso da consciência que trabalha no sistema nervoso físico.

Isto, como foi dito, é a clarividência superior, o exercício inteligente e autodirigido dos poderes da consciência no corpo astral.

Nesta escalada ascendente, então, os poderes da consciência são despertados no plano físico e são então despertados separadamente no astral e no mental.

Os invólucros astral e mental devem ser altamente evolvidos antes que possam ser desenvolvidos no corpo sutil, atuando independentemente nos planos superiores, e então construindo para si o aparato necessário para o exercício desses poderes superiores no mundo físico.

E mesmo aqui, quando o aparato está pronto, construído por pensamento puro e desejo puro, ele deve ser vivificado no plano físico pelo fogo de Kundalini, despertado e dirigido pela consciência que atua no cérebro físico.

CAPÍTULO IX

CONSCIÊNCIA E AUTOCONSCIÊNCIA

1. CONSCIÊNCIA

POR um período imenso de tempo — ao longo da evolução vegetal e animal posterior, e ao longo da evolução da humanidade normal até o presente — o invólucro astral, ou do desejo, é, como vimos, subordinado ao físico, no que diz respeito ao funcionamento da consciência.

Temos agora de traçar o desdobramento da consciência, da vida tornando-se ciente de seus arredores, enquanto o sistema nervoso é verdadeiramente dito como criado a partir do plano astral, não é menos criado para a expressão da consciência no plano físico, e para seu funcionamento efetivo nele.

É ali que a consciência primeiro se torna Autoconsciência.

Quando as vibrações do mundo exterior atuam sobre o invólucro físico do Self infantil e involuído, o Jivatma, o Raio da Mônada, elas a princípio causam vibrações responsivas dentro desse Self, uma consciência nascente dentro de si mesmo, um sentimento não relacionado por esse Self a nada exterior, embora causado por impactos vindos de fora.

É uma mudança fora da película envolvente do Self, vestido em invólucros de matéria mais densa — CONSCIÊNCIA E AUTOCONSCIÊNCIA — cuja mudança exterior causa uma mudança dentro desse envoltório, e essa mudança causa um ato de consciência — consciência da mudança, de uma condição alterada.

Pode ser uma atração, um atrair para si, exercido por um objeto externo sobre os invólucros, alcançando o envoltório do Self, causando uma ligeira expansão no envoltório, seguindo uma expansão nos invólucros, em direção ao objeto atrativo; e essa expansão é uma mudança de condição, e causa um sentimento, um ato de consciência.

Ou pode ser uma repulsão, um afastamento, novamente exercido por um objeto externo contra os invólucros, alcançando o envoltório do Self, causando um ligeiro encolhimento no envoltório, seguindo o encolhimento dos invólucros diante do objeto repulsivo; e esse encolhimento é também uma mudança de condição e causa uma mudança correspondente na consciência.

Quando examinamos as condições dos invólucros envolventes sob uma atração e uma repulsão, descobrimos que elas são inteiramente diferentes.

Quando o impacto de um objeto externo causa uma vibração rítmica nesses invólucros — isto é, quando seus materiais são dispostos em linhas onduladas regulares de rarefação e densificação — essa disposição da matéria envolvente permite uma troca de vida entre os dois objetos que entraram em contato, e na proporção da correspondência das rarefações e densificações nos dois está a plenitude da troca.

Essa troca, essa união parcial de duas Vidas separadas através das bainhas separadoras de matéria, é o "prazer", e a saída das Vidas em direção uma à outra é a "atração"; por mais complicado que o prazer se torne, aqui reside sua essência; é uma sensação de "mais", de vida aumentada, expandida.

Quanto mais plenamente desenvolvida a Vida, maior o prazer na realização desse "mais", na expansão na outra Vida, e cada uma das Vidas assim unidas ganha o "mais" pela união com a outra.

Como vibrações rítmicas e rarefações e densificações correspondentes tornam essa troca de vida possível, é verdadeiramente dito que "vibrações harmoniosas são prazerosas". Quando, ao contrário, o impacto de um objeto externo causa uma dissonância de vibrações nos invólucros do objeto impactado — isto é, quando os materiais são dispostos irregularmente, movendo-se em direções conflitantes, chocando-se uns contra os outros — a Vida contida é encerrada, isolada, seus raios normais de emissão são contidos, interceptados, até mesmo revertidos sobre si mesmos.

Essa contenção da ação normal é a "dor", aumentando com a energia do impulso, e o resultado do processo de impulso é a "repulsão". Aqui também, quanto mais plenamente desenvolvida a Vida, maior a dor nessa reversão violenta de sua ação normal, e na sensação de frustração que acompanha a reversão.

Portanto, novamente, "vibrações inarmoniosas são dolorosas". Observe-se que isso é verdade para todos os invólucros, embora o invólucro astral se torne especializado como o receptor da classe de sensações mais tarde chamadas de prazerosas e dolorosas.

Constantemente, no curso da evolução, uma função geral da vida torna-se assim especializada, e um órgão particular é normalmente usado para seu exercício.

O corpo astral sendo o veículo dos desejos, a necessidade de sua especial suscetibilidade ao prazer e à dor é óbvia.

Para retornar desta breve digressão sobre o estado dos envoltórios ao germe de consciência em si mesmo: acharemos importante notar que não há aqui "consciência de um objeto externo, nenhuma tal consciência como é ordinariamente transmitida pelo uso da palavra"; a Consciência, por enquanto, nada sabe de um exterior e um interior, de um objeto e um sujeito; o germe divino está agora se tornando consciente.

Ela se torna consciência com essa mudança de condições, com esse movimento nas bainhas, essa expansão e contração, pois a consciência existe apenas na mudança e pela mudança.

Aqui, então, para o germe divino separado, é o nascimento da consciência; ela nasce da mudança, do movimento; onde e quando ocorre essa primeira mudança, ali, para aquele germe separado, nasce a consciência.

O mero revestimento desse germe com sucessivos envoltórios de matéria em sucessivos planos dá origem a essas primeiras mudanças vagas dentro do germe que são o nascimento da consciência: e nenhum de nós pode contar as eras que se desenrolam à medida que essas mudanças se tornam mais definidas, e à medida que os envoltórios se tornam mais definitivamente moldados pelos incessantes impactos de fora, e pelos não menos incessantes estremecimentos responsivos de dentro.

O estado de consciência neste estágio só pode ser descrito como um de "sentimento", sentimento tornando-se lentamente cada vez mais definido, e assumindo duas fases, prazer e dor — prazer com expansão, dor com contração.

E, note-se, esse estado primário de consciência não manifesta os três bem conhecidos aspectos de Vontade, Sabedoria e Atividade, mesmo no estágio mais germinal; o "sentimento" precede esses, e pertence à consciência como um todo, embora em estágios posteriores da evolução ele se mostre tão ligado ao aspecto Vontade-Desejo a ponto de quase se identificar com ele; no plural, como sentimentos, de fato, 130 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

ele pertence a esse aspecto, que é o primeiro a surgir como uma diferenciação dentro da consciência.

À medida que os estados de prazer e dor se estabelecem mais definitivamente na consciência, eles dão origem aos três aspectos: com o desvanecimento do prazer, há uma continuação da atração na consciência, uma memória, e esta se torna uma busca indistinta por ele, um seguimento vago do sentimento que se esvai, um movimento — demasiado indefinido para ser chamado de esforço — para retê-lo, para conservá-lo; da mesma forma, com o desvanecimento da dor, há uma continuação da repulsão na consciência, novamente uma memória, e esta se torna um movimento igualmente vago para afastá-la.

Esses estados dão origem a: memória do prazer e da dor passados, indicando a germinação do aspecto Pensamento; anseio por experimentar novamente o prazer, ou evitar a dor, a germinação do aspecto Desejo; isto estimulando um movimento, a germinação do aspecto Atividade.

Assim, a consciência é diferenciada em seus três aspectos a partir de sua unidade primária de Sentimento, repetindo em miniatura o processo cósmico no qual a Divindade Tríplice surge eternamente da Existência Una.

O axioma hermético é aqui, como sempre, exemplificado: "Assim como em cima, embaixo."

2. AUTOCONSCIÊNCIA

O desejo, assim germinado, tateia após o prazer, não ainda após o objeto que proporciona prazer; pois a consciência está ainda limitada dentro de seu próprio reino, é consciente apenas no interior, é consciente apenas das mudanças nesse interior.

Ainda não voltou sua atenção para fora, não está ainda consciente sequer de que existe um exterior.

Enquanto isso, esse exterior do qual não tem consciência está continuamente martelando seus veículos, e mais veementemente seu veículo físico, o veículo mais facilmente afetado de fora, e com maior dificuldade de dentro.

Gradualmente, os choques persistentes e violentos vindos de fora atraem sua atenção em sua direção; sua irregularidade, sua imprevisibilidade, seus assaltos constantes, sua falta de relação com seus movimentos lentos e tateantes, seus aparecimentos e desaparecimentos inexplicados opõem-se à sua vaga sensação de regularidade, continuidade, de estar sempre ali, de lentas ondas de mudança que sobem e descem dentro do que ainda não é para ele "si mesmo"; há uma consciência de diferença, e isso cresce até se tornar um senso de algo que permanece dentro de um turbilhão cambiante, um senso de um "dentro" e um "fora", ou, para falar com mais precisão, de um "fora" e um "dentro", pois é o martelar externo que faz surgir na consciência a diferença entre "fora" e "dentro".

O "fora" vem primeiro, ainda que por uma fração de tempo, porque somente seu reconhecimento torna possível e inevitável o reconhecimento do "dentro". Enquanto não há nada mais, não podemos falar de "dentro"; é tudo.

Mas quando o "fora" se impõe à consciência, o "dentro" surge como seu oposto inevitável.

Esse senso de um "fora" surge necessariamente nos pontos de contato entre a consciência contínua e o turbilhão cambiante; isto é, em seu veículo físico, seu corpo físico.

Aqui se estabelece lentamente a percepção dos "outros", e com o estabelecimento desses "outros" vem também o estabelecimento do "eu" em oposição a eles.

Ele se torna consciente das coisas externas, em vez de ser consciente apenas das mudanças, e então passa a saber que as mudanças estão em "si mesmo", e que as coisas estão fora de si.

A autoconsciência nasce.

Esse processo de perceber objetos é complexo.

Deve-se lembrar que os objetos contatam o corpo de várias maneiras, e o corpo recebe algumas de suas vibrações pelas partes diferenciadas para receber tais vibrações.

O olho, o ouvido, a pele, a língua, o nariz recebem várias ondas vibratórias, e certas células nos órgãos afetados vibram de modo semelhante em resposta.

As ondas estabelecem passagem para os centros sensoriais no cérebro e, daí, para os sentidos de conhecimento no envoltório astral; ali ocorrem as mudanças na consciência que lhes correspondem, como explicado no Capítulo II, e são enviadas adiante como essas mudanças, as sensações de cor, contorno, som, forma, gosto, olfato, etc., ainda como sensações separadas, para a consciência que atua no envoltório mental, e ali são por ela combinadas em uma única imagem, unificadas em uma única percepção de um objeto.

Essa fusão das diversas correntes em uma só, essa síntese das sensações, é uma especialidade da mente.

Por isso, na psicologia indiana, a mente é frequentemente chamada de "o sexto sentido", sendo os sentidos, dos quais a mente é o sexto. Quando consideramos os cinco órgãos de ação em relação à mente, encontramos um processo inverso em andamento; a mente imagina um certo ato como um todo e, assim, produz um conjunto correspondente de vibrações no envoltório mental; essas vibrações são reproduzidas nos sentidos motores no envoltório astral; eles o decompõem, analisam-no em suas partes constituintes, e estas são acompanhadas por vibrações na matéria dos centros motores; estes, por sua vez, são refletidos nos centros motores no cérebro como ondas separadas; os centros motores distribuem essas ondas através do sistema nervoso para os vários músculos que devem cooperar para produzir a ação.

Considerada nessa dupla relação, a mente torna-se o décimo primeiro sentido, "os dez sentidos, e o um".

3. REAL E IRREAL

Com a mudança da consciência para a autoconsciência, vem o reconhecimento de uma diferença que, mais tarde, na autoconsciência mais evoluída, torna-se a diferença entre o objetivo ou "real" — no sentido ocidental comum da palavra — e o subjetivo ou "irreal", e "imaginário". Para a água-viva, a anêmona-do-mar, a hidra, ondas e correntes, sol e rajadas, alimento e areia tocando a periferia ou os tentáculos, não são "reais", são registrados apenas como mudanças na consciência, como na verdade também o são para o corpo do infante humano; digo registrados, não reconhecidos, pois nenhuma observação mental, análise e julgamento são possíveis nos estágios inferiores da evolução.

Essas criaturas ainda não são suficientemente conscientes dos outros para serem conscientes de si mesmas; e só sentem as mudanças como ocorrendo dentro do círculo de sua própria consciência mal definida.

O mundo externo cresce em "realidade" à medida que a consciência, separando-se dele, percebe sua própria separação, mudando de um vago "sou" para um definido "eu sou". À medida que esse "eu" autoconsciente gradualmente ganha clareza de autoidentificação, de separação, e distingue entre as mudanças dentro de si mesmo e o impacto dos objetos externos, ele está pronto para dar o próximo passo de relacionar as mudanças dentro de si com os variados impactos vindos de fora.

Segue-se então o desenvolvimento do Desejo por prazer em desejo definido por objetos que proporcionam prazer, seguido por pensamentos sobre como obtê-los; esses levam a esforços para mover-se em direção a eles quando à vista, para procurá-los quando ausentes, e a consequente evolução lenta do veículo externo em um corpo bem organizado para o movimento, para a perseguição, para a captura.

O desejo pelo ausente, a busca, o sucesso ou o fracasso, tudo isso imprime na consciência em desenvolvimento a diferença entre seus desejos e pensamentos, dos quais ele é, ou pode ser, sempre consciente, e os objetos externos que vêm e vão sem qualquer referência a si mesmo, e com irrelevância desconcertante para seus sentimentos.

Ele os distingue como "reais", como tendo uma existência que ele não controla, e que o afeta sem qualquer consideração por suas preferências ou objeções.

E esse senso de "realidade" é primeiramente estabelecido no mundo físico, como sendo aquele em que esses contatos entre os "outros" e o "eu" são primeiramente reconhecidos pela consciência.

A autoconsciência começa sua evolução no e através do corpo físico, e tem seu centro mais primitivo no cérebro.

O homem normal, no estágio atual da evolução, ainda se identifica com esse centro cerebral de autoconsciência, e está, portanto, restrito à consciência de vigília, ou consciência trabalhando no sistema cérebro-espinhal, conhecendo a si mesmo como "eu", distinta e consecutivamente, apenas no plano físico, isto é, no estado de vigília.

Nesse plano, ele é definitivamente autoconsciente, distinguindo entre si mesmo e os outros, e entre seus pensamentos e o mundo externo.

e o mundo exterior, entre seus próprios pensamentos e as aparências externas, sem hesitação; portanto, neste plano, e somente neste plano, as coisas externas são para ele "reais", "objetivas", "fora de si mesmo". Em outros planos, o astral e o mental, ele é ainda consciente, mas não autoconsciente; ele reconhece mudanças dentro de si mesmo, mas ainda não distingue entre as mudanças autoiniciadas e aquelas causadas por impactos externos sobre seus veículos astral e mental.

Para ele, todas são igualmente mudanças dentro de si mesmo.

Portanto, todos os fenômenos de consciência que ocorrem em planos superfísicos — planos nos quais a autoconsciência ainda não está definitivamente estabelecida — o homem normal e comum chama de "irreais", "subjetivos", "dentro de si mesmo", assim como a água-viva, se fosse filósofa, designaria os fenômenos do plano físico.

Ele considera os fenômenos astrais ou mentais como resultado de sua "imaginação", i.e., como formas de sua própria criação, e não como resultados de impactos sobre seu veículo astral ou mental provenientes de mundos externos, mais sutis, de fato, mas tão "reais" e "objetivos" quanto o mundo físico externo.

Ou seja, ele ainda não evoluiu o suficiente para ter alcançado a autorrealização nesses planos e, assim, ter se tornado capaz de objetivar ali os mundos externos.

Ele é apenas consciente ali das mudanças em si mesmo, das mudanças na consciência, e o mundo externo é consequentemente para ele meramente o jogo de seus próprios desejos e pensamentos.

Ele é, de fato, um infante nos planos astral e mental.

CAPÍTULO X

ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA

1. A SUBCONSCIÊNCIA

Já notamos o fato de que muitas atividades da consciência, outrora intencionais, tornaram-se automáticas e gradualmente afundaram abaixo do "limiar da consciência". Os processos que mantêm a vida do corpo — como o batimento do coração, a expansão e contração do coração, os processos de digestão, etc. — caíram todos em uma região da consciência na qual a atenção da consciência não está fixada.

E há inúmeros fenômenos, não diretamente conectados com a manutenção da vida corporal, que também habitam essa região obscura.

O sistema simpático é um depósito de vestígios deixados por eventos há muito passados — eventos que não pertencem de forma alguma à nossa vida presente, mas eventos que ocorreram há centenas de séculos, que passaram em vidas há muito transcorridas, quando o Jivatma, que é o nosso Ser, habitava corpos humanos selvagens, e até mesmo corpos de animais.

Muitos terrores sem causa, muitos pânicos de meia-noite, muitas ondas de fúria violenta, muitos impulsos de crueldade vingativa, muitas investidas de paixão vingativa, são lançados das profundezas daquele mar escuro do subconsciente que rola dentro de nós, ocultando muitos naufrágios, muitos esqueletos do nosso passado.

Muito sobre esses estados será encontrado nas palestras publicadas do autor sobre Teosofia e a Nova Psicologia.

ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA

Transmitidos pela consciência astral da época ao seu instrumento físico para colocá-los em ação, a placa sempre sensível do átomo permanente os capturou e fotografou, e os registrou nos recessos do sistema nervoso, vida após vida.

A consciência está desprevenida; ou uma forte vibração vinda de outro nos atinge; ou algum evento reproduz circunstâncias que iniciam vibrações que despertam; de uma forma ou de outra, as possibilidades adormecidas são despertadas, e, lançando-se para cima em direção à luz do dia, surge a paixão há muito enterrada.

Ali também se escondem os instintos que muitas vezes dominam a razão, instintos que outrora foram esforços de preservação da vida, ou resultados de experiências em que nosso corpo da época pereceu, e a alma registrou o resultado para orientação futura.

Instintos de amor pelo sexo oposto, resultado de inúmeras uniões.

Instintos de amor paterno e materno, derramados ao longo de muitas gerações.

Instintos de autodefesa, desenvolvidos em inúmeras batalhas.

Instintos de tirar vantagem indevida, descendentes de inúmeros enganos e intrigas.

E, ainda assim, ali se ocultam muitas vibrações que pertencem a eventos, sentimentos, desejos e pensamentos da nossa vida presente, experimentados e esquecidos, mas situados próximos à superfície, prontos para serem evocados.

O tempo faltaria para enumerar o conteúdo desta câmara de relíquias de um passado imemorial, contendo ossos velhos próprios apenas para a lata de lixo, lado a lado com fragmentos interessantes de dias anteriores, com ferramentas... UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

A subconsciência pertence ao Passado, assim como a consciência desperta pertence ao Presente, e a superconsciência ao Futuro.

Outra parte do subconsciente em nós é composta pelos conteúdos de todas as consciências que usam nossos corpos como campos de evolução—átomos, moléculas, células de muitos graus.

Alguns dos espectros estranhos e figuras delicadas que surgem do subconsciente em nós não nos pertencem de forma alguma, mas são os tateamentos vagos,

e medos tolos, e fantasias bonitas, das Unidades de consciência em um estágio de evolução inferior ao nosso, que são nossos hóspedes, habitando nosso corpo como uma casa de cômodos.

Nesta parte do subconsciente ocorrem as guerras, travadas por um grupo de criaturas em nosso sangue contra outro grupo, que não entram em nossa consciência, exceto quando seus resultados aparecem como doenças.

A subconsciência humana, trabalhando no plano físico, é assim composta de elementos muito variados, e é necessário assim analisá-la e compreendê-la, a fim de distinguir seus funcionamentos daqueles da verdadeira superconsciência humana, que se assemelha aos instintos em suas irrupções súbitas na consciência, mas difere inteiramente deles em sua natureza e lugar na evolução, pertencendo ao futuro enquanto eles pertencem ao passado.

Esses dois diferem como órgãos vestigiais atrofiados, registrando a história do passado, diferem de órgãos rudimentares germinais, indicando o progresso do futuro.

Vimos também que a consciência, trabalhando no plano astral, construiu e ainda está construindo o sistema nervoso para seu instrumento no plano físico; mas isso também não              ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA

forma parte do que é chamado de consciência desperta normal neste estágio de evolução.

No homem comum, a consciência, trabalhando no plano mental, está agora construindo e organizando o corpo astral como seu instrumento no futuro no plano astral, mas isso novamente não forma parte da consciência desperta.

O que é então a consciência desperta humana?

2.   A CONSCIÊNCIA DESPERTA

A consciência desperta é a consciência trabalhando no plano mental e no astral, usando matéria mental e astral como seu veículo, sediada no cérebro físico como autoconsciência,¹ e usando esse cérebro com seu sistema nervoso conectado como seu instrumento para querer, conhecer e agir no plano físico.

Na consciência de vigília, o cérebro está sempre ativo, sempre vibrando; sua atividade pode ser estimulada como órgão transmissor de fora, através dos sentidos, ou pode ser estimulada pela consciência dos planos internos; mas está incessantemente ativo, respondendo ao externo e ao interno.

No homem comum, o cérebro é a única parte na qual a consciência se tornou definitivamente autoconsciência, a única parte na qual ele se sente como "EU SOU" e se afirma como uma unidade individual separada.

Em todo o resto dele, a consciência ainda tateia vagamente, respondendo aos impactos externos, mas ainda não os definindo, consciente quanto às mudanças em suas próprias condições, mas ainda não consciente de "outros" e "mim mesmo". Nos membros mais avançados da família humana, a consciência, trabalhando nos planos astral e mental, é muito rica e ativa, mas sua atenção ainda não está voltada para fora, para os mundos astral e mental nos quais está vivendo, e suas atividades encontram sua expressão externa na autoconsciência no plano físico, para o qual toda a atenção externa na consciência está voltada, e no qual é derramado tanto do trabalho superior quanto ele é capaz de receber.

De tempos em tempos, impactos poderosos no plano astral ou mental criam uma vibração tão violenta na consciência, que uma onda de pensamento ou emoção surge para fora, na consciência de vigília, e a lança em um movimento tão furioso, que suas atividades normais são varridas, submersas, e o homem é precipitado em uma ação que não é dirigida ou controlada pela autoconsciência.

Consideraremos isso mais adiante quando chegarmos à consciência superfísica.

A consciência de vigília pode, então, ser definida como aquela parte da consciência total que está funcionando no cérebro e no sistema nervoso, e que é definitivamente autoconsciente.

Podemos conceber a consciência como simbolizada por uma grande luz, que brilha através de um globo de vidro inserido em um teto, iluminando o cômodo abaixo, enquanto a própria luz enche o cômodo acima e derrama seu esplendor livremente em todas as direções.

A consciência é como um grande ovo de luz, do qual apenas uma extremidade está inserida no cérebro, e essa extremidade é a consciência de vigília.

Ver Capítulo IX, § 1, 2, para a diferença entre consciência e autoconsciência; e Capítulo VI, § 3, para a exposição da consciência física, que não deve ser confundida com a consciência de vigília.


À medida que a consciência se torna Autoconsciência no plano astral, e o cérebro se desenvolve suficientemente para responder às suas vibrações, a consciência astral tornar-se-á parte da consciência desperta.

Mais tarde, ainda, quando a consciência          ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA

se torna Autoconsciência no plano mental, e o cérebro se desenvolve suficientemente para responder às suas vibrações, a consciência desperta incluirá a consciência mental.

E assim por diante, até que toda a consciência em nossos cinco planos tenha evoluído para a consciência desperta.

Este alargamento da consciência desperta é acompanhado pelo desenvolvimento nos átomos do cérebro, bem como pelo desenvolvimento de certos órgãos no cérebro, e das conexões entre as células.

Para a inclusão da Autoconsciência astral, é necessário que o corpo pituitário seja evoluído além de sua condição atual, e que o quarto conjunto de espirilas nos átomos seja aperfeiçoado.

Para a inclusão da mental, a glândula pineal deve ser tornada ativa, e o quinto conjunto de espirilas trazido à perfeita ordem de funcionamento.

Enquanto esses desenvolvimentos físicos permanecerem não realizados,

a Autoconsciência pode ser evoluída nos planos astral e mental, mas permanece como superconsciência, e seus funcionamentos não se expressam através do cérebro e, assim, não se tornam parte da consciência desperta.

A consciência desperta é limitada e condicionada pelo cérebro enquanto um homem possuir um corpo físico, e qualquer lesão ao cérebro, qualquer dano, qualquer perturbação, interfere imediatamente com sua manifestação.

Por mais altamente desenvolvida que possa ser a consciência de um homem, ele é limitado por seu cérebro no que diz respeito às suas manifestações no plano físico, e se esse cérebro for mal formado ou mal desenvolvido, sua consciência desperta será pobre e restrita.

Com a perda do corpo físico, a conotação de consciência desperta muda, e o que aqui é dito sobre   142            UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

as condições físicas é transferido para o astral.

Podemos, portanto, ampliar nossa definição original para a afirmação geral: consciência desperta é aquela parte da consciência total que está funcionando através de seu veículo mais externo, isto é, que está se manifestando no plano mais baixo então tocado por essa consciência.

Nos estágios iniciais da evolução humana, há pouca atividade na consciência nos planos internos, exceto quando estimulada a partir do exterior; mas, à medida que a autoconsciência se torna mais vívida no plano físico, ela enriquece com rapidez sempre crescente o conteúdo da consciência no plano interno; a consciência, trabalhando sobre seu conteúdo, evolui rapidamente, até que seus poderes internos ultrapassem de longe as possibilidades de sua manifestação através do cérebro, e este se torna uma limitação e um obstáculo, em vez de um alimentador e um estimulador.

Então, a pressão da consciência sobre seu instrumento físico torna-se, por vezes, perigosamente grande, causando uma tensão nervosa que põe em risco o equilíbrio do cérebro, incapaz de se adaptar com rapidez suficiente às poderosas ondas que nele incidem. Daí a verdade do ditado: "Grandes engenhos à loucura quase aliados". Somente o cérebro altamente e delicadamente organizado pode permitir que os "grandes engenhos" se manifestem no plano físico; mas tal cérebro é o que mais facilmente se desequilibra pelas fortes ondas desses mesmos "grandes engenhos", e isso é a "loucura". A loucura — a incapacidade do cérebro de responder regularmente às vibrações — pode, de fato, ser devida à falta ou à parada do desenvolvimento, à falta ou à parada da organização cerebral, e tal loucura não está aliada aos "grandes engenhos"; mas é um fato significativo e fecundo que um cérebro adiantado em relação à evolução normal, desenvolvendo combinações novas e delicadamente equilibradas para a expressão enriquecida da consciência no plano físico, é o cérebro que, mais do que todos os outros, pode ser facilmente incapacitado pelo desarranjo de alguma parte de seu mecanismo ainda não suficientemente estabelecida para resistir a uma tensão.

A isso devemos retornar novamente ao considerar a consciência superfísica.

3. A CONSCIÊNCIA SUPERFÍSICA

Os psicólogos do Ocidente têm-se dedicado recentemente ao estudo de estados de consciência outros que não o de vigília; estes são designados de várias maneiras como "anormais", "subconscientes", "inconscientes" e, frequentemente, como "consciência de sonho" — porque o sonho é a forma mais geralmente reconhecida e universal de outra-consciência.

A princípio, houve uma tendência a considerar esses estados como resultado de condições cerebrais desordenadas, e essa visão ainda é amplamente mantida; mas os psicólogos mais avançados estão superando essa ideia estreita e começando a estudar tais estados como manifestações definidas da consciência sob condições ainda não compreendidas, mas não necessariamente desordenadas; alguns reconhecem definitivamente uma "consciência maior", da qual apenas uma parte pode encontrar expressão no cérebro tal como atualmente evoluído.

No Oriente, esse estado de outra-consciência tem sido considerado por longas eras como superior ao estado de vigília, como aquele da consciência liberta dos estreitos limites do cérebro físico, atuando em um meio mais sutil, mais plástico e mais adequado.

O sonho tem sido considerado uma fase dessa atividade superfísica e um contato com mundos superiores; e meios têm sido empregados para despertar a autoconsciência no mundo do sonho, para libertar a autoconsciência, vestida em seus veículos superiores, do corpo físico à vontade; de modo que, em vez das respostas vagas e confusas aos impactos dos mundos superiores nos estados de sonho não desenvolvidos,

a autoconsciência possa se estabelecer ali com visão clara e definida.

Para efetuar isso,

a autoconsciência em seus veículos superiores deve ser primeiramente removida do corpo físico e tornada ativa no plano astral; pois até que se conheça fora do corpo denso, ela não pode separar no sonho "as experiências extrafísicas dos fragmentos caóticos de experiências físicas misturados com elas no cérebro.

Assim como água clara derramada em um balde lamacento se mistura com a lama, assim também uma experiência astral, derramada em um cérebro repleto de fragmentos de acontecimentos físicos passados, torna-se turva, confusa, incongruente.¹ A psicologia oriental, portanto, buscou métodos para separar a autoconsciência de seu veículo físico, e é interessante observar que esses métodos, totalmente diferentes daqueles usados no Ocidente, e dirigidos à intensificação da consciência, reduzem o corpo ao mesmo estado de quietude que o induzido por métodos físicos no Ocidente, quando o psicólogo ocidental se dedica ao estudo da outra-consciência.

A superconsciência inclui toda a consciência acima da consciência de vigília; isto é, tudo o que nos planos superiores não se expressa no plano físico como autoconsciência atuando através do cérebro.

É, portanto, uma grande complexidade e abrange um grande número de fenômenos.

O sonho, como foi dito, é parte dela; assim também são todas as operações da consciência astral que se afirmam como premonições, avisos, visões de acontecimentos distantes no espaço ou no tempo, toques vagos de outros mundos, intuições súbitas quanto a caráter ou eventos; também todas as operações da consciência mental, inferior ou superior, que aparecem como apreensão intuitiva de verdades, percepção súbita de conexões causais, inspirações — mentais ou morais —, lampejos de gênio, visões de elevada beleza artística, etc., etc.

Essas irrupções da superconsciência no plano físico têm o caráter de imprevisibilidade, de convicção, de autoridade imperiosa, de ausência de causa aparente.

Elas não estão relacionadas, ou apenas indiretamente relacionadas, aos conteúdos da consciência de vigília, e não se justificam perante ela, mas simplesmente se impõem a ela. Para trazer a superconsciência à manifestação no plano físico, é necessário — nos estágios iniciais — reduzir o cérebro à inatividade, tornar os órgãos dos sentidos insensíveis aos impactos físicos e, expulsando a entidade consciente do corpo, reduzir esse corpo ao estado chamado transe.

O transe nada mais é que o estado de sono, induzido artificial ou anormalmente; seja produzido por meios mesméricos, hipnóticos, medicinais ou outros, o resultado é o mesmo, no que diz respeito ao corpo físico.

Mas o resultado nos outros planos dependerá inteiramente da evolução da consciência nesses planos, e uma consciência altamente evoluída não permitiria o uso de meios hipnóticos ou medicinais — exceto, talvez, de um anestésico para uma operação — embora tal consciência pudesse permitir, sob circunstâncias excepcionais, o uso do mesmerismo na produção do estado de transe.

O transe pode ser produzido pela ação dos planos superiores, como pela concentração intensa do pensamento, ou pela contemplação extática de um objeto de devoção, induzindo o êxtase.

O estudante fará bem em ler atentamente o útil livro de C. W. Leadbeater sobre Sonhos.

ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA

146             UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

Estes são meios usados desde tempos imemoriais pelos Raja Yogis do Oriente, e o êxtase do Santo no Ocidente é produzido por essa contemplação raptuosa; o transe é indistinguível daquele produzido pelos meios acima referidos na pedreira e alhures.

Os Hatha Yogis também alcançam a mesma condição de transe, mas por meios que muito se assemelham aos últimos mencionados — fixando o olhar em um ponto preto sobre um fundo branco, na ponta do nariz, e outras práticas similares.

Mas quando se usam outros meios que não a visão física e os testes físicos, quão grande é a diferença entre as condições superfísicas de consciência no sujeito hipnotizado e no Yogi! H. P. Blavatsky descreveu bem essa diferença: "No estado de transe, a Aura muda inteiramente; as sete cores prismáticas não são mais discerníveis; tampouco estão todas 'em casa' durante o sono. Pois aquelas que pertencem aos elementos espirituais do homem, a saber: o amarelo (Buddhi), o índigo (Manas Superior) e o azul do Envelope Áurico, serão ou dificilmente discerníveis ou totalmente ausentes.

O Homem Espiritual está livre durante o sono, embora sua memória física possa não se dar conta disso; ele vive, revestido de sua mais alta essência, em reinos de outros planos, em reinos que são a terra da realidade, chamados sonhos em nosso plano de ilusão.

Um bom clarividente, ademais, se tivesse a oportunidade de ver um Yogi em estado de transe e um sujeito mesmerizado lado a lado, aprenderia uma lição importante em Ocultismo.

Ele aprenderia a conhecer os ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA — a diferença entre o transe autoinduzido e um estado hipnótico resultante de influência extrínseca.

No Yogi, os 'princípios' do quaternário inferior desaparecem inteiramente.

Nem o vermelho, nem o verde, nem o vermelho-violeta, nem o azul áurico do corpo são vistos; nada além de vibrações dificilmente perceptíveis do princípio Prana de matiz dourado, e uma chama violeta listrada de ouro precipitando-se para cima a partir da cabeça, na região onde repousa o Terceiro Olho, culminando em um ponto.

Se o estudante lembrar que o verdadeiro violeta, ou a extremidade final do espectro, não é uma cor composta de vermelho e azul, mas uma cor homogênea com vibrações sete vezes mais rápidas que as do vermelho, e que o matiz dourado é a essência das três linhas amarelas, do laranja-vermelho ao amarelo-laranja e ao amarelo, ele compreenderá a razão disso; ele (o Yogi) vive em seu próprio Corpo Áurico, agora tornado veículo de Buddhi-Manas.

Por outro lado, em um sujeito em transe hipnótico ou mesmérico produzido artificialmente, um efeito de Magia Negra inconsciente, quando não consciente, a menos que produzido por um Alto Adepto, todo o conjunto dos princípios estará presente, com o Manas Superior paralisado, o Buddhi separado dele por essa paralisação, e o Corpo Astral vermelho-violeta inteiramente submetido ao Manas Inferior e ao Kama Rupa.” Essa diferença na aparência da pessoa em transe, vista pelo olho de visão clara, está ligada a uma diferença de importância imensa no resultado posterior do transe.

O Iogue, que assim deixa o corpo, deixa-o em plena autoconsciência, visita os mundos superiores em posse completa de suas faculdades e, ao retornar ao corpo denso, imprime¹ no cérebro evoluído a memória de suas experiências. A pessoa pouco evoluída, em transe, tem “consciência de Moisés” quando sua autoconsciência não está desenvolvida nos planos superiores; sua percepção não está lá voltada para fora; ela está praticamente tão adormecida ali, nos mundos astral e mental, quanto está no plano físico, e ao despertar do transe nada sabe do que ocorreu durante sua continuidade, seja aqui ou em outro lugar.

Se, contudo, o sujeito for suficientemente evoluído, como muitas pessoas o são neste estágio de evolução, para ser autoconsciente no plano astral, então outros poderão ser beneficiados ao interrogá-lo enquanto está em transe.

Pois no estado de transe induzido artificialmente, no qual o cérebro é isolado da ação e reação normais entre si e seu ambiente, ele se torna um instrumento, embora inadequado, da consciência superfísica.

Isolado de seu ambiente físico, tornado incapaz de responder aos seus estímulos habituais vindos de fora, separado de seus apegos inferiores enquanto permanece unido aos seus superiores, ele continua a responder aos impactos de cima, e pode fazê-lo tanto mais eficazmente porque nenhuma de suas energias está se escoando para o plano físico. Essa é a essência do estado de transe.

No fechamento forçado das vias dos sentidos, através das quais suas forças se derramam para o mundo externo, essas forças permanecem disponíveis como servas da consciência superfísica.

¹ A Doutrina Secreta, iii, 479, 480. 148 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

No silêncio imposto ao plano físico, as vozes dos outros planos podem se fazer ouvir. No transe hipnótico, observa-se uma aceleração das Faculdades mentais: descobre-se que a memória abrange uma área muito maior, pois as fracas pulsações deixadas por eventos distantes tornam-se audíveis — ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA — quando as pulsações mais fortes do passado recente são temporariamente silenciadas; pessoas esquecidas no estado de vigília são lembradas no transe; línguas conhecidas na infância, mas desde então perdidas, reaparecem; eventos triviais ressurgem.

Às vezes, os poderes perceptivos abrangem uma área maior; ocorrências distantes são vistas, a visão penetra barreiras físicas, falas distantes tornam-se audíveis.

Fragmentos de outros planos também são ocasionalmente vislumbrados, muito misturados com as formas-pensamento das horas de vigília.

Existe toda uma literatura sobre esse assunto, que pode ser estudada pelo investigador.

Também se verificou que os resultados do transe mais profundo não são idênticos aos do transe mais superficial.

À medida que o transe se aprofunda, estratos mais elevados da consciência superfísica manifestam-se no cérebro.

O famoso caso de Leonie I, II e III é bem conhecido; e deve-se observar que Leonie I nada sabia sobre Leonie II e III; que Leonie II conhecia Leonie I, mas não conhecia Leonie III; que Leonie III conhecia tanto Leonie I quanto Leonie II. Isto é, o superior conhece o inferior, enquanto o inferior não conhece o superior — um fato dos mais significativos.

No transe mesmérico, os fenômenos mais elevados são obtidos mais facilmente do que no hipnótico, e, neste, podem-se obter declarações muito claras sobre os fenômenos do plano astral e até mesmo do plano mental — onde o "sujeito" é bem desenvolvido — e, às vezes, vislumbres de vidas passadas são alcançados.

Quando vemos que a exclusão do plano físico é a condição para essas manifestações da consciência superfísica, começamos a entender a lógica dos métodos de Yoga praticados no Oriente.

Quando os métodos são físicos, como no Hatha Yoga, o transe hipnótico comum é obtido na maioria das vezes, e o sujeito, ao re-despertar, nada lembra de suas experiências.

O método do Raja Yoga, no qual a consciência é retirada do cérebro por intensa concentração, leva o estudante à continuidade de consciência nos planos sucessivos, e ele se lembra de suas experiências superfísicas ao retornar ao estado de vigília.

Tanto no Ocidente quanto no Oriente, busca-se a mesma cessação da consciência de vigília, a fim de obter vestígios da consciência superfísica, ou, como diria o psicólogo ocidental, do inconsciente no homem.

O método oriental, porém, com milhares de anos de experiência em seu favor, produz resultados incomparavelmente maiores nos reinos da consciência superfísica e estabelece, na base segura de experiências reiteradas, a independência da consciência em relação ao seu veículo físico.

O êxtase e as visões dos Santos, em todas as épocas e em todas as crenças, oferecem outro exemplo das irrupções do "inconsciente". Nesses casos, a oração prolongada e absorvente, ou a contemplação, é o meio para produzir a condição cerebral necessária.

As vias dos sentidos tornam-se fechadas pela intensidade da concentração interior, e o mesmo estado é alcançado espasmodicamente e involuntariamente, que o praticante de Raja Yoga procura deliberadamente atingir.

Por isso, vemos que devotos de todas as fés atribuem suas visões ao favor da Divindade adorada, e não ao fato de terem produzido em si mesmos uma condição cerebral passiva, que permite à consciência superfísica imprimir nesse cérebro as visões e os sons dos mundos superiores.

O Prof. William James, em suas Variedades da Experiência Religiosa, aponta que algumas das mais notáveis dessas irrupções do "inconsciente" são casos de "conversões súbitas", nas quais um pensamento repentino, ou visão, ou voz, mudou de uma vez e completamente todo o curso da vida de vigília de um homem.

Ele argumenta acertadamente que uma força, suficientemente poderosa para produzir tais efeitos, não pode ser levianamente descartada ou desdenhosamente ignorada por qualquer estudioso sério da consciência humana.

Toda essa classe de fenômenos psíquicos exige estudo cuidadoso e científico, e promete uma rica colheita de resultados, quanto à consciência superfísica, para recompensar o investigador sério.

Contra essa visão, porém, argumenta-se que esses fatos são observados em conexão com estados nervosos mórbidos, e que os sujeitos são pessoas histéricas, excessivamente excitadas, cujas experiências são viciadas por sua condição.

Em primeiro lugar, isso nem sempre é verdade — os Raja Yogis orientais são pessoas distinguidas por sua calma e serenidade, e alguns dos casos de conversão foram os de homens mundanos e capazes.

Admita-se, contudo, que na maioria dos casos a condição nervosa é mórbida e o cérebro sobrecarregado; e então? O cérebro normal está, reconhecidamente, evoluído até o ponto de responder às vibrações do mundo físico, transmitindo-as para cima, e de transmitir para baixo as vibrações mentais e astrais relacionadas a estas, provenientes dos veículos superiores.

Ainda não está evoluído até o ponto de receber sem perturbação vibrações muito violentas dos planos superiores, nem de responder de modo algum às vibrações geradas nos veículos mais sutis pelos fenômenos externos de seus próprios planos.

Emoções muito violentas de alegria, dor, pesar, terror, muitas vezes se mostram excessivas para o cérebro normal, causando forte dor de cabeça, histeria e até colapso nervoso.

Não é, portanto, de admirar que a emoção muito violenta que causa o que se chama de conversão seja frequentemente acompanhada de semelhante aflição nervosa.

O ponto importante é que, quando o distúrbio nervoso passa, o efeito — a atitude mudada perante a vida — permanece.

A perturbação nervosa deve-se à inadequação do cérebro físico para suportar as vibrações violentas e rápidas que se precipitam sobre ele; a atitude permanentemente mudada deve-se à pressão constante da consciência superfísica, exercida continuamente.

Onde a consciência superfísica não está suficientemente desenvolvida para exercer essa pressão contínua, a pessoa convertida "cai da graça" à medida que a onda de emoção reflui.

Nos casos de visões e fenômenos semelhantes, já vimos que eles podem ocorrer quando uma forma de transe foi produzida.

Mas sem isso, tais fenômenos podem ocorrer em casos em que o cérebro está em estado de tensão, seja por alguma causa temporária, seja pelo fato de sua evolução ter ido além do normal.

A emoção forte pode aumentar a tensão nervosa até o ponto em que a resposta às vibrações astrais diretas se torna possível, e assim um acontecimento astral se torna visível ou audível.

A reação à tensão provavelmente se manifestará como distúrbio nervoso.

Quando o cérebro é mais altamente evoluído que o cérebro comum, tornou-se mais complexo e mais sensível, os acontecimentos astrais podem ser sentidos constantemente, e essa tensão pode bem ser um tanto maior do que o sistema nervoso está plenamente apto a suportar, além de suportar o desgaste comum da civilização moderna.

Portanto, novamente, a histeria e outras formas de sofrimento nervoso provavelmente acompanharão as visões.

ESTADOS HUMANOS DE CONSCIÊNCIA

Mas esses fatos não diminuem a importância das experiências, como fatos na consciência.

Antes, talvez, aumentem sua importância, ao mostrar o modo como a evolução opera na ação do ambiente sobre um organismo.

Os impactos reiterados das forças externas estimulam o organismo em crescimento e, com frequência, temporariamente o sobrecarregam; mas a própria tensão impulsiona sua evolução.

A crista da onda evolutiva deve sempre consistir em organismos anormais; os organismos estáveis, normais, seguros e medianos seguem atrás; são muito respeitáveis, mas talvez não tão interessantes quanto os pioneiros, e certamente não tão instrutivos quanto ao futuro.

De fato, as forças do plano astral estão constantemente atuando vigorosamente sobre o cérebro humano, para que ele se desenvolva como um veículo mais pleno de consciência, e um cérebro sensível, no estado de transição, tende a ser, por isso, lançado um pouco fora de sintonia com o mundo de seu passado.

É provável que muitas atividades para as quais o pensamento está atualmente direcionado, no futuro sejam realizadas automaticamente e gradualmente afundem abaixo do limiar da consciência desperta, como fizeram várias funções outrora executadas propositalmente.

À medida que essas mudanças prosseguem, as vibrações mais sutis devem inevitavelmente se manifestar em número crescente nos cérebros mais delicadamente equilibrados, aqueles que não são normais, visto que estes — na crista da evolução — serão os mais capazes de responder.

O Dr. Maudsley escreve: "Que direito temos de acreditar que a Natureza está sob qualquer obrigação de fazer seu trabalho apenas por meio de mentes completas? Ela pode achar uma mente incompleta um instrumento mais adequado para um propósito particular." 1 E o Prof.

James, ele próprio, observou que, se existisse tal coisa como inspiração de uma fonte superior, bem poderia ser que o temperamento neurótico fosse a principal condição da receptividade necessária." Quando reconhecermos que forças mais sutis que as físicas devem necessariamente exigir, para sua expressão, um veículo mais refinado do que o cérebro organizado para a recepção do físico, cessaremos de nos perturbar ou afligir ao descobrir que as forças superfísicas frequentemente encontram sua expressão através de cérebros que estão mais ou menos fora de sintonia com o plano físico.

E compreenderemos que os sintomas físicos anormais que acompanham suas manifestações não diminuem de forma alguma o valor dessas experiências, nem a importância do papel que desempenharão no futuro da humanidade.

Ao mesmo tempo, surgirá naturalmente o desejo de encontrar algum método pelo qual essas experiências possam se manifestar sem arriscar a destruição de seu instrumento físico.

Esse caminho foi encontrado no Oriente na prática do Raja Yoga, por meio do qual se busca o exercício seguro da consciência superior mediante intensa concentração.

Essa concentração, por si só, desenvolve o cérebro como instrumento para as forças superiores, atuando nas células cerebrais da maneira já descrita em conexão com o pensamento.³ Além disso, ela abre o conjunto de espirilas do átomo, próximo em ordem àquelas agora em atividade, e assim acrescenta um novo órgão para o funcionamento superior.

Esse processo é necessariamente lento,¹ mas é o único caminho seguro de desenvolvimento; e, se sua lentidão for ressentida, pode-se sugerir como razão para a paciência que o estudante está se esforçando para antecipar o desenvolvimento atômico da próxima Ronda, e dificilmente pode esperar realizar isso com rapidez.

É, contudo, essa lentidão das práticas do Raja Yoga que as torna algo inaceitáveis para o Ocidente apressado; e, no entanto, não há outro modo de assegurar um desenvolvimento equilibrado.

A escolha está entre isso e as perturbações nervosas mórbidas que acompanham as irrupções da consciência superfísica em um veículo despreparado.

Não podemos transcender as leis da Natureza; só podemos tentar compreendê-las e, então, utilizá-las.

CAPÍTULO XI

O MÔNADA EM AÇÃO

1. CONSTRUINDO SEUS VEÍCULOS

Consideremos agora o trabalho do Mônada na modelagem de seus veículos, quando ele tem, como seus representantes — como ele mesmo nos terceiro, quarto e quinto planos — Atma-Buddhi-Manas, com o corpo causal como receptáculo, o tesouro, das experiências de cada encarnação.

Ao final de cada período de vida, isto é, ao término de cada existência devachânica, ele deve estimular à renovada atividade os três núcleos sucessivos dos corpos que usará durante seu próximo período de vida.

Primeiro, ele desperta o núcleo mental.

Esse despertar consiste em aumentar o fluxo de vida através das espirilas.

Lembrar-se-á que, quando as unidades permanentes "adormeceram", o fluxo normal de vida nas espirilas diminuiu, e durante todo o período de repouso esse fluxo é pequeno e lento.¹ Quando chega o momento da reencarnação, esse fluxo é aumentado, as espirilas vibram com vida, e as unidades permanentes, uma após outra, comportam-se como ímãs, atraindo ao seu redor matéria apropriada.

Assim, quando a unidade mental é estimulada, ela começa a vibrar fortemente, de acordo com os poderes vibratórios — resultados de experiências passadas — nela armazenados, atraindo para si e organizando ao seu redor matéria apropriada do plano mental.

Assim como uma barra de ferro macio se torna um ímã quando uma corrente é enviada através de um fio que a circunda, e como a matéria dentro de seu campo magnético se organiza imediatamente ao redor desse ímã, o mesmo ocorre com a unidade mental permanente.

Quando a corrente de vida a circunda, ela se torna um ímã, e a matéria dentro do campo de suas forças se organiza ao seu redor e forma um novo corpo mental.

A matéria atraída será de acordo com a complexidade da unidade permanente.

Não apenas matéria mais sutil ou mais grosseira será atraída, mas a matéria também deve variar no desenvolvimento dos átomos que entram na formação de suas agregações.

As moléculas atraídas serão compostas de átomos cujas energias vibratórias são idênticas às, ou se aproximam das, ou estão em sintonia com as da unidade que atrai.

Portanto, de acordo com o estágio de evolução alcançado pelo homem, será o desenvolvimento da matéria de seu novo veículo mental.

Dessa forma, encarnação após encarnação, um corpo mental adequado é construído. Exatamente o mesmo processo é repetido no plano astral na construção do novo corpo astral.

O núcleo astral — o átomo permanente astral — é similarmente vivificado e age de maneira semelhante.

O homem é assim revestido de novos corpos mental e astral que expressam seu estágio de evolução e permitem que quaisquer poderes e faculdades que possua se manifestem plenamente em seus próprios mundos.

Mas quando chegamos à modelagem do corpo no plano físico, um novo elemento aparece.

No que diz respeito à Mônada, o trabalho é o mesmo.

Ele vivifica o núcleo físico — o átomo permanente físico — e este age como um ímã, como seus semelhantes.

Mas agora é como se um homem interferisse na atração e na disposição da matéria dentro de um campo magnético; o Elemental, encarregado do dever de moldar o duplo etérico segundo o modelo dado pelos Senhores do Carma, intervém e assume o controle do trabalho.

Os materiais, de fato, podem ser reunidos, como um operário poderia carregar tijolos para a construção de uma casa, mas o construtor pega os tijolos, aceita-os ou rejeita-os, e os assenta de acordo com a planta do arquiteto.

Surge a pergunta: Por que essa diferença? Por que, ao alcançar o plano físico, onde poderíamos esperar uma repetição dos processos anteriores, um poder alheio deveria tirar o controle da construção das mãos do dono da casa? A resposta está no funcionamento da lei do carma.

Nos planos superiores, os envoltórios expressam tanto do homem quanto está desenvolvido, e ele não está ali elaborando os resultados de suas relações passadas com outros.

Cada centro de consciência, nesses planos, trabalha dentro de seu próprio círculo; suas energias são dirigidas para seus próprios veículos, e apenas aquilo delas que é finalmente expresso através do veículo físico atua diretamente sobre outros.

Essas relações com outros complicam seu carma no plano físico, e a forma física particular que ele veste durante um período de vida específico deve ser adequada para a elaboração desse carma complicado.

Daí a necessidade da interferência ajustadora dos Senhores do Carma.

Se ele estivesse em um ponto de evolução em que entrasse em relações igualmente diretas com outros em outros planos, limitações semelhantes de seu poder de moldar seus veículos nesses planos apareceriam.

Na esfera de suas atividades externas, seja qual for, essas limitações devem se apresentar.

Portanto, a modelagem do corpo físico é feita por uma autoridade superior à sua; ele deve aceitar as condições de raça, nação, família, circunstâncias, exigidas por suas atividades passadas.

Essa ação limitadora do karma torna necessária a construção de um veículo que é apenas uma expressão parcial da consciência atuante—parcial, não apenas devido ao corte de poder pela grosseria do próprio material, mas também devido às limitações externas acima referidas. Grande parte de sua consciência, mesmo pronta para expressão no plano físico, pode assim ser excluída, e apenas uma pequena parte dela pode aparecer no plano físico como consciência de vigília.

O próximo ponto em conexão com essa construção que devemos considerar é o trabalho especial de organizar os veículos como expressões da consciência, deixando de lado a construção geral por desejo e pensamento, com a qual estamos tão familiarizados.

Estamos preocupados aqui com detalhes, em vez de linhas gerais.

Sabemos que, enquanto qualidades são transmitidas à matéria durante a descida do Segundo Logos, a disposição desses materiais especializados em formas relativamente permanentes pertence à Sua ascensão.

Quando a Mônada, por meio de sua reflexão como o Homem Espiritual, assume algum poder diretivo sobre seus veículos, ele se encontra de posse de uma forma na qual o sistema nervoso simpático desempenha um papel muito grande, e na qual o cérebro-espinhal ainda não assumiu predominância.

Ele terá que elaborar uma série de elos de ligação entre esse sistema simpático que ele herda e os centros que ele deve organizar em seu corpo, para seu futuro funcionamento independente nele; antes que qualquer funcionamento independente em qualquer veículo superior seja possível, é necessário levá-lo a um ponto bastante elevado como veículo transmissor, isto é, um veículo através do qual ele possa atuar até seu corpo no plano físico.

Devemos distinguir entre o trabalho primário da organização dos veículos mental e astral que os torna aptos a serem transmissores de parte da consciência do Homem Espiritual, e o trabalho de desenvolver esses mesmos veículos em corpos independentes, nos quais o Homem Espiritual será capaz de funcionar em seus respectivos planos.

Portanto, há duas tarefas a serem realizadas: primeiro, a organização dos veículos mental e astral como transmissores de consciência para o corpo físico; em segundo lugar, a organização desses veículos como corpos independentes, nos quais a consciência pode funcionar sem a ajuda do corpo físico.

Os veículos astral e mental, então, devem ser organizados para que o Homem Espiritual possa usar o cérebro físico e o sistema nervoso como seu órgão de consciência no plano físico.

O impulso para tal uso vem do mundo físico por impactos sobre as várias terminações nervosas, causando a passagem de energia nervosa ao longo das fibras até o cérebro; essas ondas passam do cérebro denso ao etérico, daí ao astral, daí ao veículo mental, e uma resposta da consciência no corpo causal no plano mental.

Essa consciência, assim despertada por impulsos de fora, dá origem a vibrações que fluem em resposta do corpo causal ao mental, do mental ao astral, do astral ao físico etérico e denso; as ondas estabelecem correntes elétricas no cérebro etérico, e estas atuam sobre a matéria densa das células nervosas.

E essas ações vibratórias gradualmente organizam as primeiras nuvens informes de matéria astral e mental em veículos que servem como campos efetivos para essas constantes ações e reações.

Esse processo continua durante centenas de nascimentos, iniciado, como vimos, de baixo para cima, mas gradualmente passando cada vez mais sob o controle do Homem Espiritual; ele começa a dirigir suas atividades por suas memórias de sensações passadas, e inicia cada atividade sob o impulso dessas memórias estimuladas pelo desejo.

À medida que o processo continua, uma direção cada vez mais enérgica vem de dentro, e cada vez menos poder diretivo é exercido pelas atrações e repulsões dos objetos externos, e assim o controle da construção dos veículos é em grande parte retirado do exterior e centrado no interior.

À medida que o veículo se torna mais organizado, certos agregados de matéria aparecem dentro dele, a princípio nublados e vagos, depois cada vez mais definidamente delineados.

Estes são os futuros chakras, ou rodas, os centros sensoriais do corpo astral, distinguidos dos centros sensoriais astrais conectados aos órgãos dos sentidos e centros do corpo físico.

Mas nada é feito para vivificar esses centros que crescem lentamente por imensos períodos de tempo, e a conexão deles com o corpo físico é frequentemente adiada, mesmo depois de estarem funcionando no plano astral; pois essa conexão só pode ser feita a partir do veículo físico, no qual reside a força ígnea¹ de Kundalini.

Antes que Kundalini possa alcançá-los, para que possam transmitir suas observações ao corpo físico, eles devem ser ligados ao sistema nervoso simpático, sendo as grandes células ganglionares desse sistema os pontos de contato.

¹ Ver Capítulo VII, 2.

Quando esses elos são estabelecidos, a corrente ígnea pode fluir através deles, e as observações dos eventos astrais podem ser transmitidas plenamente ao cérebro físico.

Embora só possam ser assim ligados ao veículo físico, a construção deles como centros e a organização gradual deles em rodas pode ser iniciada a partir de qualquer veículo, e será iniciada em qualquer indivíduo a partir daquele veículo que representa o tipo especial de temperamento ao qual ele pertence.

Conforme um homem pertença a um temperamento típico ou a outro, assim será o lugar da maior atividade na construção de todos os veículos, na gradual transformação deles em instrumentos eficazes de consciência a serem expressos no plano físico.

Esse centro de atividade pode estar no corpo físico, astral, mental inferior ou superior.

Em qualquer um desses, ou mesmo ainda mais acima, segundo o tipo temperamental, esse centro será encontrado no princípio que marca o tipo temperamental, e a partir dele opera "para cima" ou "para baixo", moldando os veículos de modo a torná-los adequados para a expressão desse temperamento.

2. UM HOMEM EM EVOLUÇÃO

Um caso especial pode ser tomado para facilitar a compreensão desse processo — um temperamento no qual a mente concreta predomina.

Traçaremos o Homem Espiritual através da terceira, quarta e quinta Raças-Raízes.

A MÔNADA EM AÇÃO

Quando o observamos em ação na terceira Raça, encontramo-lo muito infantil mentalmente, mesmo que a mente seja a nota predominante de seu tipo.

A vida agitada ao seu redor, que ele não pode compreender nem dominar, opera fortemente sobre ele desde o exterior e afeta poderosamente seu veículo astral.

Esse veículo astral será retentivo de impressões, em consequência do temperamento, e os desejos estimularão a mente infantil a esforços dirigidos à sua satisfação.

Sua constituição física difere da do homem da quinta Raça; o sistema simpático ainda é dominante, e o sistema cérebro-espinhal é subordinado, mas partes do sistema simpático estão começando a perder muito de sua eficácia como instrumentos de consciência, pertencendo, como tais instrumentos, ao estágio abaixo do humano.

Há dois corpos no cérebro especialmente ligados ao sistema simpático em seu início, embora agora façam parte do cérebro-espinhal — a glândula pineal e o corpo pituitário.

Eles ilustram a maneira pela qual uma parte do corpo pode funcionar de uma forma em um estágio inicial, pode então perder seu uso especial e funcionar pouco, se é que funciona, e em um estágio posterior da evolução pode ser novamente estimulada por um tipo mais elevado de vida, que lhe dará um novo uso e função em um estágio mais elevado da evolução.

O desenvolvimento desses corpos pertence ao reino dos invertebrados, e não ao dos vertebrados, e o “terceiro olho” é chamado pelos biólogos de “olho dos invertebrados”. No entanto, ainda é encontrado como um olho entre os vertebrados, pois uma cobra foi recentemente encontrada na Austrália que mostrava no topo da cabeça um arranjo peculiar de escamas semitransparentes; quando estas foram cortadas, um olho completo foi encontrado por baixo — um olho completo em suas partes, embora não funcionante.

Esse terceiro olho funcionava entre os lemurianos de maneira vaga e geral, característica dos estágios inferiores da evolução, e especialmente característica do sistema simpático.

À medida que nosso homem avançou da Raça Lemuriana para a Atlante, o terceiro olho cessou de funcionar, o cérebro se desenvolveu ao seu redor, e ele se tornou o apêndice agora chamado de glândula pineal.

Como lemuriano, ele havia sido psíquico, sendo o sistema simpático grandemente afetado pelas ondas do corpo astral não desenvolvido.

Como atlante, ele gradualmente perdeu seus poderes psíquicos, à medida que o sistema simpático se tornou subordinado e o cérebro-espinhal cresceu mais forte.

O crescimento do sistema cérebro-espinhal seria mais rápido neste atlante do que naqueles de outros temperamentos, porque a atividade principal estaria na mente concreta, e assim a estimularia e a moldaria; o corpo astral perderia sua predominância mais cedo, e se tornaria mais rapidamente um transmissor de impulsos mentais ao cérebro.

Portanto, quando nosso homem passou para a quinta Raça, ele estaria peculiarmente pronto para aproveitar suas características; ele construiria um cérebro grande e bem proporcionado; utilizaria seu astral principalmente como transmissor, e construiria seus chacras a partir do plano mental.

3. O CORPO PITUITÁRIO E A GLÂNDULA PINEAL

Para retornar ao segundo dos dois corpos mencionados acima — o corpo pituitário.

Este é considerado como desenvolvido a partir de uma boca primordial, em continuidade direta com o alimentar A MÔNADA EM AÇÃO

canal dos invertebrados, deixou de funcionar como boca nos vertebrados e tornou-se um órgão rudimentar; mas conservou uma função peculiar em conexão com o crescimento do corpo.

É ativo durante o período normal de crescimento físico, e quanto mais ativamente funciona, maior é o crescimento do corpo; em gigantes, verificou-se que este órgão é peculiarmente ativo.

Além disso, o corpo pituitário às vezes volta a funcionar em idade mais avançada, quando a estrutura óssea do corpo já está formada, e então causa crescimento anormal e monstruoso nos pontos livres do corpo — mãos, pés, nariz, etc. —, dando origem a uma desfiguração do tipo mais aflitivo.

À medida que o sistema cérebro-espinhal se tornou dominante, a função anterior desses dois corpos desapareceu; mas esses órgãos têm um futuro tanto quanto um passado.

O passado estava ligado ao sistema simpático; o futuro está ligado ao sistema cérebro-espinhal.

À medida que a evolução avança, e os chakras no corpo astral são vivificados, o corpo pituitário torna-se o órgão físico para a clarividência astral e, mais tarde, para a clarividência mental.

Quando uma tensão demasiado grande é exercida sobre a faculdade astral da visão enquanto se está no corpo físico, às vezes resulta inflamação do corpo pituitário.

Este órgão é aquele através do qual o conhecimento adquirido pela visão astral é transmitido ao cérebro; e também é usado na vivificação dos pontos de contato entre o sistema simpático e o corpo astral, por meio do qual se estabelece uma continuidade de consciência entre os planos astral e físico.

A glândula pineal torna-se conectada a um dos chakras no corpo astral e, através desse, ao corpo mental, e serve como órgão físico para a transmissão de pensamento de um cérebro para outro.

Na transmissão de pensamento, o pensamento pode ser lançado de mente a mente, sem que a matéria seja usada como meio de transmissão; ou pode ser enviado ao cérebro físico e, por meio da glândula pineal, pode ser enviado, via éter físico, à glândula pineal em outro cérebro, e assim à consciência receptora.

Enquanto o centro de atividade reside no princípio dominante do homem, a conexão dos chakras com o corpo físico deve ser feita, como foi dito, a partir do plano físico; o objetivo dessa conexão não é tornar o veículo astral um transmissor mais eficiente ao corpo físico das energias do Homem Espiritual, mas permitir que o veículo astral esteja em pleno contato com o físico.

Pode haver diferentes centros de atividade para a construção dos veículos de transmissão, mas é necessário partir do plano físico para trazer os resultados das atividades de corpos que funcionam em outros planos para dentro da consciência desperta.

Daí a grande importância da pureza física na dieta e em outras matérias. As pessoas frequentemente perguntam: Como o conhecimento adquirido nos planos superiores chega ao cérebro, e por que não é acompanhado pela memória das circunstâncias sob as quais foi adquirido? Qualquer pessoa que pratique meditação regularmente sabe que conhecimento real que não foi obtido por estudo no plano físico aparece no cérebro.

De onde vem? Vem do plano astral ou mental, onde foi adquirido, e chega ao cérebro da maneira comum descrita acima, quando a consciência o assimilou no plano mental diretamente, ou o recebeu do astral, e envia ondas de pensamento como de costume; ou pode ter sido comunicado por alguma entidade no plano superior, que agiu diretamente sobre o corpo mental.

Mas as circunstâncias da comunicação podem não ser lembradas, por uma de duas razões, ou por ambas.

A maioria das pessoas não está, tecnicamente falando, "desperta" nos planos astral e mental; isto é, suas faculdades estão voltadas para dentro, ocupadas com processos mentais e emoções, e não engajadas na observação dos fenômenos externos desses planos.

Elas podem ser muito receptivas, e seus corpos astral e mental podem facilmente ser postos em vibração, e as vibrações transmitem o conhecimento assim dado, mas sua atenção não está voltada para a pessoa que faz a comunicação.

À medida que a evolução avança, as pessoas tornam-se cada vez mais receptivas nos planos astral e mental, mas não se tornam, por isso, cientes de seus arredores.

A outra razão para a falta de memória é a ausência dos elos de ligação com o sistema simpático antes mencionado.

Uma pessoa pode estar "desperta" no plano astral e funcionando ativamente nele, e pode estar vividamente consciente de seus arredores.

Mas se os elos de ligação entre os sistemas astral e físico não foram feitos, ou não são vivificados, há uma ruptura na consciência.

Por mais vívida que seja a consciência no plano astral, ela não pode, até que esses elos estejam funcionando, trazer e imprimir no cérebro físico a memória das experiências astrais.

Além desses vínculos, deve haver o funcionamento ativo do corpo pituitário, que focaliza as vibrações astrais assim como uma lente de aumento focaliza os raios do sol.

Um número de vibrações astrais é reunido — 168 UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

e feito incidir sobre um ponto particular, e, sendo assim estabelecidas vibrações na matéria física densa, a propagação ulterior destas é fácil.

Tudo isso é necessário para o "lembrar".

4. OS CAMINHOS DA CONSCIÊNCIA

Surge a questão: A consciência viaja sempre pelo mesmo caminho para alcançar seu veículo físico? Os trânsitos, sabemos, são às vezes feitos diretamente através dos subplanos atômicos, de plano a plano, e às vezes passando por cada subplano, do sétimo ao primeiro, antes de alcançar o subplano atômico imediatamente inferior.

Qual desses caminhos a consciência segue? Em seu funcionamento normal, no processo ordinário do pensamento, a onda desce continuamente através de cada subplano sucessivo, do mental através dos sete subplanos astrais ao etérico físico, e assim à matéria nervosa densa.

Essa onda estabelece correntes elétricas na matéria etérica, e estas afetam o protoplasma das células cinzentas.

Mas quando ocorrem os lampejos peculiares de consciência, como nos lampejos de gênio, ou como nas ideias iluminativas súbitas que irrompem na mente — tal lampejo como o que vem ao homem de ciência quando, de uma grande massa de fatos, subitamente surge a lei subjacente unificadora — então a consciência se derrama para baixo apenas através dos subplanos atômicos, e assim alcança o cérebro.

Esta é a ideia iluminativa que se justifica por sua mera aparição, como a luz do sol, e não ganha em poder de convencimento por qualquer processo de raciocínio.

Assim, o raciocínio chega ao cérebro pelos subplanos sucessivos; a iluminação autoritativa, apenas pelos subplanos atômicos.

CAPÍTULO XII

A NATUREZA DA MEMÓRIA

1. O GRANDE EU E OS PEQUENOS EU'S

O que é memória? E como funciona? Por que meios recuperamos o passado, seja próximo ou remoto? Pois, afinal, seja o passado próximo ou remoto, pertencente a esta ou a qualquer vida anterior, os meios que governam sua recuperação devem ser semelhantes, e requeremos uma teoria que inclua todos os casos de memória e, ao mesmo tempo, nos capacite a compreender cada caso particular.

O primeiro passo para obter uma teoria definida e inteligível é a compreensão de nossa própria constituição, do Eu com seus envoltórios, e sua inter-relação; e podemos aqui reafirmar brevemente os fatos principais dos capítulos anteriores que dizem respeito diretamente ao problema da Memória.

Devemos ter constantemente em mente os fatos de que nossa consciência é uma unidade, e que essa unidade de consciência opera através de vários envoltórios, que lhe impõem uma falsa aparência de multiplicidade.

O mais íntimo, ou mais tênue, desses envoltórios é inseparável da unidade de consciência; de fato, é esse envoltório que a torna uma unidade.

Essa unidade é a Mônada, habitando o plano anupadaka; mas para todos os fins práticos, podemos considerá-la como o Homem Interior familiar, o Tri-Átomo, Atma-Buddhi-Manas, pensado como separado dos envoltórios átmico, búdico e mânasico.

Essa unidade de consciência se manifesta através de envoltórios pertencentes aos cinco planos de sua atividade, e neles permanece, e a chamamos de Eu operando em seus envoltórios.

Devemos pensar, então, em um Eu consciente habitando veículos que vibram.

As vibrações desses veículos correspondem, no lado da matéria, às mudanças na consciência no lado do Eu.

Não podemos falar com precisão de vibrações da consciência, porque vibrações só podem pertencer ao lado material das coisas, ao lado da forma, e apenas vagamente podemos falar de uma consciência vibrante.

Temos mudanças na consciência correspondendo a vibrações nos envoltórios.

A questão dos veículos, ou corpos, nos quais a consciência, o Eu, está operando, é de suma importância no que diz respeito à Memória.

Todo o processo de recuperar eventos mais ou menos remotos é uma questão de retratá-los no envoltório particular — de moldar parte da matéria do envoltório à sua semelhança — no qual a consciência está operando no momento.

No Eu, como um fragmento do Eu Universal — que para nosso propósito podemos considerar como o Logos, embora na verdade o Logos seja apenas uma porção do Eu Universal — está presente tudo; pois no Eu Universal está presente tudo o que ocorreu, ocorre e ocorrerá no universo; tudo isso, e um ilimitado além, está presente na Consciência Universal.

Pensemos apenas em um universo e seu Logos.

Falamos d'Ele como onipresente e onisciente.

Agora, fundamentalmente, essa onipresença e onisciência estão no Self individualizado, por ser ele um com o Logos, mas — devemos acrescentar aqui um mas — com uma diferença; a diferença consistindo nisto: enquanto no Self separado, como Self, à parte de todos os veículos, essa onipresença e onisciência residem em virtude de sua unidade com o Self Único, os veículos nos quais ele habita ainda não aprenderam a vibrar em resposta às suas mudanças de consciência, à medida que ele volta sua atenção para uma ou outra parte de seu conteúdo.

Por isso dizemos que tudo existe nele potencialmente, e não como no Logos, atualmente; todas as mudanças que ocorrem na consciência do Logos são reproduzíveis neste Self separado, que é uma parte indivisível de Sua vida, mas os veículos ainda não estão prontos como meios de manifestação.

Devido à separação da forma, devido a esse fechamento do Self separado, ou individualizado, essas possibilidades que estão dentro dele como parte do Self Universal são latentes, não manifestas; são possibilidades, não atualidades.

Assim como em cada átomo que entra na composição de um veículo há possibilidades ilimitadas de vibração, assim também em cada Self separado há possibilidades ilimitadas de mudanças de consciência.

Não encontramos no átomo, no início de um sistema solar, uma variedade ilimitada de vibrações; mas aprendemos que ele possui uma capacidade de adquirir uma variedade ilimitada de vibrações; ele as adquire no curso de sua evolução, à medida que responde continuamente às vibrações que incidem sobre sua superfície; ao final de um sistema solar, um número imenso dos átomos nele contidos alcançou o estágio de evolução em que podem vibrar em resposta a qualquer vibração que os toque e que surja dentro do sistema; então, para esse sistema, diz-se que esses átomos estão aperfeiçoados.

O mesmo se aplica aos Selves separados, ou individualizados.

Todas as mudanças que ocorrem na consciência do Logos, que são representadas nesse universo e tomam forma como formas nesse universo, todas essas também estão dentro da consciência aperfeiçoada nesse universo, e qualquer dessas mudanças pode ser reproduzida em qualquer um deles.

Aqui está a Memória: o reaparecimento, a reencarnação na matéria, de qualquer coisa que tenha estado dentro daquele universo e, portanto, sempre está, na consciência do seu Logos, e nas consciências que são partes da Sua consciência.

Embora pensemos no Self como separado em relação a todos os outros Selves, devemos sempre lembrar que Ele é inseparável em relação ao Self Único, o Logos.

A Sua Vida não está excluída de nenhuma parte do Seu universo, e n'Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, sempre abertos a Ele, preenchidos com a Sua vida.

À medida que o Self reveste veículo após veículo de matéria, os seus poderes de adquirir conhecimento tornam-se, com cada veículo adicional, mais circunscritos, mas também mais definidos.

Chegado ao plano físico, a consciência é reduzida às experiências que podem ser recebidas através do corpo físico, e principalmente através dessas aberturas que chamamos de órgãos dos sentidos; estes são caminhos através dos quais o conhecimento pode alcançar o Self aprisionado, embora muitas vezes falemos deles como excluindo o conhecimento quando pensamos nas capacidades do veículo sutil.

O corpo físico torna a percepção definitiva e clara, muito parecido com uma tela com um orifício minúsculo que permite que uma imagem do mundo exterior apareça em uma parede que, de outra forma, mostraria uma superfície em branco; os raios de luz são verdadeiramente bloqueados da parede, mas, por esse mesmo bloqueio, aqueles que são permitidos a entrar formam uma imagem claramente definida.

A NATUREZA DA MEMÓRIA

2.      MUDANÇAS NOS VEÍCULOS E NA CONSCIÊNCIA

Vejamos agora o que acontece com relação ao veículo físico na recepção de uma impressão e na subsequente recordação dessa impressão, i.e., na sua memória. Uma vibração vinda de fora atinge um órgão dos sentidos e é transmitida ao centro apropriado no cérebro.

Um grupo de células no cérebro vibra, e essa vibração deixa as células em um estado um pouco diferente daquele em que estavam antes da sua recepção.

O traço dessa resposta é uma possibilidade para o grupo de células; ele vibrou uma vez de uma maneira particular e retém, pelo resto da sua existência como um grupo de células, a possibilidade de vibrar novamente da mesma maneira sem receber novamente um estímulo do mundo exterior.

Cada repetição de uma vibração idêntica fortalece essa possibilidade, deixando cada uma o seu próprio traço, mas muitas dessas repetições serão necessárias para estabelecer uma repetição autoiniciada; as células aproximam-se dessa possibilidade de uma vibração autoiniciada por meio de cada repetição compelida de fora.

Mas essa vibração não parou nas células físicas; foi transmitida para dentro, à célula correspondente, ou grupo de células, nos veículos mais sutis, e, em última instância, produziu uma mudança na consciência.

Essa mudança, por sua vez, reage sobre as células, e uma repetição das vibrações é iniciada de dentro pela mudança na consciência, e essa repetição é uma memória do objeto que deu início à série de vibrações.

A resposta das células à vibração vinda de fora, uma resposta compelida pelas leis do universo físico, confere às células o poder de responder a um impulso semelhante, ainda que mais débil, vindo de dentro.

Um pouco de poder é exaurido em cada movimento da matéria em um novo veículo e, portanto, há uma diminuição gradual da energia na vibração.

Cada vez menos é exaurido à medida que as células repetem vibrações semelhantes em resposta a novos impactos de fora, respondendo as células mais prontamente a cada repetição.

Aí reside o valor do "externo"; ele desperta na matéria, mais facilmente do que por qualquer outro meio, a possibilidade de resposta, por ser mais afim aos veículos do que o "interno". A mudança causada na consciência também deixa a consciência mais pronta a repetir essa mudança do que estava primeiramente a produzi-la, e cada uma dessas mudanças aproxima a consciência do poder de iniciar uma mudança semelhante.

Olhando para trás, para os primórdios da consciência, vemos que os Eus aprisionados passam por inúmeras experiências antes que ocorra uma mudança autoiniciada na consciência; mas, tendo isso em mente como um fato, podemos deixar esses estágios iniciais e estudar o funcionamento da consciência em um ponto mais avançado.

Devemos também lembrar que todo impacto, ao atingir o envoltório mais íntimo e dar origem a uma mudança na consciência, é seguido por uma reação; a mudança na consciência causa uma nova série de vibrações de dentro para fora; há a ida para dentro em direção ao Eu, seguida pela ondulação para fora a partir do Eu, a primeira devida ao objeto e dando origem ao que chamamos de percepção, e a segunda devida à reação do Eu, causando o que chamamos de memória.

A NATUREZA DA MEMÓRIA

Uma série de impressões sensoriais, chegando através da visão, audição, tato, paladar e olfato, sobe do veículo físico através do astral até o mental.

Ali elas são coordenadas em uma unidade complexa, assim como um acorde musical é composto de muitas notas.

Este é o trabalho especial do corpo mental: ele recebe muitas correntes e as sintetiza em uma só; ele constrói muitas impressões em uma percepção, um pensamento, uma unidade complexa.

3. MEMÓRIAS

Tentemos capturar essa coisa complexa, depois que ela foi para dentro e causou uma mudança na consciência, uma ideia; a mudança que ela causou dá origem a novas vibrações nos veículos, reproduzindo aquelas que havia causado em seu caminho para dentro, e em cada veículo ela reaparece em uma forma mais tênue.

Não é forte, vigorosa e vívida, como quando suas partes componentes lampejaram do físico ao astral, e do astral ao mental; ela reaparece no mental em uma forma mais tênue, a cópia daquilo que o mental enviou para dentro, mas com vibrações mais fracas; como o Eu recebe dela uma reação — pois o impacto de uma vibração, ao tocar cada veículo, deve causar uma reação — essa reação é muito mais fraca do que a ação original e, portanto, parecerá menos "real" do que essa ação; ela produz uma mudança menor na consciência, e essa diminuição representa inevitavelmente uma menor "realidade". Enquanto a consciência for pouco responsiva para perceber quaisquer impactos que não cheguem com o vigor impulsivo do físico, ela estará literalmente mais em contato com o físico do que com qualquer outro envoltório, e não haverá memórias de ideias, mas apenas memórias de percepções, isto é, de imagens de objetos externos, causadas por vibrações da matéria nervosa do cérebro, reproduzindo-se na matéria astral e mental relacionada.

Estas são literalmente imagens na matéria mental, como são as imagens na retina do olho.

E a consciência percebe essas imagens, "vê-as", como podemos verdadeiramente dizer, uma vez que a visão do olho é apenas uma expressão limitada do seu poder perceptivo.

À medida que a consciência se afasta um pouco do físico, voltando a atenção mais para as modificações nos seus envoltórios internos, ela vê essas imagens reproduzidas no cérebro a partir do envoltório astral pela sua própria reação passando para fora, e aí está a memória das sensações.

A imagem surge no cérebro pela reação da mudança na consciência, e é reconhecida ali.

Esse reconhecimento implica que a consciência se retirou em grande parte do físico para o veículo astral, e está operando nele.

A consciência humana está, portanto, operando no tempo presente, e está, por isso, repleta de memórias, sendo essas memórias reproduções no cérebro físico de imagens passadas, causadas por reações da consciência.

Num tipo humano de evolução inferior, essas imagens são imagens de eventos passados nos quais o corpo físico estava envolvido, memórias de fome e sede e de sua gratificação, de prazeres sexuais, e assim por diante, coisas nas quais o corpo físico participava ativamente.

Num tipo superior, no qual a consciência opera mais no veículo mental, as imagens no corpo astral atrairão mais a sua atenção; essas imagens são moldadas no corpo astral pelas vibrações que emanam do mental, e são percebidas como imagens pela consciência à medida que ela se retira mais para dentro do corpo mental como seu veículo imediato.

À medida que esse processo continua, e a consciência mais desperta responde a vibrações iniciadas externamente no plano astral por objetos astrais, esses objetos tornam-se "reais" e tornam-se distinguíveis das memórias, as imagens no corpo astral causadas pelas reações da consciência.

Notemos, de passagem, que com a memória de um objeto caminha de mãos dadas uma imagem da renovação da experiência mais aguçada do objeto pelo contato físico, e a isso chamamos antecipação; e quanto mais completa a memória de um evento, mais completa é essa antecipação.

De modo que a memória às vezes causará até mesmo no corpo físico as reações que normalmente acompanham o contato com o objeto externo, e podemos saborear em antecipação prazeres que não estão ao alcance presente do corpo.

Assim, a antecipação de comida saborosa fará "a boca encher de água". Esse fato aparecerá novamente quando alcançarmos a conclusão de nossa teoria da Memória.

4. O QUE É MEMÓRIA?

Agora, tendo notado as mudanças nos veículos que surgem dos impactos do mundo externo, a resposta a estes como mudanças de consciência, as vibrações mais débeis produzidas nos veículos pela reação da consciência, e o reconhecimento destas novamente pela consciência como memórias, cheguemos ao cerne da questão: O que é Memória? A desintegração dos corpos entre a morte e a reencarnação põe fim ao seu automatismo, ao seu poder de responder a vibrações semelhantes àquelas já experimentadas; 178 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

os grupos responsivos são desintegrados, e tudo o que permanece como semente para futuras respostas é armazenado dentro dos átomos permanentes; quão débil isso é, em comparação com os novos automatismos impostos à massa dos corpos por novas experiências do externo, pode ser avaliado pela ausência de qualquer memória de vidas passadas iniciada nos próprios veículos.

De fato, tudo o que os átomos permanentes podem fazer é responder mais prontamente a vibrações de um tipo semelhante àquelas previamente experimentadas do que àquelas que lhes chegam pela primeira vez.

A memória das células, ou de grupos de células, perece na morte, e não se pode dizer que seja recuperável, como tal.

Onde, então, a Memória é preservada? A resposta breve é: A Memória não é uma faculdade, e não é preservada; ela não inere na consciência como uma capacidade, nem qualquer memória de eventos é armazenada na consciência individual.

Todo evento é um fato presente na consciência do universo, na consciência do Logos; tudo o que ocorre em Seu universo, passado, presente e futuro, está sempre ali em Sua consciência oniabrangente, em Seu "Eterno Agora". Desde o início do universo até seu fim, desde sua aurora até seu ocaso, tudo está ali, sempre-presente, existente.

Nesse oceano de ideias, tudo É; nós, vagando no oceano, tocamos fragmentos de seu conteúdo, e nossa resposta ao contato é nosso conhecimento; tendo conhecido, podemos mais prontamente contatar novamente, e essa repetição—quando aquém do contato da casca externa do momento com os fragmentos que ocupam seu próprio plano—é Memória.

Todas as "memórias" são recuperáveis, porque todas as possibilidades de vibrações produtoras de imagens estão dentro da consciência do Logos, e podemos compartilhar dessa consciência tanto mais facilmente quanto mais frequentemente tenhamos compartilhado vibrações semelhantes; portanto, as vibrações que formaram partes de nossa experiência são mais prontamente repetidas por nós do que aquelas que nunca conhecemos, e aqui entra o valor dos átomos permanentes; eles, ao serem estimulados, fazem vibrar novamente as vibrações anteriormente realizadas, e dentre todas as possibilidades de vibrações dos átomos e moléculas de nossos corpos, soam aquelas que respondem à nota emitida pelos átomos permanentes.

O fato de termos sido afetados vibracionalmente e por mudanças de consciência durante a vida presente torna mais fácil para nós extrair da consciência universal aquilo de que já tivemos experiência em nós mesmos.

Seja uma memória na vida presente, ou uma memória de uma vida há muito passada, o método de recuperação é o mesmo.

Não há memória senão a consciência sempre presente do Logos, em quem literalmente vivemos, nos movemos e temos nosso ser; e nossa memória é meramente nos colocarmos em contato com tais partes de Sua consciência das quais participamos anteriormente.

Portanto, segundo Pitágoras, todo aprendizado é reminiscência, pois é o extrair da consciência do Logos para a do Self separado aquilo que, em nossa unidade essencial com Ele, é eternamente nosso.

No plano onde a unidade supera a separação, compartilhamos Sua consciência de nosso universo; nos planos inferiores, onde a separação vela a unidade, somos excluídos dela por nossos veículos não evoluídos.

É a falta de capacidade de resposta nesses veículos que nos impede, pois só podemos conhecer os planos através deles.

Portanto, não podemos melhorar diretamente nossa memória; só podemos melhorar nossa receptividade geral e poder de reprodução, tornando nossos corpos mais sensíveis, tendo o cuidado de não ultrapassar seu limite de elasticidade.

Também podemos "prestar atenção"; isto é, podemos direcionar a percepção da consciência, podemos concentrar a consciência, naquela parte especial da consciência do Logos à qual desejamos nos sintonizar.

Não precisamos, portanto, afligir-nos com cálculos sobre "quantos anjos podem dançar na ponta de uma agulha", sobre como podemos preservar em um espaço limitado o número ilimitado de vibrações experimentadas em muitas vidas; pois a totalidade das vibrações formadoras de forma no universo está sempre presente, e está disponível para ser utilizada por qualquer unidade individual, podendo ser alcançada à medida que, pela evolução, tal unidade experimenta cada vez mais e mais.

5. LEMBRAR E ESQUECER

Apliquemos isso a um evento de nossa vida passada: Algumas circunstâncias "permanecem em nossa memória", outras são "esquecidas". Na realidade, o evento existe com todas as suas circunstâncias circundantes, "lembradas" e "esquecidas" igualmente, em um único estado: a memória do Logos, a Memória Universal.

Qualquer pessoa que seja capaz de se colocar em contato com essa memória pode recuperar a circunstância inteira tanto quanto nós; os eventos pelos quais passamos não são nossos, mas fazem parte do conteúdo de Sua consciência; e nosso senso de propriedade sobre eles deve-se apenas ao fato de que anteriormente vibramos em resposta a eles e, portanto, vibramos novamente em resposta a eles mais prontamente do que se os contatássemos pela primeira vez.

A NATUREZA DA MEMÓRIA

Podemos, no entanto, contatá-los com diferentes envoltórios em diferentes épocas, vivendo como vivemos sob condições de tempo e espaço que variam com cada envoltório.

A parte da consciência do Logos através da qual nos movemos em nossos corpos físicos é muito mais restrita do que aquela através da qual nos movemos em nossos corpos astral e mental, e os contatos através de um corpo bem organizado são muito mais vívidos do que aqueles através de um corpo menos organizado.

Além disso, deve-se lembrar que a restrição de área se deve apenas aos nossos veículos; diante do evento completo, físico, astral, mental, espiritual, nossa consciência dele é limitada dentro do alcance dos veículos capazes de responder a ele. Sentimo-nos estar entre as circunstâncias que cercam o veículo mais grosseiro no qual estamos atuando, e que assim o tocam de "fora"; ao passo que "lembramos" as circunstâncias que contatamos com os veículos mais sutis, transmitindo estes as vibrações ao veículo mais grosseiro, que é assim tocado de "dentro". O teste de objetividade que aplicamos às circunstâncias "presentes" ou "lembradas" é o do "senso comum". Se outros ao nosso redor veem como vemos, ouvem como ouvimos, consideramos as circunstâncias como objetivas; se não o fazem, se estão inconscientes daquilo de que estamos conscientes, consideramos as circunstâncias como subjetivas.

Mas esse teste de objetividade só é válido para aqueles que estão ativos nas mesmas envolturas; se uma pessoa está trabalhando no corpo físico e outra no físico e no astral, as coisas objetivas para o homem no corpo astral não podem afetar o homem no corpo físico, e ele as declarará alucinações subjetivas.

O "senso comum" só pode funcionar em corpos semelhantes: dará resultados semelhantes quando todos estiverem em 182            UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

corpos físicos, todos no astral, ou todos no mental.

Pois o "senso comum" é meramente as formas-pensamento do Logos em cada plano, condicionando cada consciência encarnada e habilitando-a a responder por certas mudanças a certas vibrações em seus veículos.

Ele não está de modo algum confinado ao plano físico, mas a humanidade média no estágio atual de evolução não desenvolveu suficientemente a consciência interior para exercer qualquer "senso comum" nos planos astral e mental.

O "senso comum" é um testemunho eloquente da unicidade de nossas vidas interiores; vemos todas as coisas ao nosso redor no plano físico da mesma maneira, porque nossas consciências aparentemente separadas são todas realmente parte da Una Consciência que anima todas as formas.

Todos respondemos da mesma maneira geral, de acordo com o estágio de nossa evolução, porque compartilhamos a mesma consciência; e somos afetados similarmente pelas mesmas coisas porque a ação e reação entre elas e nós é o intercâmbio da Una Vida em formas variadas.

A recuperação de qualquer coisa pela memória, portanto, deve-se à existência eterna de tudo na consciência do Logos, e Ele nos impôs as limitações de tempo e espaço para que possamos, pela prática, ser capazes de responder rapidamente por mudanças de consciência às vibrações causadas em nossos veículos por vibrações provenientes de outros veículos igualmente animados por consciência; assim somente podemos gradualmente aprender a distinguir com precisão e clareza; contatando as coisas sucessivamente — isto é, estando no tempo — e contatando-as em direções relativas a nós mesmos e umas às outras — isto é, estando no espaço — somos gradualmente desdobrados para o estado em que podemos reconhecer tudo

A NATUREZA DA MEMÓRIA

simultaneamente e cada coisa em toda parte — isto é, fora do tempo e do espaço.

À medida que passamos por inúmeros acontecimentos na vida, descobrimos que não mantemos contato com tudo aquilo pelo que passamos; há um poder de resposta muito limitado em nosso veículo físico e, portanto, numerosas experiências escapam de seu âmbito.

Em transe, podemos recuperá-las, e diz-se que elas emergem do subconsciente.

Verdadeiramente, elas permanecem sempre imutáveis na Consciência Universal, e à medida que passamos por elas, tornamo-nos conscientes delas, porque a luz muito limitada de nossa consciência, envolta no veículo físico, incide sobre elas, e elas desaparecem à medida que seguimos adiante; mas como a área coberta pela mesma luz brilhando através do veículo astral é maior, elas reaparecem quando estamos em transe — isto é, no veículo astral, livres do físico; elas não vieram, foram e voltaram novamente, mas a luz de nossa consciência no veículo físico havia passado adiante, e por isso não as vimos, e a luz mais extensa no veículo astral nos permite vê-las novamente.

Como Bhagavan Das bem disse: "se um espectador vagueasse sem descanso pelos salões de um vasto museu, uma grande galeria de arte, no meio da noite com uma pequena lâmpada em uma das mãos, cada um dos objetos naturais, as cenas retratadas, as estátuas, os retratos, seriam iluminados por essa lâmpada, em sucessão, por um único momento, enquanto todo o resto estivesse na escuridão, e após esse único momento, cairia ele próprio novamente na escuridão.

Que haja agora não um, mas inúmeros tais espectadores, tantos em número infinito quanto os objetos de visão dentro do lugar, cada espectador perambulando incessantemente para dentro e para fora

184            UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

através da grande multidão de todos os outros, cada lâmpada brilha momentaneamente sobre um objeto e somente para aquele espectador específico que segura essa lâmpada.

Este edifício imenso e imóvel é a ideação fixada na rocha do Absoluto imutável; o espectador que carrega a lâmpada, dentre a inumerável multidão, é um ponto de consciência dentre as pseudo-infinitas linhas de tais pontos, que compõem a totalidade da consciência universal una. Cada vinda à luz de cada objeto é a sua patência, a experiência do jiva; cada queda na escuridão é a sua latência.

Do ponto de vista dos próprios objetos, ou da consciência universal, não há latência nem patência.

Do ponto de vista das linhas de consciência, há." À medida que veículo após veículo entra em funcionamento mais pleno, o círculo de luz se estende, e a consciência pode voltar sua atenção para qualquer parte da área e observar de perto os objetos nela incluídos.

Assim, quando a consciência pode funcionar livremente no plano astral e está ciente de seus arredores ali, ela pode ver muito que no plano físico é "passado" — ou "futuro", se forem coisas às quais, no "passado", ela aprendeu a responder.

Coisas fora da área de luz que vem através do veículo do corpo astral estarão dentro da área daquela que flui do veículo mental mais sutil.

Quando o corpo causal é o veículo, a "memória de vidas passadas" é recuperável, vibrando o corpo causal mais prontamente aos eventos aos quais antes vibrou, e a luz que brilha através dele abrange uma área muito maior e ilumina cenas há muito "passadas" — sendo essas cenas, na realidade, não mais passadas do que as cenas do presente, mas ocupando um ponto diferente no tempo e no espaço.

Os veículos inferiores, que não vibraram previamente a esses eventos, não podem facilmente contatá-los diretamente e responder a eles; isso pertence ao corpo causal, o veículo relativamente permanente.

Mas quando esse corpo responde a eles, as vibrações dele prontamente descem e podem ser reproduzidas nos corpos mental, astral e físico.

6. ATENÇÃO

A frase é usada acima, quanto à consciência, de que "ela pode voltar sua atenção para qualquer parte da área e observar de perto os objetos nela incluídos". Esse "voltar da atenção" corresponde muito de perto, na consciência, ao que chamaríamos de focalizar o olho no corpo físico.

Se observarmos a ação que ocorre nos músculos do olho quando olhamos primeiro para um objeto próximo e depois para um distante, ou vice-versa, teremos consciência de um ligeiro movimento, e essa constrição ou relaxamento causa uma leve compressão ou o inverso nas lentes do olho.

É uma ação automática agora, bastante instintiva, mas só se tornou assim pela prática; um bebê não focaliza o olho, nem julga distâncias.

Ele estende a mão com a mesma prontidão para uma vela do outro lado da sala quanto para uma que esteja ao seu alcance, e apenas lentamente aprende a saber o que está além do seu alcance.

O esforço para ver claramente leva ao focalizar do olho, e logo isso se torna automático.

Os objetos para os quais o olho está focalizado estão dentro do campo de visão nítida, e o restante é visto vagamente.

Assim também, a consciência está claramente ciente daquilo para o qual sua atenção está voltada; outras coisas permanecem vagas, "fora de foco". 186 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

Um homem aprende gradualmente a voltar sua atenção para coisas há muito passadas, conforme medimos o tempo.

O corpo causal é colocado em contato com elas, e as vibrações são então transmitidas aos corpos inferiores.

A presença de um estudante mais avançado ajudará um menos avançado, porque quando o corpo astral do primeiro é feito para vibrar em resposta a eventos há muito passados, criando assim uma imagem astral deles, o corpo astral do estudante mais jovem pode mais prontamente reproduzir essas vibrações e assim também "ver". Mas mesmo quando um homem aprendeu a se colocar em contato com seu passado, e através do seu próprio com o daqueles a ele ligados, ele achará mais difícil voltar sua atenção efetivamente para cenas com as quais não teve conexão alguma; e quando isso for dominado, ele ainda achará difícil se colocar em contato com cenas fora das experiências de seu passado recente; por exemplo, se ele deseja visitar a lua, e por seus métodos habituais se lança nessa direção, ele se verá bombardeado por uma saraivada de vibrações incomuns às quais não pode responder instintivamente, e precisará recorrer ao seu poder divino inerente para responder a qualquer coisa que possa afetar seus veículos.

Se ele busca ir ainda mais longe, para outro sistema planetário, encontrará uma barreira que não pode transpor, o Anel-Pass-Not de seu próprio Logos Planetário.

7. A CONSCIÊNCIA ÚNICA

Começamos assim a compreender o que se entende pela afirmação de que pessoas em certo grau de evolução podem alcançar esta ou aquela parte do cosmos; podem colocar-se em contato com a consciência do Logos além das  
                  A NATUREZA DA MEMÓRIA

limitações impostas por seus veículos materiais aos menos evoluídos.

Esses veículos, sendo compostos de matéria modificada pela ação do Logos Planetário da Cadeia a que pertencem, não podem responder às vibrações de matéria modificada de modo diferente; e o estudante deve ser capaz de usar seu corpo átmico antes de poder contatar a Memória Universal além dos limites de sua própria Cadeia.

Tal é a teoria da Memória que apresento para a consideração dos estudantes teosóficos.

Ela se aplica igualmente às pequenas memórias e esquecimentos da vida cotidiana quanto aos vastos alcances aludidos no parágrafo acima.

Pois nada é pequeno ou grande para o Logos, e quando realizamos o menor ato de memória, estamos tanto nos colocando em contato com a onipresença e a onisciência do Logos quanto quando recordamos um passado remoto.

Não há "distante", e não há "próximo". Todos estão igualmente presentes em todos os tempos e em todos os espaços; a dificuldade está em nossos veículos, e não naquela Vida abrangente e imutável.

Tudo se torna cada vez mais inteligível e mais pacífico à medida que pensamos naquela Consciência, na qual não há "antes" e não há "depois", não há "passado" e não há "futuro". Começamos a sentir que essas coisas são apenas as ilusões, as limitações, impostas a nós por nossos próprios envoltórios, necessárias até que nossos poderes sejam evoluídos e estejam a nosso serviço.

Vivemos inconscientemente nessa poderosa Consciência na qual tudo está eternamente presente, e sentimos vagamente que, se pudéssemos viver conscientemente nesse Eterno, haveria paz.

Não conheço nada que possa dar aos eventos de uma vida sua verdadeira proporção mais do que essa ideia de uma Consciência na qual tudo está presente desde o início, na qual de fato  
188            UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

não há começo e não há fim.

Aprendemos que não há nada terrível e nada que seja mais do que relativamente doloroso; e nessa lição está o começo de uma verdadeira paz, que no devido curso se iluminará em alegria.

PARTE II

VONTADE, DESEJO E EMOÇÃO                           CAPÍTULO

A VONTADE DE VIVER

No breve estudo das Origens que forma as seções 1 e 2 da Introdução a este livro, vimos que a Mônada, emanando do Primeiro Logos, manifestava em sua própria natureza a tri-unidade de sua Fonte, os aspectos de Vontade, Sabedoria e Atividade.

É ao estudo da Vontade — que se mostra como Vontade no plano superior e como Desejo no inferior — que agora devemos voltar nossa atenção; e o estudo do Desejo nos leva ao estudo da Emoção, a ele indissoluvelmente ligada. Já vimos que estamos aqui porque quisemos viver nos mundos inferiores, que a Vontade determina nossa permanência aqui.

Mas a natureza, o poder e a obra da Vontade são, em sua maior parte, pouco compreendidos, pois nos estágios iniciais da evolução ela não se manifesta nos planos inferiores senão como Desejo, e deve ser estudada como Desejo antes que possa ser entendida como Vontade.

É o aspecto-Poder da consciência, sempre velado dentro do Self, ocultando-se como que por trás da Sabedoria e da Atividade, mas impelindo ambas à manifestação.

Tão oculta é sua natureza que muitos a consideram una com a Atividade, e recusam-lhe a dignidade de um aspecto da consciência.

Contudo, a Atividade é a ação do Self sobre o Não-Self, aquilo que confere ao Não-Self sua realidade temporária, aquilo que cria; mas a Vontade permanece sempre oculta em seu interior, impelindo à Atividade, atraindo, repelindo, o âmago do Coração do Ser.

A Vontade é o Poder que se coloca por trás da Cognição e estimula a Atividade; o Pensamento é a atividade criativa, mas a Vontade é a força motriz.

Nossos corpos são como são, porque o Self, por inúmeras eras, firmou sua Vontade de que a matéria fosse moldada em formas pelas quais ele possa cognoscir e energizar sobre tudo o que lhe é exterior.

Está escrito em uma Escritura antiga: “Em verdade, este corpo é mortal, ó Maghavan, está sujeito à morte.

Contudo, é um lugar de repouso do imortal e incorpóreo Atma. . . Os olhos são destinados como órgãos de observação para o Ser que habita dentro dos olhos.

Aquele que quer, ‘Eu cheirarei’, é o Atma, desejando experimentar a fragrância.

Aquele que quer, ‘Eu falarei’, é o Atma, desejando proferir palavras.

Aquele que quer, ‘Eu ouvirei’, é o Atma, desejando escutar os sons.

Aquele que quer, ‘Eu pensarei’, é o Atma.

A mente é o olho celestial, observando todos os objetos desejáveis.

Por meio do olho celestial mental, o Atma desfruta de tudo.” Este é o segredo, a força motriz, da evolução.

Verdade, a grande Vontade traça a alta estrada da evolução.

Verdade, Inteligências espirituais de muitos graus guiam as entidades em evolução ao longo dessa alta estrada.

Mas pouca atenção tem sido dada aos inúmeros experimentos, fracassos, sucessos, aos pequenos desvios e voltas e reviravoltas, devidos aos agrupamentos das Vontades separadas, cada Vontade de Viver tentando encontrar a autoexpressão.

Os contatos do mundo exterior despertam em 1 Chhandogyopanishat, VIII, xii, 1, 4, 5. A VONTADE DE VIVER

cada Atma a Vontade de conhecer o que toca.

Ele sabe muito pouco na água-viva, mas a Vontade de conhecer molda, em forma após forma, um olho cada vez melhor que obstrui menos seu poder de percepção.

À medida que estudamos a evolução, tornamo-nos cada vez mais conscientes de Vontades que moldam a matéria, mas a moldam por experimentos tateantes, não por visão clara.

A presença dessas muitas Vontades causa o constante ramificar da árvore evolutiva.

Há uma verdade real na história lúdica do Professor Clifford para as crianças sobre os grandes Saurianos de uma era primitiva: "Alguns escolheram voar e tornaram-se pássaros; outros escolheram rastejar e tornaram-se répteis." Frequentemente vemos uma tentativa frustrada, e então a tentativa é feita em outra direção.

Frequentemente vemos os mais desajeitados artifícios lado a lado com as mais requintadas adaptações.

Estas últimas são os resultados de Inteligências que conhecem seus objetivos e constantemente cinzelam a matéria em formas apropriadas; as outras são o resultado dos esforços de dentro, ainda cegos e tateantes, mas firmemente voltados para a autoexpressão.

Se houvesse apenas designers externos, vendo o fim desde o começo,

a Natureza nos apresentaria enigmas insolúveis em sua construção, tão numerosas são as tentativas inadequadas, os designs ineficazes.

Mas quando percebemos a presença da Vontade de Viver em cada forma, buscando autoexpressão, moldando seus veículos para seus próprios propósitos, então podemos ver igualmente o plano criativo que subjaz a tudo — o plano do Logos; as admiráveis adaptações que realizam Seu plano — o trabalho das Inteligências construtoras; e os artifícios ineptos e expedientes desajeitados — devidos aos esforços dos Eus que querem, mas ainda não têm o conhecimento ou o poder de realizar perfeitamente.


É este Eu divino que tateia, se esforça, luta, que, à medida que a evolução avança, torna-se em medida cada vez maior o verdadeiro Governante, o Governante interno, o Imortal.

Qualquer um que compreenda que ele próprio é esse Governante Imortal, sentado dentro de seus veículos de expressão autocriados, ganha um senso de dignidade e poder que se torna cada vez mais forte e mais convincente sobre a natureza inferior.

O conhecimento da verdade nos torna interiormente livres.

O Governante interior pode ainda ser prejudicado pelas próprias formas que ele moldou para sua autoexpressão, mas, conhecendo-se como o Governante, ele pode trabalhar firmemente para trazer seu reino à completa subjugação.

Ele sabe que veio ao mundo com um propósito definido, para tornar-se apto a ser um colaborador com a Vontade Suprema, e pode fazer e suportar tudo o que for necessário para esse fim.

Ele sabe que é divino e que sua autorrealização é apenas uma questão de tempo.

Interiormente, a divindade é sentida, embora exteriormente ainda não seja expressa, e resta tornar-se manifestado o que ele é em essência.

Ele é rei de jure, ainda não de facto.

Assim como um Príncipe, nascido para uma coroa, submete-se pacientemente à disciplina que o prepara para usá-la, assim a Vontade soberana em nós está evoluindo para a idade em que os poderes reais passarão para seu domínio, e pode submeter-se pacientemente à disciplina necessária da vida.

CAPÍTULO LI

DESEJO

1. A NATUREZA DO DESEJO

QUANDO a Mônada envia seus raios para a matéria do terceiro, quarto e quinto planos, e apropria-se de um átomo de cada um desses planos,¹ ela cria o que é frequentemente chamado de sua "reflexão na matéria", o "Espírito" humano, e o aspecto da Vontade da Mônada é espelhado no Atma humano, cujo lar está no terceiro plano, ou plano átmico.

Essa primeira hipóstase é, de fato, diminuída em poderes pelos véus de matéria assim assumidos, mas não é de modo algum distorcida; assim como um espelho bem feito produz uma imagem perfeita de um objeto, assim o Espírito humano, Atma-Buddhi-Manas, é uma imagem perfeita da Mônada, é, na verdade, a própria Mônada velada em matéria mais densa.

Mas, assim como um espelho côncavo ou convexo produz uma imagem distorcida de um objeto colocado diante dele, assim as reflexões posteriores do Espírito em, ou involuções em, matéria ainda mais densa mostram apenas imagens distorcidas do mesmo.

Assim, quando a Vontade, em seu progresso descendente, velando-se ainda mais em cada plano, alcança o mundo imediatamente acima do físico, o mundo astral, ela aparece ali como Desejo.

¹ Ver Parte I, Capítulo IV, 3.

O Desejo mostra a energia, a concentração, as características impulsoras da Vontade, mas a matéria arrancou-lhe o controle, a direção, do Espírito, e usurpou o domínio sobre ele. O Desejo é a Vontade destronada, o cativo, o escravo da matéria.

Não é mais autodeterminado, mas é determinado pelas atrações ao seu redor. Esta é a distinção entre Vontade e Desejo.

A natureza mais íntima de ambos é a mesma, pois são verdadeiramente uma única determinação, a autodeterminação do Atma, o único poder motor do homem, aquilo que impele à Atividade, à ação sobre o mundo externo, sobre o Não-Eu.

Quando o Eu determina a atividade, sem ser influenciado por atrações ou repulsões em relação aos objetos circundantes, então a Vontade se manifesta. Quando atrações e repulsões externas determinam a atividade, e o homem é arrastado para cá e para lá por elas, surdo à voz do Eu, inconsciente do Governante Interior, então o Desejo é visto.

O Desejo é a Vontade vestida em matéria astral, na matéria que pela Segunda Onda de Vida foi formada em combinações, cuja reação entre estas e a consciência causaria sensações nesta última.

Vestida nessa matéria, cujas vibrações são acompanhadas de sensações na consciência, a Vontade é modificada em Desejo.

Sua natureza essencial de dar impulsos motores, cercada por matéria que desperta sensações, responde impelindo energia, e essa energia, despertada através e agindo através da matéria astral, é o Desejo.

Assim como na natureza superior a Vontade é o poder impulsor, na natureza inferior o Desejo é o poder impulsor.

Quando ele é fraco, toda a natureza é fraca em sua reação sobre o mundo.

A força efetiva de uma natureza é medida pelo seu

DESEJO

poder de Vontade ou seu poder de Desejo, conforme o estágio de evolução.

Há uma verdade subjacente à frase popular: "Quanto maior o pecador, maior o santo". A pessoa medíocre não pode ser nem grandemente boa nem grandemente má; não há nela o bastante para mais do que pequenas virtudes ou pequenos vícios.

A força da natureza de Desejo em um homem é a medida de sua capacidade de progresso, a medida da energia motora pela qual esse homem pode avançar ao longo do caminho.

A força que impele o homem a reagir sobre seu ambiente é a medida de seu poder de modificar, transformar e conquistar esse ambiente. Na luta com a natureza do Desejo, que marca a evolução superior, a energia motora não deve ser destruída, mas transferida; os Desejos inferiores devem ser transmutados em superiores, a energia deve ser refinada sem perder nada de seu poder; e, finalmente, a natureza do Desejo deve dissolver-se na Vontade, sendo todas as energias reunidas e fundidas no aspecto-Vontade do Espírito, o Poder do Eu.

Nenhum aspirante, portanto, deve se desencorajar com a tormenta e o furor dos desejos em si, assim como um domador de cavalos não se desagrada com os empinamentos e corcoveios do potro indomado.

A bravura da jovem criatura não treinada, e sua rebelião contra todos os esforços para controlá-la e refreá-la, são a promessa de sua utilidade futura quando disciplinada e treinada.

E assim também os esforços do Desejo contra o freio imposto pela Inteligência são a promessa da futura força da Vontade, do aspecto-Poder do Eu.

Antes, a dificuldade surge onde os desejos são fracos, antes que a Vontade tenha se libertado dos entraves da matéria astral; pois, nesse caso, a Vontade de Viver se expressa apenas fracamente, e há pouca força efetiva disponível para a evolução.

Há algum obstáculo, alguma barreira, nos veículos, bloqueando a energia emanante da Mônada e obstruindo sua livre passagem, e até que essa barreira seja removida, pouco progresso se pode esperar.

Na tempestade, o navio avança, embora haja perigo de naufrágio, mas na calmaria morta ele permanece inerte e imóvel, não respondendo nem à vela nem ao leme.

E como nesta viagem nenhum naufrágio final é possível, mas apenas danos temporários, e a tempestade opera a favor do progresso mais do que a calmaria, aqueles que se encontram agitados pela tormenta podem aguardar com firme convicção o dia em que as rajadas tempestuosas do Desejo se transformarão no vento constante da Vontade.

2. O DESPERTAR DO DESEJO

Ao mundo astral referimos todas as nossas sensações.

Os centros pelos quais sentimos residem no corpo astral, e as reações destes aos contatos dão origem a sentimentos de prazer e dor na consciência.

O fisiologista comum traça a sensação de prazer e dor do ponto de contato até o centro cerebral, reconhecendo apenas vibrações nervosas entre a periferia e o centro, e no centro a reação da consciência como sensação.

Nós seguimos as vibrações adiante, encontrando apenas vibrações no centro cerebral e no éter que o permeia, e vendo no centro astral o ponto em que a reação da consciência ocorre.

Quando ocorre uma deslocação entre os corpos físico e astral, seja pela ação do clorofórmio, éter, gás hilariante, ou outras drogas.

DESEJO

o corpo físico, apesar de todo o seu aparato nervoso, não sente mais do que se estivesse privado de nervos.

Os elos entre o corpo físico e o corpo de sensação são desengrenados, e a consciência não responde a qualquer estímulo aplicado.

O despertar do Desejo ocorre neste corpo de sensação, e segue as primeiras percepções vagas de prazer e dor.

Como apontado anteriormente¹, o prazer "é um sentido de 'mais', de vida aumentada e expandida", enquanto a dor é um fechamento ou diminuição da vida, e estes pertencem à consciência como um todo.

"Este estado primário de consciência não manifesta os três conhecidos aspectos de Vontade, Sabedoria e Atividade, mesmo no estágio mais germinal; o 'sentimento' precede estes, e pertence à consciência como um todo, embora em estágios posteriores da evolução se mostre tão ligado ao aspecto Vontade-Descjo que chega a quase se identificar com ele." "À medida que os estados de prazer e dor se estabelecem mais definitivamente na consciência, eles dão origem a outro; com o desvanecimento do prazer há uma continuação da atração na consciência, e isto se torna um tatear vago após ele"—um tatear, note-se, não após qualquer objeto que dê prazer, mas após uma continuação do sentimento de prazer—"um seguir vago do sentimento que se esvai, um movimento—indefinido demais para ser chamado de esforço—para segurá-lo, para retê-lo; similarmente, com o desvanecimento da dor há uma continuação da repulsão na consciência, e isto se torna um movimento igualmente vago para afastá-la.

Estes estágios dão origem ao Desejo." Este surgimento do Desejo é um alcance débil da vida em 200 UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

vago, tateante.

Além disso, não pode ir, até que o Pensamento se tenha desenvolvido até certo ponto, e tenha reconhecido um mundo exterior, um Não-Eu, e tenha aprendido a relacionar vários objetos no Não-Eu ao prazer ou à dor que surgem na consciência ao contatá-los.

Mas os resultados desses contatos, muito antes de os objetos serem reconhecidos, causaram, como acima indicado, uma divisão, uma bifurcação, no Desejo.

Podemos tomar como uma das mais simples ilustrações o anseio por alimento num organismo inferior; à medida que o corpo físico se desgasta, diminui, surge um senso de dor no corpo astral, uma carência, um anseio, vago e indeterminado; o corpo, pelo seu desgaste, tornou-se um veículo menos eficaz da vida que flui através do astral, e esse bloqueio causa dor.

Uma corrente na água que banha o organismo traz alimento até o corpo; ele é absorvido, o desgaste é reparado, a vida flui sem obstáculos; há prazer.

Num estágio um pouco mais elevado, quando a dor surge, há o desejo de escapar dela, o senso de repulsão surge, o contrário do senso de atração, causado pelo prazer.

Resulta disso que o Desejo é dividido em dois.

Da Vontade de Viver surgiu o anseio por experimentar, e no veículo inferior esse anseio, aparecendo como Desejo, torna-se, por um lado, um anseio por experiências que tornam o sentimento de vida mais vívido, e, por outro, um encolhimento diante de tudo o que enfraquece e deprime.

Essa atração e repulsão são igualmente da natureza do Desejo.

Assim como um ímã atrai ou repele certos metais, assim o Eu encarnado atrai e repele.

Tanto a atração quanto a repulsão são Desejo, e essas são as duas grandes energias motoras na vida, nas quais todos os desejos são, em última análise, resolvíveis.

O Eu cai sob o jugo do Desejo, de Atração-Repulsão, e é atraído para cá e para lá, repelido disto ou daquilo, apressado entre objetos que dão prazer e dor, como um navio sem leme em meio às correntes do ar e do mar.

3. A RELAÇÃO DO DESEJO COM O PENSAMENTO

Temos agora de considerar a relação que o Desejo mantém com o Pensamento, e ver como ele primeiro governa e depois é governado por este.

A Razão Pura é o reflexo do aspecto Sabedoria da Mônada, e aparece no Espírito humano como Buddhi.

Mas não é a relação do Desejo com a Razão Pura que nos concerne, pois não se pode, de fato, dizer que ele esteja diretamente relacionado à Sabedoria, mas ao Amor, a manifestação da Sabedoria no plano astral.

Devemos antes buscar sua relação com o aspecto de Atividade da Mônada, que se mostra no plano astral como sensação e no mental como pensamento.

Tampouco nos concerne a Mente Superior, que é a Atividade criativa, Manas, em sua pureza; mas sim o reflexo distorcido desta, a mente inferior.

É esta mente inferior que está imediatamente relacionada ao Desejo, e inextricavelmente interligada a ele na evolução humana; tão estreitamente unidos estão, de fato, que frequentemente falamos de Kama-Manas, Mente-Desejo, como de uma coisa única, tão raro é, na consciência inferior, encontrar um único pensamento que não seja influenciado por um desejo.

"Manas, em verdade, é declarado duplo, puro e impuro; o impuro é determinado pelo desejo, o puro é livre de desejo." ¹ Bindopanishat, 1. 202             UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

Esta mente inferior é "pensamento" no plano mental; sua propriedade característica é que ela afirma e nega; ela conhece pela diferença; ela percebe e lembra.

No plano astral, como vimos, o mesmo aspecto que no plano mental é pensamento aparece como sensação, e é despertado pelo contato com o mundo externo.

Quando um prazer foi experimentado e passou, o Desejo surge para experimentá-lo novamente, como vimos.

E esse fato implica memória, que é uma função da mente.

Aqui, como sempre, somos lembrados de que a consciência age sempre em sua natureza tríplice, embora um ou outro aspecto possa predominar, pois mesmo o mais germinal desejo não pode surgir sem que a memória esteja presente.

A sensação causada por um impacto externo deve ter sido despertada muitas vezes, antes que a mente estabeleça uma relação entre a sensação da qual está consciente e o objeto externo que causou a sensação.

Por fim, a mente "percebe" o objeto, isto é, relaciona-o a uma de suas próprias mudanças, reconhece uma modificação em si mesma causada pelo objeto externo.

Repetições dessa percepção estabelecerão um vínculo definitivo na memória entre o objeto e a sensação prazerosa ou dolorosa, e quando o Desejo pressiona pela repetição do prazer, a mente recorda o objeto que forneceu esse prazer.

Assim, a mistura do Pensamento com o Desejo dá origem a um desejo particular, o desejo de encontrar e apropriar-se do objeto que proporciona prazer.

Esse desejo impele a mente a exercer sua atividade inerente.

Sendo o desconforto causado pelo anseio insatisfeito, faz-se um esforço para escapar do desconforto, suprindo o objeto desejado.

A mente planeja, maquina, impulsiona o corpo à                                 DESEJO                        203

ação, a fim de satisfazer os anseios do Desejo.

E, da mesma forma, igualmente impelida pelo Desejo, a mente planeja, maquina, impulsiona o corpo à ação, a fim de evitar a recorrência da dor proveniente de um objeto reconhecido como causador de dor.

Tal é a relação do Desejo com o Pensamento.

Ele desperta, estimula, urge os esforços mentais.

A mente é, em seus estágios iniciais, escrava do Desejo, e a rapidez de seu crescimento é proporcional aos ferozes impulsos do Desejo.

Desejamos e, assim, somos forçados a pensar.

4.   DESEJO, PENSAMENTO, AÇÃO

O terceiro estágio do contato do Eu com o Não-Eu é a Ação.

A mente, tendo percebido o objeto do desejo, conduz, guia e molda a ação.

Diz-se frequentemente que a ação surge do Desejo, mas o Desejo sozinho poderia apenas suscitar movimento, ou ação caótica.

A força do Desejo é propulsora, não diretiva.

É o Pensamento que acrescenta o elemento de direção e molda a ação de forma proposital.

Este é o ciclo que se repete eternamente na consciência — Desejo, Pensamento, Ação.

O poder propulsor do Desejo desperta o Pensamento; o poder diretivo do Pensamento guia a Ação. Essa sequência é invariável, e a compreensão clara disso é da mais profunda importância, pois o controle efetivo da conduta depende dessa compreensão e de sua aplicação na prática.

Essa modelagem do carma só pode ser alcançada quando essa sequência é compreendida, pois somente assim se pode discriminar a ação evitável da inevitável.

É pelo Pensamento que podemos mudar o Desejo e, assim, mudar a Ação.

Quando a mente vê que certos desejos              204               UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

impeliram a pensamentos que dirigiram ações produtoras de infelicidade, ela pode resistir aos futuros impulsos do Desejo em direção semelhante e recusar-se a guiar as ações para um resultado já conhecido como desastroso.

Ela pode visualizar os resultados dolorosos e, assim, despertar a energia repulsiva do Desejo, e pode imaginar o desfecho venturoso dos desejos de tipo oposto.

A atividade criativa do Pensamento pode ser exercida na modelagem do Desejo, e sua energia propulsora pode ser direcionada para um melhor rumo.

Dessa forma, o Pensamento pode ser usado para dominar o Desejo, e pode tornar-se o governante em vez do escravo.

E, ao assim afirmar seu controle sobre seu companheiro indisciplinado, inicia a transmutação do Desejo em Vontade, mudando o governo da energia que se exterioriza do externo para o interno, dos objetos exteriores que atraem ou repelem para o Espírito, o Governante interior.

5. A NATUREZA VINCULANTE DO DESEJO

Uma vez que a Vontade de Viver é a causa da exteriorização, da vida que busca encarnação e que apropria para si aquilo que é necessário para sua manifestação e persistência na forma, o Desejo, sendo a Vontade em um plano inferior, apresentará características semelhantes, buscando apropriar-se, atrair para si, fazer parte de si aquilo pelo qual sua vida na forma possa ser mantida e fortalecida.

Quando desejamos um objeto, buscamos torná-lo parte de nós mesmos, parte do "eu", para que possa formar parte da encarnação do "eu". O Desejo é a emissão do poder de atração; ele atrai o objeto desejado para si.

O que quer que desejemos, a nós o vinculamos.

Pelo desejo de possuí-lo, estabelece-se um vínculo entre o objeto e o desejante.

Atamos ao Eu esta porção do Não-Eu, e o vínculo existe até que o objeto seja possuído, ou até que o Eu tenha rompido o vínculo e repudiado o objeto.

Estes são "os laços do coração" e prendem o Eu à roda de nascimentos e mortes.

Esses vínculos entre o desejante e os objetos do desejo são como cordas que arrastam o Eu ao lugar onde os objetos do desejo se encontram, e assim determinam seu nascimento em um ou outro mundo.

Sobre isso versa o versículo: "Aquele que é apegado obtém sempre, pela ação, aquilo sobre o qual sua mente fixou sua marca.

Tendo obtido o objeto da ação aqui realizada, ele retorna, portanto, daquele mundo para este mundo, por causa da ação.

Assim é com a mente desejosa." Se um homem deseja os objetos de outro mundo mais do que os objetos deste, então naquele mundo ele nascerá.

Há uma tensão contínua no vínculo do Desejo até que o Eu e o objeto estejam unidos.

A grande energia determinante, a Vontade de Viver, que mantém os planetas em suas órbitas ao redor do sol, que impede que a matéria dos globos se disperse, que mantém nossos próprios corpos unidos, essa é a energia do Desejo.

Aquilo que rege tudo está em nós como Desejo, e deve atrair para nós, ou nos atrair para, tudo aquilo em que fixou seus ganchos.

O gancho do Desejo fixa-se em um objeto, como um arpão na baleia à qual é lançado pelo arpoador.

Quando o Desejo fixa seu arpão em um objeto, o Eu está ligado a esse objeto, apropriou-se dele em Vontade, e em breve deve apropriar-se dele em ação.

Por isso um grande Mestre disse:

Kathopanishat, vi, 15. 2 Brihadaranyakopanishat IV, iv, 6. 206 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

"Se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e lança-o de ti ... se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e lança-a de ti." O objeto desejado torna-se parte do corpo do Eu, e se for mau, deve ser arrancado, a qualquer custo de angústia.

Caso contrário, será apenas desgastado pela lenta atrição do tempo e do tédio.

"Somente os fortes podem matá-lo.

Os fracos devem esperar pelo seu crescimento, sua frutificação, sua morte."

6. A QUEBRA DOS LAÇOS

Para a quebra dos laços do Desejo, deve-se recorrer à mente. Nela reside o poder que primeiro purificará e depois transmutará o Desejo.

A mente registra os resultados que se seguem à apropriação de cada objeto do Desejo, e marca se a felicidade ou a dor resultou da união desse objeto com o Eu encarnado.

E quando, após muitas apropriações de um objeto atraente, ela descobriu que o resultado foi dor, registra esse objeto como algo que deve ser evitado no futuro.

"As delícias que nascem do contato são, em verdade, ventres de dor." Então surge a luta.

Quando esse objeto atraente se apresenta novamente, o Desejo lança seu arpão e o agarra, e começa a puxá-lo para si. A mente, lembrando-se dos resultados dolorosos de capturas anteriores semelhantes, esforça-se por conter o Desejo, por cortar com a espada do conhecimento o laço que liga.

Uma feroz batalha grassa dentro do homem: ele é arrastado 1 Mateus v. 29, 30. 2 Luz no Caminho, 4. 3 Bhagavad-Gita v. 22. DESEJO

Impulsionado pelo Desejo, refreado pelo Pensamento; muitas e muitas vezes o Desejo triunfará e o objeto será apropriado; mas a dor resultante é sempre repetida, e cada sucesso do Desejo ergue contra ele outro inimigo nas forças da mente.

Inevitavelmente, por mais lento que seja, o Pensamento se mostra mais forte, até que por fim a vitória pende para o seu lado, e chega o dia em que o desejo é mais fraco que a mente, e o objeto atraente é solto, o cordão que prendia é cortado.

Para esse objeto, o vínculo está rompido.

Nesse conflito, o Pensamento busca utilizar contra o Desejo a força do próprio Desejo.

Ele seleciona objetos de Desejo que proporcionam uma felicidade relativamente duradoura e busca utilizá-los contra os desejos que rapidamente resultam em dor.

Assim, oporá o prazer artístico ao prazer sensual; usará a fama e o poder político ou social contra os gozos da carne; estimulará o desejo de agradar aos bons, para fortalecer a abstenção de deleites viciosos; fará, por fim, que o desejo de paz eterna conquiste os desejos de alegrias temporais.

Por essa única grande atração, as atrações inferiores são mortas e deixam de ser objetos de desejo: "Até o gosto (por elas) se desvanece daquele após o Supremo ser visto."¹ A energia ávida do Desejo pode arrancá-lo daquilo que traz dor e fixá-lo naquilo que traz bem-aventurança.

A mesma força que prendia é feita servir como instrumento de libertação. Desvencilhando-se dos objetos, voltar-se-á para cima e para dentro, ligando o homem à Vida da qual ele proveio, e em cuja união consiste sua mais alta bem-aventurança.

Aí reside o valor da devoção como libertadora.

O Amor, voltando-se para o Supremo, O vê como eminentemente desejável, como um Objeto de intenso desejo, e isso queima as ligações aos objetos que mantêm o coração em cativeiro.

Somente pelo Eu como Pensamento pode ser dominado o Eu como Desejo; o Eu, realizando-se como a vida, supera o Eu corporificado que se julga ser a forma.

O homem deve aprender a separar-se dos veículos nos quais deseja, pensa e age, a conhecê-los como parte do Não-Eu, como matéria externa à vida.

Assim, a energia que se dirigia aos objetos nos desejos inferiores torna-se o desejo superior guiado pela mente e está preparada para ser transmutada em Vontade.

¹ Bhagavad-Gita, ii, 59.

À medida que a mente inferior se funde com a superior, e a superior com aquilo que é Sabedoria, o aspecto da Vontade pura emerge como o Poder do Espírito, autodeterminado, autogovernado, em perfeita harmonia com a Vontade Suprema e, portanto, livre.

Então, somente então, todos os laços são rompidos, e o Espírito não é constrangido por nada exterior a si mesmo.

Então, e somente então, pode-se dizer que a Vontade é livre.

CAPÍTULO III

DESEJO (continuação)

1. O VEÍCULO DO DESEJO

Teremos de retornar à luta na natureza do desejo, a fim de acrescentar alguns detalhes úteis ao que já foi dito; mas é primeiro necessário estudar o Veículo do desejo, o Corpo de Desejo ou Corpo Astral, pois este estudo nos habilitará a compreender o método preciso pelo qual podemos trabalhar para subjugar e eliminar os desejos inferiores.

O Veículo do Desejo é composto do que se chama matéria astral, a matéria do plano acima do físico.

Esta matéria, como a física, existe em sete modificações, que relativamente umas às outras são como os subestados sólido, líquido, gasoso, etc., da matéria no plano físico. Assim como o corpo físico contém dentro de si esses vários subestados da matéria física, também o corpo astral contém dentro de si os vários subestados da matéria astral, cada um desses subestados tendo em si agregações mais grosseiras e mais finas, e o trabalho da purificação astral, como da física, consiste na substituição do mais fino pelo mais grosseiro.

Além disso, os subestados inferiores da matéria astral servem principalmente para a manifestação dos desejos inferiores, enquanto os subestados superiores vibram em resposta aos desejos que, transformados pela mistura da mente, tornam-se emoção. Os desejos inferiores, que se apegam aos objetos de prazer, encontram nos subestados inferiores o meio para sua força atrativa, e quanto mais grosseiros e baixos os desejos, mais grosseiras são as agregações de matéria que os expressam adequadamente.

À medida que o desejo faz a matéria correspondente no corpo astral vibrar, essa matéria torna-se fortemente vitalizada e atrai nova matéria semelhante de fora para si, aumentando assim a quantidade de tal matéria na constituição do corpo astral.

Quando os desejos são gradualmente refinados em emoções, os elementos intelectuais neles entram e, assim, diminuem, a quantidade de matéria mais fina aumenta similarmente no corpo astral, enquanto a matéria mais grosseira, deixada sem vitalização, perde energia e diminui em quantidade.

Esses fatos, aplicados à prática, ajudam-nos a enfraquecer o inimigo que está entronizado dentro de nós, pois o privamos de seus instrumentos.

Um traidor dentro de nós é mais perigoso do que um inimigo externo, e o corpo de desejos é um tal traidor, enquanto for composto de elementos que respondam às tentações externas.

O desejo, ao se construir com os materiais mais grosseiros, não é refreado pela mente, a mente recusando-se a imaginar o prazer passageiro que a posse do objeto acarretaria, e imaginando para si mesma a dor mais duradoura que isso causaria.

À medida que nos livramos da matéria mais grosseira que responde às atrações mais baixas, essas atrações perdem o poder de nos perturbar. Este Veículo de Desejo, portanto, deve ser tomado em consideração; conforme a sua construção, assim serão as atrações que o atingem de fora. Podemos trabalhar sobre a forma, mudar os elementos dos quais a forma é composta e, assim, transformar o inimigo em defensor.

Quando um homem está evoluindo em caráter, ele é, no entanto, confrontado com uma dificuldade que muitas vezes o alarme e o deprime.

Ele se vê abalado por desejos dos quais se encolhe, dos quais se envergonha e, apesar de seus esforços enérgicos para sacudi-los, eles não obstante se apegam a ele e o atormentam.

Eles são discordantes com seus esforços, suas esperanças, suas aspirações e, ainda assim, de alguma forma, parecem ser dele.

Essa experiência dolorosa se deve ao fato de que a consciência evolui mais rapidamente do que a forma pode mudar, e os dois estão, até certo ponto, em conflito um com o outro.

Há uma quantidade considerável das agregações mais grosseiras ainda presente no corpo astral; mas, como os desejos se tornaram mais refinados, eles não vivificam mais esses materiais.

Parte da antiga vitalidade persiste, não obstante, neles, e embora essas agregações estejam em decadência, não desapareceram por completo.

Agora, embora a natureza de Desejo do homem não esteja mais usando esses materiais para autoexpressão, eles podem ainda ser lançados em atividade temporária de fora e, assim, assumir uma aparência de vitalidade, como um cadáver galvanizado poderia fazer. Os desejos de outras pessoas — elementais de desejo de tipo maligno — podem se apegar a esses elementos desusados em seu corpo astral, e podem assim ser estimulados e revivificados, e fazê-lo sentir como seus os impulsos de desejos que ele abomina.

Onde tais experiências são vivenciadas, que o combatente perplexo crie coragem; mesmo na irrupção desses desejos, que os repudie como não sendo seus, e saiba que os elementos que eles utilizam nele pertencem ao passado e estão morrendo, e que o dia de sua morte e de sua liberdade está próximo.

Podemos tomar um exemplo do sonho para mostrar essa atuação da matéria gasta no corpo astral.

Um homem, em uma vida anterior, foi um bêbado, e suas experiências pós-morte imprimiram profundamente nele uma repulsão pela bebida; no renascimento, o Ego, nos novos corpos físico e astral, imprimiu neles essa repulsão, mas havia, não obstante, no corpo astral alguma matéria ali atraída pelas vibrações causadas no átomo permanente pela antiga embriaguez.

Essa matéria não é vivificada na vida presente por nenhum anseio por bebida, nem por qualquer rendição ao hábito de beber; pelo contrário, na vida de vigília, o homem é sóbrio.

Mas no sonho, essa matéria no corpo astral é estimulada à atividade a partir de fora, e sendo o controle do Ego fraco sobre o corpo astral¹, essa matéria responde às vibrações de anseio por bebida que a alcançam, e o homem sonha que bebe.

Além disso, se ainda houver no homem um desejo latente por bebida, fraco demais para se afirmar durante a consciência de vigília, ele pode vir à tona no estado de sonho.

Pois sendo a matéria física comparativamente pesada e difícil de mover, um desejo fraco não tem energia suficiente para causar vibrações nela; mas esse mesmo desejo pode mover a matéria astral muito mais leve, e assim um homem pode ser levado em um sonho por um desejo que não tem poder sobre ele em sua consciência de vigília.

Tais sonhos causam grande angústia, porque não são compreendidos.

O homem deve entender que o sonho mostra que a tentação está conquistada no que lhe diz respeito, e que ele é apenas perturbado pelo cadáver de desejos passados, vivificado de fora no plano astral, ou, se de dentro, então por um desejo moribundo fraco demais para movê-lo em seus momentos de vigília.

O sonho é um sinal de uma vitória quase completa.

¹ O Ego volta sua atenção para dentro durante o sono, até ser capaz de usar seu corpo astral independentemente; daí seu controle sobre ele ser fraco.

Ao mesmo tempo, é um aviso; pois diz ao homem que ainda há em seu corpo astral alguma matéria apta a ser vivificada por vibrações do anseio pela bebida, e que, portanto, ele não deveria se colocar durante a vida desperta sob condições onde tais vibrações possam abundar.

Até que tais sonhos tenham cessado inteiramente, o corpo astral não está livre de matéria que seja fonte de perigo.

2. O CONFLITO DO DESEJO E DO PENSAMENTO

Devemos agora retornar à luta na natureza do Desejo, à qual já foi feita referência, a fim de acrescentar alguns detalhes necessários.

Esse conflito pertence ao que pode ser chamado de estágio intermediário da evolução, aquele longo estágio que intervém entre o estado do homem inteiramente governado pelo Desejo, que se apodera de tudo o que quer, sem freio pela consciência, sem perturbação pelo remorso, e o estado do homem espiritual altamente evoluído, em quem Vontade, Sabedoria e Atividade operam em harmonia coordenada.

O conflito surge entre o Desejo e o Pensamento — o Pensamento começando a compreender a relação de si mesmo com o Não-Eu e com outros eus separados, e o Desejo, influenciado pelos objetos ao seu redor, movendo-se por atrações e repulsões, atraído de um lado para outro por objetos que seduzem.


Devemos estudar o estágio da evolução no qual as memórias acumuladas de experiências passadas, armazenadas na mente, se opõem à gratificação de desejos que se provaram conduzir à dor; ou, para falar com mais precisão, no qual a conclusão extraída pelo Pensador dessas experiências acumuladas se afirma diante de uma demanda da natureza do Desejo pelo objeto que foi marcado como perigoso.

O hábito de agarrar e desfrutar foi estabelecido por centenas de vidas, e é forte, enquanto o hábito de resistir a um prazer presente a fim de evitar uma dor futura está apenas em processo de estabelecimento, e é consequentemente muito fraco.

Daí os conflitos entre o Pensador e a natureza do Desejo terminarem por muito tempo em uma série de derrotas.

A jovem Mente lutando com o maduro corpo de Desejo encontra-se constantemente vencida.

Mas toda vitória da natureza do Desejo, sendo seguida por um breve prazer e uma longa dor, dá origem a uma nova força hostil a si mesma, que recruta a força de seu oponente.

Cada derrota do Pensador assim semeia as sementes de sua futura vitória, e sua força cresce diariamente enquanto a força da natureza do Desejo diminui.

Quando isso é claramente compreendido, não mais nos lamentamos por nossas próprias quedas e pelas quedas daqueles que amamos; pois sabemos que essas quedas estão assegurando a firme base do futuro, e que no ventre da dor está amadurecendo o futuro conquistador.

Nosso conhecimento do certo e do errado nasce da experiência e só se elabora por meio da provação.

O senso do certo e do errado, hoje inato no homem civilizado, foi desenvolvido por inúmeras experiências.

Nos primeiros dias do

DESEJO

Self separado, todas as experiências eram úteis em sua evolução e lhe traziam as lições necessárias ao seu crescimento. Gradualmente, ele aprendeu que a entrega aos desejos que, no curso de sua gratificação, prejudicavam outros, lhe trazia dor em desproporção ao prazer temporário derivado de sua satisfação.

Ele começou a atribuir a palavra "errado" aos desejos cuja entrega trazia um predomínio de dor, e isso tanto mais rapidamente porque os Mestres que guiavam seu crescimento inicial colocavam sobre os objetos que atraíam tais desejos a interdição de Sua desaprovação.

Quando ele Lhes desobedecia e o sofrimento se seguia, a impressão causada no Pensador era tanto mais poderosa pela previsão anterior, e a consciência — a Vontade de fazer o certo e abster-se do errado — era proporcionalmente fortalecida.

Nessa conexão, podemos facilmente ver o valor da admoestação, da repreensão e do bom conselho.

Tudo isso é armazenado na mente e são forças acrescentadas às memórias acumuladas que se opõem à gratificação do desejo errado.

Concedido que a pessoa advertida possa ceder novamente quando a tentação a assalta; isso apenas significa que o equilíbrio de forças ainda está a favor do desejo errado; quando o sofrimento previsto chega, a mente recordará todas as memórias de advertências e admoestações, e gravará mais profundamente em sua substância a decisão: "Este desejo é errado." O ato errado cometido meramente significa que a memória da dor passada ainda não é suficientemente forte para sobrepujar a atração do prazer imediato e ansiosamente antecipado.

A lição precisa ser repetida ainda algumas vezes, para fortalecer a memória do passado, e quando isso é feito, a vitória é certa.

O sofrimento é um elemento necessário no           216            UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

crescimento da alma, e traz em si a promessa desse crescimento. Em toda parte ao nosso redor, se enxergarmos corretamente, há o bem em crescimento; em nenhum lugar há mal sem esperança.

Essa luta se expressa no grito doloroso: “O que quero, isso não faço; o que não quero, isso faço.” “Quando quero fazer o bem, o mal está presente comigo.” O erro que cometemos, quando o desejo é contrário ao ato, é cometido pelo hábito do passado.

A Vontade fraca é dominada pelo Desejo forte.

Ora, o Pensador, em seu conflito com a natureza do Desejo, convoca em seu auxílio essa mesma natureza e se esforça por despertar nela um desejo que se oponha ao desejo contra o qual trava guerra.

Assim como a atração de um ímã fraco pode ser dominada pela de um mais forte, assim um desejo pode ser fortalecido para vencer outro; um desejo correto pode ser despertado para combater um desejo errado.

Daí o valor de uma ideia!.

3. O VALOR DE UM IDEAL

Um ideal é um conceito mental fixo, de caráter inspirador, formulado para guiar a conduta, e a formação de um ideal é um dos meios mais eficazes de influenciar o desejo.

O ideal pode, ou não, encontrar corporificação em um indivíduo, conforme o temperamento do homem que o formula, e deve-se sempre lembrar que o valor de um ideal depende em grande parte de sua atratividade, e que aquilo que atrai um temperamento de modo algum atrai necessariamente outro. Um ideal abstrato e um ideal pessoal são igualmente bons, considerados de um ponto de vista geral, e deve-se escolher aquele que, sobre o indivíduo que o escolhe, exerce a influência mais atrativa.

Uma pessoa de temperamento intelectual geralmente achará um ideal abstrato mais satisfatório; ao passo que uma de temperamento emocional exigirá uma corporificação concreta de seu pensamento.

A desvantagem do ideal abstrato é que ele tende a falhar em inspirar; a desvantagem da corporificação concreta é que a corporificação tende a ficar aquém do ideal.

A mente, naturalmente, cria o ideal e ou o retém como abstração, ou o corporifica em uma pessoa.

O momento escolhido para a criação de um ideal deve ser um momento em que a mente esteja calma, firme e luminosa, quando a natureza do Desejo esteja adormecida.

Então o Pensador deve considerar o propósito de sua vida, a meta a que visa, e, com isso a guiar sua escolha, deve selecionar as qualidades necessárias para capacitá-lo a alcançar essa meta.

Estas qualidades ele deve combinar em um único conceito, imaginando tão fortemente quanto puder essa integração das qualidades de que necessita.

Diariamente deve repetir esse processo de integração, até que seu ideal se destaque claramente na mente, dotado de toda a beleza do pensamento elevado e do caráter nobre, uma figura de atratividade irresistível.

O homem de intelecto manterá esse ideal como um conceito puro.

O homem de natureza emocional o incorporará em uma pessoa, como o Buda, o Cristo, Shri Krishna ou algum outro Mestre divino.

Neste último caso, ele estudará, se possível, Sua vida, Seus ensinamentos, Suas ações, e o ideal tornar-se-á assim cada vez mais fortemente vivificado, cada vez mais real para o Pensador.

Intenso amor brotará no coração por esse ideal encarnado, e o Desejo estenderá braços anelantes para abraçá-lo. E quando a tentação assaltar, e os desejos inferiores clamarem por satisfação, então o poder atrativo do ideal se afirma, o desejo mais elevado combate o mais baixo, e o Pensador se vê reforçado pelo reto desejo, a força negativa da memória que diz: "Abstém-te do que é baixo", sendo fortificada pela força positiva do ideal que diz: "Alcança o heroico." O homem que vive habitualmente na presença de um grande ideal está armado contra os desejos errôneos pelo amor ao seu ideal, pela vergonha de ser vil em sua presença, pelo anseio de assemelhar-se àquilo que adora, e também pela disposição e tendência geral de sua mente ao longo de linhas de pensamento nobre.

Os desejos errôneos tornam-se cada vez mais incongruentes.

Perecem naturalmente, incapazes de respirar naquele ar puro e claro.

Pode valer a pena observar aqui, em vista dos resultados destrutivos da crítica histórica nas mentes de muitos, que o valor do Cristo ideal, do Buda ideal, do Krishna ideal, não é de modo algum prejudicado por qualquer falta de dados históricos, por quaisquer defeitos nas provas da autenticidade de um manuscrito.

Muitas das histórias relatadas podem não ser historicamente verdadeiras, mas são ética e vitalmente verdadeiras.

Se este incidente aconteceu na vida física deste Mestre ou não, é questão de pouca importância; a reação de tal caráter ideal sobre seu ambiente é sempre profundamente verdadeira.

As escrituras do mundo representam fatos espirituais, quer os incidentes físicos sejam ou não historicamente verdadeiros.

Assim, o Pensamento pode moldar e dirigir o Desejo, e transformá-lo de inimigo em aliado.

Ao mudar a direção do Desejo, ele se torna uma força que eleva e vivifica, em vez de retardar, e onde os desejos por objetos nos mantinham presos                                 DESEJO

na lama da terra, o desejo pelo ideal nos ergue com asas fortes até o céu.

4. A PURIFICAÇÃO DO DESEJO

Já vimos o quanto pode ser feito na purificação do Veículo do Desejo, e a contemplação e adoração do ideal que acaba de ser descrita é um meio potentíssimo para a purificação do Desejo.

Os desejos malignos desaparecem à medida que os bons desejos são encorajados e cultivados — desaparecem simplesmente pela falta de nutrição.

O esforço para rejeitar todos os desejos errôneos é acompanhado pela firme recusa do pensamento em permitir que eles passem para as ações.

A Vontade começa a refrear a ação, mesmo quando o Desejo clama por gratificação.

E essa recusa em permitir a ação instigada pelo desejo errôneo gradualmente priva de todo poder atrativo os objetos que outrora a despertaram. "Os objetos dos sentidos... afastam-se de um habitante abstêmio do corpo."¹ Os desejos se desvanecem, famintos por falta de satisfação.

A abstenção da gratificação é um meio potente de purificação.

Há outro meio de purificação no qual a força repulsiva do Desejo é utilizada, assim como na contemplação do ideal a força atrativa foi evocada.

É útil em casos extremos, nos quais os desejos mais baixos são tumultuosos e insurgentes, tais desejos que conduzem aos vícios da gula, da embriaguez e da devassidão.

Às vezes um homem acha impossível livrar-se dos desejos malignos, e apesar de todos os seus esforços, sua mente cede aos seus impulsos fortes, e o cérebro é dominado.

Ele pode conquistar pela aparente rendição, levando as imaginações malignas às suas consequências inevitáveis.

Ele se imagina cedendo às tentações que o assaltam, e afundando cada vez mais no domínio do mal que o domina.

Ele acompanha a si mesmo, enquanto cai cada vez mais fundo, tornando-se o escravo indefeso de suas paixões.

Ele traça com vívida imaginação os estágios de sua descida, vê seu corpo tornando-se cada vez mais grosseiro, depois inchado e doente.

Ele contempla os nervos estilhaçados, as chagas repugnantes, a decadência e a ruína horríveis do que antes era um corpo forte e saudável.

Ele fixa os olhos na morte desonrada, o triste legado de memória vergonhosa deixado a parentes e amigos.

Ele enfrenta em pensamento o outro lado da morte e vê o solo e a distorção de seus vícios retratados no sofrimento do corpo astral, e a agonia do anseio de desejos que não podem mais ser satisfeitos.

Resolutamente, ele força seus pensamentos hesitantes a se deterem nesse panorama miserável do triunfo dos desejos errôneos, até que surja dentro dele uma forte repulsão contra eles, um medo intolerável e uma aversão ao resultado da rendição presente.

Tal método de purificação é como o bisturi do cirurgião, cortando um câncer que ameaça a vida, e, como todas as operações cirúrgicas, deve ser evitado a menos que nenhum outro meio de cura reste.

É melhor conquistar o desejo errôneo pela força atrativa de um ideal do que pela força repulsiva de um espetáculo de ruína.

Mas onde a atração falha em conquistar, a repulsão pode talvez prevalecer.

Há também um perigo neste último método, pois a matéria mais grosseira no Veículo do Desejo é aumentada por essa permanência em pensamento sobre o mal, e a luta é assim tornada mais longa do que quando é possível lançar a vida em bons desejos e altas aspirações.

Portanto, é o pior método dos dois, a ser aceito apenas quando o outro é inatingível.

Por atração superior, por repulsão, ou pelo lento ensinamento do sofrimento, o Desejo deve ser purificado.

O "deve" não é tanto uma necessidade imposta por uma Divindade externa quanto o comando imperial da Divindade interior, que não será negada.

Com essa verdadeira Vontade da Divindade, que é nosso Self, todas as forças divinas na natureza trabalham, e esse Self divino que quer o mais alto deve inevitavelmente, no fim, subjugar todas as coisas a si mesmo.

Com esse triunfo vem a cessação do Desejo.

Pois então os objetos externos não mais atraem ou repelem as energias emissoras do Atma, e essas energias são inteiramente dirigidas pela Sabedoria autodeterminada; isto é, a Vontade tomou o lugar do Desejo.

O bem e o mal são vistos como as forças divinas que trabalham para a evolução, um tão necessário quanto o outro, um o complemento do outro.

O bem é a força com a qual se deve trabalhar; o mal é a força contra a qual se deve trabalhar; pelo uso correto de ambos, os poderes do Self são evoluídos para a manifestação.

Quando o Self desenvolve o aspecto da Sabedoria, ele olha para o justo e o ímpio, o santo e o pecador, com olhos iguais, e está portanto igualmente pronto para ajudar ambos, para estender mãos fortes a qualquer um deles.

O Desejo, que as contemplava com atração e repulsão, como causadoras de prazer e de dor, cessou, e a Vontade, que é energia dirigida pela Sabedoria, traz auxílio adequado a ambas.

Assim, o homem eleva-se acima da tirania dos pares de opostos e habita na Paz Eterna.

CAPÍTULO IV

EMOÇÃO

1. O NASCIMENTO DA EMOÇÃO

A EMOÇÃO não é um estado simples ou primário de consciência, mas é um composto formado pela interação de dois dos aspectos do Self — Desejo e Intelecto.

A ação do Intelecto sobre o Desejo dá origem à Emoção; ela é filha de ambos e mostra algumas das características de seu pai, o Intelecto, bem como as de sua mãe, o Desejo.

Na condição desenvolvida, a Emoção parece tão diferente do Desejo que sua identidade fundamental fica um tanto velada; mas podemos ver essa identidade seja traçando o desenvolvimento de um desejo em uma emoção, seja estudando ambos lado a lado, e descobrindo que ambos têm as mesmas características, as mesmas divisões, que um é, de fato, uma forma elaborada do outro, sendo a elaboração devida à presença, no último, de uma série de elementos intelectuais ausentes, ou menos marcadamente proeminentes, no primeiro.

Tracemos o desenvolvimento de um desejo em uma emoção em uma das mais comuns relações humanas, a relação de sexo.

Aqui está o desejo em uma de suas formas mais simples; o desejo por alimento, o desejo por união sexual, são os dois desejos fundamentais de todos os seres vivos — desejo por alimento para manter a vida, desejo por união sexual para aumentar a vida.

Em ambos, experimenta-se o sentido de "mais-além", ou, dito de outra forma, sente-se prazer.

O desejo por alimento permanece um desejo; o alimento é apropriado, assimilado, perde sua identidade separada, torna-se parte do "Eu". Não há relação contínua entre o comedor e o alimento que dê margem à elaboração de uma emoção.

Diferente é o caso na relação de sexo, que tende a tornar-se cada vez mais permanente com a evolução da individualidade.

Dois selvagens são atraídos um pelo outro pela atração do sexo; uma paixão de possuir o outro surge em cada um; cada um deseja o outro.

O desejo é tão simples quanto o desejo por alimento.

Mas não pode ser satisfeito na mesma medida, pois nenhum pode apropriar-se e assimilar completamente o outro; cada um mantém, até certo ponto, sua identidade separada, e cada um apenas parcialmente se torna o "Eu" do outro.

Há, de fato, uma extensão do "Eu", mas por via de inclusão e não por via de autoidentificação.

A presença dessa barreira persistente é necessária para a transformação de um desejo em uma emoção.

Isso torna possível a ligação da memória e da antecipação ao mesmo objeto, e não a outro objeto semelhante em espécie — como no caso da comida.

Um desejo contínuo de união com o mesmo objeto torna-se uma emoção, misturando-se assim os pensamentos ao desejo primário de possuir.

A barreira que mantém os objetos mutuamente atraídos como dois, não um, que impede sua fusão, embora pareça frustrar, na realidade imortaliza; se fosse varrida, desejo e emoção igualmente desapareceriam, e os Dois-que-se-tornam-Um teriam então de buscar outro objeto externo para a maior expansão do prazer.


Voltemos aos nossos selvagens, unidos pelo desejo.

A mulher adoece e cessa, por um tempo, de ser um objeto de gratificação sexual.

Mas o homem recorda o deleite passado e antecipa o futuro, e um sentimento de simpatia por seu sofrimento, de compaixão por sua fraqueza, surge dentro dele.

A atração persistente por ela, devida à memória e à antecipação, transforma o desejo em emoção, a paixão em amor, e a simpatia e a compaixão são suas primeiras manifestações.

Estas, por sua vez, levarão a que ele se sacrifique por ela, despertando para cuidá-la quando desejaria dormir, esforçando-se por ela quando desejaria descansar.

Esses estados espontâneos da emoção de amor nele se solidificarão mais tarde em virtudes, i.e., tornar-se-ão estados permanentes em seu caráter, manifestando-se em resposta aos apelos da necessidade humana a todas as pessoas com quem ele entra em contato, quer o atraiam, quer não.

Veremos mais adiante que as virtudes são simplesmente estados permanentes de emoção correta.

Antes, porém, de tratar da relação entre ética e emoção, devemos compreender melhor a identidade fundamental de Desejo e Emoção, observando suas características e divisões.

Ao fazermos isso, descobriremos que as emoções não formam uma mera selva, mas que todas brotam de uma única raiz, dividindo-se em dois troncos principais, cada um destes subdividindo-se em ramos, nos quais crescem as folhas das virtudes e dos vícios.

Esta ideia fecunda, que torna possível uma ciência das emoções e, portanto, um sistema de ética inteligível e racional, deve-se a um autor indiano, Bhagavan Das, que pela primeira vez introduziu ordem nesta região até então confusa da consciência.

Os estudantes de psicologia encontrarão em sua *Ciência das Emoções* um tratado lúcido, expondo este esquema.

**EMOÇÃO**

que reduz o caos das emoções a um cosmos e nele molda uma moralidade ordenada. As linhas gerais de exposição aqui seguidas são extraídas dessa obra, à qual os leitores são remetidos para maiores detalhes.

Vimos que o Desejo tem duas expressões principais: desejo de atrair, a fim de possuir, ou ainda de entrar em contato com qualquer objeto que anteriormente tenha proporcionado prazer; desejo de repelir, a fim de afastar para longe, ou evitar o contato com, qualquer objeto que anteriormente tenha infligido dor.

Vimos que Atração e Repulsão são as duas formas do Desejo, que influenciam o Eu.

A Emoção, sendo Desejo infundido de Intelecto, inevitavelmente mostra a mesma divisão em duas.

A Emoção que é da natureza da Atração, atraindo os objetos uns aos outros pelo prazer, a energia integradora no universo, é chamada Amor.

A Emoção que é da natureza da Repulsão, afastando os objetos uns dos outros pela dor, a energia desintegradora no universo, é chamada Ódio.

Estas são os dois troncos da raiz do Desejo, e todos os ramos das emoções podem ser rastreados até um desses dois.

Daí a identidade das características do Desejo e da Emoção; o Amor busca atrair para si o objeto atraente, ou ir após ele, a fim de unir-se a ele, para possuí-lo, ou ser possuído por ele. Ele liga pelo prazer, pela felicidade, como o Desejo liga.

Seus laços são de fato mais duradouros, mais complicados, compostos de fios mais numerosos e mais delicados entrelaçados em maior complexidade, mas a essência do Desejo-Atração, a ligação de dois objetos entre si, é a essência da Emoção-Atração, do Amor.

E assim também o Ódio busca afastar de si o objeto repelente, ou 226           UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

fugir dele, a fim de estar separado dele, para repulsar, ou ser repulsado por ele. Ele separa pela dor, pela infelicidade.

E assim a essência do Desejo-Repulsão, o afastamento de dois objetos, é a essência da Emoção-Repulsão, do Ódio.

Amor e Ódio são as formas elaboradas e impregnadas de pensamento dos simples Desejos de possuir e de evitar.

2.   O JOGO DA EMOÇÃO NA FAMÍLIA

O homem foi descrito como "um animal social" — a maneira biológica de dizer que ele se desenvolve melhor em contato com seus semelhantes, não isolado deles.

Suas características distintamente intelectuais necessitam, para sua evolução, de um meio social, e seus prazeres mais intensos — e, portanto, necessariamente, suas dores mais intensas — surgem em suas relações com outros de sua própria espécie.

Somente eles podem evocar dele as respostas das quais depende seu crescimento posterior.

Toda evolução, todo despertar de poderes latentes, é em resposta a estímulos externos, e, quando se atinge o estágio humano, os estímulos mais pungentes e eficazes só podem vir de contatos com seres humanos.

A atração sexual é o primeiro vínculo social, e os filhos nascidos do marido e da esposa formam com eles a primeira unidade social, a família.

A prolongada incapacidade e dependência do infante humano dão tempo para que a paixão física da parentalidade amadureça na emoção do amor materno e paterno, e assim dão estabilidade à família, enquanto a própria família forma um campo no qual as várias emoções inevitavelmente atuam.

Aqui são primeiramente estabelecidas relações definidas e permanentes entre seres humanos, e da harmonia dessas relações, dos benefícios conferidos por essas relações a cada membro da família, depende a felicidade de cada um.

Podemos estudar vantajosamente o jogo da Emoção na família, pois aqui temos uma unidade social comparativamente simples, que ainda assim oferece um quadro em miniatura da sociedade em geral.

Podemos encontrar aqui a origem e a evolução das virtudes e dos vícios, e ver o significado e o objetivo da moralidade.

Já vimos como a paixão sexual evolui sob a pressão das circunstâncias para a emoção do amor, e como esse amor se manifesta como ternura e compaixão quando a esposa, em vez de ser a companheira igual, torna-se indefesa e dependente, na inferioridade física temporária causada, digamos, pela gestação.

Da mesma forma, se doença ou acidente reduzirem o marido à inferioridade física temporária, ternura e compaixão fluirão dele para a esposa.

Mas essas manifestações de amor não podem ser demonstradas pelo mais forte sem evocar do mais fraco manifestações de amor em resposta; estas, na condição de fraqueza, terão como características naturais a confiança, a segurança, a gratidão, todas igualmente emoções de amor tingidas pela fraqueza e pela dependência.

Na relação de pais para filhos e de filhos para pais, onde a superioridade e a inferioridade físicas são muito mais fortemente marcadas e persistem por um período considerável de tempo, essas emoções de amor serão continuamente manifestadas de ambos os lados.

Ternura, compaixão, proteção, serão constantemente demonstradas pelos pais aos filhos, e confiança, segurança, gratidão, serão a resposta constante dos filhos.

Variações na expressão da emoção de amor serão causadas pela variedade de circunstâncias, que despertarão generosidade, perdão, paciência, etc., por parte dos pais, e obediência, cumprimento do dever, prestatividade, por parte dos filhos.

Tomando essas duas classes de emoções, vemos que a essência comum em uma é a benevolência, e na outra, a reverência; a primeira é o amor olhando para baixo, para aqueles mais fracos, inferiores a si; a outra, o amor olhando para cima, para aqueles mais fortes, superiores a si.

E podemos então generalizar e dizer: Amor olhando para baixo é Benevolência; Amor olhando para cima é Reverência; e essas são as várias características comuns do Amor dos superiores para os inferiores, e do Amor dos inferiores para os superiores universalmente.

As relações normais entre marido e mulher, e entre irmãos e irmãs, oferecem-nos o campo para estudar as manifestações do amor entre iguais.

Vemo-la manifestando-se como ternura mútua e confiança mútua, como consideração, respeito e desejo de agradar, como rápida percepção e esforço para cumprir os desejos do outro, magnanimidade, tolerância.

Os elementos presentes nas emoções de amor do superior para o inferior são encontrados aqui, mas a mutualidade está impressa em todos eles.

Assim, podemos dizer que a característica comum do Amor entre iguais é o Desejo de Ajuda Mútua.

Assim, temos Benevolência, Desejo de Ajuda Mútua, Reverência como as três principais divisões da Emoção de Amor, e sob estas todas as emoções de amor podem ser classificadas.

Pois as relações humanas se resumem em três classes: relações de superiores para inferiores, de iguais para iguais, de inferiores para superiores.

Um estudo semelhante da Emoção de Ódio na família nos dará frutos semelhantes.

Onde há ódio entre marido e mulher, o superior temporário demonstrará aspereza, crueldade, opressão para com o inferior temporário, e estes serão respondidos pelo inferior com manifestações de ódio características da fraqueza, tais como vingança, medo e traição.

Estas serão ainda mais evidentes nas relações entre pais e filhos, quando ambos são dominados pela Emoção de Ódio, uma vez que a disparidade é aqui maior, e a tirania gera toda uma colheita de emoções malignas — engano, servilismo, covardia enquanto a criança está indefesa, e desobediência, revolta e vingança à medida que ela cresce.

Aqui também buscamos uma característica comum e descobrimos que o Ódio olhando para baixo é Desprezo, e olhando para cima é Medo.

Da mesma forma, o Ódio entre iguais se manifestará em ira, combatividade, desrespeito, violência, agressividade, ciúme, insolência, etc. — todas as emoções que repelem o homem do homem quando eles se encontram como rivais, face a face, não lado a lado.

A característica comum do Ódio entre iguais será, portanto, o Dano Mútuo.

E as três principais características da Emoção de Ódio são Desprezo, Desejo de Dano Mútuo e Medo.

O Amor é caracterizado em todas as suas manifestações pela simpatia, autossacrifício, o desejo de dar; esses são seus fatores essenciais, seja como Benevolência, como Desejo de Ajuda Mútua, como Reverência.

Pois todos esses servem diretamente à Atração, promovem a união, são da própria natureza do Amor.

Portanto, o Amor é do Espírito; pois simpatia é sentir pelo outro como se sentiria por si mesmo; autossacrifício é o reconhecimento da reivindicação do outro como a si mesmo; dar é a condição da vida espiritual.

Assim, vê-se que o Amor pertence ao Espírito, a            230             UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

O Ódio, por outro lado, é caracterizado em todas as suas manifestações pela antipatia, autoengrandecimento, o desejo de tomar; esses são seus fatores essenciais, seja como Desprezo, Desejo de Dano Mútuo ou Medo.

Todos esses servem diretamente à Repulsão, afastando um do outro.

Portanto, o Ódio é da Matéria, enfatiza a multiplicidade e as diferenças, é essencialmente separatividade, pertence ao lado da forma do universo.

Até agora, tratamos do jogo da Emoção na família, porque a família serve como uma miniatura da sociedade.

A sociedade é apenas a integração de numerosas unidades familiares, mas a ausência do laço de sangue entre essas unidades, a ausência de interesses comuns reconhecidos e de objetivos comuns, torna necessário encontrar algum vínculo que supra o lugar dos laços naturais na família.

As unidades familiares em uma sociedade aparecem na superfície como rivais, em vez de irmãos e irmãs; portanto, a Emoção de Ódio tem mais probabilidade de surgir do que a Emoção de Amor, e é necessário encontrar alguma maneira de manter a harmonia; isso se faz pela transmutação das emoções de amor em virtudes.

3. O NASCIMENTO DAS VIRTUDES

Vimos que, quando membros de uma família ultrapassam o pequeno círculo de parentes e encontram pessoas cujos interesses são indiferentes ou opostos aos deles, não há entre eles e "os outros" a interação mútua do Amor.

Antes, o Ódio se manifesta, variando da atitude vigilante de suspeita à fúria destruidora da guerra.

Como então uma sociedade pode ser composta de unidades familiares separadas?

Só pode ser feito tornando permanentes todos os estados emocionais que brotam do Amor e erradicando aqueles que brotam do Ódio.

Um estado permanente de uma emoção de amor dirigido a um ser vivo é uma Virtude; um estado permanente de uma emoção de ódio dirigido contra um ser vivo é um Vício.

Essa mudança é operada pelo Intelecto, que confere à emoção um caráter permanente, buscando harmonia em todas as relações a fim de que a felicidade resulte.

Aquilo que conduz à harmonia e, portanto, à felicidade na família, brotando espontaneamente do Amor, é Virtude quando praticado para com todos em todas as relações da vida.

A Virtude brota do Amor, e seu resultado é a felicidade.

Assim também aquilo que conduz à desarmonia e, portanto, à miséria na família, brotando espontaneamente do Ódio, é Vício quando praticado para com todos em todas as relações da vida.

Uma objeção é levantada a esta teoria, de que o estado permanente de uma emoção de amor é uma virtude, apontando-se que o adultério, o roubo e outros vícios podem brotar da emoção de amor.

Aqui, a análise dos elementos que entram na atitude mental é necessária.

Ela é complexa, não simples.

O ato de adultério é motivado pelo amor, mas não pelo amor apenas.

Entram nele também o desprezo pela honra de outrem, a indiferença à felicidade de outrem, o apego egoísta ao prazer pessoal ao custo da estabilidade social, da honra social, da decência social.

Ah, estas surgem de emoções de ódio.

O amor é o único traço redentor em toda a transação, a única virtude no feixe de vícios sórdidos.

Análise semelhante sempre mostrará que, quando o exercício de uma emoção de amor é errado, a incorreção está na...

wi 232                UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

4. CERTO E ERRADO

Voltemos agora, por um momento, à questão do Certo e do Errado, e vejamos a relação que mantêm com a bem-aventurança e a miséria.

Pois há uma ideia amplamente difundida de que há algo baixo e materialista na visão de que a virtude é o meio para a bem-aventurança.

Muitos pensam que essa ideia rebaixa a virtude, dando-lhe o segundo lugar onde deveria ocupar o primeiro, e tornando-a um meio em vez de um fim.

Vejamos então por que a virtude deve ser o caminho para a bem-aventurança, e como isso é inerente à natureza das coisas.

Quando o Intelecto estuda o mundo, e vê as inúmeras relações nele estabelecidas, e observa que relações harmoniosas trazem felicidade e que relações discordantes trazem miséria, ele se põe a descobrir o modo de estabelecer a harmonia universal e, portanto, a bem-aventurança universal.

Além disso, descobre que o mundo está avançando por um caminho que é compelido a trilhar — o caminho da evolução — e encontra a lei da evolução.

Pois uma parte, uma unidade, alinhar-se com a lei do todo ao qual pertence significa paz, harmonia e, portanto, felicidade, enquanto opor-se a essa lei significa atrito, desarmonia e, portanto, miséria.

Logo, o Certo é aquilo que, estando em harmonia com a grande lei, traz bem-aventurança, e o Errado é aquilo que, estando em conflito com a grande lei, traz miséria.

Quando o Intelecto, iluminado pelo Espírito, vê a natureza como uma expressão do Pensamento divino, a lei da evolução como uma expressão da Vontade divina, a meta como uma expressão da Bem-aventurança divina, então, em vez de harmonia com a lei da evolução, podemos substituir harmonia com a Vontade divina, e o Certo torna-se aquilo que está em harmonia com a Vontade de Deus, e a moralidade torna-se permeada de religião.

5. VIRTUDE E BEM-AVENTURANÇA

A perfeição, a harmonia com a Vontade divina, não pode ser separada da bem-aventurança.

A virtude é o caminho para a bem-aventurança, e se algo não conduz a ela, não é virtude.

A perfeição da natureza divina expressa-se em harmonia, e quando os dispersos "fragmentos divinos" entram em harmonia, eles provam a bem-aventurança.

Este fato é às vezes velado por outro, isto é, que a prática de uma virtude sob certas circunstâncias acarreta miséria.

Isso é verdade, mas a miséria é temporária e superficial, e o equilíbrio entre essa miséria exterior e a bem-aventurança interior que surge da conduta virtuosa é favorável a esta última; e, além disso, a miséria não se deve à virtude, mas às circunstâncias que se opõem à sua prática, ao atrito entre o organismo bom e o ambiente maligno.

Assim, quando você produz um acorde harmônico em meio a uma massa de dissonâncias, por um momento ele aumenta a dissonância.

O homem virtuoso é lançado em conflito com o mal, mas isso não deve nos cegar para o fato de que a bem-aventurança está sempre indissoluvelmente unida ao Direito e a miséria ao Errado.

Ainda que o justo possa sofrer temporariamente, nada além da retidão pode conduzir à bem-aventurança.

E se examinarmos a consciência do justo, descobrimos que ele é mais feliz em fazer o certo, ainda que uma dor superficial possa resultar, do que em fazer o errado, que perturbaria a paz interior.

A prática de um ato errado lhe causaria angústia interior superando o prazer externo.

Mesmo no caso em que a retidão conduz ao sofrimento externo, o sofrimento é menor do que o que seria causado pela iniquidade. A Srta. Helen Taylor disse acertadamente que, para o homem que morre pela verdade, a morte é mais fácil do que a vida com a falsidade; é mais fácil e mais agradável para o homem justo morrer como mártir do que viver como hipócrita.

Uma vez que a natureza do Self é bem-aventurança, e essa bem-aventurança é obstruída em sua manifestação por circunstâncias resistentes, tudo o que remove o atrito entre o Self e essas circunstâncias e abre seu caminho adiante deve conduzir à sua autorrealização, isto é, à realização da bem-aventurança.

A virtude faz isso; portanto, a virtude é um meio para a bem-aventurança.

Onde a natureza íntima das coisas é paz e alegria, a harmonia que permite à natureza desvelar-se deve trazer paz e alegria, e efetuar essa harmonia é a obra da virtude.

6. A TRANSMUTAÇÃO DAS EMOÇÕES EM VIRTUDES E VÍCIOS

Temos agora de ver mais plenamente a verdade do que foi dito acima, de que a virtude brota da emoção, e até que ponto é verdade que uma virtude ou um vício é meramente um estado de espírito permanente de uma emoção.

Nossa definição é que a virtude é um estado de espírito permanente da emoção de amor, e o vício um estado de espírito permanente da emoção de ódio.

As emoções pertencentes ao amor são as energias construtivas que, aproximando as pessoas, edificam a família, a tribo, a nação.

O amor é uma manifestação de atração, portanto mantém os objetos unidos.

Esse processo de integração começa com a família, e as relações estabelecidas entre seus membros na vida comum do lar implicam, se houver felicidade, o agir uns para com os outros de maneira útil e bondosa.

As obrigações necessárias para o estabelecimento da felicidade nessas relações são chamadas deveres, aquilo que é devido de um ao outro.

Se esses deveres não são cumpridos, as relações familiares tornam-se uma fonte de miséria, pois os contatos íntimos da família fazem a felicidade de cada um depender do tratamento que lhe é dado pelos outros.

Nenhuma relação pode ser estabelecida entre seres humanos que não crie uma obrigação entre eles, um dever de cada um para com o outro.

O marido ama a esposa, a esposa ama o marido, e nada mais é necessário para levar cada um a buscar a felicidade do outro do que o intenso desejo espontâneo de fazer feliz o ser amado.

Isso leva aquele que pode dar a suprir o que o outro necessita.

No sentido mais pleno, "o amor é o cumprimento da lei";¹ não há necessidade do sentimento de obrigação, pois o amor busca sempre ajudar e abençoar, e não há necessidade de "tu deves" ou "não deves". Mas quando uma pessoa, movida pelo amor a cumprir todos os deveres de sua relação com outro, entra em relação com aqueles que não ama, como se pode estabelecer uma relação harmoniosa com eles? Reconhecendo as obrigações da relação na qual entrou e cumprindo-as.

As ações que brotaram do amor no primeiro caso apresentam-se como obrigações, como deveres, no outro, onde o amor não está presente.

A razão correta transforma as ações espontâneas do amor em obrigações permanentes, ou deveres, e a emoção-amor, tornada elemento permanente da conduta, é chamada virtude.

Essa é a justificativa da afirmação de que a virtude é o estado permanente de uma emoção-amor.

Um estado permanente de emoção é estabelecido, que se manifestará quando a relação for feita; o homem cumpre os deveres da relação; ele é um homem virtuoso.

Ele é movido pela emoção tornada permanente pelo intelecto, que reconhece que a felicidade depende do estabelecimento da harmonia nas relações.

¹ Romanos, xiii, 10. 236 UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

O amor, racionalizado e fixado pela virtude intelectual.

Dessa forma pode ser construída uma ciência da ética, cujas leis são uma sequência tão inevitável quanto aquelas sobre as quais qualquer outra ciência é edificada.

Assim também, entre a emoção de ódio e os vícios existe relação semelhante.

O estado permanente de uma emoção de ódio é um vício.

Uma pessoa fere outra, e a segunda retribui a injúria; a relação entre essas duas é inarmônica e produtora de miséria.

E como cada uma espera injúria da outra, cada uma tenta enfraquecer o poder da outra de infligir injúria, e esta é a ação espontânea do ódio.

Quando esse estado se torna permanente, e um homem o demonstra em qualquer relação na qual entra, onde surge a oportunidade para manifestação, então é chamado de vício.

Um homem de paixões descontroladas e natureza não desenvolvida desfere um golpe como expressão espontânea de ódio.

Ele repete isso com frequência, e torna-se habitual quando está irado.

Ele inflige dor e sente prazer na inflição.

O vício da crueldade é desenvolvido, e se ele encontra uma criança ou uma pessoa mais fraca que ele, demonstrará crueldade simplesmente porque entra em relação com eles.

Assim como a emoção de amor, guiada e fixada pela razão correta, é virtude, assim também a emoção de ódio, guiada e fixada pela razão distorcida e cega, é vício.

7. APLICAÇÃO DA TEORIA À CONDUTA

Quando a natureza da virtude e do vício é assim compreendida, fica claro que o caminho mais curto para fortalecer as virtudes e eliminar os vícios é trabalhar diretamente sobre o lado emocional do caráter.

Podemos nos esforçar para desenvolver a emoção de amor, fornecendo assim o material que a razão elaborará em suas virtudes características.

O desenvolvimento da emoção de amor é o meio mais eficaz de evoluir o caráter moral, sendo as virtudes apenas as flores e os frutos que brotam da raiz do amor.

O valor dessa visão clara da transmutação das emoções em virtudes e vícios reside no fato de que nos dá uma teoria definida sobre a qual podemos trabalhar; é como se estivéssemos buscando um lugar distante, e um mapa fosse colocado diante de nossos olhos; traçamos nele o caminho que conduz de nossa posição atual até nossa meta.

Muitas pessoas realmente boas e sinceras passam anos em vagas aspirações pela bondade, e ainda assim fazem pouco progresso; são boas em propósito, mas fracas em realização; isso se deve principalmente ao fato de não compreenderem a natureza na qual estão trabalhando, nem os melhores métodos para seu cultivo.

São como uma criança num jardim, uma criança ansiosa por ver seu jardim brilhante de flores, mas sem o conhecimento para plantá-las e cultivá-las, e para exterminar as ervas daninhas que tomam conta do seu canteiro.

Como a criança, eles anseiam pela doçura das flores da virtude, e encontram seu   238              UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

jardim     tomado     pelo   crescimento   vigoroso   das ervas  daninhas do vício.

8.     OS USOS DA EMOÇÃO

Os usos da emoção do amor são tão óbvios que parece  quase desnecessário insistir neles, e, no entanto, não se pode dar ênfase demasiada ao fato de que o amor é a força construtiva no universo.

Tendo >reunido as unidades familiares, ele as solda em unidades tribais e nacionais maiores, e estas ele construirá no futuro na Irmandade do Homem: Tampouco devemos omitir o fato de que as unidades menores extraem o poder do amor e o preparam para uma expressão mais plena.

Sua utilidade é fazer manifestar o oculto poder divino do amor dentro do Espírito, dando-lhe objetos próximos que o atraiam.        O amor não deve ser confinado a esses estreitos limites, mas, à medida que ganha força pela prática, deve expandir-se para fora até abraçar todos os seres sencientes.

Podemos formular a lei do amor: Considerai toda pessoa idosa como vosso pai ou vossa mãe; considerai toda pessoa de idade semelhante como vosso irmão ou vossa irmã; considerai toda pessoa mais jovem como vosso filho.

Isso resume as relações humanas.

O cumprimento dessa lei tornaria a Terra um paraíso, e é para que a Terra se torne tal paraíso que a família existe.

Um homem que deseje ampliar suas relações de amor deveria começar a considerar o bem-estar de sua comunidade como considera o bem-estar de sua própria família.

Deveria esforçar-se para trabalhar pelo bem público de sua comunidade com a energia e o interesse com que trabalha por sua família.

Mais tarde, estenderá seu                             EMOÇÃO

✓ crescente interesse e labor à sua nação.

Então aparece a grande virtude do espírito público, o precursor seguro da prosperidade nacional.

Ainda mais tarde, amará e trabalhará pela humanidade, e finalmente abrangerá em seu amoroso cuidado todos os seres sencientes e se tornará "o amigo de toda criatura". Poucos, no estágio atual da evolução, são realmente capazes de amar a humanidade, e muitos falam de amar a humanidade que não estão prontos para fazer qualquer sacrifício para ajudar um sofredor irmão ou irmã próximo.

O servo da humanidade não deve ignorar os seres humanos à sua porta, nem imaginar com sentimental simpatia o jardim distante, enquanto as plantas ao redor de sua porta estão morrendo de sede.

Os usos do ódio não são à primeira vista tão óbvios, mas não são menos importantes.

À primeira vista, quando estudamos o ódio e vemos que em sua essência está a desintegração, a destruição, ele pode parecer mau; "Aquele que odeia seu irmão é um assassino", disse um grande Mestre, porque o assassinato não é senão uma expressão do ódio; e mesmo quando o ódio não chega ao assassinato, ainda é uma força destruidora; ele desfaz a família, a nação, e onde quer que vá, separa as pessoas.

De que utilidade é, então, o ódio? Primeiro, ele separa elementos incongruentes, impróprios para se combinarem, e assim evita fricção contínua.

Onde pessoas incôngruas e subdesenvolvidas estão em questão, é melhor que sejam levadas para longe umas das outras para seguirem seus respectivos caminhos de evolução, do que serem mantidas ao alcance umas das outras, estimulando-se mutuamente a emoções más intensificadas.

Em segundo lugar, a repulsão sentida pela alma comum por uma pessoa má é benéfica, enquanto essa pessoa má tiver o poder de desviá-la; pois essa repulsão, embora seja ódio, protege-a de uma influência à qual ela poderia de outro modo sucumbir.

O desprezo pelo mentiroso, pelo hipócrita, pelo que pratica crueldade contra os fracos, é uma emoção útil para quem a sente, e também para aquele contra quem é dirigida; pois tende a preservar o primeiro de cair em vícios semelhantes, e tende a despertar na pessoa desprezada um sentimento de vergonha que pode erguê-la do lamaçal em que está mergulhada.

Enquanto uma pessoa tiver qualquer tendência a um pecado, enquanto isso o ódio contra aqueles que praticam o pecado é protetor e útil.

Com o tempo, à medida que evolui, ela distinguirá entre o malfeitor e o mal, e terá pena do malfeitor e confinará seu ódio ao mal.

Mais tarde ainda, segura na virtude, ela não odiará nem o malfeitor nem o seu mal, mas verá tranquilamente um baixo estágio de evolução, do qual se esforçará por erguer seu irmão mais jovem por meios adequados.

"Indignação justa", "desprezo nobre", "ira justa" — todas são frases que reconhecem a utilidade dessas emoções, enquanto procuram velar o fato de que são essencialmente formas de ódio — um velamento devido ao sentimento de que o ódio é uma coisa má.

Não obstante, são essencialmente formas de ódio, seja qual for o nome que se lhes dê, embora desempenhem um papel útil na evolução e suas tempestades purifiquem a atmosfera social.

A intolerância ao mal é muito melhor do que a indiferença a ele, e até que um homem esteja além do alcance da tentação para qualquer pecado específico, a intolerância para com aqueles que o praticam é para ele uma salvaguarda necessária.

.     Tomemos o caso de um homem pouco evoluído; ele deseja evitar pecados grosseiros, mas ainda se sente tentado a eles.

O desejo de evitá-los se manifestará como ódio àqueles em quem                            EMOÇÃO

ele os vê; conter esse ódio seria mergulhá-lo em tentações que ele ainda não é forte o suficiente para resistir.

À medida que ele evolui cada vez mais para longe do perigo de ceder à tentação, ele odiará os pecados, mas simpatizará com piedade com o pecador.

Somente quando se tornar um santo poderá dar-se ao luxo de não odiar o mal.

Quando em nós mesmos sentimos repulsa por uma pessoa, podemos ter certeza de que temos em nós alguns traços remanescentes daquilo que desgostamos nela.

O Ego, vendo um perigo, afasta seus veículos.

Um homem perfeitamente temperante sente menos repulsa pelo bêbado do que um homem temperante que ocasionalmente excede.

Uma mulher totalmente pura não sente repulsa por uma irmã caída, de cujo contato as menos puras afastariam suas saias.

Quando alcançarmos a perfeição, amaremos o pecador tanto quanto o santo, e talvez possamos demonstrar mais amor ao pecador, pois o santo pode permanecer sozinho, mas o pecador cairá se não for amado.

Quando o homem se eleva ao ponto em que não odeia nem o pecador nem o pecado, então a força desintegradora — que é o ódio entre os seres humanos — torna-se simplesmente uma energia a ser usada para destruir os obstáculos que embaraçam o caminho da evolução.

Quando a sabedoria aperfeiçoada guia as energias construtivas e destrutivas, e o amor aperfeiçoado é a força motriz, somente então a força destrutiva pode ser usada sem incorrer no pecado-raiz do sentimento de separatividade.

Sentirmo-nos diferentes dos outros é a "grande heresia", pois a separatividade, quando o todo está evoluindo em direção à unidade, é oposição à Lei.

O sentimento de separatividade é definitivamente errado, quer leve a pessoa a pensar-se mais justa ou mais pecadora.

O perfeito         !  242              UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

O santo identifica-se com o criminoso tanto quanto com outro santo, pois o criminoso e o santo são semelhantes, embora em diferentes estágios de evolução.

Quando um homem sente assim, ele toca a vida do Cristo no homem.

Ele não pensa em si mesmo como separado, mas como uno com todos.

Para ele, a sua própria santidade é a santidade da humanidade, e o pecado de qualquer um é o seu pecado.

Ele não ergue barreira entre si e o pecador, mas derruba qualquer barreira feita pelo pecador, compartilhando o mal do pecador enquanto compartilha com ele o seu bem.

Aqueles que podem sentir a verdade deste "conselho de perfeição" devem, em suas vidas diárias, procurar praticá-lo, por mais imperfeitamente que seja.

Ao lidar com os menos avançados, nunca devem procurar nivelar o muro divisor.

Pois o senso de separatividade é sutil e perdura até alcançarmos a Cristicidade.

Contudo, por esse esforço podemos gradualmente diminuí-lo, e esforçar-nos por nos identificar com os mais humildes é exercer a energia construtiva que mantém os mundos unidos, e tornar-nos canais para o amor divino.

CAPÍTULO V

EMOÇÃO (continuação)

1. O TREINAMENTO DA EMOÇÃO

A EMOÇÃO é, como vimos, a força motriz no homem; ela estimula o pensamento; impele à ação; é como o vapor para a máquina; sem ela o homem seria inerte, passivo.

Mas há muitos que são presa contínua de suas emoções; que são apressados para cá e para lá pelas emoções, como um navio sem leme por ventos tempestuosos no oceano; que são lançados ao alto e arrastados para baixo pelas ondas de sentimentos alegres e dolorosos; que alternam entre exaltação e desespero.

Tal pessoa é dominada, subjugada pelas emoções, continuamente atormentada por seu conflito.

Ela é mais ou menos um caos interior, e é errática em suas ações externas, movida pelo impulso do momento, sem a devida consideração pelas circunstâncias ao redor, consideração essa que tornaria suas ações bem direcionadas.

Ela é frequentemente o que se chama de boa pessoa, inspirada por motivos generosos, movida a ações bondosas, cheia de simpatia pelo sofrimento e ansiosa por trazer alívio, lançando-se rapidamente à ação destinada a ajudar o sofredor. Não temos aqui a ver com o indiferente ou o cruel, mas com aquele cujas emoções o apressam à ação, antes de ele ter considerado as condições ou previsto os resultados de sua atividade, para além do alívio imediato da dor diante de seus olhos.

Tal pessoa — embora movida pelo desejo de ajudar, embora a emoção estimulante seja a simpatia e o desejo de aliviar o sofrimento — frequentemente causa mais dano do que bem, em consequência da imponderação de sua ação.

A emoção que a impele brota do lado amoroso de sua natureza, do lado que aproxima as pessoas, e que é a raiz das virtudes construtivas e preservadoras; e nesse próprio fato reside o perigo de tal pessoa.

Se a emoção tivesse raiz no mal, ela seria a primeira a erradicá-la; mas justamente por estar enraizada nessa emoção de amor, de onde brotam todas as virtudes sociais, ela não a suspeita, não se esforça por controlá-la. "Sou tão simpática; sou tão comovida pelo sofrimento; não suporto ver a miséria." Em todas essas frases, um certo elogio a si mesmo está implícito, embora o tom possa ser de depreciação.

Verdadeiramente, a simpatia é admirável, enquanto simpatia, mas seu exercício mal direcionado é frequentemente provocador de danos.

Às vezes, ela prejudica o próprio objeto da simpatia, e o deixa finalmente em pior situação do que no início.

Muitas vezes, formas imprudentes de alívio são adotadas, mais para remover a dor do simpatizante do que para curar o mal do sofredor, e uma dor momentânea é estancada ao custo de uma lesão duradoura, realmente, embora não declaradamente, para aliviar a dor do observador.

A reação da simpatia sobre a pessoa simpática é boa, aprofundando a emoção de amor; mas a ação sobre os outros é muitas vezes ruim, devido à falta de pensamento equilibrado.

É fácil, à vista da dor, encher a terra e o céu com nossos gritos, até que todo o ar esteja vibrante; é difícil pausar, medir a causa da dor e a cura, e então aplicar um remédio que cure em vez de perpetuar.

A Reta Razão deve governar e dirigir a emoção, se o bem deve resultar de seu exercício.

A emoção deve ser o impulso para a ação, mas não sua diretora; a direção pertence à inteligência, e sua prerrogativa de guia nunca deve ser arrancada dela. Onde a consciência assim opera, tendo a emoção forte como impulso e a reta razão como diretora, aí está o homem simpático e sábio que é útil à sua geração.

> Os desejos foram bem comparados a cavalos atrelados à carruagem do corpo, e os desejos estão enraizados nas emoções.

Onde as emoções são descontroladas, são como cavalos indomados e arrebatados que põem em perigo a segurança da carruagem e ameaçam a vida do condutor.

As rédeas foram comparadas à mente, as rédeas que guiam os cavalos, refreando ou soltando conforme necessário.

Bem se imagina aí a relação entre emoção, inteligência e ação.

A emoção dá o movimento, a inteligência controla e guia, e então o Eu usará a atividade da melhor maneira, como convém ao governante das emoções, não à sua vítima.

Com o desenvolvimento daquele aspecto da consciência que se manifestará como Buddhi na sexta sub-raça, e mais completamente na sexta Raça-Raiz, a natureza emocional evolui rapidamente em alguns dos avançados da quinta raça, e frequentemente por um tempo oferece muitos sintomas problemáticos e até aflitivos.

À medida que a evolução prossegue, esses serão superados, e a natureza se tornará equilibrada e também forte, sábia e também generosa; entretanto, a natureza em rápido desenvolvimento será tempestuosa e muitas vezes aflitiva, e sofrerá intensa e longamente.

Contudo, nesses próprios sofrimentos reside sua força futura, assim como sua purificação presente, e na proporção da agudeza dos sofrimentos estará a grandeza do resultado.

É nessas naturezas poderosas que Buddhi luta para nascer, e a angústia do parto está sobre elas.

Em breve Buddhi, o Cristo, a "criancinha", nascerá, Sabedoria e Amor em um só, e isso, unido à alta inteligência, é o Ego espiritual, o verdadeiro Homem Interior, o Governante Imortal.

O estudante que estuda sua própria natureza a fim de tomar sua evolução em mãos e dirigir seu curso futuro deve observar cuidadosamente sua própria força e sua própria fraqueza, para regular uma e corrigir a outra.

Em pessoas desigualmente desenvolvidas, o intelecto e a emoção tendem a variar em razão inversa um do outro; emoções fortes acompanham inteligência fraca, e inteligência forte acompanha emoções fracas; em um caso, o poder diretivo é fraco; no outro, o motivo.

O estudante, então, em sua autoanálise, deve verificar se sua inteligência é bem desenvolvida, se ele acha suas emoções fortes; deve testar a si mesmo para descobrir se está relutante em olhar as coisas sob "a clara e seca luz do intelecto"; se ele se sente repelido quando um assunto lhe é apresentado sob essa luz, pode estar certo de que o lado emocional de sua natureza está superdesenvolvido em proporção ao lado intelectual.

Pois o homem bem equilibrado não se ressentiria nem da luz clara da inteligência diretora, nem da força poderosa da emoção motivadora.

Se no passado um lado foi supercultivado, se as emoções foram fomentadas em detrimento da inteligência, então os esforços devem ser voltados para o fortalecimento do intelecto, e a

EMOÇÃO

aversão que surge contra uma apresentação friamente intelectual deve ser severamente refreada, sendo reconhecida a diferença entre inteligência e simpatia.

2. A FORÇA DISTORCEDORA DA EMOÇÃO

Uma das coisas mais propensas a serem negligenciadas pela pessoa emocional é a maneira como a emoção preenche sua atmosfera circundante com suas vibrações, e assim enviesa a inteligência; tudo é visto através dessa atmosfera e é colorido e distorcido por ela, de modo que as coisas não chegam à inteligência em sua verdadeira forma e cor, mas chegam torcidas e descoloridas.

Nossa aura nos rodeia e deveria ser um meio límpido através do qual tudo no mundo exterior deveria chegar até nós em sua própria forma e cor; mas quando a aura está vibrando com emoção, ela não pode agir como tal meio, e tudo o que nela penetra é refratado, chegando até nós bem diferente do que é. Se uma pessoa está sob a água e um bastão é colocado perto dela no ar, e ela tenta tocá-lo, sua mão será direcionada erroneamente, pois ela colocará a mão no lugar onde vê o bastão, e como os raios que dele provêm são refratados ao entrar na água, o bastão estará, para ela, deslocado.

Da mesma forma, quando uma impressão do mundo exterior nos alcança através de uma aura sobrecarregada de emoção, suas proporções são distorcidas e sua posição é mal avaliada: portanto, os dados fornecidos à inteligência são errôneos, e o julgamento neles fundamentado será necessariamente errado, por mais precisamente que a inteligência trabalhe.

Mesmo a mais cuidadosa autoanálise não nos protegerá inteiramente contra essa perturbação emocional.

O intelecto sempre  248           UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

tende a julgar favoravelmente aquilo que nos agrada, desfavoravelmente aquilo que nos desagrada, devido à "refração" acima mencionada.

Os argumentos a favor de certo curso de ação são lançados em forte luz pelo nosso desejo de segui-lo, e os argumentos contra ele são lançados à sombra.

Uns parecem tão claros e convincentes, outros tão duvidosos e fracos.

E para a nossa mente, vendo através da emoção, é tão certo que estamos certos, e que qualquer um que não veja como nós vemos é influenciado por preconceito ou é deliberadamente perverso.

Contra esse perigo sempre presente, só podemos nos proteger com cuidado e esforço persistente, mas não podemos escapar dele definitivamente até transcendermos as emoções e nos tornarmos absolutamente seus senhores.

Resta um caminho pelo qual podemos ajudar-nos a um julgamento correto, e esse é estudar o funcionamento da consciência nos outros, e ponderar suas decisões em circunstâncias semelhantes às nossas.

Os julgamentos que mais nos repelem são os mais prováveis de nos serem úteis, porque feitos através de um meio emocional muito diferente do nosso.

Podemos comparar suas decisões com as nossas, e, observando os pontos que mais os afetam e menos a nós, e que pesam mais sobre nós e mais levemente sobre eles, podemos separar os elementos emocionais dos intelectuais nos julgamentos.

E mesmo quando nossas conclusões são equivocadas, o esforço para chegar a elas é corretivo e iluminativo; auxilia no domínio das emoções e fortalece o elemento intelectual.

Tais estudos devem, naturalmente, ser feitos quando não há perturbação emocional, e seus frutos devem ser armazenados para uso nos momentos em que as emoções estão fortes.

EMOÇÃO

3. MÉTODOS PARA DOMINAR AS EMOÇÕES

O primeiro e mais poderoso método para obter o domínio das emoções é — como em tudo que toca a consciência — a Meditação.

Antes que o contato com o mundo tenha perturbado as emoções, deve-se recorrer à meditação. Ao voltar ao corpo após o período de sono físico, vindo de um mundo mais sutil que o físico, o Ego encontrará seu invólucro tranquilo e poderá tomar posse calmamente do cérebro e dos nervos descansados.

A meditação mais tarde no dia, quando as emoções foram perturbadas e estão em plena atividade, não é tão eficaz.

O momento tranquilo disponível após o sono é a estação adequada para a meditação eficaz, pois o corpo de desejos — a natureza emocional — está mais tranquilo do que depois de mergulhar na agitação do mundo.

Dessa hora matinal de paz emanará a influência que guardará durante o dia, e as emoções, acalmadas e serenadas, tornar-se-ão mais dóceis ao controle.

Onde for possível, é bom prever as questões que possam surgir durante o dia e chegar a conclusões sobre a visão a adotar e a conduta a seguir.

Se soubermos que seremos colocados sob certas condições que despertarão nossas emoções, podemos decidir antecipadamente sobre nossa atitude mental e até mesmo chegar a uma decisão sobre nossa ação.

Supondo que tal decisão tenha sido alcançada, então, quando as circunstâncias surgirem, essa decisão deve ser recordada e posta em prática, mesmo que a onda das emoções nos impulsione para um curso diferente.

Por exemplo, vamos encontrar uma pessoa por quem temos forte afeição, e decidimos em nossa meditação sobre o curso que é mais sábio seguir, decidindo na luz clara da inteligência calma o que é melhor para todos os envolvidos.

A essa decisão devemos aderir, mesmo que haja a inclinação de sentir: "Não dei o peso adequado a essa visão." Na verdade, sob essas condições, dá-se peso excessivo, tendo sido dado o peso adequado no pensamento mais calmo; e é o plano mais sábio seguir o caminho previamente traçado, apesar dos impulsos emocionais do momento.

Pode haver um erro de julgamento, mas se o erro não for percebido durante a meditação, provavelmente não será percebido durante um turbilhão de emoções.

Outro método de refrear as emoções é pensar sobre o que será dito antes de falar, colocar um freio na língua.

O homem que aprendeu a controlar sua fala conquistou tudo, diz um antigo legislador oriental.

A pessoa que nunca profere uma palavra áspera ou mal considerada está bem encaminhada para o controle da emoção.

Dominar a fala é dominar toda a natureza.

É um bom plano não falar — deliberadamente conter a fala — até que se esteja claro sobre o que se vai dizer, certo de que a fala é verdadeira, de que é adaptada à pessoa a quem será dirigida e de que é tal como deve ser dita.

A verdade vem em primeiro lugar e acima de tudo, e nada pode desculpar a falsidade da fala; muitas palavras proferidas sob estresse emocional são falsas, seja por exagero ou distorção.

Então, a adequação da fala à pessoa a quem é dirigida é com demasiada frequência esquecida, na pressa da emoção ou no ardor do sentimento forte.

Uma ideia bastante equivocada de uma grande verdade pode ser apresentada se o ponto de vista da pessoa a quem nos dirigimos não for levado em consideração; é necessária simpatia, o ver como ele vê, pois somente então a verdade pode ser útil e proveitosa.

Não se está tentando ajudar a si mesmo, mas ajudar a outro, ao apresentar-lhe a verdade.

Talvez a concepção da lei como imutável, inviolável, absolutamente imparcial, possa ser inspiradora, fortalecedora, edificante para o orador, ao passo que essa concepção é impiedosa e esmagadora para uma pessoa não desenvolvida, e prejudica em vez de ajudar.

A verdade não tem por objetivo esmagar, mas elevar, e fazemos mau uso da verdade quando a entregamos a quem não está pronto.

Há abundância para atender às necessidades de cada um, mas é preciso discernimento para escolher com sabedoria, e o entusiasmo não deve forçar um esclarecimento prematuro.

Muitos jovens teosofistas causam mais dano do que bem ao imporem aos outros, com excesso de zelo, os tesouros que tanto prezam.

Por último, a forma do discurso, a necessidade ou a utilidade de sua enunciação, deve ser considerada.

Uma verdade que poderia ajudar pode ser transformada em uma verdade que atrapalha pela maneira como é apresentada. "Nunca fale o que não é verdadeiro, nunca fale o que é desagradável" é uma regra de ouro da fala.

Toda fala deve ser veraz, doce e agradável.

Essa agradabilidade da fala é demasiado frequentemente esquecida por pessoas bem-intencionadas, que até se orgulham de sua franqueza quando são meramente rudes e indiferentes aos sentimentos daqueles a quem se dirigem.

Mas isso não é nem boa educação nem religião, pois o grosseiro não é o religioso. A religião combina a verdade perfeita com a cortesia perfeita.

Além disso, o supérfluo, o inútil, é prejudicial, e muito dano é causado pelo borbulhar contínuo de emoções frívolas em conversa fiada e tagarelice.

Pessoas que não suportam o silêncio e estão sempre tagarelando dissipam suas forças intelectuais e morais, além de darem vazão a uma centena de tolices que seria melhor não dizer.

Ter medo do silêncio é sinal de fraqueza, e o silêncio calmo é melhor do que o discurso tolo; no silêncio, as emoções crescem e se fortalecem enquanto permanecem controladas, e assim o poder motriz da natureza aumenta e também é subjugado.

O poder do silêncio é grande e, frequentemente, exerce um efeito dos mais suavizantes; por outro lado, aquele que aprendeu a silenciar deve ter cuidado para que seu silêncio não invada sua cortesia; não deve, por um silêncio inapropriado entre outros, fazê-los sentirem-se frios e desconfortáveis.

Alguns podem temer que tal consideração antes de a fala ser esboçada possa tanto obstruir a troca de pensamentos a ponto de paralisar a conversação; mas todos os que praticaram tal controle testemunham que, após uma breve prática, nenhum intervalo perceptível é causado antes de a réplica ser proferida.

Mais veloz que a luz é o movimento da inteligência, e ela percorrerá os pontos a serem considerados enquanto se respira; é verdade que no início haverá uma ligeira hesitação, mas em poucas semanas nenhuma pausa será necessária, e a revisão da elocução proposta será feita com rapidez demasiada para causar obstrução.

Muitos oradores podem testemunhar que, na torrente rápida de um período declamatório, a mente se assenta com facilidade, ponderando frases alternativas e avaliando seus respectivos méritos antes que uma seja escolhida e as demais sejam descartadas, e, no entanto, ninguém na plateia arrebatada saberá de tal jogo secundário, ou sonhará que, por trás da elocução veloz, ocorre alguma ação seletiva desse tipo. Um terceiro método de dominar a emoção é abster-se de agir por impulso.

A pressa em agir é característica da mente moderna, e é o excesso da presteza que constitui sua virtude.

Quando consideramos a vida com calma, percebemos que nunca há necessidade de pressa; há sempre tempo suficiente, e a ação, por mais rápida que seja, deve ser bem considerada e sem afobação.

Quando um impulso provém de alguma emoção forte e nós nos lançamos adiante em obediência, sem consideração, agimos de forma imprudente.

Se nos treinarmos para pensar antes de agir em todos os assuntos ordinários, então, se um acidente ou qualquer outra coisa acontecer em que uma ação pronta seja necessária, a mente veloz equilibrará as demandas do momento e dirigirá uma ação rápida, mas não haverá pressa! nenhum erro impensado e imprudente.

"Mas não deveria eu seguir minha intuição?" — alguém pode perguntar.

Impulso e intuição são com demasiada frequência confundidos, embora radicalmente diferentes em origem e características.

O impulso brota da natureza do desejo, da consciência que atua através do corpo astral, e é uma energia lançada para fora em resposta a um estímulo externo, uma energia não dirigida pela inteligência, precipitada, impensada, impetuosa; a intuição brota do Ego espiritual, e é uma energia que flui para fora para atender a uma demanda externa, uma energia dirigida pelo Ego espiritual, forte, calma, propositada.

Para distinguir entre as duas, até que a natureza esteja completamente equilibrada, é necessária uma consideração calma, e a demora é essencial; um impulso desaparece sob tal consideração e demora; uma intuição torna-se mais clara e mais forte sob tais condições; a calma permite que a mente inferior a ouça e sinta sua serena imperiosidade.

Além disso, se o que parece ser uma intuição é na realidade uma sugestão de algum Ser superior, essa sugestão soará mais alto em nossa meditação silenciosa e não perderá nada de sua força com essa demora calma.


É verdade que há certo prazer na entrega ao impulso impetuoso, e que a restrição imposta é dolorosa por um tempo.

Mas o esforço para levar a vida superior está repleto dessas renúncias ao prazer e aceitações da dor, e gradualmente chegamos a sentir que há uma alegria maior na ação calma e ponderada do que na rendição ao impulso tumultuoso, e que eliminamos uma fonte constante de arrependimento.

Pois constantemente tal rendição se revela uma fonte de tristeza, e o impulso se mostra um erro. Se a ação proposta for boa, o propósito de realizá-la será fortalecido, não enfraquecido, pelo pensamento cuidadoso.

E se o propósito enfraquece com o pensar, então é certo que vem da fonte inferior, não da superior.

A meditação diária, a consideração cuidadosa antes de falar, a recusa em ceder ao impulso — esses são os principais métodos para transformar as emoções em servos úteis, em vez de mestres perigosos.

4. O USO DA EMOÇÃO

Somente aquele que se tornou seu mestre pode usar uma emoção, e que sabe que as emoções não são ele mesmo, mas que atuam nos veículos em que habita e são devidas à interação entre o Self e o Não-Self.

Sua natureza sempre mutável as marca como pertencentes aos veículos; elas são agitadas à atividade por coisas externas, respondidas pela consciência interior.

O atributo da consciência que dá origem às emoções é a Bem-aventurança, e o prazer e a dor são os movimentos no veículo de desejo causados pelos contatos do mundo exterior, e pela resposta através dele a estes do

                          EMOÇÃO

Self como Bem-aventurança; assim como os pensamentos são os movimentos devidos a contatos similares e à resposta a eles do Self como Conhecimento.

À medida que o Self se conhece e se distingue de seus veículos, torna-se governante das emoções, e o prazer e a dor tornam-se igualmente modos de Bem-aventurança.

À medida que se progride, descobrir-se-á que maior equilíbrio é alcançado sob a tensão do prazer e da dor, e que as emoções não mais perturbam o equilíbrio da mente.

Enquanto o prazer exalta e a dor paralisa, de modo que o cumprimento do dever é dificultado e obstruído, enquanto isso o homem é escravo, e não governante, de suas emoções.

Quando ele tiver aprendido a governá-las, a maior onda de prazer, a mais aguda picada da dor, podem ser sentidas, e ainda assim a mente permanecerá firme e se dedicará calmamente à tarefa em mãos. Então, tudo o que vier é transformado em uso.

Da dor se obtém poder, assim como do prazer se obtêm vitalidade e coragem.

Todas se tornam forças que ajudam, em vez de obstáculos que impedem.

Desses usos, a oratória pode servir como ilustração.

Você ouve um homem inflamado pela paixão, suas palavras tropeçando umas nas outras, seus gestos violentos; ele é possuído, arrebatado pela emoção, mas não domina sua audiência.

O orador que domina é o mestre de suas emoções e as usa para afetar sua audiência; suas palavras são deliberadas e bem escolhidas mesmo no fluxo de seu discurso, seus gestos apropriados e dignos.

Ele não está sentindo as emoções, mas as sentiu, e agora usa seu passado para moldar o presente.

Na proporção em que um orador sentiu e se elevou acima de suas emoções estará seu poder de usá-las.

Ninguém sem fortes emoções pode ser um grande orador; mas a 256            UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

grandeza cresce à medida que as emoções são trazidas sob controle. Uma explosão mais eficaz resulta de um arranjo cuidadoso dos explosivos e de uma aplicação deliberada do fósforo do que lançando-os de qualquer maneira, e o fósforo depois deles, na esperança de que algo possa pegar.

Enquanto alguém é agitado pelas emoções, a visão necessária para o serviço útil fica turva.

O auxiliar valioso é o homem que está calmo e equilibrado enquanto sente simpatia.

Que tipo de médico seria aquele que, no meio de uma operação, irrompesse em lágrimas? No entanto, muitas pessoas ficam tão angustiadas com a visão do sofrimento que todo o seu ser é abalado por ele, e assim aumentam o sofrimento em vez de aliviá-lo. Toda emoção causa vibrações fortes, e estas passam de uma pessoa para outra; um auxiliador eficaz deve ser calmo e firme, permanecendo inabalável e irradiando paz.

Aquele que se coloca em um ponto elevado acima das ondas pode ajudar outro a alcançar essa posição vantajosa melhor do que se estivesse ele próprio lutando contra as ondas.

Outro uso das emoções, quando estão completamente sob controle, é evocar e utilizar a emoção apropriada para despertar em outra pessoa uma emoção que lhe seja benéfica.

Se uma pessoa está com raiva, a resposta natural às suas vibrações é a raiva em alguém que ela encontra, pois todas as vibrações tendem a ser reproduzidas por simpatia.

Como todos temos corpos emocionais, qualquer corpo que vibre perto de nós de uma maneira particular tende a causar vibrações semelhantes em nós, se tivermos em nossos corpos a matéria apropriada.

A raiva desperta a raiva, o amor desperta o amor, a gentileza desperta a gentileza.

Quando somos senhores de nossas emoções e sentimos a onda de raiva surgir em resposta às vibrações de raiva em outro, devemos imediatamente conter essa resposta e deixar que as ondas de raiva se choquem contra nós, enquanto permanecemos imóveis.

O homem que consegue manter seu próprio corpo emocional quieto, enquanto os dos outros vibram fortemente ao seu redor, aprendeu bem a lição do autocontrole.

Quando isso é feito, ele está pronto para dar o próximo passo: encontrar a vibração de uma emoção maligna com a vibração da emoção boa correspondente, e assim ele não apenas se abstém da raiva, mas envia vibrações que tendem a aquietar as vibrações de raiva do outro.

Ele responde à raiva com amor, à ira com gentileza.

No início, essa resposta deve ser deliberada, de propósito definido, e pessoas irritadas podem ser usadas para praticar. Quando alguém cruza nosso caminho, nós o utilizamos.

A tentativa será, sem dúvida, fria e seca no começo, contendo apenas a vontade de amar e nenhuma emoção; mas depois de um tempo, a vontade de amar produzirá um pouco de emoção, e por fim um hábito será estabelecido, e a bondade será a resposta espontânea à maldade.

A prática firme e deliberada de responder assim às vibrações de emoções errôneas que nos alcançam de fora estabelecerá um hábito no corpo emocional, e ele responderá corretamente de forma automática.

O ensinamento de todos os grandes Mestres de Ética é o mesmo: “Retribuí o bem pelo mal.” E o ensinamento baseia-se nessa interação de vibrações causadas pelas emoções de amor e de ódio.

A retribuição do mal o intensifica, enquanto a retribuição do bem neutraliza o mal.

Despertar emoções de amor nos outros, enviando-lhes uma corrente de tais emoções, de modo a estimular tudo o que há de bom neles e a enfraquecer tudo o que há de mau, é o uso mais elevado que podemos dar às nossas emoções em 258                UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

no serviço humano diário.

É um bom plano ter em mente uma lista de correspondências nas emoções e praticar de acordo, respondendo ao orgulho com humildade, à descortesia com compaixão, à arrogância com submissão, à aspereza com gentileza, à irritabilidade com calma.

Assim se constrói uma natureza que responde a todas as emoções más com as boas correspondentes e que atua como uma bênção sobre tudo ao redor, diminuindo o mal nos outros e fortalecendo o bem.

5.     O VALOR DA EMOÇÃO NA EVOLUÇÃO

Vimos que a emoção é o poder motivador no homem, e, para transformá-la em auxiliar na evolução, devemos utilizá-la para elevar e não permitir que ela degrade.

O Ego, em sua evolução, necessita de “pontos que o atraiam” para cima, como diz A Voz do Silêncio, pois o caminho ascendente é íngreme, e um objeto atraente acima de nós, pelo qual possamos nos esforçar, é um auxílio cujo valor é impossível superestimar.

Muitas vezes ficamos para trás no caminho e não sentimos desejo de prosseguir; a aspiração está inerte, o anseio de ascender fugiu.

Então podemos convocar a emoção em nosso auxílio, entrelaçando-a em torno de algum objeto de devoção, e assim obter o ímpeto de que necessitamos, a força de elevação que almejamos.

Essa forma de emoção é o que frequentemente se chama culto ao herói, o poder de admirar e amar grandemente alguém mais nobre do que nós mesmos; e ser capaz de assim amar e admirar é ter à disposição uma das grandes forças de elevação na evolução humana.

O culto ao herói é muitas vezes depreciado porque um ideal perfeito não é possível de encontrar entre os homens que vivem no mundo, mas um ideal parcial que possa ser amado e imitado é um auxílio para acelerar a evolução.

É verdade que haverá fraquezas                           EMOÇÃO

em tal ideal parcial, e é necessário distinguir entre as qualidades heroicas e as fraquezas encontradas em conjunto com elas; mas a atenção deve ser fixada nas qualidades heroicas que estimulam, e não nas máculas que marcam todo aquele que ainda não transcendeu a humanidade.

Reconhecer que as fraquezas são do Não-Eu e são passageiras, enquanto a nobreza é do Eu que perdura, amar o que é grande e saber passar por cima do que é pequeno, esse é o espírito que conduz ao discipulado dos Grandes Seres.

Somente o bem é obtido pelo adorador de heróis a partir de seu ideal, se ele honrar a grandeza e desconsiderar a fraqueza, e sobre o próprio herói recairá o carma de suas próprias imperfeições.

Mas diz-se: se assim reconhecemos a nobreza do Eu em meio às fraquezas humanas, estamos apenas fazendo o que deveríamos fazer com todos, e por que fazer de alguém um herói em quem ainda há alguma fraqueza humana? Por causa da ajuda que nosso herói nos dá como inspiração e como medida de nossa própria realização.

Nenhuma pessoa comum pode ser transformada em herói; é somente quando o Eu brilha com um esplendor mais que ordinário que surge a inclinação à adoração de heróis.

O homem é um herói, embora ainda não sobre-humano, e suas fraquezas são apenas como manchas no sol.

Há um provérbio que diz: "Ninguém é herói para o seu criado de quarto", e o cínico lê isso como significando que o homem mais heroico deve sua grandeza à distância.

Mas não seria antes o significado de que a alma-criada, atenta ao brilho de uma bota e ao caimento de uma gravata, não pode apreciar aquilo que faz o herói, não tendo nela nada que possa ressoar simpaticamente com as notas que o herói emite? Pois ser capaz de admirar significa ser capaz de realizar, e amor e reverência pelos grandes são um sinal de que o homem está se tornando semelhante a eles.

Quando a emoção é assim despertada, devemos nos julgar por nosso ideal, e nos envergonhar de fazer ou pensar qualquer coisa que trouxesse uma sombra de tristeza sobre os olhos daqueles que reverenciamos.

Sua presença deveria estar conosco como um elevador, e, julgando-nos à luz da maior realização, descobrimos que também começamos a realizar.

Que a luz pura do Eu não brilhe através de nenhum daqueles que trilham os caminhos lamacentos da terra é verdade, mas há aqueles através dos quais luz suficiente brilha para iluminar a escuridão e para nos ajudar a ver onde firmar nossos pés, e é melhor agradecer e honrar a esses, alegrar-nos e regozijar-nos com eles, do que menosprezá-los porque não são inteiramente do céu, porque alguns toques de fraqueza humana enredam seus pés.

Bem-aventurados, na verdade, são aqueles que possuem a natureza heroica e, por isso, reconhecem seus afins; para eles espera o portão aberto para as regiões superiores, e quanto mais amam, quanto mais honram, mais próxima será sua aproximação daquele portal.

Nenhum karma melhor chega a um homem do que encontrar o herói que possa lhe fazer companhia na entrada; nenhum karma mais triste do que vê-lo, num momento iluminado, e então deixá-lo de lado, cegado por uma Imperfeição que ele está superando.

CAPÍTULO VI

A VONTADE

1. A VONTADE CONQUISTANDO SUA LIBERDADE

RETORNAMOS agora à consideração daquele poder no homem com o qual começamos — a Vontade.

O estudante recordará que foi afirmado que era a Vontade do Self, do Self individualizado — individualizado embora ainda inconsciente de sua individualização — que o atraía para a manifestação.

Não por compulsão, não por necessidade externa, não por qualquer coisa que se opusesse a ele vinda de fora, mas pela grande Vontade da qual sua própria Vontade é parte — sua Vontade individualizada como um centro, mas ainda não separada pela circunferência da matéria — pulsando nele como o sangue vital da mãe pulsa no filho ainda não nascido, ele se estende em direção à manifestação, ansiando vagamente pelo rico frêmito da vida envolta em matéria, pelo exercício de poderes que anseiam por atividade, pela experiência de mundos tumultuosamente plenos de movimento.

Aquilo que conscientemente o Logos quer — o Logos querendo tornar-se encarnado num universo — todos os centros de vida individualizada dentro d'Ele também querem, embora como que cegamente e tateando em direção a uma vida mais plena.

É a Vontade de viver, de conhecer, e essa Vontade que se exterioriza dá início à manifestação.


Vimos que esta Vontade, o Poder do Self, torna-se o que chamamos Desejo nos planos mais densos da matéria, e que, cegada pela matéria e incapaz de ver seu caminho, sua direção é determinada pelas atrações e repulsões que atuam sobre ela a partir dos objetos externos.

Portanto, não podemos dizer do Self neste período que ele é autodirigido; ele é dirigido por atrações e repulsões que o tocam em sua periferia.

Vimos ainda que, à medida que o Desejo entrava em contato com a Inteligência, e esses dois aspectos do Self atuavam um sobre o outro, as emoções evoluíam, mostrando traços de sua linhagem, de sua mãe-Desejo e de seu pai-Inteligência.

E estudamos os métodos pelos quais a emoção pode ser controlada, posta em seus verdadeiros usos e, assim, tornada útil em vez de perigosa na evolução humana.

Temos agora de considerar como essa Vontade, o Poder oculto que sempre se moveu para a atividade, embora ainda não controlando a atividade, lentamente conquista a liberdade, isto é, a autodeterminação.

Em um momento consideraremos o que se entende por esta palavra "liberdade". Essencial e fundamentalmente livre em sua origem como o Poder do Self, a Vontade tornou-se ligada e limitada em suas tentativas de dominar a matéria na qual o Self entrou.

Não precisamos recuar diante de dizer que a matéria domina o Self, não o Self a matéria, e isso ela faz em virtude de o Self considerar a matéria como sendo ele mesmo, identificando-se com ela; à medida que ele quer através dela, pensa através dela, age através dela, ela se torna para ele verdadeiramente ele mesmo, e iludido ele clama: "Eu sou isto!" e enquanto ela o limita e o liga, ele, sentindo-a como sendo ele mesmo, clama: "Eu sou livre." Contudo, esse domínio do Self pela matéria é apenas algo temporário, pois a matéria está sempre mudando, vindo e indo, impermanente, e está sendo continuamente moldada e inconscientemente atraída e remodelada pelas forças em desdobramento do Self, permanente em meio ao impermanente.

Cheguemos ao estágio da evolução humana em que a memória se tornou mais forte do que o impulso instintivo de buscar o agradável e afastar-se do doloroso: em que a inteligência governa o Desejo, e a razão triunfou sobre o impulso.

O resultado da evolução de longas eras deve ser moldado, e parte desse resultado é a liberdade.

Enquanto a Vontade se expressa como Desejo, determinada em sua direção por atrações externas, ela obviamente não é livre, mas muito distintamente ligada.

Assim como qualquer criatura viva poderia ser arrastada por uma força maior que a sua própria força em uma direção não escolhida por ela, assim a Vontade é arrastada pela atração dos objetos, puxada ao longo do caminho que promete prazer, que é agradável de seguir; ela não age como uma força autodeterminada, mas, ao contrário, o Self está sendo arrastado por uma atração externa e compulsiva.

A VONTADE

Nenhuma imagem mais vívida do Self, sob essas condições, pode ser dada do que aquela citada anteriormente de uma antiga escritura hindu, na qual o Self é descrito como o condutor em uma carruagem, e os sentidos, atraídos por objetos que proporcionam prazer, são os cavalos ingovernáveis que carregam a carruagem do corpo e o condutor impotente dentro dela. Embora a Vontade seja o próprio Poder do Self, enquanto o Self estiver sendo carregado por esses cavalos indisciplinados, ele está enfaticamente preso e não livre.

É inútil falar de livre-arbítrio em um homem que é escravo dos objetos ao seu redor.

Ele está sempre em cativeiro, 264 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

ele não pode exercer escolha; pois embora possamos pensar em tal pessoa como escolhendo seguir o caminho para o qual as atrações o arrastam, na verdade não há escolha nem pensamento de escolha.

Enquanto atrações e repulsões determinarem o caminho, toda conversa sobre liberdade é vazia e tola.

Mesmo que um homem sinta que está escolhendo o objeto desejável, o sentimento de liberdade é ilusório, pois ele é arrastado pela atratividade do objeto e pelo anseio de prazer em si mesmo.

Ele é tão livre, ou tão pouco livre, quanto o ferro é livre para se mover em direção ao ímã.

O movimento é determinado pela força do ímã e pela natureza do ferro que responde à sua atração.

Para entender o que queremos dizer com liberdade da Vontade, devemos eliminar uma dificuldade preliminar que nos confronta na palavra "escolha". Quando parecemos ser livres para escolher, essa suposta liberdade de escolha significa liberdade da Vontade? Ou não é verdade dizer que a liberdade de escolha apenas significa que nenhuma força externa nos obriga a eleger uma ou outra das alternativas? Mas a questão importante que está por trás disso é: "O que nos faz escolher?" Se somos livres para agir quando escolhemos é uma coisa muito diferente de se somos "livres" para escolher, ou se a escolha é determinada por algo que está por trás.

Quantas vezes ouvimos dizer como prova da liberdade da Vontade: "Eu sou livre para escolher se saio da sala ou não; sou livre para escolher se deixo cair este peso ou não."

Mas tal argumento está fora da questão.

Ninguém nega o poder de uma pessoa, fisicamente sem restrições, de sair de uma sala ou permanecer nela, de deixar cair um peso ou sustentá-lo. O interessante A VONTADE

A pergunta é: “Por que escolho?” Quando analisamos a escolha, vemos que ela é determinada pelo motivo, e o determinista argumenta: “Seus músculos podem sustentar ou soltar o peso, mas se houver um objeto valioso e frágil por baixo, você não escolherá soltá-lo. O que determina sua escolha de não soltá-lo é a presença daquele objeto frágil. Sua escolha é determinada por motivos, e o motivo mais forte a dirige.” A questão não é: “Sou livre para agir?” mas sim: “Sou livre para querer?” E vemos claramente que a Vontade é determinada pelo motivo mais forte, e que, até esse ponto, o determinista está certo.

Na verdade, esse fato de que a Vontade é determinada pelo motivo mais forte é a base de toda sociedade organizada, de toda lei, de toda penalidade, de toda responsabilidade, de toda educação.

O homem cuja vontade não é assim determinada é irresponsável, insano.

Ele é uma criatura que não pode ser apelada, não pode ser raciocinada, não pode ser confiável, uma pessoa sem razão, lógica ou memória, sem os atributos que consideramos humanos.

Na lei, um homem é considerado irresponsável quando nenhum motivo o influencia, quando nenhuma razão comum o afeta; ele é insano e não está sujeito a penalidades legais.

Uma Vontade que é uma energia apontando em qualquer direção, empurrando para a ação sem motivo, sem razão, sem senso, poderia talvez ser chamada de “livre”, mas não é isso que se entende por “liberdade da Vontade”. Que a Vontade seja determinada pelo motivo mais forte deve ser dado como certo em qualquer discussão sã sobre a liberdade da Vontade.

O que então se entende por liberdade da Vontade? Só pode ser uma liberdade condicionada, relativa, no máximo, pois o Self separado é parte de um todo, e o todo deve ser 266 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

maior que, deve compelir, todas as suas partes.

E isso é verdadeiro tanto para o Self quanto para os corpos nos quais ele está revestido.

Ninguém questiona que os corpos estão em um reino de lei e se movem dentro da lei, só podem se mover pela lei, e a liberdade com que se movem é apenas em relação uns aos outros e em virtude da interação das inúmeras forças que se equilibram variada e infinitamente, e nessa variedade e infinitude oferecem inúmeras possibilidades e, assim, uma liberdade de movimento dentro de uma rigidez de servidão.

E o Self também está em um reino de lei, ou melhor, é ele mesmo a própria lei, como parte daquela natureza que é o Ser de todos os seres.

Nenhum Self separado pode escapar do Self que é tudo, e, por mais livremente que se mova em relação a outros Selfs separados, não pode, não consegue, mover-se para fora da vida que o informa, que é sua natureza e sua lei, na qual vive e se move. As partes não constrangem as partes, os Selfs separados não constrangem os Selfs separados; mas o todo constrange e controla as partes, o Self constrange e controla os Selfs.

Contudo, mesmo aqui, uma vez que os Selfs são o Self, a liberdade surge em meio à aparente servidão, e "ninguém mais compeliria". Essa liberdade de uma parte em relação a outras partes, embora em servidão ao todo, pode ser vista claramente na natureza física.

Somos partes de um mundo que gira pelo espaço e também revolve sobre seu próprio eixo, voltando-se sempre para o leste.

Disso nada sabemos, pois seu movimento nos carrega consigo, e tudo se move junto e ao mesmo tempo, e numa única direção.

Para o leste giramos com nosso mundo, e nada que possamos fazer mudará nosso curso. A VONTADE

Posso ir para o oeste de uma pessoa ou de um lugar, mas ambos giramos para o leste incessantemente.

E do movimento de uma parte em relação a outra parte serei consciente, por menor e mais lento que seja, enquanto do vasto e veloz giro que carrega todas as partes para o leste e sempre adiante, serei inconsciente, e direi em minha ignorância: "Eis que me movi para o oeste." E os altos Deuses poderiam rir compassivamente da ignorância do fragmento que fala da direção de seu movimento, não fosse que Eles, sendo agora cientes dos movimentos dentro do movimento, e do que é falso e contudo verdadeiro.

E ainda uma vez podemos ver como a grande Vontade opera inabalável ao longo do caminho da evolução, e compele todos a trilhar esse caminho, e ainda deixa a cada um escolher seu método de avanço e a maneira de seu trabalho inconsciente.

Pois a realização dessa Vontade necessita de todo modo de trabalhar e todo método de avanço, e toma e utiliza todos.

Um homem molda a si mesmo para um caráter nobre, alimenta aspirações elevadas e busca sempre prestar serviço leal e fiel a seus semelhantes; então será levado a lugares onde grandes oportunidades clamam por trabalhadores, e a obra será realizada por ele numa nação que necessita de purificação, e ele desempenhará um papel de herói.

O papel é escrito pelo grande Autor: a capacidade de preenchê-lo é de sua própria construção.

Ou um homem cede a toda tentação, torna-se propenso ao mal, e usa mal o poder que possui, desconsiderando a misericórdia, a justiça e a verdade em pequenos caminhos da vida diária; então será trazido ao nascimento onde a compaixão é necessária, e a crueldade, e os maus caminhos, e a Vontade será também forjada por ele em uma nação que está trabalhando 268            UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

as consequências de um passado maligno, e ele será dos fracos que tiranizam cruel e mesquinhamente e envergonham a nação que os carrega.

Novamente, o papel é escrito pelo grande Autor, e a capacidade de preenchê-lo é feita pelo próprio homem.

Assim trabalham as pequenas Vontades dentro da grande Vontade.

Vendo, então, que a Vontade é determinada pelo motivo condicionado pelos limites da matéria que envolve o Self separado, e pelo Self do qual o Self que exerce a Vontade é parte—o que queremos dizer com a liberdade da Vontade? Queremos dizer, certamente, que a liberdade é ser determinada de dentro, a servidão é ser determinada de fora; a Vontade é livre, quando o Self, querendo agir, extrai seu motivo para essa volição de fontes que residem dentro de si mesmo, e não tem o motivo agindo sobre ele a partir de fontes externas.

E verdadeiramente isto é liberdade, pois o Self maior no qual ele se move é uno com ele: "Eu Sou Aquilo"; e o Self mais vasto no qual se move esse Self maior é uno com esse mais vasto, e diz também: "Eu Sou Aquilo"; e assim por diante, em círculos cada vez mais amplos, se sistemas-mundiais e sistemas-universais forem considerados; contudo, o mais humilde "Eu" que se conhece pode voltar-se para dentro e não para fora, e conhecer-se como uno com o Self Interior, o Pratyagatma, o uno, e portanto verdadeiramente livre.

Olhando para fora, ele está sempre preso, embora os limites de sua servidão recuem infinitamente, ilimitadamente; olhando para dentro, ele está sempre livre, pois ele é Brahman, o Eterno.

Quando um homem é autodeterminado, então, podemos dizer que o homem é livre, em todo sentido em que a palavra liberdade é valiosa, e sua autodeterminação não é servidão, em qualquer sentido perturbador dessa palavra.

Aquilo que em meu Self mais íntimo eu quero fazer, aquilo a que nenhum outro me força, aquilo                                A VONTADE

carrega a marca que distingue entre o livre e o preso.

Até que ponto em nós, neste sentido da palavra liberdade, podemos dizer que nossa Vontade é livre? Na maior parte, poucos de nós podem reivindicar essa liberdade em mais do que uma pequena porção.

Além da mencionada escravidão às atrações e repulsas, estamos presos dentro dos canais feitos por nossos pensamentos passados, por nossos hábitos — sobretudo por nossos hábitos de pensamento — pelas qualidades e pelas ausências de qualidades trazidas de vidas passadas, pelas forças e pelas fraquezas que nasceram conosco, pela nossa educação e pelo nosso ambiente, pelas compulsões imperiosas do nosso estágio evolutivo, pela nossa hereditariedade física e pelas nossas tradições nacionais e raciais.

Portanto, apenas um caminho estreito nos resta por onde nossa Vontade possa correr; ela se choca constantemente contra o passado, que surge como muralhas no presente.

Para todos os efeitos práticos, a nossa Vontade não é livre.

Ela está apenas em processo de tornar-se livre, e só será livre quando o Self tiver dominado completamente os seus veículos e os utilizar para os seus próprios propósitos, quando cada veículo for apenas um veículo, completamente responsivo a cada um dos seus impulsos, e não um animal que luta, mal domado, com desejos próprios.

Quando o Self tiver transcendido a ignorância, vencendo os hábitos que são as marcas da ignorância passada, então o Self é livre, e então se realizará o significado do paradoxo: "em cujo serviço está a perfeita liberdade". Pois então se perceberá que a separação não existe, que a Vontade separada não existe,

que, em virtude da nossa Divindade inerente, a nossa Vontade é a Vontade Divina, e é ela que nos tem dado, ao longo da nossa longa evolução, a força para levar adiante essa ação, e que a realização da unidade da Vontade é a condição da liberdade.

Seguindo essas linhas de pensamento é que alguns encontraram a solução da controvérsia secular entre o "livre-arbítrio" da Vontade e o determinismo e, embora reconhecendo a verdade pela qual o determinismo lutou, também preservaram e justificaram o sentimento inerente: "Eu sou livre, não sou um autômato". Essa ideia de energia espontânea, de ímpeto que emana dos recessos interiores do nosso ser, está baseada na essência da consciência, no "Eu" que é o Self, o Self que, por ser divino, é livre.

2. POR QUE TANTA LUTA?

Ao examinarmos o longo curso da evolução, o lento progresso do desenvolvimento da Vontade, surge inevitavelmente na mente a pergunta: "Por que deveria haver toda essa luta e dificuldade? Por que deveria haver tantos erros e quedas? Por que essa longa servidão antes que a liberdade possa ser alcançada?" Antes de responder a isso, uma posição geral deve ser estabelecida.

Ao responder a qualquer pergunta, os limites da pergunta devem ser tidos em mente, e a resposta não deve ser julgada como inadequada por não responder à outra pergunta que está o tempo todo presente no fundo da mente. Uma resposta a uma pergunta pode ser adequada sem ser uma resposta final a todas as perguntas; e sua adequação não é avaliada se for descartada por não responder a uma questão adicional.

O erro de muitos estudantes surge de uma impaciência inquieta que não quer lidar com qualquer tipo de ordem com as perguntas que afluem à mente, mas exige que todas sejam respondidas de uma vez, e que a resposta a uma pergunta cubra todas as outras.

A adequação dos meios deve ser julgada em relação ao fim que esses meios se destinam a produzir.

Em todos os casos, a resposta deve ser julgada por sua relevância para a pergunta feita, e não por não responder a alguma outra pergunta aliada que esteja no fundo da mente.

Assim, a relevância de quaisquer meios encontrados em um universo deve ser decidida por um fim que se veja ser almejado nesse universo, e eles não devem ser julgados como se fossem oferecidos como resposta à pergunta adicional: "Por que deveria haver qualquer universo?" Essa pergunta pode de fato ser feita e respondida, mas a prova da adequação de um meio em um universo a um fim, visto como almejado nesse universo, não será essa resposta.

E não é evidência de que a resposta à pergunta original seja inadequada, se o questionador replicar: "Sim, mas por que deveria haver um universo?" Ao responder à pergunta: "Por que deveria haver todos esses erros e quedas ao trilhar o caminho da evolução?" devemos tomar o universo como existente, como um fato para começar, e estudá-lo a fim de descobrir o fim, ou, pelo menos, um dos fins, para o qual ele está tendendo.

Por que deveria tender para lá é, como foi dito, uma questão posterior, e das mais profundamente interessantes; mas é pelo fim descoberto que devemos julgar os meios empregados para alcançá-lo. Mesmo um estudo superficial da parte do universo em que nos encontramos nos mostra que um de seus fins — se não o seu fim — é produzir seres vivos de alta inteligência e forte vontade, capazes de tomar parte ativa em levar adiante e guiar as atividades da natureza e de cooperar no esquema geral da evolução.

Estudos posteriores, realizados pelo desdobramento das qualidades interiores e corroborados por escritos antigos, mostram-nos que este mundo não está só, mas forma um de uma série, que foi auxiliado na evolução de sua humanidade por homens de crescimento mais antigo, e que há de produzir homens de seu próprio crescimento para auxiliar mundos mais jovens em eras ainda não nascidas.

Além disso, mostra também uma vasta hierarquia de seres super-humanos, dirigindo e guiando a evolução, e, como centro do universo, o Logos tríplice, Regente e Senhor de Seu sistema; e diz que o fruto de um sistema não é apenas uma grande hierarquia de poderosas Inteligências, com fileiras de esplendor sempre decrescente que se estendem abaixo delas, mas também essa perfeição suprema de um Logos como coroa de tudo.

E desvenda panorama após panorama de esplendor crescente, universos onde cada sistema é apenas como um mundo, e assim por diante, em amplitude sempre mais vasta de ilimitada e gloriosa plenitude de vida sem fim.

E então surge a pergunta: “Por que meios serão evoluídos esses Poderosos, que sobem do pó às estrelas, e dessas estrelas que são o pó de sistemas mais vastos, às estrelas que são para eles como o nosso lodo é para o nosso sol?” Assim estudado, a imaginação falha em encontrar um caminho pelo qual esses Seres autossustentados e autodeterminados possam alcançar esse perfeito equilíbrio e a firme infalibilidade de sabedoria que os torna aptos a ser a “natureza” de um sistema, exceto justamente esse caminho de luta e de experiência pelo qual nos esforçamos hoje.

Pois poderia haver um Deus extra-cósmico, com natureza diversa daquela do Eu que vemos desdobrar-se ao nosso redor em                           A VONTADE

certeza harmoniosa de sequência encadeada, com a natureza irregular e caprichosa, mutável e arbitrária, incalculável, então poderia ser que, desse caos, fosse lançado um ser chamado "perfeito", mas verdadeiramente imperfeitíssimo, por ser limitadíssimo, que, não tendo experiência prévia e, portanto, sem razão e sem juízo, poderia, como uma máquina, agir "corretamente" em, i.e., de acordo com, qualquer esquema de coisas dado, e produzir, como faz uma máquina, a sequência de movimentos que lhe foi arranjada. Mas tal ser apenas se ajustaria ao seu esquema, e fora dele seria inútil, incompetente.

Nem haveria aqui vida, que é a auto-adaptação mutável a condições mutáveis, sem a perda, a desintegração do seu centro.

Pelo caminho atribulado pelo qual estamos escalando, estamos sendo preparados para todas as emergências nos universos do futuro com as quais possamos ter de lidar, e esse é um resultado que bem vale as provações a que estamos expostos.

Nem devemos esquecer que estamos aqui porque quisemos desdobrar nossos poderes através das experiências da vida nos planos inferiores; que nossa sorte é autoescolhida, não imposta; que estamos no mundo como resultado de nossa própria "Vontade de Viver"; que se essa Vontade mudasse — embora verdadeiramente ela não seja tão mutável — cessaríamos de viver aqui e retornaríamos à Paz, sem colher a colheita para a qual viemos.

"Ninguém mais obriga."

3. O PODER DA VONTADE

Esse poder — que sempre foi reconhecido no Ocultismo como a energia espiritual no homem, una em espécie com aquela que 274 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

emite, sustenta e reabsorve os mundos — está agora sendo buscado às cegas no mundo exterior, e está sendo quase inconscientemente usado por muitos como um meio de produzir resultados de outra forma inalcançáveis.

As escolas da Ciência Cristã, Ciência Mental, Cura pela Mente, etc., dependem todas, para seus resultados, do poder emanante da Vontade.

As doenças cedem a esse fluxo de energia, e não apenas os distúrbios nervosos, como alguns imaginam.

Os distúrbios nervosos cedem mais prontamente, porque o sistema nervoso foi moldado para a expressão dos poderes espirituais no plano físico.

Os resultados são mais rápidos quando o sistema simpático é trabalhado primeiro, pois este está mais diretamente relacionado ao aspecto da Vontade, na forma de Desejo, assim como o cérebro-espinhal está mais diretamente relacionado aos aspectos da Cognição e da Vontade pura.

A dispersão de tumores, cânceres, etc., e a destruição de suas causas, a cura de lesões e fraturas ósseas, implicam, na maioria das vezes, considerável conhecimento por parte do curador.

Digo "na maioria das vezes", porque é possível que a Vontade seja guiada do plano superior mesmo onde falta o conhecimento do plano físico, no caso de um operador em estágio avançado de evolução.

O método de cura, onde há conhecimento, seria o seguinte: o operador formaria uma imagem mental do órgão afetado em estado de perfeita saúde, criando essa parte em substância mental pela imaginação: então ele construiria nela matéria astral, densificando assim a imagem, e então usaria a força do magnetismo para densificá-la ainda mais com matéria etérica, construindo os materiais mais densos de gases, líquidos e sólidos nesse molde, utilizando os materiais disponíveis no corpo e suprindo de fora quaisquer deficiências.

Nisso, a Vontade é a energia guia, e tal manipulação da matéria é meramente uma questão de conhecimento, seja neste ou nos planos superiores.

Não há o perigo nas curas realizadas por esse método que acompanha aquelas realizadas por um sistema mais fácil e, portanto, mais comum, pela atuação sobre o sistema simpático mencionado acima.

As pessoas são aconselhadas, em alguns dos métodos agora popularizados, a concentrar seus pensamentos no plexo solar e a "viver sob seu controle". O sistema simpático governa os processos vitais — o funcionamento do coração, pulmões, aparelho digestivo — e o plexo solar forma seu centro mais importante.

Ora, a realização desses processos vitais passou, como explicado anteriormente,¹ para o controle do sistema simpático no curso da evolução, à medida que o sistema cérebro-espinhal se tornou cada vez mais dominante.

E o reavivamento do controle desse sistema pela Vontade, por um processo de concentração do pensamento, é um passo retrógrado e não um passo adiante, mesmo que muitas vezes produza um certo grau de clarividência.

Este método, como já foi dito, é muito seguido na Índia no sistema chamado Hatha Yoga, e o estudante aprende a controlar a ação do coração, dos pulmões e do aparelho digestivo; ele pode assim inibir os batimentos do coração, pode parar os pulmões, pode inverter a ação peristáltica, e assim por diante. E quando isso é feito, surge a questão: O que você ganhou com seu sucesso? Você trouxe novamente sob o controle da Vontade um sistema que, no curso da evolução, havia se tornado automático, para grande conveniência do dono dessas funções inferiores, e deu assim um passo atrás na evolução.

Fazer isso é um fracasso a longo prazo, mesmo que haja por um momento um resultado palpável a mostrar.

Além disso, a concentração do pensamento em um centro do sistema simpático e, sobretudo, no plexo solar, significa um sério perigo físico, a menos que o aprendiz esteja sob a observação física de seu professor, ou seja capaz de receber e trazer até o cérebro físico as instruções que lhe possam ser dadas em um plano superior.

A concentração no plexo solar tende a provocar uma doença de tipo peculiar e intratável.

Ela resulta em uma melancolia profunda e impossível de remover, em acessos de depressão terrível e, às vezes, em uma forma de paralisia.

Não por esses caminhos deve trilhar o estudante sério, que busca o conhecimento do Self.

Quando esse conhecimento é obtido, o corpo torna-se o instrumento sobre o qual o Self pode tocar, e tudo o que é necessário, enquanto isso, é purificá-lo e refiná-lo, para que entre em harmonia com os corpos superiores e seja preparado para vibrar ritmicamente com eles.

O cérebro será então tornado mais responsivo, e pelo pensamento industrioso — pela ação da meditação, não sobre o cérebro, mas sobre temas elevados — ele será gradualmente melhorado.

O cérebro torna-se um órgão melhor à medida que é exercitado, e isso está no caminho da evolução. Mas trabalhar diretamente sobre os plexos simpáticos é o caminho da retrogradação.

Muitos vêm, pedindo alívio dos resultados dessas práticas, e só se pode responder com tristeza: "Para desfazer o mal, levará anos." Resultados podem ser obtidos rapidamente retrocedendo, mas é melhor enfrentar a escalada ascendente, e então utilizar o instrumento físico de cima, não de baixo.

A VONTADE

Há outra questão a ser considerada na cura pela Vontade — o perigo de expulsar a doença para outro veículo, ao expulsá-la do corpo físico. A doença é frequentemente o desenlace final do mal que existia anteriormente nos planos superiores, e é então muito melhor deixá-la assim se resolver do que reprimi-la à força e lançá-la de volta ao outro veículo.

É o último desenlace de um desejo maligno, de um pensamento maligno, e em tal caso o uso de meios físicos de cura é mais seguro do que o uso de meios mentais, pois o primeiro não pode lançá-la de volta aos planos superiores, enquanto o último pode fazê-lo. O mesmerismo curativo não corre esse perigo, pertencendo como pertence ao plano físico; esse pode ser usado por qualquer pessoa cuja vida, pensamentos e desejos sejam puros. Mas no momento em que as forças da Vontade são derramadas no físico, há um perigo de reação, e de que a doença seja empurrada de volta para os veículos sutis dos quais ela proveio.

Se a cura mental é feita pela purificação do pensamento e do desejo, e pela ação natural e tranquila dos pensamentos e desejos purificados sobre o corpo físico, nenhum mal pode resultar; restaurar a harmonia física tornando harmônicos os veículos mental e astral é um verdadeiro método de cura mental, mas não é tão rápido quanto a cura pela Vontade e é muito mais difícil.

Pureza de mente significa saúde do corpo: e é essa ideia — de que onde a mente é pura o corpo deveria ser saudável — que tem levado muitos a adotar esses métodos mentais de cura.

Uma pessoa cuja mente é perfeitamente pura e equilibrada não gerará nova doença corporal, embora possa ter algum karma exaurido a liquidar, ou possa tomar sobre si algumas das desarmonias causadas por outros.

Pureza e saúde verdadeiramente andam juntas.

Quando, como é e tem sido o caso, algum santo é encontrado sofrendo fisicamente, esse ou está liquidando os efeitos de mau pensamento no passado, ou está carregando em si algo da desarmonia do mundo, voltando sobre si as forças da desarmonia, harmonizando-as dentro de seus próprios veículos e enviando-as novamente como correntes de paz e boa vontade.

Muitos têm ficado perplexos ao ver que os maiores e os melhores sofrem, tanto mental quanto fisicamente.

Eles sofrem pelos outros, não por si mesmos, e são verdadeiramente Magos Brancos, transmutando por alquimia espiritual, no cadinho de seus corpos sofredores, os metais básicos das paixões humanas no ouro puro do amor e da paz.

Além da questão dos modos de o corpo ser trabalhado pela Vontade, outra questão surge na mente: É bom usar a Vontade dessa maneira para ajudar? Não há certa degradação em usar o mais elevado poder do Divino dentro de nós a serviço do corpo, para produzir meramente uma boa condição de saúde física? É bom que o Divino assim transforme pedra em pão, e caia sob a própria tentação que Cristo resistiu? A história pode ser tomada historicamente ou miticamente — pouco importa; ela contém uma profunda verdade espiritual, um exemplo de obediência a uma lei oculta.

Permanece ainda a resposta do tentado: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus." Essa ética parece estar em um plano mais elevado do que aquela que subjuga o Divino ao serviço do corpo físico.

Um dos perigos do presente é a adoração do corpo, a colocação do corpo em um pedestal demasiado alto, como reação a um ascetismo exagerado.

Ao usar a Vontade para servir ao corpo, tornamo-la sua escrava, e a prática de remover continuamente pequenas dores e males, querendo que desapareçam, mina a qualidade superior da resistência.

Uma pessoa que age assim tende a ficar irritável sob pequenos desconfortos físicos que a Vontade não pode remover, e o poder superior da Vontade, que pode controlar o corpo e sustentá-lo em seu trabalho, mesmo que esteja sofrendo, é solapado.

A hesitação em usar o poder da Vontade para o alívio do próprio corpo não precisa surgir de qualquer dúvida quanto à solidez do pensamento, à realidade da lei, sobre a qual tal ação se baseia; mas de um receio de que os homens possam cair sob a tentação de usar aquilo que deveria elevá-los aos reinos espirituais como ministro do físico, e assim se tornarem escravos do corpo, e ficarem desamparados quando o corpo os falhar na hora da necessidade.

É uma lei oculta, que obriga todo Iniciado, que ele não pode usar um poder oculto para seu próprio auxílio; se o fizer, perde o poder de ajudar os outros, e não vale a pena perder o grande pelo pequeno.

A já referida história da tentação do Cristo tem um significado de alcance maior do que a maioria compreende.

Se Ele tivesse usado Seu poder oculto para transformar pedras em pão para o alívio de Sua fome, em vez de esperar com força paciente pelo alimento trazido pelos Seres Luminosos, Ele não teria sido capaz, mais tarde, de suportar o místico sacrifício da Cruz.

A provocação então lançada contra Ele continha uma verdade oculta: “Ele salvou outros: a Si mesmo não pode salvar.” Ele não podia usar, para poupar-Se de uma única dor, os poderes que haviam aberto os olhos dos cegos e purificado o leproso.

Aqueles que desejam salvar a si mesmos devem renunciar à missão divina de serem Salvadores do mundo.

Devem escolher entre um e outro à medida que evoluem.

Se em sua evolução escolherem o inferior e usarem os grandes poderes que conquistaram para o serviço de si mesmos e do corpo, então devem renunciar à missão superior de usá-los para a redenção da raça.

Há uma atividade mental tão imensa no presente momento que a necessidade é ainda maior de empregar seus poderes para os fins mais elevados.

4. MAGIA BRANCA E NEGRA

A Magia é o uso da Vontade para guiar os poderes da natureza externa e é verdadeiramente, como seu nome implica, a grande ciência.

A Vontade humana, sendo o poder do Divino no homem, pode subjugar e controlar as energias inferiores e, assim, produzir os resultados desejados.

A diferença entre a Magia Branca e a Negra reside no motivo que determina a Vontade; quando essa Vontade está voltada para beneficiar outros, para ajudar e abençoar todos os que estão ao seu alcance, então o homem é um Mago Branco, e os resultados que ele produz pelo exercício de sua Vontade treinada são benéficos e auxiliam o curso da evolução humana.

Ele está sempre se expandindo por tal exercício, tornando-se cada vez menos separado de seus semelhantes, e é um centro de ajuda de longo alcance.

Mas quando a Vontade é exercida para a vantagem do eu inferior, quando é empregada para fins e objetivos pessoais, então o homem é um Mago Negro, um perigo para a raça, e seus resultados obstruem e atrasam a evolução humana.

Ele está sempre se contraindo por tal exercício, tornando-se cada vez mais separado de seus semelhantes, encerrando-se dentro de uma casca que o isola e que se torna cada vez mais espessa e densa com o exercício de seus poderes treinados.

A Vontade do Mago é sempre forte, mas a Vontade do Mago Branco é forte com a força da vida, flexível quando necessário, rígida quando necessário, sempre assimilando-se à grande Vontade, a Lei do universo.

A Vontade do Mago Negro tem a força do ferro, apontando sempre para o fim pessoal, e ela se choca contra a grande Vontade, e mais cedo ou mais tarde deve despedaçar-se contra ela. É o perigo da Magia Negra contra o qual o estudante de ocultismo é guardado pela lei que lhe proíbe usar seus poderes ocultos para si mesmo; pois, embora ninguém seja um Mago Negro que não erga deliberadamente sua vontade pessoal contra a grande Lei, é bom reconhecer a essência da Magia Negra e reprimir os próprios primórdios do mal.

Assim como foi dito acima que o santo que harmoniza as forças de desarmonia dentro de si é verdadeiramente o Mago Branco, assim também é Mago Negro aquele que usa para seu próprio ganho todas as forças que adquiriu pelo conhecimento, volta-as ao serviço de sua própria separatividade e aumenta a desarmonia do mundo por seus apossamentos egoístas, enquanto busca preservar a harmonia em seus próprios veículos.

5. ENTRANDO EM PAZ

Quando o Self se tornou tão indiferente aos veículos em que habita que suas vibrações não podem mais afetá-lo; quando ele pode usá-los para qualquer propósito; quando sua visão se tornou perfeitamente clara; quando os veículos não oferecem oposição.


a partir de si mesmo os anima; então a Paz o envolve e o objetivo da longa luta é alcançado.

Tal pessoa,

centrada no Self, não mais se confunde com seus veículos.

Eles são instrumentos para trabalhar, ferramentas para manipular à sua vontade.

Ele então realizou a paz do Mestre, aquele que é totalmente senhor de seus veículos e, portanto, senhor da vida e da morte.

Capaz de receber neles o tumulto do mundo e de reduzi-lo à harmonia; capaz de sentir através deles os sofrimentos dos outros, mas não sofrimentos próprios; ele permanece à parte, além, de todas as tempestades.

Contudo, ele é capaz de sempre se inclinar para dentro da tempestade para elevar outro acima dela, sem perder seu próprio ponto de apoio na rocha do Divino, conscientemente reconhecido como ele mesmo.

Tais são verdadeiramente Mestres, e a paz deles pode, de vez em quando, ser sentida, ao menos por um tempo, por aqueles que se esforçam para trilhar o mesmo caminho, mas que ainda não alcançaram essa mesma rocha do Divino autoconsciente.

Essa união da vontade separada com a Vontade única para a ajuda do mundo é a meta que parece mais digna de ser alcançada do que tudo o que o mundo pode oferecer.

Não estar separado dos homens, mas uno com eles; não conquistar paz e bem-aventurança sozinho, mas dizer com o Bem-aventurado Chinês: “Nunca entrarei na paz final sozinho, mas sempre e em toda parte sofrerei e me esforçarei até que todos entrem comigo” — essa é a coroa da humanidade.

Na medida em que pudermos perceber que o sofrimento e o esforço são tanto mais eficazes quanto sofremos apenas nos sofrimentos dos outros e não sentimos sofrimento por nós mesmos, elevar-nos-emos ao Divino, trilharemos o “caminho da navalha” que os Grandes trilharam, e descobriremos que a Vontade, que nos guiou ao longo desse caminho, e que se realizou no trilhar desse caminho, é forte o bastante ainda para sofrer e se esforçar, até que o sofrimento e o esforço por todos terminem, e todos juntos entrem na Paz.

PAZ A TODOS OS SERES
ÍNDICE

PÁGINA
AÇÃO, Impulsiva ... ... ... ... ... 
„ O que é ... ... ... ... ... 
Atividade ... ... 5 e seguintes, 32, 36, 39, 40, 42, 50, 51, 
„ Correspondências de, com as Pessoas das Trindades ... 5, 
„ Germinação de ... ... ... ... ... 
Adi, Formação dos subplanos ... ... ... ... ... 
„ o Primeiro Plano ... ... ... ... 2, 3, 8, 
Analogia dos eixos dos cristais ... ... ... ... ... 
„ da aparência distorcida de um bastão na água ... ... 
„ do movimento da Terra e dos limites da liberdade do homem ... 
„ do embrião ... ... ... 30, 43, 76, 85, 
„ da chama e das faíscas ... ... ... ... ... 
„ da focagem do olho ... ... ... ... ... 
„ dos cavalos e do cocheiro ... ... ... 245, 
„ da eletricidade positiva e negativa ... ... ... ... 
„ da tecelagem ... ... ... ... ... ... 
Ananda, aspecto de Bem-aventurança do Logos ... ... ... ... 
Reino animal, Passagem para ... ... ... ... ... 
Animais e consciência astral ... ... ... ... ... 
„ centros no envoltório astral de ... ... ... ... 
„ sentimento ou sensibilidade de ... ... ... ... 
„ forçando a evolução de ... ... ... ... ... 288
UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PÁGINA Animais, Superiores, entidades reencarnantes                  . Antecipação e memória                                             ... Anupadaka, formação de sub-planos                                        14,            ,,           o Segundo Plano...                    2, 3, 8 e seguintes.

Arcanjos, (ver Devas) “ Assim como acima, assim abaixo "                                    .. 8, 22, 36, Corpo astral ...                                            ,.        106,   ,,              ,,    construído ao redor do átomo permanente                . ...   ,,              ,,    ou veículo do desejo              .       209 e seguintes        .          ,,    purificação de                             ...   ,,              ,,    Autoconsciência em                       ... Centros astrais                    ...     104, 106 e seg., 132, 161,   ,,              ,,     e sistema simpático                     107,   ,,        chakras                                       .    107, 124,   ,,        consciência, Alvorecer da             ...        .       119 e seg   ,,            plano.

Funcionamento em                               107,   ,,        autoconsciência e quarto conjunto de espirilas         ...   ,,        autoconsciência e glândula pituitária                   ...   ,,        envoltório.

Organização de                               120 e seg Astrologia e temperamento                                           ... Credo Atanasiano citado                                             ... Atlante, Consciência do...                                  122,                        Desenvolvimento dos sentidos do                    114, Atma-Buddhi-Manas                 ...          ... 36, 39, 40, 55, 156,   „         O que é o Plano Átmico, Formação de átomos do   ,,        o Terceiro Plano... Átomo (ou Átomos), Eixos de crescimento   ,,        evolução de                                            ...                              ÍNDICE

PÁGINA Átomo (ou Átomos), Cinco tipos fundamentais de                  13,   „    Formação de   ...       ...        ...              11,   ,,   Cósmico          ...       ...        ...        ...   ,,   de planos superiores guiados à Mônada por Devas            40,   „    de planos.

Formando       ...        ...              14,   ,,   Permanente      ...       ...     55 e seg., 81 e seg.

Permanente, e óvulo        ...        ...        ...   ,,   Permanente e Weismann              ....       ...   ,,   Permanente astral         ...        ...     68, 69,   ,,   Permanente átmico ou akáshico          ...              40,   ,,   Permanente, ligado ao Jivatma      ...        ...   ,,   Permanente búdico        ...        ...              40,   ,,   Permanente, Definição de ...        ...        ...   ,,   Permanente, História da passagem pelos reinos          inferiores     ...       ...        ...   78 e seguintes,   ,,   Permanente, elo entre formas inferiores e tríade   ,,   Permanente mânasico        ...        ...              40,   „    Permanente físico        ...    63 e seguintes, 68, 69,   ,,   Permanente, Recordação de vidas passadas através        137,   „    Permanente, Espirilas de   ...        ...              18,   ,,   Permanente, depósito de experiência            ...   ,,   Permanente, Uso de        ...        ...        ...   ,,   Poderes envolvidos em       ...        ...              19,   ,,   Último        ...      ...        ...        ... Subplanos atômicos.

Passagem direta da vida através     ... Atenção    ...      ...       ...        ...        185, Atração   ...       ...      ...        ...        ... Corpo áurico ...         ...      ...        ...        ... Automatismo dos corpos destruídos na morte ...           177,  290                UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PÁGINA Percepção ...             ...       ...       ...                  22,        ,,     e autoconsciência           ...            ...        ,,     em reações químicas...            ...         ...

EGO BEBÊ.

Becquerel, M. Jean, e raios N                ...             ... Benevolência               ...       ...       ...             ... Bhagavad-Gita, citado               ... 10, 132, 133, 206,                                                              207, Bindopanishat, citado               ...       ...            ... Bem-aventurança e virtude          ...       ...       ...            ...   ,,   Prazer e dor tornam-se modos de ...                   ... Corpos, Organização dos sutis           ...          159 e seguintes.

,,   Organização dos sutis, e temperamento               ... Corpo, Evolução de, a partir de um invólucro              ...             34,   ,,   Relação de, com a consciência            ...            ... Bose, Prof.

J.C., Experimentos de             ...        90 et seq., Brahman        ...        ...        ...      ...              25, Cérebro e loucura        ...      ...        ...             ...   ,,   como limitação     ...      ...        ...             141,   „    centro de autoconsciência         ...              ...   „    Efeito sobre, do desenvolvimento da consciência            ...   ,,   na consciência de vigília sobre            ...             ...   ,,   Pressão da superconsciência sobre ...                ... Brihadaranyakopanishat, citado               ...             ... Fraternidade humana ...        ...        ...             ... Buddhi, Desenvolvimento de            ...        ...             ...   ,,   Manas, Atma                 ... 36, 39, 40, 55, 156, Plano búdico.

Formação de átomos de         ...             ...                                       ÍNDICE

PÁGINA Corpo causal                                               44, 85, 101,        ,,         ,,     e memória                               ...        ,,         ,,     Formação de                             ... Multiplicação celular, como símbolo de separação no Primeiro Logos Sistema cérebro-espinhal                             105, 115, 122, 159,         „                  ,,   e consciência de vigília       ... Chakras, Astral                                       106, 124, 161, Reação química e evolução da consciência                  ... Chhandogyopanishat, citado                             ...              9, Chit, Sat, Ananda Clorofórmio, etc., Ação de                            ...        ... Escolha                                                 ...        ...   ,,         de papel na vida                                      ... Cristo, e a tentação de transformar pedras em pão                  ... Ciência Cristã                                      ...        ... Clarividência e Hatha Yoga                 ...                   ...         ,,         Superior                                         ...         ,,         Inferior .                                           121- Clifford, Prof., citado                                            ... Senso comum                                                      ... Concentração em Raja Yoga                             ...        ... Consciência                                                      ...     213 et seq.

Consciência                                      21 e segs., 34, 94,              ,,        Absoluta, Universal, Individual                  24,              ,,        analogia da eletricidade                     ...              ,,        e corpo                                   ...              ,,        e cérebro                         ...      ...              ,,        e vida idênticas              ...        ...              ,,        e memória                      ...        ... 292             UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PÁGINA Consciência e órgãos motores                         ...           >   e glândula pineal ...                   141.           >>   e corpo pituitário                     141,           ,,   e autoconsciência                   ...           ,,   e órgãos dos sentidos                       ...                e vibração                          ...                Animal...                              ...           >»   como percepção                           ...              Astral, despertado do físico          ...                Início do humano          ...   54, 55 e segs.

Nascimento da                               ...           »P   Clareza do físico                  ...                Poder criativo da                      ...           ,,   Sonho ...                              ...                Extensão da                           ...                Extensão da vigília                    ...                no mineral e no vegetal    ...              78,                nas Raças-Raízes                          ...                Incursões do super-                 ...     14(       ,,       Funcionamentos inferiores da, tornam-se automáticos.

9<                Mecanismo da                           ...      9(       ,,       do homem da quinta Raça-Raiz                 ...       ,,       Sete tipos de   ...                  ...       >       Estados do humano ...                 136 e segs.       ,,       Superfísico                        ...       >   t    símbolo do globo e da luz             ...                o mestre-construtor                    ...      ic                Três expressões fundamentais da      ...     5,                Transe ...                                      {                                 ÍNDICE

PAGE Consciência, Dois caminhos da         .                   ...          „         Unidades de         .                         87,          ,,        Unidade da         . 87, 89, 96,          „        Vigília           ...   88, 95, 105, 139 et seq.

Conversão, Repentina         ...                           ... Coríntios, citado         ...                           ... Criminosos, Tratamento de                                 ... Cruz, A                                              8 et seq,

DAIVIPRAKRITI ou Fohat                                  :.. Morte, Recolhimento da teia da vida na...            . Desejo                                                  191,          Despertar do ...                     ...130, 198 et seq.

e atração e repulsão                   200,          e emoção     ...                         224 et seq.

e prazer e dor                .          Natureza vinculativa do                           204 et seq.

Quebra dos laços do              206 et seq.t 215,          Cessação do                                     ...          comparado aos cavalos do cocheiro               ...          Conflito entre pensamento e                     206-          Evolução do          em sonhos                                      ...          Inferior, conquistado pelo superior                     ... ,          Purificação do ...                         219 et seq.

Relação do, com pensamento e ação             ...          Sexo, e emoção do amor                    222 et seq.

Transmutação do, em vontade                    ...          Valor da devoção em libertar do ..           ...  294                     UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PAGE Desejo, Veículo do                                           209 et seq.

,,        Vitalidade do superado                             ...    ,,        Vontade de viver e ...                              ... Devachan           ...                                        ... Devas              ...         ...   40, 46, 49, 52 et seq., 55 et seq.

„Surgimento de                                   ...   „          Ordens de                                         ...   „          Trabalho de           ...   52 et seq., 69, 76, 79, 81, 83, Devoção, Valor da                                             ... Diferença, Consciência da                                   ... Doença, Cura, pela vontade                                      274, Consciência de sonho ...                                 88, 143 et seq.

Dualidade, Base da                                             ... 4, Dever                                                          ...

TERRA, Evolução da ...                                       ... Elementos, Proto-         ,,      Os cinco                                      ... Elemental ...                                                 ...         ,,       os construtores dos corpos físicos ...           64, Essência elemental ...                                         ...         ,,      reinos                                    52, 55,         »                    Formação dos três           ...         t          „        O primeiro   «...                 ...         »>                  O segundo...               46, 55, 56,    ”                >>       O terceiro    ...               46, 56, Emoção                                                       ...     „,     e ação                           ...                      252 et seq.

,,     Responder ao mal pelo bem                                 ...                                  ÍNDICE

PÁGINA Emoção, Despertar, em outro        ...                   ...    ,,         Equilíbrio de, e intelecto                  ...    ,,          Tornar-se mestre de                  ...                  ...    ,,         Nascimento da                                    222,    ,,         Refreamento, pelo controle da fala   ...       250 et seq.

,,          Força distorciva da                          ...     „         Identidade do desejo e ...                   ...    ,,          Mal regulada...                              ...     ,,        diante do sofrimento                        244,     ,,        na família                             226 et seq.

,,        Força motriz no homem é                       ...     ,,        de ódio e de amor                          ...     ,,        Dominando a   ...                             ...     ,,        Desejo sexual e amor-    ...               222 et seq.

Estudo, de outros ... ,, Treinamento de ... ... ,, Transmutação de, em virtude e vício ... ... ,, Usos de ... ... ... 238 e seg., ,, Valor de, na evolução ... ... ,, Valor de, do culto ao herói ... ... ,, Valor da meditação ... Agora Eterno ... Eterno, O ... 9, 24, 28. Ética, A ciência da ... ... Mal, Retribuir o bem com o ... ... Evolução, Influência de vontades separadas na ... ... ,, Involução, e ... 19, 20, ,, Lei da ... ... ,, da consciência.

Começo de ... 296 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PÁGINA Evolução, Certo e errado na ... ... ,, Tomando, em mãos ... ... ,, Valor da emoção na ... ... A experiência evolui o conhecimento do certo e errado ... ...

FRACASSO, Equanimidade no ... ... Fadas (ver Devas) Família, Evolução da emoção na ... ... 226 e seguintes.

Medo ... Sentimento, a primeira manifestação da consciência ... 129, Campo da consciência humana ... 1. ,, Preparação do ... 11 e seguintes.

Quinta Raça, Desenvolvimento nervoso da ... 114 e seguintes.

,, ,, Órgãos dos sentidos da ... ... Quintos Rounders ... ... Fohat ... 12, 14, Forma, Símbolos da ... 3, 6, Liberdade de vontade ... 265, 268 e seguintes.

Liberdade de vontade, analogia da natureza física ... ... Liberdade de vontade.

Parcial ... 266,

GÊNIO, Lampejo de                              .                            ... Células-germinativas ... Gnomos (ver Devas) Deus, Vontade de                                            ... Goethe, citado                                . Bem, Retribuir o mal com o                            ... Almas-grupo                                56, 57, 78, 100,                  analogia de mãe e filho ...        ...                                  ÍNDICE

PÁGINA Almas-grupo, Definição de                          ...   ,,     „    Divisão de                           ...   „      ,,   Habitat de                            ...   „      ,,   As sete                             ...   „      ,,   Invólucro triplo de                    ... Gunas (ver Sattva, Rajas e Tamas)

ÓDIO e repulsão      ...                         ... Emoção de ódio e vício                               ...   ,,     ,,     entre iguais ...                  ...   ,,     ,,     na família                           228,   ,,     „      é do lado da matéria ...               ...   ,,     „      para com inferiores e superiores     ...   ,,     „      Usos de                             239, Hatha-Yoga                                          124, Saúde, Influência da mente sobre                        ... Homem Celestial                                              39- Hebreus, citado                                     ... Heresia, A grande                               ... Culto de heróis                                        ... Pessoas altamente evoluídas, Valor da associação com   ... Horóscopo, Valor do                                 ... Hipnotismo ...                                       ...

1CHCHHA (ver Vontade) Ideais, Grandes Mestres como                           ...    ,,   Como formar                                 ...                                                             Ol                               /-if 298             UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

PÁGINA

Ideais, Variedades de                                   216,

Imaginação ...                                        ... Impulso e intuição ...                              ...       ,,   Abster-se de agir sobre                   ... Individualização                                      ... Individualidade                                          ...      10’ Inércia, mobilidade, ritmo                                    12, Iniciado, Campo de consciência de       ,,   Lei que vincula                              ... Os instintos surgem do subconsciente                 ... Intelecto e emoção ...                              ...       „    Equilíbrio de, e emoção                   ...       „    Influenciado pela emoção                          ...     24 & intuição e impulso ...                              ...       „    Fonte de                                   ... Involução e evolução                              19, 20, Ishvara, Seu Corpo                                      ...       ,,   Formas-pensamento de                                  25,

JAMES, Professor, citado                         ...       ,,   referido a                         . Jivatma                             41, 44, 45, 95, 98, 112,       ,,   uma semente de vida divina    .                        42,       ,,   como embrião                                     ..       ,,   Apego de átomos permanentes a            ...       ,,   Nascimento de      ...        ...        ...     ...       ,,   evolui através dos reinos inferiores como parasita ...       ,,   Primeiros movimentos de consciência de ...     ... Jnana (ver Sabedoria)                                ÍNDICE 

PÁGINA Jnanendriyas, (sentidos de conhecimento)                  36, 107, João 1, ii, 15; citado                                ...

KAMALOKA                                   . Kama-manas Karma                                                  64,   ,,    Senhores de                                       64, Karmendriyas                                           36, Kathopanishat, citado                       . A Chave para a Teosofia, citado ...                      ... Átomo cósmico                                           ... Plano Cósmico, Mais Baixo... Kriya (ver Atividade) Kundalini                                             125,

APRENDIZADO é reminiscência                               ... Lemurianos, Consciência dos                          122,        „        Desenvolvimento dos sentidos dos        .        „        Terceiro olho nos                          ... Leônia 1, II, III, Caso de                  . Vida e consciência idênticas            .  „ Símbolos da                               .3, Onda de Vida, Primeira                            .   „        ,,        Segunda                   38, 45 e seguintes, 70,                 Terceira                       ...   98, 111, A Luz no Caminho, citada                                    9, Linha, A, como símbolo ...                               ...     7, Lógica Manifestação, Campo de Logos, Os três                                       2 e seguintes.


Logos   ,,    Corpo do   ,,    Tudo presente para   „     Primeiro   ...   ,,    Plano do   ,,    Planetário   ,,    Trabalho preparatório do, no sistema   ,,    reservatório de vida ...   „     Segundo               ...       7,9,16,18,32,7)   ,,    Segundo, Começo da atividade do   ,,    Segundo, como Tecelão   ,,   Segundo, Trabalho do   ,,   Autocondicionamento do   ,,   Estático e dinâmico   „     Terceiro                    ...   8,10,11,16,18,:   ,,   Terceiro, como Químico   „    Terceiro, Trabalho do ...   ,,   Formas-pensamento do   ,,   Unidade do, com o eu universal Senhores do Carma Amor, A força atrativa do   ,,    A Lei do Amor-emoção, uma energia construtiva   ,,       ,,         e atração   ,,       ,,         e deveres                       e vício            ...     ...   ,,       ,,         e virtude   ,,       ,,         entre iguais ...   ,,       >>         Nascimento do                                        ÍNDICE

PÁGINA Amor-emoção, Desenvolvimento do ...                          ...   „              ,,     desenvolve caráter moral ...   ,,             ,,     é do espírito               ...   ,,             ,,     para com inferiores e superiores   227,   ,,             ,,     Alargamento do                       ...

LOUCURA e “ grandes engenhos ”                 ...             ... Magia, branca e negra                                     ... Homem, Um em evolução   ,/ Consciência do médio ...                  ...   ,,        História de vida do, através das raças primitivas ...       ...   ,,        Centro normal de consciência do ...          ...    ,,       Normal, não autoconsciente nos planos superiores   ,, o microcosmo.

...                                                     ... Manas, Atma-Buddhi- ...              36, 39, 40, 55 156, Matéria, Características dadas a ...                ...        ,,        Estados etéricos de        ,,        é limitação        „         Inexistência de ...                          ...        „         Reflexo da Trindade em   ...        ,,        Sete tipos de                             ...48,        ,,        Estados de                                 ...        ,,        Três qualidades de «...                  12, 49, Mateus, v. citado                                          ...  Maudsley, Dr., citado                                      ...  Meditação ...                                           „...      ,, _ Obtenção de conhecimento por                           ...             ,,        Emoção dominante por             ...     ...  Memória,, uma função da mente                        ...     ... 302                UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PÁGINA Memória e antecipação                       ...         ...       ,,     e atenção                                ...       ,,     e células cerebrais                  ...          ...       ,,     e concentração                            ...     ,,      e aprendizado                                  ...     ,,      e objetividade                               ...    ,,       e percepção                    ...         174,     ,,      Astral, e percepções...        ...         ...     ,,      Nascimento de                                      ...    ,,       Definição de ...                 ...         ...     ,,       Expansão de...                               ...    ,,       no tempo e no espaço                             ...    ,,       em transe                                     ...    ,,       limitada por veículos                           ...    „        Natureza de                                   169 et seq.

não uma faculdade ... de experiências astrais ... de eus limitados 171, do Logos ... 170, de eventos e vidas passadas 180, 184, de sensações ... símile do viajante com lâmpada ... Imorredouro ... Universal, Contatando o ... Corpo mental, Autoconsciência em ... M Trabalho de ... cura, O melhor método de ... núcleo, Corpo mental construído ao redor ... re-despertado pela Mônada ... ÍNDICE

PÁGINA Plano mental, Formação de átomos de ... Mesmerismo ... ... ... ... Curativo ... ... ... Metais ... ... ... ... 91 e segs.

Metais, Proto— ... ... ... ... Micróbio, Definição de ... ... ... Mente e quebra dos laços do desejo ... ... ,, o sexto ou o décimo primeiro sentido ... 132, Reino mineral ... ... ... ... 76, ,, ,, Invólucro astral de ... ... ,, ,, Consciência em ... 80, ,, ,, Átomos permanentes em ... ... ,, ,, Prana em ... ... ... Mobilidade, inércia, ritmo ... ... ... 12, Moléculas ... ... ... ... 14, 16, Mônada, Ação da vida de, sobre átomos ... ... ;- analogia do embrião ... ... 30, ,, como células germinativas no Corpo do Logos ... ... ,, construindo seus veículos na reencarnação ... ,, Definição de ... ... ... ,, evolução da consciência nos mundos inferiores 31 e segs.

,,        Correntes de vida, através de sub-planos atômicos...        ,,        Condição original de       ...    ...    ... Essência mônica                  ...         ...    ...            45, Mônadas, Ação das, sobre espirilas              ...    ...            70,        ,,            ,,    ,, sobre átomos permanentes ...         ...        ,,        e evolução da matéria            ...      ...        ,,        e Vontade do Logos           ...    ...      ...        ,,        e vontade de viver            ...    ...     32, 33, 304             UM ESTUDO DA CONSCIÊNCIA

PÁGINA Mônadas são nossos verdadeiros eus                           ...    „     Nascimento das, no plano físico                ...    ,,    escolha de átomos permanentes                  ...    ,,    Emergência das                            ...    ,,    Diagrama da ação das                       ...    ,,    Temperamento fundamental das                 ...    ,,    no seio do Pai                         ...    ,,    na eternidade e no tempo e espaço          ...    ,,    Involução das                            ...    „     Originação das    ,,    Reflexo das                               39,    ,,    Temperamento secundário das                   ...    ,     Sete poderes vibratórios das                  ...    ,,    Algumas, não entram no universo quíntuplo      ...    „     tomam átomos permanentes ...                    39,    ,,    Três raios das                            ...      "    „     filhos mais jovens do Pai                 ... 9, Lua, Visitando a                                  ... Caráter moral, desenvolvido pela emoção do amor          ... Moralidade permeada pela religião                    ... Motivo                                              ... Órgãos e centros motores                         36, 108, Mulaprakriti                                               13, Ajuda mútua                                          ... Dano mútuo                                       ...

ESPÍRITOS da natureza (ver Devas) N-rays                                              ... Célula nervosa, Formação da                    ...                                             ÍNDICE

PÁGINA Impacto e resposta nervosa, História dos                    ...         160, Distúrbios nervosos                     ...                ...         ...    ,,             tensão de incursões da superconsciência    ,,             sistema.

Construção de           ...      ...      97, 99,        ,,         em diferentes raças            ...      ...      113 e seguintes

OPOSTOS, Os pares de                         .                    ... Orador, e controle das emoções                          ...         ...        ,,         e controle da fala ...               ...        ... Organismos, Anormais ...                         ...       ...        ... Origens                     ...       ...       ...       ...        ...    1, Superalma                   ...        ...       ...      ...         ... Óvulo, Fertilização do...                       ...      ...         ...

DOR, Natureza da                       ...       ...      128, 129, 199, t ,,            Ceder ao desejo traz       ...         ...         ...   ,7”produz poder                    ...       ...      ...         ... Vidas passadas, Memória das ...                       ...      ...         ... Paz, Eterna                       ...        ...      ...    187, 221, Pedigree do Homem, o, citado                   ...       ...       32, 40, Percepção e memória                           ...      ...         ...             „              Fundamento de         ...      ...         ... Átomo Permanente (ver Átomo) Corpo físico e lei cármica                    ...      ...         ...        „              ,,     e átomo permanente          ...         ...    ,,                 ,,     única autoconsciência         ...     ...    ,,                 ,,     apenas expressão parcial do homem          ... Mundo físico.

Senso de realidade primeiramente estabelecido em               ... 5lândula pineal e corpo pituitário ...                     ...     141, 164,  306                 UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PÁGINA  Planos, Base dos     ,,         Os cinco     ,                                 16,     ,,         Os sete  Plantas, Consciência nas                                     93,  Prazer e dor                                                         ...         ,,      Natureza do                              127,      „    produz vitalidade e coragem                  ...  Ponto como símbolo                                     6 e seguintes.

Prana                                                        ...    ,,        e teia de vida                              ...    t>        Astral, e sistema nervoso                ...    ,,        Definição da palavra                     100 e seguintes.

,,        nos reinos mineral e vegetal         ...    ,,        Tipos de                                                       ....   „ dos planos físico, astral e mental                  100- Pratyagatma          ...       #                 5 25, 29. Salmos, citados Psicologia, Oriental e ocidental                       ... Espírito público                                     ... Pitágoras, referido                               ...

QUATERNÁRIO, Kósmico Perguntas e Respostas, Verdadeiras relações entre         ...

RAJAS, Tamas, Satva ...                               ... 6, Raios, Os sete                                       ... Razão, Pura                                          ... Real e irreal                                       ... Realidade, Senso de, enraizado no mundo físico          ...                                          ÍNDICE

PÁGINA  Reed, Sr. Marcus, referido                ...               ... Reflexão, Explicação do termo                                  ...            ,,         da Mônada                               39, 41, Reencarnação                 „         Primeiros passos pelo Ego em cada            ...      ,,                   Como novos corpos são construídos em cada   156 et seq.

Repulsão                                                      ... Resposta nos vivos e não-vivos                             90 et seq.

Reverência                                                      ... Ritmo, inércia, mobilidade                                             12, Richardson, Dr. B. W., e Prana                               ... Certo e errado                                                214, Indignação justa                                                      ... " Ring-Pass-Not ”                                              ... Romanos, citados                                                   10, Raiz da matéria (ver Mulaprakriti) Raças-Raízes ...                                               162 et seq.

Raças-Raízes, Desenvolvimento da consciência em                    109, Governante, O Interno                                               ...

SANTO e Iogue, Comparação de                                  ...   „             Sofrimentos de      ...                         ...   „             O perfeito                                    241, Sat Satva, Tamas, Rajas               ...                          ... 6, Selvagem, e percepção astral               ...       ...   „             Efeito da exterminação de               ...       ,,            almas em ambientes civilizados            ... Ciência das Emoções, A, referida                          ... 308                  UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PÁGINA Ciência da Paz, A, citada ...                               ...                 ,,        referida a    ... Desprezo                                                           ... Doutrina Secreta, A, citada             12, 31, 32, 33, 39, 51,                                                64, 65, 90, 102, 112, Eu e não-eu                                      4, 203, 208,  ,, como bem-aventurança                                                   234,  ,, como cocheiro                                              ...  ,, como desejo                                         .  ,, como poder                                                   ...  ,, como pensamento                                                 208,  „ Grandes e pequenos eus                             169 et seq.,  ,, Matéria temporariamente domina o                             ...  ,, molda a matéria em formas                                   ...  „ O verdadeiramente livre                                     . Autopercepção e autoconsciência                                22, Autoconsciência         ...        22, 78, 130 et seq., 133,            ,,            Cérebro o centro da          .                          em veículos superiores                    ... Centros sensoriais                                         . Órgãos dos sentidos, Formação dos                           . Separatividade, a grande heresia                       .            ,,            Transcendência da             . Sete, O número           ...                                ... Relação sexual como base da emoção amorosa                       222 et seq.

,,         primeiro vínculo social                   . Envoltório, Organização do, em um corpo                            34, Seres Luminosos (ver Devas) Silêncio, Valor do                                    .                                            ÍNDICE

PÁGINA Pecador, Compaixão por                                     ...         ...    ,,             Maior, maior santo       ...         ...         ...   ,,              Repulsão de                           ...         ... Sexta Ronda                                             ...         ... Logos Solar                                                ...         ...   ,,         plexo, Concentração em ...                           275 et seq.

,,            sistema                                    ...         1 et seq.

Almas e corpos.

Incongruente                  ...         ...      117 et seq.

Espaço e tempo                                             ...         ... Fala, Controle da                             ...    -    ...         250,    ,,                  Regra de ouro de                      ,,,         ... Espirilas                                                  67, 70 et seq.,    ,,            Conexão de com clarividência           ...         ...    ,,            evolução no Raja Yoga                                 ...    ,,            Natureza e desenvolvimento de                 .. .   18, 71 et seq.

Espírito    ,,            Involução de                             ...    „             -Matéria                                               ...         ,,            da Terra                                                82,    „   Relação de, e matéria ...       . ..                          ... Homem espiritual, Crescimento do poder diretivo de                            ...         ,,             Tríade                               ...    40 et seq., Correntes, As sete                   ...                               ... Luta, Por que tanta                                      ...         270, Subconsciência                                          ...       136 et seq.

,,           armazena relíquias do passado               ... Subplanos, Formação dos                                    ...         ...'              „           de cada plano correspondem          ..               16, Sofrimento                                                  ...    215, 244,                    UM ESTUDO SOBRE A CONSCIÊNCIA

PÁGINA         Prana                                                100, Consciência               ...                               ...             ,,             Conteúdos de                     144 et seq.

,,             Manifestação de                  ...             ,,             Pressão sobre o cérebro de ...          142, la-nadi                                                      ... i                                                            ...     e Teia da Vida                                          ...         de forma e vida                                     ...   3, de nota musical e harmônicos                                ... etic sistema.

Origem e funções de 105, 107,                                     115, 121, 136, 159, 162, 274,

Rajas, Satva ...                                         ... 6,     i                                                     12, 46,                                                               13,     Srta. Helen, citada                                       ...     , Grande, como ideais                                       ...     mento, e organização de corpos ...                     ...                    Fundamental .                             ...                    Neurótico                                  ...                    Secundário                                 ...                    Terceiro   ...                  ...          ...         ...      ...         Conflito de, com a natureza do desejo                   213 e seguintes.

X                                                    147,         ventrículo                                              ...             Conflito entre desejo e                        206-             desejo e ação                        203,                                      ÍNDICE

PÁGINA  Formas-pensamento de Ishvara                                 ...         ,,      Germinação de                            ...         „       transferência                              ...  Limiar da consciência                               ...  Tempo e espaço                                           ...  Transe                                                           ...    „         e Raja Yoga ...                            ...    »         Condição da aura em                         ...    ,,        Obtenção de conhecimento durante                  ...    „         Vislumbres de vidas passadas em                    ...    „         Hipnótico                                     146,    ,,        Mesmérico                                     ...   „ de pessoa pouco evoluída                              ... Árvores, Vida das                                        82, 83, Tríade, Inferior                   ...       ...   58, 60 . 68, 84,    „         Inferior, como preservada no corpo causal          ...    „         produz setenário                          ...    „         Espiritual         ...       ...   42, 1 10, 111, Tríades, Diagrama das                                        ...    ,,        Função da                                  ... Triângulo Trindade, Base do    „          correspondências                               ...      5,

UNIDADE, Mental permanente                                          55, Unidade, Verdadeira fonte de ... Eu Universal Universo, Propósito do ... Irreal e real  312                UM ESTUDO EM CONSCIÊNCIA

PÁG VEGETAL, Invólucro astral do                .1C         „          reino                            ...       c         „         Prana em ...            .                  1C Vibração acompanha uma mudança de consciência       ... Vício, Definição de                                   231.    ,,   Emoção de ódio é                   . Virgem Maria ...                           . Virtude e bem-aventurança                          .    ,,   e emoção de amor                  .    ,,   e dor                          .    „    Nascimento do                                   230 et sec    ,,   Definição de        ...          ...   224, 231,    ,,   Crescimento do, na família              . Visões, A visão das                    . A Voz do Silêncio, citada         .

OBSERVADOR, Atma o                                ...                                 Tromba d'água, Símile da                    .                    7: Teia da vida.

59, 8. Weismann, referido a                     .                    6. Por que existe um universo?                 ...    28, 271, 27: Vontade          ...     5 e seg., 32, 36, 39, 40, 42, 50,  ,, analogia do cocheiro                           ... 26:  ,, e escolha                           .26'  ,, e desejo                                        ...    205, 208, 26:  „ e motivo                                        ...     26!  „ torna-se desejo                        .26:  „ Corpos formados por                     .                    19:  „ Correspondências de, com as Pessoas das Trindades     ...        i                                      ÍNDICE

PÁGINA Vontade, Cura de doenças por                  ...      ...         ...   ,,        Desejo como manifestação de          ...         195,   ,,        Liberdade de        ...       ...       ...    208, 265,   ,,        Grande, e evolução         ...      ...         ...   ,,        Natureza de          ...       ...      ...    191, 192,   „         de Deus, e harmonia          ...      ...         ...  „          Poder de           ...       ...      ...         ...   ,,        Uso egoísta de    ...        ...      ...         ...   ,,        toma o lugar do desejo        ...      ...         ...   „         de viver           ...       32,191,192,205,261,   ,,        conquistando sua liberdade          ...      ...      261 e seg.

Vontades, Pequenas, dentro da Grande Vontade         ...      ...         ...    ,        Separadas          ...       ...       ...         192, Sabedoria                 5 e seg., 32, 36, 38-40, 42, 50, 51, 191,        ,,      Correspondências de, com as Pessoas das Trindades

YOGA e evolução atômica                ...      ...         ...18,               Hatha            ...       ...       ...        ...               Raja             .                              150, Yogue e santo                 ...       ...      ...         ...             Condição de, em transe      ...      ...         ...             Consciência de, enquanto fora do corpo ...           ...